Frase da semana

Se você não pode protegê-los, não os colete

Marc Rotenberg, diretor do Electronic Privacy Information Center, sobre os dados de usuários do PlayStation 3 que vazaram nesta semana.

Publicado por Tiago Dória, em 30 de abril de 2011 (sábado).
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Wikileaks escancara perenidade do conteúdo na web

A internet é o único meio onde o conteúdo não fica amarelado ou embolorado em uma fita na gaveta. O conteúdo é perene. Ou, como melhor diria Erica, fictícia namorada de Mark Zuckerberg, no filme “A Rede Social” – as coisas na internet não são escritas a lápis. Dificilmente, você consegue apagá-las.

A repercussão do caso Wikileaks deixa essa característica da internet bem evidente. Tenta-se tirar o conteúdo do Wikileaks do ar, mas ele continua na rede, espalhado e eternizado em todos os cantos da web. Ou seja, os telegramas vazados pelo Wikileaks ficarão eternamente na rede. Lembra-se quando tentaram tirar o vídeo da Cicarelli do YouTube, mas ele sempre reaparecia em algum lugar?

O que alguns leitores mais atentos do blog já fizeram por email foi uma ligação entre uma “frase da semana” publicada por aqui, e os recentes ciberataques feitos por ativistas pró-Wikileaks contra sites governamentais e das empresas Amazon, Visa e Mastercard.

Há duas semanas, Alex Shipp, especialista em segurança online, disse que “estamos vivendo na era da guerra cibernética, onde os ataques podem ser feitos globalmente por qualquer pessoa em qualquer local”. E o que estamos vendo é quase uma ciberguerra, com sites sendo derrubados a todo momento e perfis pró-Wikileaks em plataformas de redes sociais retirados do ar.

Mantenho a mesma posição em relação ao Wikileaks, quando a organização vazou dados sobre a atuação do exército americano no Afeganistão. Ninguém sabe com 100% de certeza o que é o Wikileaks e como ele realmente funciona, menos ainda os seus interesses. Agora, então, ficou mais difícil ter esse conhecimento com a onda de informação e contrainformação criada em torno do caso.

Acredito que, com os ciberataques, o maior prejudicado será o próprio Wikileaks. Somente agora muita gente está conhecendo a organização, que existe desde 2006. E, para um público mais amplo, a impressão que pode ficar é de uma organização ligada a ciberataques e crackers.

Aliás, imagem da qual o próprio Wikileaks quer se afastar o mais rápido possível. Em entrevista à ABC da Austrália, os advogados de Julian Assange, fundador do Wikileaks, fizeram questão de afirmar que a organização não tem qualquer ligação com os ciberataques.

Segundo eles, o Wikileaks não é um “grupo cracker“, mas uma organização de mídia.

Pelo andar das coisas, penso que dificilmente NYTimes, Guardian e Der Spiegel manterão a parceria que tinham com a organização e que ajudou a escrever um dos capítulos mais interessantes da recente história do jornalismo em base de dados.

Inocente ou não, irresponsável ou não, o Wikileaks termina a semana com a imagem arranhada.

Veja também: Economist e o fim da universalidade da internet

Publicado por Tiago Dória, em 10 de dezembro de 2010 (sexta-feira).
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