Nem bem começou o ano e a Google anunciou modificações importantes em um dos produtos mais utilizados na web. Por meio do recurso Search plus Your World, a empresa integrará dados e conteúdos do Google+ em seu sistema de busca, que ficará mais personalizado.
Perfis e conteúdos, publicados e indicados por contatos que estão no Google+, ganharão destaque especial nos resultados das buscas.
Na realidade, o Search plus Your World é uma extensão mais radical do recurso Google Social Search, porém, desta vez, os dados de origem vêm do Google+.
A notícia da alteração chegou a ofuscar as informações que estavam vindo lá da CES 2012, tradicional feira de eletrônicos que acontece em Las Vegas, nos EUA.
Dois motivos chamam a atenção nas modificações:
É a primeira vez que a Google, abertamente, favorece conteúdo de uma empresa nas buscas. No caso, conteúdo dela mesma, o que vai contra a premissa histórica da Google de não dar maior relevância ao conteúdo desta ou daquela empresa nos resultados de buscas.
O Google continua sendo uma caixa-preta. Mas, desta vez, está mais transparente. O Search plus Your World é opcional. Existe a possibilidade de desativar as buscas personalizadas. Ou seja, você tem mais controle sobre a forma como a busca é customizada.
De imediato quem mais sai prejudicado com o novo recurso é o Twitter, que tinha boa parte de seu conteúdo apresentado nos primeiros resultados das buscas. Desde que se assumiu como uma empresa de conteúdo e, deste modo, viver exclusivamente de publicidade, o Twitter necessita de pageviews para rechear os seus relatórios de audiência. Com a má colocação nos resultados, os pageviews decaem. A chiadeira do Twitter é justificável; é uma questão de sobrevivência.
O Facebook é um caso à parte. Até hoje me pergunto quantas pessoas realmente usam a funcionalidade de busca na plataforma de rede social. O grande potencial do Facebook está em ser um importante utilitário de comunicação para o usuário final e uma exclusiva e segmentada base de dados para empresas e anunciantes. Busca é algo importante para o Facebook, mas talvez não na dimensão em que é supervalorizada em diversos artigos.
Além de ser uma etapa importante no projeto de incrementar os resultados das buscas e de fazer o Google+ uma camada social e um fator de integração entre todos os produtos da Google, o Search plus Your World parece ser mais uma tentativa de atrair mais produtores de conteúdo para o Google+. Publique o seu conteúdo no Google+ e ele aparecerá em destaque nos resultados das buscas.
Aliás, desde as modificações anteriores em seu sistema de busca, a Google vem favorecendo quem produz conteúdo original na web, ao fornecer suporte para certas tags e associações de perfil do Google+ (Google Agent Rank)
A grande questão é se a mudança incentivará as pessoas a começarem a usar ou a utilizar com mais intensidade o Google+?
Até agora, o “overwhelmed consumer factor” parece jogar contra a Google e a favor de Twitter e Facebook. Talvez as duas empresas nem precisem recorrer a recursos jurídicos, leis antitruste, para minimizar a movimentação da Google.
Cada vez mais, as pessoas estão ocupadas e entupidas de informações, não tendo tempo nem paciência para mudar da plataforma habitualmente utilizada e que lhes é eficiente.
Quando começam a surgir muitas opções, você fica confuso e acaba optando pela alternativa mais segura. Ou seja, deixar como está.
Veja também: O futuro do Google+ está nas “redes privadas”?
Se as atuais plataformas de redes sociais pretendem ser um retrato de nossos relacionamentos sociais, elas estão na pré-história. Essa é uma das sensações que fica ao ler Grouped, de Paul Adams, um dos principais pesquisadores por trás do Google+.
A mecânica das atuais plataformas de redes sociais não consegue suportar e refletir nem 10% da complexidade dos nossos relacionamentos.
