Susan Petersen Kennedy, presidente da Penguin Books, prevê que, em 5 anos, teremos 20 e-readers no mercado. Muito? Pouco? A afirmação de Kennedy tem jeito de ser um grande chute, mas tem como base os recentes e consecutivos anúncios de lançamentos de e-readers (tablets).
Um deles é o Kno, apresentado durante a conferência D8, nesta semana. Foi idealizado por Osman Rashid, velho conhecido, evangelista do conceito de livros digitais.
Apesar de ter um preço previsto de quase US$ 1 mil, o tablet tem estudantes como público alvo. Lembra o falecido projeto Courier, da Microsoft – também tem como diferencial o fato de não ter uma, mas duas telas (no caso, cada uma com 14 polegadas).
O uso de duas telas supõe o conceito de multitarefa – em uma tela ler um livro e na outra fazer anotações, por exemplo, mas parece que a ideia com as duas telas é mais de reproduzir a experiência de segurar e carregar um livro (de mais de 2 kg).
O Kno, por enquanto, está em fase beta, não está à venda. Pode ser estranho pelo seu tamanho, mas é um sinal de que o mercado de e-readers pode se dividir entre aqueles que tentam copiar o iPad e o Kindle e outros que tentam trazer ideias e abordagens um pouco diferentes.
Ao som de “I want to break free”, do Queen, o vídeo abaixo mostra detalhes do Kno.
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Segundo recém estudo da TNS Technology feito na Inglaterra, 1/5 dos ingleses deseja comprar um iPad. Contudo, 65% (mais que a metade) não sabe para que serve o gadget lançado pela Apple no primeiro semestre deste ano.
De certa forma, o resultado dessa pesquisa ratifica o novo enfoque da campanha do iPad, voltada em explicar o que é e para que serve o gadget. Postura/estratégia comum sempre quando se está migrando ou construindo uma audiência em torno de uma nova ideia.
Lembra o quanto as primeiras reportagens sobre internet se preocupavam mais em explicar o que dava para fazer com ela?
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Alice no País das Maravilhas (1865), clássico de Lewis Carroll, ganhou uma versão “livro-aplicativo-infantil” (para iPad). A adaptação foi produzida pela caloura Atomic Antelope, empresa desenvolvedora de aplicativos, que nasceu em torno do hype do iPhone.
Ainda aproveita pouco do potencial dos aplicativos, mas não deixa de ser interessante.
Busca explorar o sensor de movimentos (acelerômetro) do iPad.
/via @gizmodo
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Não há dúvidas de que a safra de e-readers prometida de chegar ao mercado vai forçar uma mudança ou adaptação do layout dos blogs.
Muitas vezes a interface precisa ser pensada para a experiência tátil, de tocar e não clicar nas coisas na tela. Talvez a navegação dos blogs, que geralmente usa e abusa do scroll vertical (de clicar, scroll, clicar, scroll), não funcione tão bem nos leitores eletrônicos.
Enquanto não surge uma alma caridosa que desenvolva um plugin mágico para WordPress que otimize automaticamente blogs para e-readers, o pessoal da rede de blogs Gawker Media já começou a fazer alguns experimentos de interface neste sentido.
Dois de seus blogs já possuem versões otimizadas (ainda em testes) para e-readers (no caso, iPad) – o Gizmodo, sobre tecnologia, e o Deadspin, sobre esportes.
Pelo que percebi logo de cara, as fotos adquirem um peso bem maior no layout adaptado para e-reader (o que também deve forçar uma mudança em quem produz conteúdo, em ter o cuidado de escolher imagens melhores para ilustrar os seus posts).
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Enquanto muitas pessoas aproveitavam o feriado de Páscoa, o iPad foi lançado nos EUA e alguns comentários foram publicados por aí. Separei os melhores:
1) iPad é mais sobre games do que notícias
Apesar das empresas de jornalismo tentarem puxar as atenções para o seu lado, segundo o VentureBeat, o iPad seria mais um console de game do que um e-reader – 44% dos aplicativos para o gadget são classificados como games. Atualmente, os mais baixados da AppStore estão nesta categoria. Eletronics Arts, Activision Blizzard e Gameloft são algumas das produtoras que estão desenvolvendo games exclusivos para o gadget. Será que, por meio do iPad, a Apple finalmente entraria no mercado de games? Ao que tudo indica, a concorrência será no mercado de consoles portáteis, hoje dominado pela Nintendo e o seu Nintendo DS.
2) iPad mata o mouse e não o laptop
Segundo Walter S. Mossberg, colunista de tecnologia do WSJ, um dos primeiros jornalistas a publicar um review sobre o gadget, o iPad chega perto, mas não mata o laptop. O que o iPad tem condições é de mudar a “computação móvel” com sua tela sensível ao toque de mão. Enfim, com a tela sensível ao toque de mão, o iPad prova que, na computação pessoal, é possível existir uma interface que seja diferente das atuais, que não seja baseada no uso do mouse.
