“Tecnologia para crises” está entre as mais inovadoras

Depois da revista FastCompany, a ótima Technology Review, do MIT, publicou a sua lista das 50 empresas mais inovadoras.

Na categoria web, sem muitas novidades – Hulu, Twitter, IBM.

O que chamou a minha atenção foi a presença do projeto Ushahidi (havia o conhecido na Pop!Tech 2008, se não me engano). É uma plataforma de visualização e gestão de dados voltada para a utilização em momentos de crise. Foi muito usada recentemente no Haiti.

Tem a proposta de mapear os locais que mais precisam de ajuda em uma região afetada por um terremoto ou enchente, por exemplo. Voluntários podem enviar informações sobre pessoas desaparecidas, falta de água, pontes quebradas, diretamente das ruas por meio de mensagens de celular, email, twitter.

O Ushahidi, na realidade, surgiu como um projeto de “jornalismo colaborativo” no Quênia, em 2007, para mapear relatos de violência durante o processo eleitoral.

É mais um exemplo do uso do celular junto a tecnologias de plotagem de dados, que facilitam a visualização de informações. Mistura de mobilidade e cidadania.

Veja também:
Uma cidade mapeada pelos próprios cidadãos

Publicado por Tiago Dória, em 23 de fevereiro de 2010 (Terça-feira).
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CNN estreia vídeo em 360º

Se o cinema está migrando para a tecnologia 3D, os vídeos online estão indo para 360º.

Em seu site, a CNN inaugurou o uso de vídeos em 360º para mostar a situação atual no Haiti.

A tecnologia é a mesma utilizada pela MTV americana, no ano passado, para fazer transmissões ao vivo de vídeo em 360º. Foi fornecida pela Immersive Media, empresa responsável também pela tecnologia do Google Street View.

Para conferir os vídeos em 360º da CNN, é só seguir aqui.

As imagens foram gravadas na última semana em Porto Príncipe (para virar a câmera para os lados, é só clicar no vídeo, segurar e arrastar).

No vídeo abaixo, detalhes de como as cenas foram captadas. Longe de ser uma “espetacularização”, é um bom exemplo de como uma tecnologia, quando aplicada ao campo do jornalismo, pode nos ajudar a ter uma noção melhor sobre um acontecimento.

Veja também:
Cinco “firulas” em sites de notícias em 2009

Publicado por Tiago Dória, em 23 de janeiro de 2010 (sábado).
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Haiti: postura da mídia mudou em relação à cobertura cidadã

Os primeiros relatos partirem de pessoas comuns (cidadãos-jornalistas), a internet ser a única estrutura de informação e dispositivos móveis serem os principais meios para pedir ajuda e se informar já não são mais novidade em tragédias.

O que o terremoto no Haiti demonstrou é que a postura da mídia mudou em relação à chamada “cobertura cidadã” (relatos e conteúdo produzidos por cidadãos).

Logo quando eu soube da tragédia, a associação que fiz foi com o Tsunami em 2004, na Ásia. Situações parecidas. Tragédias de grandes proporções. Regiões sem estrutura de internet, logo a cobertura mobile adquiriu importância maior ainda. Poucos jornalistas no local, portanto primeiros relatos partindo de cidadãos, web via satélite como principal tecnologia de informação.

Na época do Tsunami, este blog tinha quase dois anos de existência. Fiz um liveblogging da tragédia. Para mim, foi uma das experiências mais marcantes com internet. Pessoas enviavam links, trocavam informações pelos comentários, meio de improviso criou-se uma rede internacional de blogs que divulgavam informações e eu estava inserido nela. Era um dos poucos blogs em português.

Em relação à logística como as informações circularam, tudo o que ocorreu no Haiti aconteceu na época. A web reunindo os primeiros relatos e sendo o principal meio de informação, dispositivos móveis via web satélite sendo usados, empresas de tecnologia se reunindo para ajudar as vítimas (na época, a Amazon arrecadou US$ 3 milhões por meio de seu site).

Além das ferramentas (na época blogs em destaque. Hoje, Twitter), a diferença mesmo foi a postura da mídia, que, naquele momento, ficou muito reticente em utilizar os relatos que chegavam via internet, o material que a chamada “cobertura cidadã” produzia.

Na tragédia no Haiti percebe-se que a postura já é bem diferente. Grandes sites de informação assumiram o papel de curadores do conteúdo que estava sendo publicado na web. NYTimes, CNN e MSNBC logo correram e montaram as suas listas no Twitter.

Blogs foram colocados no ar, apontando para links externos com informações úteis. Aliás, está virando praxe quando acontece uma tragédia, a imprensa correr para Orkut, Facebook, Flickr, Twitter e YouTube para colher os primeiros relatos, fotos e vídeos.

Neste sentido, o relato de Emily Purser, da SkyNews, é bem emblemático. Ela escreve sobre a importância do Facebook, YouTube e Twitter em seu trabalho na cobertura.

A tragédia do Haiti representou a consolidação de que mudou a postura da mídia em relação à chamada “cobertura cidadã”.

Veja também:
Mahalo e estudantes se destacam na cobertura

Publicado por Tiago Dória, em 14 de janeiro de 2010 (Quinta-feira).
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