Para começo de conversa, os relacionamentos são tratados de forma cartesiana. É 8 ou 80. Você curte ou não curte alguma coisa. É amigo ou não de uma pessoa. Enquanto isso, na vida fora da internet, os nossos relacionamentos são bem mais complexos, caóticos e cheios de nuances.
Da mesma forma, as plataformas nos convidam a organizar, de forma consciente e binária, os nossos amigos e familiares em listas e círculos, enquanto que, no dia a dia, encaramos os nossos contatos de forma caótica e subconsciente. A todo momento, estamos tirando e colocando pessoas em nossos círculos.
Perto da controvérsia que foi criada em torno do seu lançamento, Grouped (168 páginas/Editora New Riders Press) tinha tudo para ser um dos livros mais vendidos na área de internet.
A polêmica começou em dezembro de 2010. Em uma história até hoje mal contada, Adams pediu, na época, demissão da Google após trabalhar como pesquisador de UX da empresa e ser um dos principais teóricos por trás do Google+.
Durante a sua passagem pela Google, chegou a escrever um livro sobre o assunto – “Social Circles“, que, logo após a sua saída da empresa, teve a venda vetada pela Google. Posteriormente, trechos do livro jamais lançado foram inseridos em Grouped. E, hoje, Adams está no Facebook.
O livro não é o melhor escrito sobre plataformas de redes sociais. É curto e superficial. Muitas das ideias já foram publicadas em diversos cantos. Mas faz o que poucos fazem – levar a análise para o lado sociológico e não tecnológico.
Precisamos entender mais de pessoas do que de tecnologia, decreta Adams.
Para o executivo do Facebook, a atual avalanche de informações e de opções faz que com nos voltemos, cada vez mais, para os nossos contatos mais próximos, que acabam funcionando como filtros de informações e conselheiros para a tomada de decisões.
Adams aproveita a premissa para atirar na teoria dos “influenciadores da web” – um pequeno grupo de pessoas (blogueiros, jornalistas, twiteiros e videocasters) que teria a capacidade de influenciar milhões na web.
Segundo Adams, pessoas muito conectadas não são, apenas por esse fato, altamente influenciadoras. Influência continua sendo algo muito difícil de mensurar. E mais – a ideia de “influenciadores” é feita com base em como gostaríamos que o mundo funcionasse do que como realmente é.
Na realidade, as redes sociais não são lineares como sugere a ideia de “influenciadores”. As redes são muito mais complexas.
O conceito de “influenciadores” é uma forma simplificada de ver as redes sociais.
Quando pensamos em influenciadores ainda estamos falando em canais de informação de via única. Um hub de pessoas capaz de induzir milhões.
Para Adams, as redes sociais são como o cérebro humano – sistemas emergentes. Para entendê-las devemos muito mais compreender a relação entre os seus componentes (em qual local da rede a pessoa está) do que as características individuais de cada um (número de seguidores).
Devemos classificar as pessoas de acordo com o seu lugar em nossas redes e não por demografia, características psicológicas ou número de conexões.
Um ponto interessante de Grouped é que Adams apoia algumas de suas reflexões em dados de uso do Facebook. E dados que nem todo mundo tem acesso.
Segundo Adams, é um mito achar que as plataformas de redes sociais criam novas relações. Na realidade, ajudam a reforçar as já existentes. Em média, uma pessoa tem 160 amigos no Facebook, contudo comunica-se diretamente apenas com 4 ou 6 deles.
As pessoas fazem muito “broadcast” nas plataformas de redes sociais. Contudo, na hora de utilizar os recursos de “mensagens privadas” ou de “chat”, uma pessoa mantém contato, em média, somente com 4 outras por semana.
Dinâmica seletiva que não é exclusiva das plataformas de redes sociais. Mesmo com a possibilidade de termos milhares de contatos na agenda do celular, 80% das ligações são para as mesmas 4 pessoas de sempre.
Na vida offline, temos não mais que 5 laços fortes de conexão. Na vida online, a quantidade é a mesma. Ou seja, nas plataformas de redes sociais, estamos nos comunicando com o mesmo pequeno e seleto número de pessoas.
