Chris Anderson: átomos são os novos bits

Chris Anderson, editor da Wired e autor dos livros Cauda Longa e Free, usou essas palavras para descrever o que será a “nova revolução industrial”, tema de seu próximo livro. Nesta sexta-feira, Anderson participou como palestrante do InfoTrends, em São Paulo. Eu estive por lá.

Anderson acredita que, da mesma forma que temos uma cauda longa na produção online, teremos uma na produção de manufaturados. As pessoas poderão em casa, na garagem, produzir seus próprios produtos. Além da própria web, um dos propulsores dessa revolução poderá ser as impressoras 3D. Cada vez mais teríamos pequenos produtores criando produtos físicos para certos nichos. Isso, claro, proporcionaria mudanças na economia.

Em resumo, a palestra de Anderson girou muito em torno do conceito de que algumas dinâmicas do online – open source, cauda longa, faça você mesmo, produção individual – migrem para o offline, para a confecção de produtos físicos, gerando a “nova revolução industrial”.

Pelo que notei, as ideias futuristas dele vão ao encontro do pensamento do engenheiro Adrian Bowyer, criador da RepRap, considerada a primeira impressora 3D autoreplicável. Bowyer acredita que, da mesma forma que os PCs descentralizaram a computação, de mainframes para computadores pessoais, as impressoras 3D ajudarão a descentralizar a indústria de artefatos, trazendo mudanças inimagináveis para a economia.

No próximo livro, pelo visto, Anderson fará o que faz melhor – ajudar a popularizar conceitos, semelhante ao que fez em seu último livro Free, em que tornou conhecido para o grande público a aplicabilidade do modelo grátis, velho conceito da área econômica.

Após a palestra, durante uma coletiva reservada para a imprensa, Anderson falou que, como consumidor de informação, já não faz mais distinção entre amador e profissional, mas sim em quem produz ou não conteúdo relevante e interessante.

Veja também: Alguém sempre paga a conta da internet

Crédito da foto: Cláudio Rossi

Publicado por Tiago Dória, em 18 de junho de 2010 (sexta-feira).
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Al-Jazeera vai utilizar o Grátis como estratégia

Em seu livro Free, Chris Anderson, editor da Wired, já mostrava que o Grátis é uma ótima tática para quem está tentando entrar em um mercado. Aliás, não foi o editor da Wired que inventou ou descobriu essa estratégia. Ela é utilizada há um bom tempo em vários mercados.

Para dar um exemplo atual, é o caminho utilizado pela Google quando deseja entrar em um mercado. Enquanto todos estão oferecendo uma versão paga de um produto, a Google vem e passa a oferecer produto semelhante de forma gratuita. Dessa forma, conquista mercado.

Isso acontece por que o gratuito, em muitas situações, tem um apelo maior frente ao pago. Porém, não é algo que funciona para todos os públicos e ocasiões.

Às vezes, oferecer um produto/conteúdo de forma gratuita é um verdadeiro tiro no pé.

Partindo do pressuposto de que concorrentes estão começando a cobrar por conteúdo na web e em outras plataformas – iPad e celulares,  a emissora de TV Al-Jazeera lançou uma estratégia de disponibilizar o seu conteúdo de forma gratuita em todos os canais possíveis (se eles estão cobrando, nós oferecemos de graça). É uma tática contra os crescentes paywalls.

Não é a primeira vez que a Al-Jazeera adota esse tipo de postura para conquistar espaço no Ocidente, região onde a emissora tem mais rejeição e dificuldade de entrar no mercado. Desde 2008, a Al-Jazeera vem utilizando, de forma incisiva e sem muitos custos, plataformas de redes sociais e, principalmente, o YouTube para distribuir o seu conteúdo para o público em inglês.

Veja também: Oportunidade para os peixes pequenos

Publicado por Tiago Dória, em 15 de junho de 2010 (Terça-feira).
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Gratuito é bem melhor, mas o pago tem a sua chance

A maioria dos usuários (85%) prefere que o conteúdo na internet se mantenha gratuito, porém mais de 50% estaria propenso a pagar diretamente por filmes, músicas e games.

Esse é um dos aspectos mostrados na Changing Models: A Global Perspective on Paying for Content Online, pesquisa global da Nielsen a respeito do conteúdo pago. O estudo, feito com 27 mil pessoas em 52 países, ratifica alguns comportamentos e detalhes.

O primeiro, mais evidente, é que, na área de conteúdo online, o gratuito tem um apelo bem maior frente ao pago, algo já demonstrado em diversos mercados.

