Em publicações com o DNA 100% digital, os sistemas de gestão de conteúdo (CMS) são quase iguais a oxigênio. É neles onde editores, redatores e repórteres criam conteúdo.
Ou seja, é algo vital para o funcionamento dessas publicações.
Na área de jornalismo, os CMS`s sempre foram uma questão delicada – jornalistas têm demandas diferentes daquelas do usuário comum. Por exemplo, a questão do monitoramento das modificações (atualizações) num texto é um requisito essencial.
Apesar de serem vitais, CMS`s ainda são relegados a segundo plano. É comum encontrar, em sites de notícias, sistemas que não conversam com nada, além de ultrapassados dashboards que lembram mais as interfaces das primeiras versões do processador Word.
Nos últimos anos, em sites de conteúdo, principalmente nos que lidam com notícias, os sistemas de gestão de conteúdo vem sendo repensados. Esta revisão é guiada por dois motivos, que colocam em constante desafio a área de TI de diversas publicações:
1) Há uma expectativa que esse tipo de ferramenta seja cada vez mais integrada a outras tecnologias, como as móveis, e a diferentes plataformas, como Facebook, Twitter e YouTube (é meio obsoleto estar na rua e não poder atualizar um site direto do celular).
2) Semelhante a outras áreas, as empresas de jornalismo vêm sendo afetadas pelo processo de consumerização. Ou seja, há a crescente expectativa de que o sistema de publicação de um jornal seja tão “simples e amigável” quanto o Tumblr ou Twitter – ferramentas que utilizamos diariamente em nossa vida pessoal.
Recentemente, o NYTimes encontrou uma solução para o seu CMS. Lançou um código em javascript que permite controlar e registrar as modificações feitas em uma matéria (geralmente, em publicações, os textos passam por diversas mãos e revisões antes de serem postados).
O código está disponível no GitHub e pode ser usado junto ao WordPress.
Parece ser uma atitude simples e insignificante, no entanto é um exemplo de que algumas empresas podem encontrar soluções internas para problemas que são comuns a todo o setor.
Contudo, o mais relevante está em mostrar que os CMS`s requerem constante desenvolvimento. Não podem mais ser soluções fechadas, com começo, meio e fim. Devem sempre ser repensados, adquirindo novos recursos e integrações com outras tecnologias de publicação.
Afinal de contas, a área de mídia, a cada dia, está passando por uma transformação. E os sistemas de gestão de conteúdo devem acompanhar tal constância de modificações.
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Crédito da foto: Tonz
“A aula de informática é chata. Eu vou para a escola e o professor me ensina como usar o Word e o Excel… eu sempre quis criar meu próprio jogo, eu gostaria de aprender isso na escola. Eu iria fazer um muito bom e compartilharia com todos os meus amigos”.
É esse tipo de depoimento, registrado em escolas do Reino Unido, que motivou o guru dos games Ian Livingstone, fundador da Eidos, a criar a Next Gen, campanha que pretende passar um corretivo no currículo das escolas britânicas ao promover o ensino de Tecnologia da Informação.
O movimento pela TI nas salas de aulas tem o apoio de Google, Microsoft e outras empresas de tecnologia. No comecinho deste ano, ganhou um aliado importante – o Guardian, primeiro jornal no mundo a tratar internamente a área de TI como estratégica e não apenas operacional.
No site do Guardian, cidadãos, professores, alunos e até o ministro da Educação discutem a questão. O debate parece começar bem. A área de TI não é associada apenas a matemática e física, mas também a comunicação, história e artes.
Uma das discussões é sobre a ideia de Ciência da Computação ser uma matéria separada ou estar inserida como pano de fundo em todo o currículo escolar. Caso a segunda opção prevaleça, não será nenhuma surpresa em uma aula de história, por exemplo, a professora discorrer sobre história da tecnologia: quem é Martin Cooper e sua importância para a sociedade?
Além de criar uma mão de obra mais qualificada, a expectativa é que o bê-á-bá com TI aumente, a longo prazo, o número de mulheres na área de tecnologia e diminua o “analfabetismo digital” entre os ingleses. Em suas casas, estudantes acabariam replicando para seus pais e avós o que aprenderam na escola.
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, anunciou a inauguração, em setembro, da Software Engineering Academy, escola técnica de Ciência da Computação. A instituição terá como mentor o investidor Fred Wilson.
A justificativa de NY é que falta mão de obra qualificada para trabalhar nas startups que estão sendo criadas em torno da cidade. A cara estrutura de ensino de NY não estaria conseguindo responder ao recente boom de empresas locais de tecnologia.
A intenção é a mesma do Reino Unido – ensinar desde cedo noções de programação e negócios em torno de tecnologia.
Segundo Martin Paul Eve, pesquisador da Universidade de Sussex, é um atestado de burrice não ensinar às crianças como funcionam os milhares de softwares que estão no nosso dia a dia.
Numa época em que estamos cada vez mais acostumados a receber ferramentas prontas para uso – por meio de aplicativos fechados em smartphones e tablets – Paul Eve faz o contraponto.