Um dos estudos do Facebook detectou que, de maneira quase desproporcional, somos influenciados pelas pessoas com as quais temos laços emocionais. Quanto mais ligação emocional, maior a capacidade de induzir.
Laços emocionais dizem muito mais que número de seguidores. O que não chega a ser nenhuma novidade, segundo Adams. O que as plataformas de redes sociais fizeram foi deixar tudo isso mais evidente e consistente. As pessoas que mais exercem influência são aquelas com quem temos uma relação mútua (e não aquele cara cheio de seguidores que joga um montão de conteúdo em nossa timeline).
Ecoando os estudos de outro pesquisador – Eli Pariser, Adams conta que as atuais plataformas de redes sociais nos fazem acreditar cada vez mais nas mesmas pessoas e a seguir os mesmos pensamentos – a ideia de “bolhas de conteúdo” propagada por Pariser.
Adams recorre à neurociência para explicar por que as plataformas de redes sociais são tão fascinantes hoje em dia.
Em vez de trazer diversidade, elas nos fazem ter ainda mais contato com pessoas e ideias que vão ao encontro do que já acreditamos. Algo que o nosso subconsciente está sempre procurando – segurança e coisas já conhecidas. Em outras palavras, estamos o tempo todo correndo atrás do próprio rabo, buscando ligação com pessoas que pensam como a gente.
As atuais plataformas de redes sociais facilitam ainda mais esse movimento do nosso cérebro em buscar coisas conhecidas e seguras.
Para a tristeza dos “editores de mídias sociais”, somente uma minoria das pessoas usa as plataformas para consumir informação e notícias.
A grande maioria as utiliza como utilitários de comunicação – para conversar. Igual a um telefone.
Na realidade, compartilhar conteúdo e atividades é parte natural da conversa. Mais ou menos, como se dá quando um amigo liga para a gente para conversar e, no meio do bate-papo, ele acaba contando naturalmente que fez isso e aquilo.
Metade das conversas nas plataformas de redes sociais é sobre pessoas que não estão presentes. O motivo por que se gasta tanto tempo falando dos outros no Facebook ou no Twitter é simples – falar sobre as outras pessoas ajuda a entender melhor o que é socialmente aceito ou não. Entender como as pessoas reagem a várias situações auxilia no ato de moldar o nosso próprio comportamento.
Por isso que a fofoquinha faz tanto sucesso nas plataformas de redes sociais.
Segundo Adams, as pessoas não gostam de compartilhar informações factuais e objetivas, mas sim conteúdo que provoque emoções. Conteúdos positivos, interessantes e inspiradores são os campeões de “likes” e compartilhamentos.
Em suma, na “Era das plataformas de redes sociais”, o que gostamos mesmo é de compartilhar sentimentos e não fatos.
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Nesta semana, a Google estreou dois comerciais sobre o Google+.
O primeiro fez a sua estreia na TV durante o feriado de Ação de Graças, nos EUA.
O segundo apareceu no YouTube. Tem um apelo mais afetivo.
Com os dizeres “Sharing …but like real life”, os dois comerciais destacam a funcionalidade “Circles” do Google+, que, por incrível que pareça, é vista como uma faca de dois gumes do serviço.
Para alguns, o futuro do Google+ passa justamente pelas redes privadas que podem ser construídas à medida que você separa e organiza os seus contatos em círculos.
Para outros, o “Circles” é exatamente a contradição do Google+. Na vida real, nós não separamos os nossos amigos, familiares e colegas em círculos, de forma consciente e cartesiana, mas sim de modo subconsciente e caótico. A todo momento estamos mudando as pessoas de “círculo”. Em um dia, podemos colocar a mesma pessoa em diversos “círculos”.
Círculo por círculo, a grande questão é se os comerciais ajudarão a Google a aumentar a taxa de adesão ao serviço. A empresa ainda costuma utilizar pouco a TV para divulgar seus produtos.
