Google: mais próxima de uma empresa de telecom

Nesta semana, a Google liberou para usuários fora dos EUA a possibilidade de fazer chamadas telefônicas via Gmail (o serviço está disponível no Brasil).

Em ligações para telefones fixos e celulares, é cobrada uma determinada taxa por minuto.

O serviço não é inovador. Na realidade, a internet sempre permitiu a ligação por voz. O problema é que antes existia uma restrição tecnológica, além do pouco volume de usuários, algo que vem sendo amenizado com o crescimento mundial da banda larga.

Não é à toa que de 3 anos para cá, serviços de ligação pela internet têm se tornado comuns. No mês passado, o Facebook anunciou uma integração com o Skype.

As primeiras análises comparam o serviço do Gmail ao Skype. Os dois seriam competidores. No entanto, esse tipo de leitura não leva em conta um detalhe importante. Diferente do Skype, hoje nas mãos da Microsoft, a Google tem uma histórica política de cortar intermediários e ganhar autonomia.

Para funcionar, o Skype depende da infraestrutura de terceiros. É uma aplicação que roda sobre a plataforma de internet, cuja infra não está nas mãos do Skype. Atualmente a Google também depende de intermediários, mas ao contrário do Skype, vem comprando a sua própria infraestrutura.

Não é de hoje que a Google mostra interesse em comprar infraestrutura de internet e participar de leilões de espectros wireless. Dessa forma, a empresa verticaliza os seus negócios e controla melhor a performance e o modo como os seus serviços chegam até os usuários finais.

Neste sentido, perante o Skype, a Google tem uma grande vantagem.

Além disso, ao fornecer um serviço de telefonia e mostrar interesse em comprar infraestrutura de internet, a Google mostra, uma vez mais, que não tem restrições em ser vista também como uma empresa de telecom.

Veja também: Com Skype, Facebook reafirma ser um “utilitário de comunicação”

Crédito da foto: Florian

Publicado por Tiago Dória, em 5 de agosto de 2011 (sexta-feira).
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Google e uma das coisas mais íntimas que temos online

Email é igual à web e à mídia impressa. Tem 7 vidas. Toda hora a sua morte é decretada, mas ele continua vivo, firme e forte. Não é sem motivos. O email é uma das tecnologias mais universais. Simples de utilizar, atinge uma extensa faixa demográfica. E diferente dos atuais sistemas de mensagens em redes sociais que não se falam, o email “conversa” com diversos outros serviços.

Se uma pessoa utiliza o Gmail, ela pode enviar uma mensagem para quem, por exemplo, usa o Hotmail, e vice-versa. Sem firulas ou restrições.

Até hoje, 39 anos após a sua criação, o email é a aplicação de internet mais utilizada e o meio mais usado para compartilhar conteúdo na web.

Além disso, nossos correios eletrônicos têm informações valiosas sobre as nossas interações sociais, bem mais do que os chamados sites de redes sociais. Segundo os pesquisadores Nicholas A Christakis e James H. Fowler, autores do livro O Poder das Conexões, o Gmail diz bem mais sobre a gente do que o Facebook ou o Orkut. O primeiro tem dados valiosos, inseridos de forma passiva todo dia pela gente e que podem ser utilizados para formar redes.

Mediante dados de email de uma pessoa, podemos saber com quem ela conversa mais, quais são seus assuntos preferidos, redes sociais online das quais faz parte, onde faz compras online etc. Email é uma das coisas mais íntimas que temos online.

Fernanda Viégas, pesquisadora brasileira atualmente na Google, ficou conhecida por estudos que mostraram essa conexão entre pessoas e emails. Em seus projetos Themail e PostHistory, milhares de mensagens de correio eletrônico foram analisadas e transformadas em infográficos. A partir do experimento, foi possível montar um verdadeiro raio-X de cada pessoa simplesmente analisando as mensagens e o seu padrão de uso de email.

Uma das principais vantagens do email é a sua capacidade de arquivar/registrar/catalogar conversas. Praticamente todas ficam salvas no computador e/ou em algum servidor. Podem ser buscadas e recuperadas a qualquer momento. Por isso, conversas importantes acontecem via email e não por meio de scraps e tweets. Essa dinâmica do email é tão importante que a Google tentará aplicá-la às ligações telefônicas por meio do Google Voice Gmail.