Segundo ele, devemos ensinar os estudantes a criarem os seus próprios programas e algoritmos. Ou seja, não devemos somente dar o peixe, mas sim ensinar a criançada a pescar. Quem fizer isso merece 10.
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As polícias de Nova York e a de Londres talvez sejam as que têm os melhores estudos de uso de tecnologias. Volta e meia, em alguns eventos de TI, as duas organizações são citadas.
O NYTimes, por exemplo, descobriu que a polícia de Nova York está utilizando a Panoscan, câmera que produz imagens digitais em 360º e em alta resolução (esse tipo de câmera é geralmente usada para criar aquelas imagens panorâmicas de shows e paisagens).
No caso, a polícia de NY adota a tecnologia para registrar cenas de crimes, facilitando, desse modo, a análise posterior (alguns exemplos aqui).
Cada imagem demora de 3 a 30 minutos para ser gerada.
A polícia vem testando a tecnologia desde 2009.
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A Government Technology, principal publicação sobre a digitalização de governos, anunciou os vencedores do 2011 Digital Cities Survey, concurso que busca identificar as cidades mais digitais nos EUA.
A cidade de Honolulu, no Havaí, liderou o ranking.
Sem qualquer custo para os cidadãos, o município criou o projeto Kokua Wireless, que fornece internet sem fio gratuita para toda a cidade. Por meio de antenas no topo dos prédios, empresas privadas compartilham parte de sua banda ociosa e, em troca, ganham espaços publicitários na rede.
O governo municipal também implementou um sistema de ERP, que digitalizou e integrou todos os dados financeiros da cidade.
A previsão é de uma redução anual dos gastos públicos entre US$ 18 e 35 milhões.
Por sua vez, a cidade de Olathe, no Kansas, abraçou ferramentas sociais – Twitter e Facebook – como uma forma de envolver mais a população em reuniões de orçamento da cidade. Encontros do conselho da cidade passaram a ser transmitidos por uma emissora local, com participação ao vivo dos cidadãos por meio de Twitter e email (no caso de Olathe, a população já tinha uma boa noção de cidadania. A tecnologia foi apenas o combustível para que essa cidadania florescesse ainda mais).
A virtualização de 75% dos servidores da cidade garantiu o terceiro lugar para Roseville, na Califórnia. O processo de virtualização garante maior economia e otimização de uso dos recursos de um servidor.
Percebe-se – o que une todas essas cidades vencedoras do 2011 Digital Cities Survey é um conceito simples. Tratar tecnologia não como meio, mas fator de geração de valor. Lição de casa para municípios em outros países.
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Crédito da foto: Ricky
Nos recentes conflitos que aconteceram no Oriente Médio, Twitter e Facebook ficaram com a fama. Todavia, nos bastidores havia uma organização que estava e ainda continua fazendo um trabalho tão ou mais importante.
A Telecom Sem Fronteiras (TSF) segue os mesmos moldes da organização Médicos Sem Fronteiras. No entanto, em vez de assistência médica, fornece serviços de telecom – telefonia, satélites, antenas de celular, internet – para regiões afetadas por conflitos ou desastres naturais.
Ligada à ONU, a Telecom Sem Fronteiras foi criada em 1998, durante o começo do burburinho da internet comercial. É formada em grande parte por profissionais de TI.
Segundo a FastCompany, nesta semana, a TSF já entrou em ação na cidade de Sirte na Líbia, na tentativa de restabelecer a infraestrutura de telecomunicação, que foi praticamente destruída durante o conflito entre rebeldes e defensores do governo de Kadafi.
O trabalho da TSF deixa evidente que ter acesso à internet tornou-se uma necessidade tão urgente quanto a assistência médica. Aliás, com o acesso à rede, o serviço dos médicos e de grupos humanitários ganha outra logística.
Sem infraestrutura de internet, nem a mais popular plataforma online de comunicação (aka Facebook) consegue entregar os seus serviços para os usuários. Por aí se vê que quem controla a infraestrutura tem um grande poder em mãos.
Para entender melhor essa relação entre plataformas de redes sociais, infraestrutura e o trabalho da Telecom Sem Fronteiras, sempre vale a pena citar um conceito da área de TI e também bem comum da área de telecom.
A internet é uma plataforma com duas camadas – as aplicações ou websites (Twitter, Facebook, YouTube) e, abaixo dessa camada, a infraestrutura.
As aplicações vão e voltam. Hoje é o Facebook, amanhã será outra.
A infraestrutura, ao contrário, é bem menos volátil. Aliás, ela é responsável pelas características intrínsecas da internet – descentralização, device agnostic, convergir mídias.
Na realidade, Facebook, Twitter e Amazon são apenas as aplicações que, atualmente, melhor sabem tirar proveito dessas características da internet.
No caso, a Telecom Sem Fronteiras atua justamente nesta camada de base – na infraestrutura. Ela não dá remédio, mas supre uma das necessidades mais importantes – a comunicação.
Veja também: Liberdade na internet, segundo a UNESCO