E mais – se o conteúdo é relevante e tem “valor”, as pessoas têm propensão maior a  pagar por ele. A grande questão é que os produtores de conteúdo têm que criar ou descobrir qual conteúdo realmente proporciona “valor” para os seus consumidores.

É algo que já comentei por aqui – as pessoas buscam pela informação que tem “mais valor” para elas, não necessariamente pela que é “mais barata” (Grátis).

Outro aspecto do estudo é que 78% dos entrevistados disseram que, quando assinam um jornal, revista ou TV, desejam que o seu conteúdo esteja disponível em outro dispositivo (na web), sem a obrigação de pagar duas vezes pelo mesmo.

Ou seja, em sua maioria, as pessoas já têm um comportamento “agnóstico em relação a dispositivos“. Querem que o conteúdo esteja disponível em vários suportes ao mesmo tempo.

Achei o estudo um pouco decepcionante, pois foca demais no tipo de conteúdo, enquanto as discussões sobre cobrança de conteúdo têm se voltado cada vez mais para o tipo de usuário.

Em outras palavras, pagar por conteúdo online é uma questão cada vez mais ligada ao tipo de usuário (base de consumidores mais leais), do que ao tipo de conteúdo (generalista ou analítico, hardnews ou matérias de fôlego, local ou global).

O estudo completo pode ser visto aqui (em formato pdf).

Veja também:
Alguém sempre paga a conta da internet

Publicado por Tiago Dória, em 17 de fevereiro de 2010 (Quarta-feira).
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5 livros sobre tecnologia e mídia lançados em 2009

Neste ano, eu retomei a seção de livros do blog. Foi uma das melhores coisas que fiz, me disciplinou a ler pelo menos um livro por semana.

Separei 5 que passaram por aqui (não necessariamente na ordem de importância). Todos em português e lançados neste ano no Brasil.

Fica até como dica para quem está pensando em presentear alguém com um livro.

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“Encartes Especiais”, de Sergio Picciarelli Junior
O livro mostra como a mídia impressa no Brasil vem reagindo ao cenário hipercompetitivo e de escassez de atenção. Uma das respostas é o uso de novas tecnologias e técnicas de impressão – chips de som e luz, holografia, tintas fluorescentes, removíveis, termocrômicas.

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“A Magia da Pixar”, de David A. Price
Primeira “biografia” não-oficial da Pixar, registra o surgimento da empresa de animação responsável por sucessos como Toy Story, Wall-E e Up. Como pano de fundo, o jornalista David A. Price mostra que inovação não surge de uma hora para outra. Antes de ser a premiada Pixar, a empresa chegou a ser uma companhia de hardware.

YouTube e Revolução Digital

“YouTube e a Revolução Digital”, de Jean Burgess e Joshua Green
Como a possibilidade de poder embutir um vídeo mudou o mercado? E o papel do YouTube é criar relacionamentos ou meramente ser uma plataforma de distribuição? O site de vídeos está no mercado de plataformas de mídia ou de redes sociais? São algumas das perguntas que tentam ser respondidas no livro que, por meio de uma linguagem mais acadêmica, faz uma análise da história do YouTube.

“Free (Grátis)”, de Chris Anderson
Longe de ser um livro de autoajuda empresarial ou panfletário, Free não é apenas um histórico do modelo do grátis e os seus efeitos no mercado. É também sobre economias não-monetárias, abundância e escassez, teorias que ajudam a entender os fenômenos atuais na área de mídia e tecnologia.

“O Dono da Mídia”, de Michael Wolff
Para quem se interessa por gestão na área de mídia, conhecer os detalhes da história de Rupert Murdoch é imprescindível. Ao apresentar a biografia sobre o empresário, Wolff faz o retrato de uma época em que os jornais finalmente passaram a ser vistos como negócio por Wall Street. É também sobre um estilo de gerenciar, no qual uma aquisição abre caminho para fazer outra aquisição.

Vale lembrar que neste ano também escrevi um prefácio para Onipresente, novo livro do publicitário Ricardo Cavallini, também na área de mídia e tecnologia.

Veja também:
5 melhores blogs de 2009

Publicado por Tiago Dória, em 18 de dezembro de 2009 (sexta-feira).
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Alguém sempre paga a conta da internet

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Quando peguei Free (Grátis), de Chris Anderson, editor da revista Wired, para escrever (com certo atraso) esse post, esperava encontrar um livro pouco ponderado, resultado mais de uma escrita rápida de um autor tentando impor a todo custo uma teoria do que um trabalho de pesquisa. Mas errei ao acreditar no afirmado por pessoas que, pelo visto, leram apenas a orelha do livro.

