A foto acima é do fotógrafo italiano Pietro Masturzo e foi vencedora, na categoria “Foto do ano”, do World Press Photo 2009, um dos mais importantes prêmios de fotojornalismo.
A imagem foi tirada no ano passado, em junho, durante os protestos no Irã e faz parte de um ensaio maior chamado “Telhados de Teerã“.
Interessante é a história da foto, que mostra mulheres gritando no telhado de um prédio, na capital do Irã. Todo dia, mesmo após os protestos serem encerrados nas ruas, por volta das 22h, iranianos iam aos tetos de seus prédios gritar palavras contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad, vencedor de uma eleição presidencial considerada fraudulenta.
O brasileiro Daniel Kfouri ficou em 3º lugar do prêmio na categoria “Esportes”.
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Para ajudar a explicar o que vinha fazendo desde 2001 em seu blog Editor: Myself, o iraniano Hossein Derakhshan (foto) resolveu, em 2005, criar o termo “bridge-blogger“. Refere-se a pessoas que utilizam o seu blog para fazer uma “ponte” entre duas culturas.
Por exemplo, autores de blogs que escrevem sobre a política chinesa para uma audiência americana. Neste caso, essas pessoas funcionam como “pontes”, traduzindo e contextualizando notícias e acontecimentos locais para o inglês.
Neste sentido, atuei como “bridge-blogger” durante a Pop!Tech 2007. E Derakhshan fazia uma “ponte” entre a cultura iraniana e a americana.
O iraniano também atuou como um hub para o crescimento dos blogs no Irã. Ainda em 2001, criou um guia sobre como blogar e burlar a censura no país.
Formado em Sociologia pela Universidade Nacional do Irã, logo chamou a atenção da imprensa inglesa e virou colaborador do Guardian em 2005.
É uma pessoa que tem um peso histórico para quem acompanha ou estuda blogs há algum tempo.
Derakhshan voltou a ganhar destaque, mas desta vez por que está preso há um ano no Irã. Uma vez mais, sabe-se pouco do que é acusado (atualmente, a acusação é a de ser “espião de Israel“).
Nesta terça-feira, a organização Global Voices Online, que defende a liberdade de expressão, lançou o site “Vozes Ameaçadas“, que monitora e mapeia as prisões de jornalistas e autores de blogs em todo o mundo.
Depois de China e Egito, o Irã é o terceiro na lista dos países que mais ameaçam a liberdade de expressão. E Derakhshan está ao lado de outros 22 jornalistas e autores de blogs presos no Irã.
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“Será necessário mais do que um site para mudar esse país.
Mas um bom blog é um bom começo”
Antes e durante o ano de 2005, período das eleições no país, esse foi o mantra de muitos autores de blogs iranianos. Na época, a pouca imprensa que existia foi abafada. Para furar o bloqueio, manifestantes, observadores internacionais e cidadãos do Irã se voltaram para os blogs.
Era a ferramenta que simbolizava a luta pela liberdade de expressão. Alguns foram tirados do ar, outros conseguiram manter-se online. Com a importância que essas ferramentas adquiriram, o presidente eleito Mahmoud Ahmadinejad passou a assinar um blog, idéia que depois foi abandonada.
No massacre da praça da Paz Celestial, na China, em 1989, estudantes utilizaram um aparelho de fax para burlar o bloqueio à imprensa e passar por cima da imprensa chapa branca. Publicaram textos e fotos que eram enviados direto para universidades e hospitais do país. O fax era o Twitter da época.
Desta vez o que menos importa é a ferramenta que os manifestantes iranianos estão utilizando (YouTube? Twitter? Friendfeed?), o fato é que agora o povo está em rede nas ruas e na internet. Isso é o que se repete e está mais evidente (se isso vai causar alguma mudança profunda e prática é outra história).
Em 2005, os blogs iranianos concentraram as atenções. Conquistaram respeito internacional, mas censura interna. Hoje o seu uso não está sob holofotes no Irã devido a anos de bloqueio que, a meu ver, os deixaram engessados. Um de seus principais autores e ícones, por exemplo, está preso desde o ano passado e o seu blog fora do ar.
No final das contas, o uso do Twitter roubou a cena, o que ajuda a alimentar o receio de que quanto mais visibilidade uma ferramenta adquire, menos ela poderá ser utilizada no futuro como mecanismo de liberdade de expressão. Portanto, não será nenhuma surpresa se o Twitter tiver um futuro parecido ao de alguns blogs, ou seja, o bloqueio e o cerceamento permanente no Irã.