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Paul Adams é, atualmente, um dos principais profissionais do segmento de plataformas de redes sociais. É também protagonista de uma das histórias mais mal contadas sobre demissões e admissões em empresas de tecnologia.
Durante quatro anos, Adams foi pesquisador de UX da Google. Acabou se transformando no principal teórico por trás do Google+. Em colaboração com a empresa de busca, o pesquisador chegou a escrever um livro sobre o tema – “Social Circles“, o qual não foi publicado.
Adams pediu demissão da Google em dezembro de 2010. Foi para o Facebook, onde virou gerente de produtos.
Sem Adams, o Google+ foi lançado em junho de 2011. E, segundo o americano, a Google vetou a publicação de “Social Circles“, que chegou a entrar no catálogo da Amazon.
Depois do episódio, Adams chegou a lavar roupa suja em público. Apesar de ter sido o principal pesquisador responsável pelo Google+, alegou que o seu trabalho “não tinha espaço na Google”. A empresa de busca, por sua vez, nunca deu a sua versão dos fatos.
O funcionário do Facebook começou a produzir Grouped, livro com conteúdo e análises semelhantes às do livro não lançado. Está previsto para chegar às livrarias em 26 de novembro.
É quase que uma versão adaptada de “Social Circles“.
Contudo, com as adaptações feitas, o livro perdeu um pouco de vigor. Pela capa e sinopses que Adams postou no próprio Google+, parece ser mais um livro que analisa as plataformas de redes sociais do ponto de vista do marketing.
Mas como quem vê capa nem sempre vê conteúdo, para entender um pouco o que vem pela frente, vale a pena dar uma olhada na apresentação de Adams na última UX Week.
O americano bate naquela tecla. Cada vez mais, a internet é feita em torno de pessoas. E para compreendê-la, você deve entender muito mais de pessoas do que simplesmente de tecnologia ou de negócios.
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Quarenta milhões de pessoas criaram um perfil no Google+, plataforma de rede social da Google com 4 meses de vida. O número foi divulgado por Larry Page, CEO da Google, durante a apresentação do balanço financeiro do terceiro trimestre da empresa.
Nesta semana, junto com a divulgação dos números, engenheiros da Google deram para falar até os cotovelos em redes sociais e publicações.
Primeiro, Steve Yegge que deixou vazar uma mensagem voltada aos colegas de empresa, na qual fazia críticas à demora do Google+ em lançar APIs públicas. Yegge chamou de “patético” o projeto da própria empresa da qual faz parte.
Depois, Bradley Horowitz, vice-presidente de produtos do Google+, que, em entrevista ao Wall Street Journal, admitiu que a Google está numa corrida com o Facebook. Uma competição por funcionalidades.
Nesta corrida, a qual chamei de jogo de xadrez, a Google deu um passo importante. Adicionou ao Google+ um sistema de busca em tempo real. Funcionalidade na qual o Google se destaca há tempos, enquanto que o Facebook e o Twitter ainda são deficitários em termos de tecnologia. O DNA da Google está na busca.
É de se questionar quantos usuários realmente usam a busca interna nas plataformas de redes sociais, mas não dá para negar que a funcionalidade imprime mais relevância e uma noção de temporalidade a uma plataforma.
Uma integração com o Orkut, para migrar fotos, e outra com o YouTube, para compartilhar conteúdo e conversar com outras pessoas que estejam assistindo a um mesmo vídeo, também foram disponibilizadas ao público.
Contudo, a afirmação mais interessante de Horowitz é a que ratifica algo que era apontado por pesquisas. O Google+ estaria pegando uma pequena fatia de mercado que não é muito bem atendida pelo Facebook e Twitter – a de pessoas que não querem fazer broadcast, mas sim compartilhar e conversar de forma privada com as suas redes pessoais (o Facebook lançou recentes funcionalidades que permitem o compartilhamento privado, porém, o incentivo é outro).