Free está longe de ser um livro de autoajuda empresarial ou panfletário. Pelo contrário, achei Anderson, autor de outro sucesso, A Cauda Longa, bem ponderado. Diversas vezes, ele questiona e mostra o outro lado do modelo do grátis em seu livro, o que pode ser visto como uma contradição.

A versão em português, lançada recentemente pela editora Elsevier, não perde muito para a versão gratuita que está disponível na rede (em inglês), produzida em julho deste ano.

Mesma quantidade de capítulos, paginação parecida. Peca somente por apresentar alguns erros de revisão, corriqueiros em versões nacionais. Em um dos capítulos finais, por exemplo, o site de vídeos Hulu foi digitado diversas vezes como “Hulo”.

attention01Em Free, Anderson, na realidade, não apresenta novidades. Basicamente, mostra que a mentalidade de gratuidade na internet não existe por motivos ideológicos (cultura hippie, contracultura), mas sim por razões econômicas (os custos de armazenamento, processamento e transporte de informações são cada vez mais baixos). E, como pano de fundo, faz um histórico da aplicação do modelo do grátis.

Desde uma ferramenta de marketing – almoce grátis, mas pague a bebida – até uma tática para manter concorrentes fora do mercado. A Microsoft utilizou o grátis para manter concorrentes fora do mercado de navegadores, ao oferecer o Internet Explorer (gratuito) junto ao Windows (pago).

Dessa forma, Anderson mostra que alguém sempre paga a conta nos chamados “modelos grátis” – a publicidade subsidia sites de notícias,  em serviços como Flickr, 5% dos usuários que assinam contas pro pagam os gastos dos 95% usuários não-pagantes. E nos blogs que, apesar de não cobrarem por acesso, os leitores acabam pagando ao cederem seu tempo e atenção para lê-los. Não existe um custo monetário direto, mas há uma despesa.

Ou seja, alguém sempre paga o “almoço grátis”, mesmo que seja de forma não monetária, cedendo reputação, tempo e atenção. Coisas que até hoje são escassas. Aliás, reputação e atenção estão se tornando “quase moedas” na economia baseada na internet.

Segundo Anderson, a abundância de informação fez surgir um novo tipo de escassez, a de atenção e tempo. Não é à toa que pessoas pagam para baixar música no iTunes. Para não terem que perder tempo procurando por uma música na web. Elas sabem que o seu tempo tem valor.

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Contudo, nem sempre o grátis pode ser benéfico. Ele pode gerar um consumo sem responsabilidade, já que tudo está disponível em abundância. Na economia dos átomos, pode gerar uma superprodução de bens físicos e, como consequência, lixo. Anderson cita o filme Wall-e como exemplo em que os humanos são obrigados a sair da Terra devido ao acúmulo de lixo, ocasionado por anos de consumo sem responsabilidade. Pagar gera compremetimento.

Na área de mídia (jornais, especificamente), Anderson passeia muito pouco, é bem superficial. Mas ratitica a premissa de que a informação abundante quer ser grátis. A escassa quer ser paga. E lembra que a queda dos custos de distribuição fez gerar um ambiente hipercompetitivo de mídia.free Colocou em pé de igualdade diversos produtores de conteúdo.

O grátis, afirma Anderson, funciona muito bem para quem está entrando no mercado. É a tática da Google. Entrar no mercado oferecendo um produto de mesma ou qualidade superior com um custo zero para o usuário final, o que acaba minando a concorrência. Por outro lado, a empresa de busca usa o grátis para manter concorrentes fora do mercado por meio de estratégias de maximização.

E para concluir, num momento de incerteza (o livro foi fechado durante a crise econômica), Anderson termina afirmando que é bem provável que o conteúdo grátis conviverá lado a lado com o conteúdo pago. “Ele precisa da contraparte do pago”. No entanto, o grátis sempre terá um apelo psicológico maior. “O Grátis pode ser o melhor preço, mas não pode ser o único”, finaliza. Em suma, o grátis é uma atração em todos os mercados, mas ganhar dinheiro em função dele varia de mercado a mercado.

A meu ver, o único problema de Free (ou benefício, dependendo do ponto de vista) é ser muito simplista. O livro se aprofunda muito pouco no tema central. Apesar de toda a polêmica em seu lançamento, não traz novidades. Não sai muito do lugar.

Free é um bom livro, mas apenas como um pontapé bem inicial no assunto.

Veja também:
Como eles tiraram leite de pedra

Publicado por Tiago Dória, em 20 de setembro de 2009 (domingo).
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