Vale pensar no efeito em longo prazo do uso desse serviço que integra o Google Voice ao Gmail. Você não associará uma pessoa a um número de telefone, mas a um ID ou endereço de email. Ou seja, para fazer uma ligação, você não digitará um número, mas o nome da pessoa. Não será nenhuma surpresa se num futuro muito próximo for possível armazenar, catalogar, transcrever, buscar e recuperar ligações, assim como já fazemos com os emails.

Contudo, nem tudo é animador e tão promissor para quem utiliza email diariamente. Spam e o excesso de informações são dois problemas intermitentes. Situação que, em 2008, levou Jakob Lodwick, cofundador do site de vídeos Vimeo, a fazer um famoso desabafo, com o qual muitos se identificaram na época.

“Minha caixa de emails me deixa tão furioso. Sua existência me irrita. É uma das coisas mais íntimas da minha vida que eu não tenho controle. Sempre está bagunçada e sempre precisa da minha atenção”

Em entrevista ao NYTimes na semana passada, a pesquisadora Hilary Mason, especializada em data mining, mostrou que, em parte, isso acontece por que, nos sistemas de emails, os critérios atuais de relevância são falhos. Nem sempre o email mais recente é o mais importante.

Por isso, Mason está desenvolvendo um sistema em que a semântica e o tratamento que você dá às mensagens são levados em consideração. Se você demora muito para responder a um email de uma pessoa, se já conversou com ela antes, qual é o conteúdo da mensagem etc. A ideia é levar tudo isso em conta na hora de definir a prioridade de uma mensagem.

E, nesta semana, a Google já sinalizou uma interessante mudança com o anúncio do lançamento da Priority Inbox (caixa prioritária), serviço que promete separar automaticamente as mensagens de email mais importantes, sem necessidade de criar regras de recebimento.

O lançamento mostra a atualidade dos sistemas de relevância. Sempre que há um excesso de informações e de conectividade, tecnologias de filtragem são vistas com mais interesse.

Para lidar com a avalanche diária de informações, há um bom tempo, os jornais têm o seu próprio e tradicional sistema de relevância, que permite indicar o que de mais importante aconteceu ou está acontecendo. O Twitter e o Facebook, por sua vez, possuem outros critérios de relevância e atuam como filtros sociais (seus amigos indicam o que é mais importante).

O novato Paper.li vai mais além – tenta ser “um filtro do filtro”, um sistema que indica quais tweets mais relevantes foram publicados nas últimas 24 horas (Wired, Guardian e aqui, no Brasil,  o site de treinamento web Tableless já estão utilizando oficialmente o serviço).

A Priority Inbox do Gmail segue a mesma dinâmica e cria um sistema de relevância na nossa caixa de entrada de emails. Separa aquilo que merece leitura e respostas rápidas.

A nova caixa do Gmail ainda está em testes (a previsão é que, na semana que vem, seja liberada para todos os usuários). Um lado negativo da Priority Inbox pode estar em priorizar mensagens de acordo com quem envia mais mensagens para você, critério pouco seguro de relevância. Não é por que a pessoa envia emails todo dia para você que é relevante. Talvez Mason esteja correta. Outros critérios também devem ser utilizados.

O anúncio do lançamento causou bastante burburinho na web. Não é sem motivos, a Google está mexendo numa das coisas mais íntimas que temos online.

Veja também: Site permite editar vídeos no próprio navegador

Publicado por Tiago Dória, em 31 de agosto de 2010 (Terça-feira).
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Google maior do que nunca

Realizar aquisições para se diversificar – e, assim, reforçar o seu crescimento e aumentar a sua visibilidade – quase sempre fez parte da estratégia da Google, mas, desta vez, a empresa foi além.

Em menos de um ano, a Google fez 26 aquisições. De startups de vídeo a de busca semântica, em destaque as voltadas a “social games”.

A última compra foi anunciada neste final de semana. A startup Angstro, focada em informações personalizadas em redes sociais.

Tais aquisições eram meio que esperadas pelo mercado.  Em setembro de 2009, Eric Schmidt, diretor geral da Google, disse que a empresa faria pelo menos uma aquisição a cada mês.

Com as compras, veio o lançamento do Google Voice Gmail que permite fazer ligações telefônicas via Gmail. Ou seja, ligações a baixo custo. Agora, a Google tem a possibilidade de levar efetivamente a tecnologia VoIP para o “mercado de massa”.