3) iPad repete frenesi do CDROM
Cory Doctorow, do blog BoingBoing, e Danny O’Brien, da Electronic Frontier Foundation, ecoam as palavras de Scott Rosenberg, cofundador da revista Salon. O hype das empresas de mídia em torno do iPad lembra o feito em torno do CDROM nos anos 90. Uma suposta demanda por conteúdo “multimídia e interativo” salvaria os negócios das empresas. Jack Shafer, na revista Slate, é mais direto e seco. Se surgir realmente alguma inovação no iPad, ela não virá dos badalados aplicativos das empresas de mídia – NYTimes, TIME etc. Essas empresas não estão mais à frente da inovação, mesmo com um novo gadget ou meio de entregar conteúdo.
4) iPad é computador para os “simples mortais”
Falta de uma câmera nativa, USB e multitasking (poder utilizar mais de um aplicativo ao mesmo tempo no iPad)? Segundo Omar Wasow, do The Root, não adianta os nerds reclamarem. O iPad não foi feito para eles, mas para “pessoas comuns” que querem um computador simples, elegante e intuitivo que atenda às necessidades mais triviais do dia-a-dia, como ler algumas notícias no café da manhã, buscar e conferir uma receita na internet ou ainda jogar um jogo de tabuleiro com os amigos, algo casual.
5) iPad simboliza o “futuro das notícias”
Valleywag, o blog de fofocas do Vale do Silício, é um dos que enche a bola dos aplicativos feitos pelas empresas de mídia. Conteúdo atualizado constantemente, vídeos ao vivo, slideshows, esse é o “futuro das notícias” segundo o blog. TIME, GQ, USAToday, NYTimes, WSJ são algumas das publicações que marcam presença no gadget, além das emissoras BBC, CNN, NPR e ABC, sendo que essa última dá acesso gratuito à sua programação (a CBS faz o mesmo, mas por meio de seu site que pode ser acessado pelo navegador do iPad).
E mais: O blog Gizmodo publicou uma lista bem completa dos melhores aplicativos para o iPad, inclusive com games e utilitários.
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Crédito das fotos: Tom Winn e divulgação
Para mim, esse é o conceito que está mais forte por trás do fato das revistas estarem preparando versões para e-readers. O conceito não é novo (as tais versões para CD-Rom podem ter esbarrado lá), mas a vinda dos e-readers ao mercado, principalmente iPad, neste primeiro semestre de 2010 promete acelerar esse processo – de ver as revistas como softwares.
Aliás, a grande relevância do iPad não está em substituir o papel como suporte para leitura, mas em transformar as publicações em softwares.
Um exemplo próximo é a CNN, que não trata o seu aplicativo para iPhone como uma mera transposição do site. O aplicativo não é a CNN na TV nem a CNN na web. É uma terceira coisa – a CNN como software, no caso um aplicativo para celular. Não é uma mera transposição. Não é sem motivos que o aplicativo possui várias “funções inteligentes” que permitem entregar conteúdo mais adaptado à ocasião e localização em que o usuário se encontra.
Esse conceito também está por trás da apresentação de John Makinson, diretor geral da Penguin Books, comentada há duas semanas, aqui, no blog, a respeito dos “livros-aplicativos” no lugar dos ebooks. De certa maneira, é o conceito de ver livros como softwares, no caso, aplicativos.
Por essas e outras, esse 1º semestre promete ser provocador para as editoras. Um exemplo de quanto o mercado está ansioso pelo lançamento do iPad foi dado por Alexx Henry. O fotógrafo produziu um vídeo conceitual sobre como poderia ser uma versão para iPad da Viv Mag.
Eu achei um pouco complexo e mais do mesmo, aproximando-se de “especiais multimídia” já existentes, mas acompanhado da questão tátil, de tocar na tela, nativa do iPad, pode causar outra experiência. Vale a pena dar uma olhada. Segue abaixo.
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Em tempo de e-reader, como seria uma banca de jornais? A Cynerg, especializada em interfaces, criou um protótipo com base no Surface, a mesa sensível ao toque de mão da Microsoft. Seria possível adquirir uma revista simplesmente arrastando a publicação para o seu e-reader favorito.
A metáfora com uma banca de jornais faz sentido, porém o processo para adquirir uma publicação promete ser mais simples do que isso. Ou talvez, ele nem seja necessário, caso as revistas se tornem aplicativos, um processo e não um “produto final”, com começo, meio e fim.
Enfim, o vídeo abaixo explica melhor a ideia. Foi gravado durante o festival SXSW.
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“Quem não lê livro de papel, não vai passar a ler por causa do livro eletrônico”
Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, em entrevista para a Folha de S. Paulo.