Que deselegante… andar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens pelo celular

Mascar chiclete e, simultaneamente, subir a escada é moleza. Mas andar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens de texto pelo celular nem sempre é uma boa coisa a se fazer.

Segundo estudo da Universidade de Stony Brook (EUA), publicado no portal Futurity, caminhar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens pelo celular interfere temporariamente na memória.

E mais: ao realizar as duas atividades, o que está sendo escrito no celular influencia diretamente a forma como se anda. E não o contrário, conforme o senso comum acredita – por estarmos andando, escrevemos diferente no dispositivo móvel.

A atitude de fazer as duas atividades tomou bomba neste começo de ano com o vídeo “Texting While Walking”, do NYTimes, produzido pelo cineasta novaiorquino Casey Neistat.

De acordo com o mini-documentário, andar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens pelo celular é deselegante, principalmente nas grandes cidades com calçadas apinhadas de pessoas.

A falta de respeito vem do fato de que você desvia a atenção dos outros, que ficam preocupados em não trombar em você na calçada.

O ideal seria parar num canto da rua, e escrever e ler as mensagens. Uma coisa de cada vez.

Nem sempre ser multitarefa é cool. Às vezes, novas tecnologias exigem novas regras de etiqueta.

Veja também: Twitter vendendo vodka

Publicado por Tiago Dória, em 26 de janeiro de 2012 (Quinta-feira).
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Grandes conexões geram grandes responsabilidades

Uma doença grave ou a morte de um ente querido sempre nos faz puxar o freio de mão e repensar a vida. Para algumas pessoas, o efeito pode ser maior, não somente por ser um fator de fortalecimento, mas de busca de um maior autoconhecimento.

Para a cineasta Tiffany Shlain, criadora do Webby Awards (o Oscar da internet), o câncer de seu pai e uma gravidez de risco a fez repensar a respeito de suas conexões com as outras pessoas. O que significa no século XXI estar conectado?

Essa divagação resultou no documentário Connected: an autobiography about love, death and technology, que estreou neste mês em São Francisco, nos EUA, mas que foi exibido em primeira mão no Brasil, durante o Digital Age 2.0, evento que aconteceu nesta semana em São Paulo.

Shalin mostra o quanto estamos e estivemos conectados ao longo da história.

A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, fez surgir a Guerra Fria anos depois, que, por sua vez, foi a incubadora para o surgimento da internet, que, tempos após, iria afetar diversas pessoas.

Connected é uma continuidade dos estudos do pai da cineasta – Leonard Shlain, escritor de best-sellers como The Alphabet versus the Goddess e um dos pesquisadores defensores da teoria dos dois hemisférios do cérebro – um racional (masculino) e outro emocional (feminino).

Segundo o escritor, o mundo muda dramaticamente dependendo do quanto o nosso pensamento é dominado por qual parte do cérebro.

Por muitos anos, a nossa sociedade supervalorizou apenas um lado do cérebro. Depois do surgimento do alfabeto e de outras formas de escritas, por exemplo, o pensamento masculino, mais intelectual e racional, tornou-se o padrão.

A internet, ao contrário, nos leva a uma nova maneira de pensar que estimula ao mesmo tempo as partes intelectuais e artísticas de nosso cérebro. Ou seja, estimula o uso do cérebro de forma integrada, o que representa uma grande evolução para o ser humano.

Para a cineasta, essa seria a grande mudança trazida pela internet. Integrar os dois hemisférios do cérebro, unindo arte e ciência, em escala e volume global.

Portanto, esqueça aquela visão mais crítica da internet, de que, ao mesmo tempo, que ela fortalece democracias, potencializa ditaduras pelo mundo.

Shlain tem uma visão bem otimista. Por si só a tecnologia é positiva.

Apesar desse ponto de vista, a cineasta é adepta do “Technology Shabbat“. Uma vez por semana, às sextas-feiras, sua família fica desconectada das mais recentes tecnologias de comunicação.

É um dia para ficar offline. Shlain conversa melhor com as suas filhas. Seu marido tem mais tempo para ler um livro. A cineasta cuida mais de si mesma.

Connected é uma mistura de três histórias: a do Shlain pai, da própria Shlain e de todos nós.

Um dos pontos altos do documentário é a sua estética. O filme remete a vídeos que estamos acostumados a assistir na web – uma colagem de images retiradas da internet misturadas a animações e uma narração em off.

Somente 2% de Connected é formado por filmagens. O resto são colagens, animações e vídeos pessoais da cineasta.

Shlain utilizou uma dinâmica comum para quem produz vídeos amadores para a web. Durante o processo de produção, a cineasta ia até um mecanismo de busca e selecionava imagens que eram relacionadas a uma determinada palavra citada no texto em off.

