Responsabilidade em 140 caracteres

O Twitter anunciou uma nova política - removerá mensagens de usuários em certos países. Se algum conteúdo for contra a cultura e as leis locais de um país, ele será removido mediante solicitação.

A medida faz parte da estratégia de expansão internacional do serviço.

Para manter a transparência, sempre que uma mensagem for bloqueada, um aviso será mostrado no serviço de microblogging e a pessoa que fez a publicação será informada.

Além disso, diferente do que acontecia antes, quando o Twitter for solicitado a retirar um conteúdo, ele ficará indisponível somente no país onde a solicitação foi feita. Em outros países, as mensagens continuarão acessíveis.

Na verdade, o que o Twitter está dizendo é – em sua expansão internacional, não se colocará acima da legislação do país em que atuar. Fará tudo em harmonia com as leis e cultura locais.

É a mesma postura de Google e Facebook. No entanto, o Twitter será mais transparente. Deixará claro quando e qual conteúdo foi removido.

Apesar dessas medidas de transparência, a chiadeira na web é grande.

O que sempre chama a atenção neste tipo de caso é a expectativa que as pessoas depositam em empresas como Google, Twitter e Facebook.

Elas até podem não ser empresas de mídia, mas as pessoas têm a expectativa de que elas estão ao lado de valores democráticos e de liberdade, e que nunca adotarão qualquer medida que coloque os usuários em segundo plano.

Essa expectativa tem certa explicação. Nos últimos anos, o serviço prestado por elas adquiriu um forte impacto moral e social.

É certo que empresas de internet, como Twitter e Facebook, buscam a acumulação de lucro. No entanto, para uma parte expressiva dos usuários, são serviços com acentuado e indiscutível interesse público.

Tal análise pelo público não é ruim. Afinal quantas empresas de internet não gostariam de atingir esse grau de percepção e prestígio entre os usuários, chegando a ser vistas como algo de interesse público?

Talvez as últimas empresas percebidas dessa forma nos EUA tenham sido a AT&T e Bell, ao terem assumido papéis fundamentais na expansão da telefonia em território americano.

Por outro lado, essa expectativa joga uma grande responsabilidade nas costas.

O Twitter talvez tenha sentido o peso dessa responsabilidade nesta semana. Será que agüenta?

Veja também: A imortalidade do conteúdo digital

Crédito da foto: eldh

Publicado por Tiago Dória, em 27 de janeiro de 2012 (sexta-feira).
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Liberdade na internet, segundo a UNESCO

Nesta semana, a UNESCO, ligada à ONU, publicou um novo estudo sobre liberdade de expressão na internet.

O relatório, intitulado “Freedom of Connection – Freedom of Expression: The Changing Legal and Regulatory Ecology Shaping the Internet“,  republica alguns dados de uma pesquisa de 2010 da BBC, indicando que 44% dos brasileiros acreditam que a internet é um lugar seguro para expressar as suas opiniões.

E ainda – 91% dos entrevistados no Brasil revelam que a internet deveria ser um direito fundamental, semelhante ao acesso a água, luz e esgoto.

A questão mais interessante é que o estudo da UNESCO é um dos primeiros a demonstrar que as formas de censurar a internet vão muito além de “bloquear/não bloquear” o acesso, algo abordado recentemente por pesquisadores importantes como Evgeny Morozov, no livro Net Delusion.

Uma delas é o crescimento do monitoramento das atividades na rede. Governos estão começando a usar a internet a seu favor e a perceber o enorme valor das informações publicadas espontaneamente nas redes sociais.

Nisso, o monitoramento desses espaços é constante em países como China e Irã.

Atualização - Em um relatório publicado nesta sexta-feira pela própria ONU, a organização considera o acesso à internet um direito humano básico.

Veja também: Tim Berners-Lee acionou o alarme de incêndio

Publicado por Tiago Dória, em 3 de junho de 2011 (sexta-feira).
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