Para gerar mais tráfego e tempo de uso, e assim rechear os seus relatórios de audiência, as atuais plataformas de redes sociais incentivam as pessoas, além de correr atrás de seguidores, a compartilhar tudo de forma pública, a fazer broadcast, quase que compulsivamente.
No entanto, existe uma parte do público que, por motivos de privacidade ou relevância, não se interessa por compartilhar tudo publicamente e menos ainda liga para o número de seguidores.
Já comentei que esse negócio de seguidores interessa mais para uma parte dos usuários de redes sociais, porém bastante barulhenta e que acaba falando pelo todo – celebridades, empresas e “candidatos a microcelebridades da internet”.
Ainda é muito cedo para bater o martelo, mas, se a intenção da Google era atender o público interessado em conversar de forma privada com as suas redes pessoais, parece que a estratégia está dando certo. Dois terços das mensagens no Google+ são privadas. A tendência é subir, segundo Horowitz.
Pelo histórico da empresa, é meio difícil imaginar que a Google tenha entrado no negócio de plataformas de redes sociais apenas para pegar uma pequena fatia do mercado. Historicamente, a Google entra num mercado para ganhar o bolo todo.
Apesar disso, Horowitz diz que, no estágio atual, o Google+ não tem a intenção de atingir um grande público. Na realidade, na medida em que os dados gerados no Google+ são usados em outros produtos da Google, quem usa o Google+ quer, na verdade, ter uma experiência melhor com o sistema de pesquisa da empresa.
Ou seja, na Google tudo termina em busca.
Veja também: Estão confiando no taco do Google+
No texto Google+ e Facebook prometem jogar xadrez, comentei que a Teoria dos jogos – “a melhor estratégia depende da estratégia dos outros” – seria o melhor conceito para entendermos melhor o que acontece entre Google e Facebook.
A próxima decisão de uma empresa depende do que a outra acabou de fazer. Igual a um jogo de xadrez. A teoria faria certo sentido principalmente no embate “Google+ versus Facebook”, que começou neste ano.
A Google lançou o Hangouts no Google+. E o Facebook respondeu com a parceria com o Skype. O Facebook fez modificações em sua política de games, o Google+ respondeu com jogos. A empresa de busca ofereceu o Circles, que permite organizar os contatos na plataforma de rede social. E o Facebook promete responder com a “Smart Lists“.
A funcionalidade está disponível apenas para alguns usuários do Facebook.
Segundo o site ZDNet, a partir de seu histórico de uso do Facebook e informações dos perfis, a “Smart Lists” organiza automaticamente os seus contatos em determinados grupos – colegas de trabalho, amigos da época de escola, amigos próximos. O diferencial em relação ao Circles é que tudo ocorre de forma automática. Você não precisa ficar mapeando suas redes a todo momento.
Com o lançamento da funcionalidade, fica nítido que a Google conseguiu pautar a concorrência.
Por outro lado, a resposta da concorrência tem sido satisfatória. O Facebook está tentando não somente oferecer o que Google+ tem, mas melhor.
Veja também: Números oficiais do Google+
Não será nenhuma surpresa se descobrirem que, nas plataformas de redes sociais, a maioria das pessoas limita a sua rede de contatos a amigos e familiares, pouco se importando com o número de seguidores.
Historicamente, celebridades têm uma dinâmica diferente com as plataformas de redes sociais. Grande parte as utiliza para atrair mais atenção para si. Basta lembrar que muita celebridade somente começou a usar o Twitter quando percebeu que seria uma ótima ferramenta para autopromoção e “fazer as notícias acontecerem”.
Segundo a CNN, a Google está preparando um plano para atrair celebridades para o Google+. Um sistema de verificação de contas para evitar perfis falsos estaria previsto (recentemente, devido a um mal entendido, William Shatner teve a sua conta desativada).
Sei que na web é cada vez mais difícil migrar as pessoas para coisas novas, mas, caso se confirmem os planos da Google, é bem provável que o Twitter sofra algum efeito.