Além da estética de “vídeo para a internet”, Connected quebra a barreira entre público e privado. Shlain mistura suas teorias à sua vida pessoal, temas pessoais e privados andam juntos, semelhante a textos publicados em blogs. Não é à toa que a própria cineasta rotula o filme de autoblogography (algo como autoblogografia).

A meu ver, Connected é uma releitura do conceito de “efeito borboleta” (pequenas ações podem causar grandes resultados), além de algumas ideias do naturalista e filósofo John Muir (o homem está interligado a todas outras espécies da natureza, que atua como uma “casa” para todos nós). Aliás, uma frase de Muir é citada no início e no fim do documentário.

Mesmo sendo uma leitura de teorias já existentes, Connected tem o seu valor, principalmente, porque, nas entrelinhas, faz um alerta sobre o quanto estar mais conectado gera mais responsabilidades. O que fazemos aqui pode ter grandes repercussões em uma pessoa que está a poucos graus de separação da gente.

Alianças de mercados estão cada vez mais acima de hierarquias, decisões externas afetam bem mais as internas e viceversa, redes de comércio estão mais interligadas, temos respostas às nossas ações quase que “em tempo real”.

O fato de estarmos mais conectados gera muitas oportunidades, mas também uma responsabilidade maior a respeito do que fazemos.

Enfim, quanto mais (inter)conectados, maior o efeito e a responsabilidade de nossas ações.

Veja também: Estamos “cadastrados” em redes sociais desde pequenos

Publicado por Tiago Dória, em 30 de setembro de 2011 (sexta-feira).
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Novo trailer do documentário sobre o NYTimes

Page One é um documentário que mostra a rotina da equipe do NYTimes que cobre a área de mídia.

Como pano de fundo, revela as transformações do mercado de jornais.

O novo trailer segue logo abaixo.

Um primeiro trailer foi divulgado em janeiro, pouco antes do Sundance Festival.

A previsão de estreia é para o dia 24 de junho nos EUA.

Veja também: Jornal bonito e provocador

Publicado por Tiago Dória, em 3 de maio de 2011 (Terça-feira).
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Esconde-esconde

Finalmente, neste final de semana, assisti a Erasing David, filme documentário que fez bastante sucesso na web no finalzinho do ano passado, e que trata de dois temas bem atuais – privacidade e abundância de dados.

Erasing David é protagonizado e dirigido pelo inglês David Bond, 39 anos, conhecido na área de mídia na Inglaterra (trabalhou para BBC).

No documentário, Bond tenta sumir durante 30 dias. Para isso, apaga informações pessoais em sites e plataformas de redes sociais, evita usar o celular, o cartão de crédito e deixar outros rastros pessoais. Nem a sua mulher que, no início do documentário, está grávida de 7 meses sabe para onde ele vai.

Bond contrata dois detetives para tentar pegá-lo. Ambos experientes, entre os clientes têm grandes empresas e escritórios de advocacia na Inglaterra.

É um documentário/experimento, estilo Super Size Me. Tem um quê de protesto.

A intenção de Bond é mostrar o quanto deixamos rastros, informações cruciais no dia a dia e que podem ser utilizadas por terceiros, além claro também o quanto é difícil atualmente para um cidadão passar por anônimo frente a governos e empresas.

A motivação para produzir o filme vem de um caso pessoal.

Semelhante a muitos cidadãos ingleses, em novembro de 2007, Bond recebeu uma carta do governo britânico, informando que o Child Benefit Office, responsável pelo subsídio dado a pessoas com filhos recém-nascidos, havia perdido CDs não somente com seus dados pessoais, mas com informações sensíveis sobre a sua filha.

O caso preocupou Bond e o deixou com a pergunta na cabeça – o quanto o governo e as empresas guardam de informações sobre a gente?

O filme mostra antes, durante e após o sumiço de Bond. Antes, o inglês conversa com psicólogos e especialistas em segurança da informação.

Durante o sumiço, Bond sai da Inglaterra se embrenha na Europa. O esconde-esconde entre os investigadores particulares e Bond é intercalado com depoimentos de especialistas, além de pessoas que tiveram seus dados pessoais usados de forma indevida.

O ponto alto do documentário acontece quando Bond requer a 80 empresas e instituições ligadas ao governo britânico relatórios a respeito de informações pessoais que têm armazenadas.

Pilhas e pilhas de papéis chegam à sua residência. O mais chamativo é o relatório enviado pela filial da Amazon na Inglaterra. A loja online guarda dados até dos amigos para os quais ele enviou presentes. São inúmeras páginas com dados pessoais de Bond.

O documentário começa bem, mas depois desanda. Bond acaba usando o celular e indo a lugares óbvios, como a casa dos pais.

E o mais decepcionante. Erasing David se propõe a discutir a quantidade de dados que, espontâneamente, colocamos na rede. No entanto, o que os detetives menos usam são as informações online de Bond, mas sim o tradicional método de vasculhar o lixo da casa de sua esposa.