Tanto as aquisições quanto o serviço de voz no Gmail reforçam duas coisas.

- Gmail vem se tornando a plataforma para lançamento de produtos da Google. Google Buzz, Google Voice, Google Talk – todos foram lançados junto ao serviço de email da Google. Ao que tudo indica, o Gmail está se tornando a porta de entrada para outros produtos da Google, assim como as bolsas são o “produto de introdução” para diversas marcas de roupas.

- A Google é uma das empresas em voga que mais vê a internet como um todo. Explora a capacidade de a internet ser uma plataforma que possibilita múltiplos formatos de comunicação, desenvolve produtos, cujo acesso pode ser feito de qualquer dispositivo (ou seja, explora uma das principais caratcterísticas da internet  – ser device agnostic). E, claro, vem comprando algo que será importante para o seu futuro e a deixará em vantagem – infraestrutura de internet.

Veja também: Google Biotech

Crédito da foto: rwentechaney

Publicado por Tiago Dória, em 30 de agosto de 2010 (Segunda-feira).
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Google vs China: cloud computing é uma das vítimas

Depois dos boatos sobre o suposto tablet da Apple a ser lançado no dia 27, na semana que vem, um dos assuntos que mais martela no noticiário de tecnologia neste primeiro mês de 2010 é a briga entre Google e China.

O caso ganhou novos contornos de filme de espionagem depois que a Reuters publicou uma nota, que revela que o ataque contra as contas do Gmail aconteceu graças à ajuda de funcionários internos da Google China. O que ajuda a explicar em parte o motivo da reação tão radical da Google, de ameaçar sair do país, após aceitar durante anos as imposições do governo chinês para que censure os resultados das buscas do Google em sua versão local.

Outro motivo da reação é que o ataque ameçou o alicerce dos negócios da Google, o cloud computing. Ou seja, antes de tudo, os crackers não atacaram contas de emails de ativistas de Direitos Humanos, mas sim um dos principais conceitos nos quais a Google está apoiada, além da publicidade online, que é a ideia de “computação nas nuvens”.

O ataque, claro, arranhou a imagem de seguridade e deu pano para manga para quem é contra o cloud computing. É um dos efeitos colaterais. É tão seguro assim deixarmos tantos dados cruciais nas “nuvens”?

Daqui para frente, além de colocar um ponto final nesta história, um dos próximos desafios da Google será provar ainda mais que a “nuvem” é segura. Não é à toa que logo após o anúncio de que aconteceu o ataque, a empresa de busca reforçou a segurança do Gmail.

Veja também:
As pessoas estão nas “nuvens” faz tempo

Crédito da foto: 2 dogs

Publicado por Tiago Dória, em 19 de janeiro de 2010 (Terça-feira).
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Frase da semana

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“Já aconteceu do Gmail ficar fora do ar por alguns minutos, mas como hoje, nunca vi, já passou mais de uma hora”

Representante do Google France em declaração ao site 20 Minutes.

Na terça-feira, no período da manhã, quando a maioria das pessoas está acessando seus emails, o Gmail ficou fora do ar por 3 horas. A pane causou problemas para empresas e usuários. A Google pediu desculpas e resolveu ressarcir alguns usuários do serviço pago do Gmail.

O caso rendeu diversas críticas na rede, o Gmail passou a ser chamado de Gfail (imagem acima).

É a segunda vez que um serviço importante da Google sofre uma pane mundial em menos de um mês. No dia 31 de janeiro, devido a uma falha, durante 40 minutos, o Google dizia que todos os sites que apareciam em sua busca estavam infectados e você não conseguia acessá-los.

Publicado por Tiago Dória, em 28 de fevereiro de 2009 (sábado).
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Frase da semana

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“Nós ainda acreditamos que existe ‘envolvimento humano’”

Em matéria do Washington Post desta semana, um porta-voz da Google comenta os recentes ataques que serviços como Blogger sofreram em seu sistema de CAPTCHA, utilizado para evitar spam.

A empresa acredita que os ataques foram feitos por pessoas pagas para inserir manualmente spam nos comentários. E não automaticamente, por meio de computadores, como de costume.

Recentemente, a Trend Micro, empresa de segurança online, detectou que empresas indianas pagam de 2 a 3 euros a funcionários para burlar sistemas CAPTCHA.

Publicado por Tiago Dória, em 3 de maio de 2008 (sábado).
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