Resposta da Google à “neutralidade das buscas”

Eu já havia adiantado o tema na quarta-feira, no post “Google e a neutralidade das buscas“.

A Google publicou, em um de seus blogs oficiais, uma resposta à proposta de regulamentar o mercado de busca. O texto é assinado pela Marisa Mayer, vice-presidente de produtos de busca.

“Na nossa opinião, a noção de ‘neutralidade das buscas’ ameaça a inovação, competição e, principalmente, a sua habilidade como usuário de melhorar a forma como você encontra informações (…) Os defensores da ‘neutralidade das buscas’ estão efetivamente dizendo que eles sabem o que é ‘melhor’ para você. Nós acreditamos que os consumidores devem ter a capacidade de decidir por si próprios”

Ainda nesta quinta-feira, o NYTimes publicou um editorial a favor da “regulamentação governamental” no sistema de busca da Google. O que parece ser uma proposta de difícil realização já que, cada vez mais, cresce o lobby da Google em Washington.

Uma vez mais, a empresa de busca está sob ataque.

Veja também: Google e Obama (um caso de amor)

Publicado por Tiago Dória, em 15 de julho de 2010 (Quinta-feira).
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Google e a neutralidade das buscas

A Google tem, uma vez mais, seus passos questionados. Desta vez,  pelo que é conhecido como “neutralidade das buscas” – da mesma forma que deve existir neutralidade no acesso e uso da infraestrutura da internet, o mesmo deve ocorrer no mercado de buscas.

Defensores da “neutralidade das buscas” focam em dois pontos. O primeiro deles – por agregar uma quantidade enorme e crucial de informações, os sistemas de buscas devem ser transparentes e abertos quanto às suas políticas (o que seria um verdadeiro tiro no pé da Google, pois a empresa seria obrigada a revelar os detalhes de seu algoritmo de busca).

E o segundo, diferente do que acontece atualmente, concentrações devem ser evitadas no mercado de buscas – segundo a Hitwise, o Google detém 71% do mercado nos EUA.

Independentemente de até onde vai a relevância desse movimento pela “neutralidade das buscas“, ele dá oportunidade para fazer duas observações:

1) A Google pode até não ser uma empresa de mídia, mas é vista como uma, no sentido de que queremos que ela tenha uma postura neutra, aberta e transparente. Em sua maioria, esperamos que, por exemplo, a Google tenha a mesma postura de um bom jornal, defenda valores democráticos (liberdade de expressão) e seja transparente, não seja “evil”.

Um exemplo dessa expectativa aconteceu durante o embate Google vs China. A expectativa era que a Google protegesse as informações do controle governamental.

2) As críticas à concentração são legítimas, mas é preciso levar em conta que a Google opera em um mercado sob o chamado efeitos de rede (economia de escala). Quanto mais um serviço é utilizado, mais valor há em usá-lo. Quanto mais pessoas utilizarem o Facebook e o Google, por exemplo, melhores eles ficam, mais sentido há em utilizá-los. Como consequência, um mercado deste tipo incuba concentrações.  É natural que o forte fique mais forte e o fraco, mais fraco.

Contudo, isso não quer dizer que não há possibilidades dessa situação se inverter a qualquer momento.

Atualização em 15/07 – O NYTimes publicou um editorial a favor de que o governo dos EUA regulamente o sistema de busca da Google.

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Publicado por Tiago Dória, em 14 de julho de 2010 (Quarta-feira).
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