O filme, sem querer, mostra como o lixo que produzimos diariamente é revelador. Lá estão informações sobre o que comemos, quantas pessoas estão em casa, onde trabalhamos, lugares e lojas onde estivemos recentemente.

Do meio para o final do documentário, é bem mais interessante acompanhar o trabalho detalhista dos investigadores do que a fuga mambembe de Bond.

Em suma, Bond perde a oportunidade de fazer uma discussão mais consistente e diferenciada sobre privacidade. Explora pouco identidade e reputação, dois temas relacionados à questão da privacidade.

Contudo, Erasing David tem um lado positivo. O filme nos ajuda a refletir sobre a falta de ponderação no atual debate sobre privacidade e excesso de dados.

De um lado, a paranóia. Do outro, a discussão simplória com base na premissa de que a privacidade morreu e não temos mais o que fazer (Erasing David fica mais no lado da paranóia. O próprio Bond fica paranóico no meio do documentário, acreditando que pessoas comuns estão perseguindo-o).

Esse tipo de divisão se reflete nos atuais debates sobre privacidade, muitas vezes esquece-se que os dados são adquiridos de duas formas – de forma anônima, um dado não poder ser ligado a um indivíduo. E de modo identificável, são associados a uma pessoa.

Na maioria das vezes, passa-se a impressão de que existe apenas e tão somente um tipo (a Slate abordou o assunto em recente artigo).

Outra questão é que existem abusos, mas dificilmente vemos o outro lado.

Graças ao Google armazenar dados sobre as buscas, podemos ter aplicativos como o Flu Trends, capaz de prever quando uma epidemia de gripe afetará uma região.

No Foursquare, deixamos muitas informações pessoais disponíveis, mas em compensação ganhamos conectividade e atenção dos amigos.

Reclama-se das milhares de câmeras de segurança espalhadas pelas grandes cidades, mas elas ajudam na redução e até na solução de crimes. Há dois pesos e duas medidas.

Nessa história toda, o certo é que, historicamente, por necessidade de conectividade, reconhecimento e atenção, as pessoas baixam a guarda da privacidade, mas isso não significa que ela morreu.

Veja também: “The Social Network” é sobre mobilidade social

Publicado por Tiago Dória, em 18 de abril de 2011 (Segunda-feira).
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Documentário sobre o Facebook

A MTV americana produziu um documentário de 30 minutos sobre o Facebook, o Diary Of Facebook. Será exibido nesta semana nos EUA. O trailer segue logo abaixo.

Veja também: “The Social Network” é sobre mobilidade social

Publicado por Tiago Dória, em 28 de março de 2011 (Segunda-feira).
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Catfish: mais um filme em torno do Facebook

Desta vez, a história não é sobre a criação do Facebook.

Mas um documentário (meio reality show) sobre relacionamento online – um fotógrafo que conhece uma garota e a família dela por meio da rede social.

Pelas críticas que já saíram por aí, parece que o grande mérito do documentário está em captar o momento atual – uso de diversas ferramentas digitais no dia a dia e o fato de muitos relacionamentos serem construídos e alimentados em torno de plataformas online de rede social.

Catfish estreia em setembro nos EUA. Trailer logo abaixo.

Veja também: Redes sociais se tornaram ferramentas de massa

Publicado por Tiago Dória, em 20 de agosto de 2010 (sexta-feira).
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Facebook pode virar filme e Wikipedia ganha documentário


Zuckerberg e sua namorada são alvos preferidos dos “paparazzi do Vale do Silício”

Em entrevista à BBC, o roteirista e produtor Aaron Sorkin, criador da série “The West Wing”, disse que está em negociação para produzir um filme sobre a história dos fundadores da Facebook, rede social que mais cresce na América Latina.

O Google merecia bem mais um filme. Mas, se depender dos últimos acontecimentos envolvendo a Facebook, a obra de Sorkin poderá dar um bom filme sobre processos, cópia de códigos, problemas com privacidade e trocas de acusações na imprensa.

Mais certeza é estrear, em 2009, o Truth in Numbers – The World According to Wikipedia, o primeiro filme-documentário sobre a enciclopédia online Wikipedia, considerada um “ícone da web colaborativa”.

Enquanto isso, Mark Zuckerberg, fundador da Facebook, aparece nas telas somente quando é alvo dos paparazzi.

Post relacionado:
Na verdade, somos viciados em eletricidade

Publicado por Tiago Dória, em 28 de agosto de 2008 (Quinta-feira).
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Web 0.5

Andy Baio, do blog Waxy, está fazendo um trabalho bem legal. Começou a digitalizar documentários e reportagens da década de 90 que tentam explicar a internet. O primeiro resultado está aí, logo acima.

Obrigado pela dica, Roberta!

Publicado por Tiago Dória, em 19 de março de 2008 (Quarta-feira).
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