Naturalmente, a rede de microblogs tem um uso voltado para autopromoção (fazer broadcast a uma audiência). Não é à toa o fato de ser a plataforma de rede social preferida das celebridades.
O interesse da Google pelas celebridades consiste em atrair mais atenção e audiência para o Google+.
Com a migração dessas personalidades para a plataforma, é bem provável que venham também vários usuários. É só pensar na ideia de que estará pertinho de algumas celebridades e poderá até mesmo ser citado por algumas delas. Grande parte da audiência do Twitter se encontra nessa dinâmica até hoje.
Veja também: Google de celebridades e seus gadgets preferidos
Durante a divulgação do balanço do segundo trimestre, a Google revelou números oficiais sobre o Google+:
- Mais de 10 milhões de pessoas cadastradas
- 1 bilhão de itens são compartilhados por dia (No Facebook, são 4 bilhões)
- Circles é o recurso mais utilizado no Google+
Enquanto Larry Page, cofundador da Google, comemorava os números, circulava na web um post do ex-Google Paul Adams. Adams é considerado um dos principais teóricos por trás do Google+. Atualmente, é gerente de produtos no Facebook. O pesquisador foi para a empresa de Zuckerberg um pouco antes do lançamento do Google+.
No post, Adams lava um pouco de roupa suja em público. Comenta que até hoje a Google não lhe deu autorização para publicar “Social Circles“, livro no qual explica a ideia que serviu de base para o recurso Circles. O livro chegou a entrar no catálogo da Amazon, mas foi retirado.
Ao explicar sua mudança para o Facebook, Adams comenta que a Google é uma “empresa de engenheiros”, que valoriza mais a tecnologia do que a sociologia, por isso suas pesquisas nunca tiveram a devida atenção.
Segundo ele, a Google teria transformado-se em uma instituição burocrática e política.
O pesquisador tem uma apresentação interessante feita no ano passado, na qual ele explica todo o conceito que serviu de base para a arquitetura do Google+.
Algumas pessoas podem ter torcido o nariz para o Google+, mas não os investidores.
Após o lançamento da plataforma de rede social, há duas semanas, o valor de mercado da Google aumentou em US$ 20 bilhões. Segundo a NBC, entre 27 de junho e 7 de julho, as ações da empresa passaram de US$ 482,80 para US$ 546,60.
Nesta terça-feira, circulou na web a informação não oficial de que, em 10 dias, o Google+ já teria mais de 10 milhões de usuários. Seria um dos serviços web que mais cresceu em menos tempo.
Números confiáveis ou não, eles podem dizer pouco. Número de “usuários registrados” sem o parâmetro de “usuários ativos” não diz muito. De repente, as pessoas estão apenas fazendo o cadastro no Google+. Dão uma olhada apenas por curiosidade e não voltam mais.
E uma coisa que ainda está faltando no Google+ são mais motivos para voltar lá. Situação que deve mudar quando a API pública for lançada, o que abrirá espaço para a criação de aplicativos (games e utilitários).
Tem gerado certa polêmica o fato de a Google ter proibido o uso da ferramenta por parte das empresas. Há, porém, a especulação de que, num futuro muito próximo, a Google permita que elas montem perfis na rede social mediante pagamento. Crie uma versão paga do Google+.
O pensamento é que, se as empresas realmente querem fazer parte da “conversação”, elas acabarão pagando, assim como pagam para estar em outras plataformas – TV, rádio, impresso.
Além disso, ao investir dinheiro, espera-se que as empresas tenham uma presença mais produtiva na plataforma de rede social. Por enquanto, nada confirmado.
Interessante observar que, desde o lançamento do Google+, o Facebook vem mudando o discurso e acredita que o sucesso de uma plataforma de rede social não deve mais ser mensurado pelo número de pessoas conectadas, mas sim pela quantidade de informações compartilhada.
Atualmente, 4 bilhões de itens são compartilhados por dia no Facebook.
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