
“Já aconteceu do Gmail ficar fora do ar por alguns minutos, mas como hoje, nunca vi, já passou mais de uma hora”
Representante do Google France em declaração ao site 20 Minutes.
Na terça-feira, no período da manhã, quando a maioria das pessoas está acessando seus emails, o Gmail ficou fora do ar por 3 horas. A pane causou problemas para empresas e usuários. A Google pediu desculpas e resolveu ressarcir alguns usuários do serviço pago do Gmail.
O caso rendeu diversas críticas na rede, o Gmail passou a ser chamado de Gfail (imagem acima).
É a segunda vez que um serviço importante da Google sofre uma pane mundial em menos de um mês. No dia 31 de janeiro, devido a uma falha, durante 40 minutos, o Google dizia que todos os sites que apareciam em sua busca estavam infectados e você não conseguia acessá-los.


No final de semana, o Google sofreu uma pane mundial. Foi como uma tela azul (famosa tela de erro do Windows) só que do sistema de busca. Durante 40 minutos, o Google dizia que todos os sites que apareciam em sua busca estavam infectados e você não conseguia acessá-los.
Aqui, no Brasil, o assunto foi noticiado e já morreu. Mas lá fora abriu-se um debate sobre uma suposta “monocultura” que o Google criou na web (tudo gira em torno do sistema de busca).
Larry Dignan, do ZDnet, por exemplo, aponta para o perigo (dependência) que a Google criou – as pessoas, em sua maioria, conhecem e utilizam apenas um mecanismo de busca. E diz que o Google ainda não é ponto de monocultura como o sistema Windows foi há algum tempo, mas logo será. E pergunta. E se o mesmo tivesse acontecido com o Ask.com, alguém teria percebido?
Om Malik, do blog GigaOM, um dos mais influentes na área de tecnologia, diz que esse tipo de reação (“a internet quase parou”) será cada vez normal à medida que o Google ficar maior e estender o seu “controle sobre a nossa vida digital”. Para exemplificar essa dependência do Google, comenta-se que sites tiveram uma queda de 50% no tráfego durante a pane.
Essas cutucadas no Google não são novidade. Faz tempo que a lua de mel da Google com parte da imprensa de tecnologia e blogs (pelo menos, os da lista A) acabou. Antes, por exemplo, era raro ver um post explorando as tentativas frustradas da empresa em tornar o YouTube rentável.
Tudo isso abre terreno e dá combustível para o próximo livro de Andrew Keen, autor do The Cult of the Amateur e crítico feroz da chamada Web 2.0. Provisoriamente batizado de The Google Paradox, o livro terá como alvo o sistema de busca.
E baterá na tecla de que quanto mais o Google mata a tradicional indústria editorial com o conteúdo gratuito (via seu sistema de busca), mais livros serão escritos sobre o papel do Google em nossa economia. O que para ele é uma contradição.