Frase da semana

Meu filho de 3 anos tem um iPad. Provavelmente ele sabe usá-lo melhor do que eu

Comentário sobre pesquisa da Nielsen que ratifica que os tablets viraram “brinquedo de criança“.

Publicado por Tiago Dória, em 18 de fevereiro de 2012 (sábado).
Categoria: frasedasemana. Tags: , , ,

Apple e a consumerização da educação

Em meio à discussão sobre a SOPA, uma notícia expressiva passou meio despercebida na semana passada – a entrada mais efetiva da Apple na área educacional.

Educação sempre esteve em seu DNA, mas, desta vez, a empresa cofundada por Steve Jobs avançou alguns degraus ao lançar ferramentas para a venda e a criação de livros didáticos/aplicativos para o iPad.

Livros didáticos que, diga-se de passagem, são mais interativos e multimídia que os atuais de papel.

A curto prazo, o lançamento faz parte da estratégia da Apple na área educacional, que foi reformulada há 6 anos, fazendo dobrar a participação da empresa no setor. O foco deixou de ser somente o usuário final para serem os professores, diretores de escolas e políticos.

Também numa perspectiva menor, o lançamento faz parte da tática da Apple de adicionar mais valor ao iPad, justificando desse modo o seu preço frente a concorrentes como o Kindle Fire.

Contudo, numa perspectiva maior, o lançamento da Apple é reflexo de um processo de consumerização da área de educação. A tendência é que, cada vez mais, você use na escola ou faculdade os mesmos dispositivos que normalmente utiliza em casa, na vida pessoal.

Ou seja, na escola, os alunos têm a expectativa de utilizar os mesmos aplicativos e dispositivos que eles estão acostumados a usar em casa.

A consumerização é geralmente associada à área corporativa, porém, segundo relatório da Trend Micro, nos EUA e Japão, o setor de educação lidera o processo (80%), seguido do de saúde (69%).

Existem diversos entraves, mas, potencialmente, a entrada mais efetiva da Apple acelerará ainda mais o inevitável processo de consumerização na educação.

Veja também: Consumerizacao nos sites de noticias

Publicado por Tiago Dória, em 23 de janeiro de 2012 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , , , ,

Desenvolvedores têm impacto social

Em um post em seu blog oficial, o Zite explica em detalhes como funciona o seu algoritmo e a dinâmica de entrega de conteúdo dirigido para milhares de pessoas todos os dias.

Para quem ainda não conhece, o Zite é um aplicativo para iPad que funciona como uma revista personalizada. De acordo com os perfis em plataformas de redes sociais, hábitos de leitura na web e assuntos preferidos, o Zite recomenda e apresenta conteúdos.

É um produto relativamente novo na arena do “Daily Me” – publicações digitais personalizadas de acordo com as nossas preferências. Tem menos de 1 ano.

Chama a atenção no post não o modus operandi do algoritmo do Zite, mas a forma como ele pode influenciar o que as pessoas consomem de informação e a sua maneira.

Qualquer ajuste no Zite muda imediatamente a matéria exibida para você, ao abrir,  logo de manhã, o aplicativo pela 1ª vez.

Neste ponto, concordo com o pesquisador Eli Pariser, autor de Filter Bubble. A cada dia, desenvolvedores têm mais poder em mãos; como consequência, suas ações possuem, cada vez mais, acentuado impacto social. Quando o Facebook ou a Google fazem modificações nos algoritmos de seus produtos, não há somente uma mudança técnica, mas também uma relevante influência na forma como milhares de pessoas consomem informações durante o dia.

Ou seja, criar ou modificar um algoritmo não é mais uma questão estritamente técnica, mas sim algo que pode gerar efeitos sociais.

Na área de desenvolvimento, a frase do Tio Ben nunca esteve tão atual – “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Veja também: Criador da web é contra os encurtadores de url

Publicado por Tiago Dória, em 13 de janeiro de 2012 (sexta-feira).
Categoria: pesquisa. Tags: , , , , ,

eBay em segunda tela

Mais um a adotar o conceito de segunda tela (TV como tela principal e dispositivos móveis – tablets, smartphone e laptops – como segunda tela).

O site de comércio eletrônico eBay estreou em seu aplicativo para iPad um recurso chamado “Watch with eBay“. Por meio da funcionalidade, é possível comprar produtos relacionados ao que você está assistindo na TV.

O aplicativo do eBay é o primeiro independente das emissoras a permitir fazer isso.

