Mais um jornal que vai “monetizar” a audiência e não o conteúdo

Na transição dos átomos para os bits, empresas de conteúdo entraram em crise de identidade. Não sabiam mais em qual negócio estavam, duvidavam da sua própria capacidade, ou faziam apostas em uma única plataforma de distribuição de conteúdo.

Esse cenário vem mudando. Aos poucos, as empresas vão reencontrando o seu caminho no atual ecossistema de informação. Vide a BBC que, em sua última estratégia, (re)descobriu que a sua competência central é contar histórias.

Na busca por um modelo de receita, a ideia de monetizar a audiência e não o conteúdo tem se mostrado mais promissora.

Nesta segunda-feira, o inglês Independent anunciou que adotará um sistema de cobrança para usuários residentes fora do Reino Unido.

Quem não é assinante do jornal poderá ler de graça 20 artigos por mês. Mais do que isso, será convidado a assinar um plano de acesso. A previsão é que quem acessa o conteúdo via sistemas de busca, blogs e plataformas de redes sociais continuará com acesso gratuito e sem limite de leitura.

Normalmente, quando se pensa em sistema de cobrança, logo vem à memória o modelo mais tradicional, ainda adotado no Brasil, e que já se mostra superado em diversas partes do mundo – o de quebrar o conteúdo em dois – pago e gratuito. Neste caso, o critério para cobrança é o conteúdo.

O modelo do Independent é diferente, pouco importa o conteúdo. O critério de cobrança não é pelo tipo de conteúdo (analítico ou hardnews, especializado ou generalista, exclusivo ou não), mas sim pelo tipo de audiência (quem lê mais, quem lê menos; quem é mais fiel ou não).

Em outras palavras, quem consome mais paga mais. O jornal explora melhor a base de usuários mais fiel da publicação, que, de uma forma ou outra, pagaria pelo acesso.

Dos mais conhecidos, dois jornais adotam esse modelo de ”monetizar a audiência e não o conteúdo” – Financial Times (FT) e, mais recentemente, o NYTimes. Ambos com resultados positivos.

Dos dois jornais, o último adotou a implementação mais elegante. Dificilmente, você percebe que existe um sistema de cobrança no NYTimes. No FT, mesmo sendo assinante, você é obrigado a fazer o login diversas vezes, levando a todo momento a se lembrar do sistema de cobrança.

O interessante desse modelo de ”monetizar a audiência e não o conteúdo”, utilizado por FT e NYTimes – e, agora, pelo Independent – é que ele mantém o conteúdo aberto e ainda converte em pagantes a base mais fiel de leitores.

Veja também: “Consumerização” nos sites de notícias

Publicado por Tiago Dória, em 10 de outubro de 2011 (Segunda-feira).
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Site agrega conteúdo de revistas

Maggwire

Ao mesmo tempo que dispersa, a web tem ferramentas que centralizam conteúdo. Neste sentido, Jian Chai, estudante da Universidade de Michigan, criou o Maggwire, um hub de revistas, que agrega em um único ambiente o conteúdo de diversas delas.

O conteúdo de mais de 650 revistas (por enquanto, somente em inglês) é agregado e separado por temas. É mais ou menos como um Google News das revistas.

Em breve, em parceria com editoras, o site deve lançar um serviço freemium, com base em customização de conteúdo.

Veja também:
Buscadores e agregadores de notícias sob ataque (atualizado)

Publicado por Tiago Dória, em 28 de outubro de 2009 (Quarta-feira).
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Freemium no Times

Interface TIMES+

E o esperado aconteceu. O Times, de Londres, de Rupert Murdoch, começou a adotar o modelo Freemium. Pelo pagamento de uma certa quantia, o leitor tem acesso a algo a mais além de todo conteúdo da versão digital, que é oferecido de graça (TIMES +).

O termo Freemium foi articulado em 2006 pelo investidor Fred Wilson, criador da Union Square Ventures, que já investiu no Twitter. É o modelo adotado pelo Skype, Flickr, Vimeo entre outros. Para funcionar, deve existir uma percepção do público por que ele deve ter que pagar a mais.

“Dê seu serviço de graça, possivelmente apoiado em receitas de propaganda, e depois ofereça serviços adicionais com preços de valor de prêmio, ou uma versão avançada de seu serviço à base de consumidores”

Por 50 libras por ano (mais ou menos R$ 87), além de contato mais fácil com os jornalistas do TIMES, você tem acesso a pré-estréias de filmes, debates exclusivos e shows.

É uma espécie de “clube de leitores”. O conteúdo continua todo aberto. O TIMES + é um complemento.  Até aí nenhuma novidade. A empresa está cobrando pelo que é escasso. Acesso a eventos exclusivos que acontecem uma única vez. Experiências que são difíceis de se reproduzir.

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Uma internet cada vez mais pro

Publicado por Tiago Dória, em 7 de outubro de 2009 (Quarta-feira).
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