Em outubro, a Fox anunciou o lançamento de um aplicativo que possibilitava comprar merchandise e figurino dos personagens de Sons of Anarchy enquanto você assistia à série na TV. Tipo de iniciativa chamada de “couch commerce”, em alusão ao fato de na hora da compra a pessoa estar sentada no sofá em frente à TV.

Veja também: Disney em segunda tela

Publicado por Tiago Dória, em 5 de dezembro de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: gadgets. Tags: , , , , , ,

Por que a CNN comprou a Zite?

Em meados de agosto, a CNN comprou a Zite, empresa responsável pelo aplicativo de mesmo nome – uma revista personalizável que agrega e recomenda conteúdo de diversos sites.

Na época, logo após o anúncio da compra, criou-se uma especulação. A CNN adquiriu a empresa para brecar novos entrantes? Aumentar o portfolio digital?

A resposta saiu nesta semana. Na realidade, a CNN comprou a tecnologia por trás do Zite, que recomenda conteúdos de acordo com a navegação do usuário.

Durante o Digital Publishing Summit, na Flórida (EUA), Meredith Artley, editora da CNN.com, afirmou que a intenção é integrar a tecnologia de personalização ao site da emissora.

Recentemente, a CNN anunciou que a interface do site se adaptará ao que o usuário está fazendo.

Ou seja, utilizará uma dinâmica um pouco parecida com a do sistema de busca Bing, da Microsoft. Quando você procura por um tênis, o Bing se transforma num “guia de compra”, permitindo visualizar os sapatos por preço, marca, estilo.

No caso da CNN, somente nos finais de semana, a interface do site da emissora emulará a experiência de leitura de uma revista digital.

Segundo Artley, essa mudança surgiu a partir da constatação de que, durante o final de semana, a quantidade de usuários cai, contudo o tempo de permanência dobra (time-spent) no site da CNN. Sinal de que, fora dos dias úteis, as pessoas estão mais propensas a ler matérias mais aprofundadas.

Veja também: Nova home da BBC aponta para mudanças na área de mídia?

Publicado por Tiago Dória, em 26 de outubro de 2011 (Quarta-feira).
Categoria: cnn. Tags: , , , , ,

Segunda tela para fazer compras

A Fox anunciou o lançamento de um aplicativo de segunda tela, que permite comprar merchandise e figurino dos personagens de Sons of Anarchy enquanto você assiste à série na TV.

O aplicativo sincroniza com a TV por meio de uma tecnologia de identificação de som. Assim que os produtos aparecem no seriado, é possível comprá-los no tablet.

É o primeiro aplicativo de segunda tela que a Fox lança e que serve para fazer compras.

Em fevereiro deste ano, a emissora lançou um aplicativo de segunda tela para a série Bones, no entanto, exibia, em sincronia com a TV, apenas informações complementares sobre o seriado.

Veja também: Disney em segunda tela

Publicado por Tiago Dória, em 24 de outubro de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , ,

Balanço 2011 das APIs e mashups

Desde quando ganharam popularidade entre 2000 e 2010, as APIs são vistas como um termômetro da web. Graças a elas, o ato de desenvolver uma aplicação ficou mais eficiente, principalmente para pessoas que não têm um conhecimento avançado a respeito de programação.

Além disso, as APIs facilitaram a proliferação dos mashups (mesclagem de dados e propriedades de dois ou mais serviços/sites diferentes).

O Programmable Web, que monitora o uso de APIs e a criação de mashups, divulgou um balanço.

Atualmente, existem mais de 3.700 APIs e 6 mil mashups listados no Programmable.

A API mais popular é a da Google Maps, seguida da do Twitter e do Flickr. A API do serviço de mapas da Google é utilizada em 41% dos mashups.

Uma tendência, meio que esperada, no último ano, é o crescimento significativo do uso das APIs do Facebook e do Twitter. As duas APIs foram utilizadas em mais de 900 mashups.

O mashup mais popular criado no último ano é o Office2, aplicativo que, ao explorar a API do Box.net, permite editar, no iPad, arquivos do Word e do Excel em uma interface parecida com a do Office.

Um estudo anterior do Programmable Web indicou que as APIs públicas estão crescendo a uma taxa comparável ao crescimento dos sites há 15 anos.

Veja também: Geotagging e mashups puxam inovação no jornalismo online

Crédito das fotos: Mooi

Publicado por Tiago Dória, em 29 de agosto de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: mashups. Tags: , , , , , ,

Livro com trilha sonora. Faz sentido?

Há a ideia de que a partir do momento em que livros se tornassem softwares (aka aplicativos), inevitavelmente acabariam se remixando com outros tipos de mídia.

Uma startup que ganhou as páginas do NYTimes nesta semana tenta realizar um pouco disso.

A Booktrack pretende oferecer uma tecnologia que permita adicionar trilhas sonoras a livros-aplicativos para tablets. Semelhante a um filme com trilha sonora.

Conheço pessoas que gostam de ler um livro com uma música de fundo. No entanto, a ideia da Booktrack é que cada livro eletrônico venha com uma trilha sonora pré-selecionada. É possível sincronizar a leitura com o som. Se você leu sobre uma porta, você escuta o som dela se abrindo.

Na App Store, há uma versão de The Adventures of Sherlock Holmes desenvolvida pela Booktrack.

A tecnologia pode ser interessante especificamente para livros infantis.

Confesso que não me atraiu. Acredito que a graça de ler um livro é justamente o silêncio, o fato de ser uma atividade concentrada e solitária.

Veja também: Ilustrador da Pixar cria “livro-aplicativo”

Publicado por Tiago Dória, em 26 de agosto de 2011 (sexta-feira).
Categoria: livros. Tags: , , , ,

“iPadização” do computador pessoal

A Apple é a típica empresa que, com o passar dos anos, criou uma consistente posição no mercado, sendo identificada pelos consumidores com algo do futuro da internet. O que a Apple faz hoje será comum no mercado daqui a pouco. Foi assim com os aplicativos para smartphones, as telas sensíveis ao toque de mão, os tablets e o iTunes. Poucas empresas de tecnologia têm essa imagem.

Nesta semana, a empresa deixou clara essa posição ao lançar o Mac OS X Lion, nova versão do seu sistema operacional. O lançamento é visto como uma mudança profunda, similar a que ocorreu nos anos 80, quando a Apple apresentou um dos primeiros produtos com interface gráfica de usuário.

O Lion traz diversos conceitos da interface dos tablets para o computador pessoal (desktop). Por um certo tempo, as interfaces de sistemas para desktop influenciaram as interfaces móveis e touch. Agora o contrário acontece. O Lion mescla elementos do mobile/touch com o desktop.

No Lion, estão diversos recursos e elementos visuais da interface do iPad – aplicativos em tela cheia, salvamento automático de quase tudo, instalação de aplicativos com apenas um clique, rolagem natural das páginas (o que confundiu muita gente no início), além da dispensa do uso de pastas/diretórios e do mouse (se você não usa o computador para jogar games complexos e editar gráficos detalhados, dá para se virar tranquilamente com o trackpad de múltiplos toques).

O recurso LaunchPad (imagem acima), por exemplo, faz com que a interface do desktop fique semelhante à do iPad, com todos os aplicativos centralizados na tela. Similar ao iPhone ou iPad, você pode organizá-los em “folders”.

A integração com a App Store ganha mais destaque. Semelhante ao iPad, todas as atualizações e compras são centralizadas na loja de aplicativos da Apple. O próprio Lion não foi distribuído em CDs, mas apenas via transferência por meio da App Store.

A tendência é que a App Store torne-se o único meio de distribuição dos aplicativos usados no Mac, o que proporcionará mais simplicidade e segurança na compra e atualização dos softwares. No entanto, poderá aumentar ainda mais o controle da empresa sobre todo o ecossistema.

A Apple não é a única a seguir essa linha de trazer elementos da interface mobile para o desktop, dispensando assim pastas e barras de rolagem. Apresentado no mês passado, o Windows 8 tem vários recursos visuais do sistema Windows Phone 7 da Microsoft.

A intenção da empresa cofundada por Bill Gates é parecida – ter uma experiência mais unificada em todos os seus dispositivos, sejam eles mobile ou desktop.

Enfim, a tendência é que, cada vez mais, as interfaces mobile e desktop fiquem homogêneas e que as empresas mesclem ainda mais a sua visão mobile com a desktop. O que, no final das contas, promete ser uma das principais características da chamada “Era Pós-PC“. Período de tempo que, a rigor, não indica a morte do computador pessoal, mas sim sobre o que vem após.

No caso, esse “após” promete ser um cenário formado pelo computador pessoal (desktop) sofrendo modificações para suportar experiências cada vez mais mais intuitivas e unificadas.

Estamos num momento histórico da computação pessoal.

Veja também: Era pós-PC, segundo Ray Ozzie

Publicado por Tiago Dória, em 21 de julho de 2011 (Quinta-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , , , , , , , ,