Frase da semana

Não podemos esquecer do que existe quando a gente está desconectada

Cineasta Tiffany Shlain, durante o Digital Age 2.0

Publicado por Tiago Dória, em 1 de outubro de 2011 (sábado).
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Grandes conexões geram grandes responsabilidades

Uma doença grave ou a morte de um ente querido sempre nos faz puxar o freio de mão e repensar a vida. Para algumas pessoas, o efeito pode ser maior, não somente por ser um fator de fortalecimento, mas de busca de um maior autoconhecimento.

Para a cineasta Tiffany Shlain, criadora do Webby Awards (o Oscar da internet), o câncer de seu pai e uma gravidez de risco a fez repensar a respeito de suas conexões com as outras pessoas. O que significa no século XXI estar conectado?

Essa divagação resultou no documentário Connected: an autobiography about love, death and technology, que estreou neste mês em São Francisco, nos EUA, mas que foi exibido em primeira mão no Brasil, durante o Digital Age 2.0, evento que aconteceu nesta semana em São Paulo.

Shalin mostra o quanto estamos e estivemos conectados ao longo da história.

A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, fez surgir a Guerra Fria anos depois, que, por sua vez, foi a incubadora para o surgimento da internet, que, tempos após, iria afetar diversas pessoas.

Connected é uma continuidade dos estudos do pai da cineasta – Leonard Shlain, escritor de best-sellers como The Alphabet versus the Goddess e um dos pesquisadores defensores da teoria dos dois hemisférios do cérebro – um racional (masculino) e outro emocional (feminino).

Segundo o escritor, o mundo muda dramaticamente dependendo do quanto o nosso pensamento é dominado por qual parte do cérebro.

Por muitos anos, a nossa sociedade supervalorizou apenas um lado do cérebro. Depois do surgimento do alfabeto e de outras formas de escritas, por exemplo, o pensamento masculino, mais intelectual e racional, tornou-se o padrão.

A internet, ao contrário, nos leva a uma nova maneira de pensar que estimula ao mesmo tempo as partes intelectuais e artísticas de nosso cérebro. Ou seja, estimula o uso do cérebro de forma integrada, o que representa uma grande evolução para o ser humano.

Para a cineasta, essa seria a grande mudança trazida pela internet. Integrar os dois hemisférios do cérebro, unindo arte e ciência, em escala e volume global.

Portanto, esqueça aquela visão mais crítica da internet, de que, ao mesmo tempo, que ela fortalece democracias, potencializa ditaduras pelo mundo.

Shlain tem uma visão bem otimista. Por si só a tecnologia é positiva.

Apesar desse ponto de vista, a cineasta é adepta do “Technology Shabbat“. Uma vez por semana, às sextas-feiras, sua família fica desconectada das mais recentes tecnologias de comunicação.

É um dia para ficar offline. Shlain conversa melhor com as suas filhas. Seu marido tem mais tempo para ler um livro. A cineasta cuida mais de si mesma.

Connected é uma mistura de três histórias: a do Shlain pai, da própria Shlain e de todos nós.

Um dos pontos altos do documentário é a sua estética. O filme remete a vídeos que estamos acostumados a assistir na web – uma colagem de images retiradas da internet misturadas a animações e uma narração em off.

Somente 2% de Connected é formado por filmagens. O resto são colagens, animações e vídeos pessoais da cineasta.

Shlain utilizou uma dinâmica comum para quem produz vídeos amadores para a web. Durante o processo de produção, a cineasta ia até um mecanismo de busca e selecionava imagens que eram relacionadas a uma determinada palavra citada no texto em off.

Além da estética de “vídeo para a internet”, Connected quebra a barreira entre público e privado. Shlain mistura suas teorias à sua vida pessoal, temas pessoais e privados andam juntos, semelhante a textos publicados em blogs. Não é à toa que a própria cineasta rotula o filme de autoblogography (algo como autoblogografia).

A meu ver, Connected é uma releitura do conceito de “efeito borboleta” (pequenas ações podem causar grandes resultados), além de algumas ideias do naturalista e filósofo John Muir (o homem está interligado a todas outras espécies da natureza, que atua como uma “casa” para todos nós). Aliás, uma frase de Muir é citada no início e no fim do documentário.

Mesmo sendo uma leitura de teorias já existentes, Connected tem o seu valor, principalmente, porque, nas entrelinhas, faz um alerta sobre o quanto estar mais conectado gera mais responsabilidades. O que fazemos aqui pode ter grandes repercussões em uma pessoa que está a poucos graus de separação da gente.

Alianças de mercados estão cada vez mais acima de hierarquias, decisões externas afetam bem mais as internas e viceversa, redes de comércio estão mais interligadas, temos respostas às nossas ações quase que “em tempo real”.

O fato de estarmos mais conectados gera muitas oportunidades, mas também uma responsabilidade maior a respeito do que fazemos.

Enfim, quanto mais (inter)conectados, maior o efeito e a responsabilidade de nossas ações.

Veja também: Estamos “cadastrados” em redes sociais desde pequenos

Publicado por Tiago Dória, em 30 de setembro de 2011 (sexta-feira).
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Curadoria de conteúdo não precisa ser algo complicado

Apesar de ser um dos assuntos do momento na web, curadoria de conteúdo não precisa ser vista como algo complicado. Para mim, isso ficou bem claro ao acompanhar a palestra do pesquisador americano Steven Rosenbaum, no Digital Age 2.0, que acontece em São Paulo.

Tanto que o pesquisador, autor de Curation Nation, chegou a falar que, para as novas gerações, não existe diferença entre a atividade de fazer curadoria e a de produzir conteúdo próprio. Na verdade, elas andam juntas. Uma coisa não exclui a outra.

Fica mais evidente o quanto o tema não precisa ser tratado como alguma coisa fora do comum, se juntarmos essa visão de Rosenbaum à frase do colunista de mídia Tom Foremski – mesmo sem perceber – todos nós somos curadores de conteúdo. No dia a dia, ao atualizarmos microblogs ou simplesmente ao fazermos uma playlist, estamos fazendo curadoria para uma determinada audiência.

Talvez a grande novidade a respeito do assunto seja essa – a curadoria de conteúdo deixou de ser uma habilidade apenas dos grandes “publishers” para, teoricamente, poder ser feita por qualquer pessoa.

Segundo Rosenbaum, ser apaixonado por um assunto é a premissa básica para ser um bom curador, além de estar atento a 3 questões:

1) A partir do momento que compartilhamos algo, estamos endossando-o. Devemos prestar atenção ao que retuítamos ou compartilhamos na web.
2) Na web, é mais poderoso saber ouvir do que falar.
3) Num mundo repleto de informações, as pessoas estão famintas por clareza, concisão e contexto.

Rosenbaum bateu no assunto de que a sabedoria das multidões será substituída pela curadoria. Os algoritmos darão espaço para especialistas. Premissa defendida já há 3 anos por Bill Tencer, autor do livro Click.

Ou seja, percebe-se que, cada vez mais, pesquisadores ligados à web questionam o “overload informativo” e a dificuldade dos atuais algoritmos em lidar com ele. Cada pesquisador tem uma solução para o fenônemo.

Para o americano Eli Pariser, autor de Filter Bubble, por exemplo, as causas da abundância de conteúdo vêm de muito antes da internet. São resultados de uma fase do capitalismo em que ocorreu uma fragmentação dos mercados. Uma solução não-tecnológica é a mais recomendada.

Segundo Pariser, do mesmo modo que,  a fim de acabar com o sobrepeso, devemos mudar os nossos hábitos alimentares, para lidar com o atual “overload informativo”, precisamos mudar o modo como consumimos mídia. Devemos consumi-la de forma menos compulsível.

Rosenbaum, por sua vez, acredita que a própria democratização dos meios causou o “overload” e que a curadoria é a solução.

O game Evoke será lançado em meados do ano que vem no Brasil, afirmou, via videoconferência, a pesquisadora de games Jane McGonigal, autora de Reality Broken, livro comentado aqui, no blog, no post Games: a arma secreta da humanidade.

Evoke baseia-se no pressuposto básico dos estudos de McGonigal, uso da mecânica dos games eletrônicos para solucionar problemas da vida real. O game foi encomendado pelo Banco Mundial e tem o objetivo de incentivar o empreendedorismo social na África.

Basicamente, a palestra de McGonigal girou em torno de seu último livro. A pesquisadora lembrou duas partes do livro:

1) O quanto poderosos são os “foresight games”, jogos que nos ajudam a prever problemas futuros. Exemplo -  World Without Oil em que as pessoas são convidadas a pensar num mundo sem petróleo. Tipo de reflexão que gera um efeito – buscar novas fontes de energia e evitar ser tão dependente do petróleo.

2) Os games produzem uma sensação de conectividade, engajamento, felicidade e inspiração que não encontramos em outras atividades  do cotidiano. Por isso, fazem tanto sucesso e têm capacidade de serem utilizados para resolver problemas reais.

Veja também: Hans Donner + Freakonomics: 1º dia do HSM Management

Crédito da foto: Felipe Busi (1)

Publicado por Tiago Dória, em 28 de setembro de 2011 (Quarta-feira).
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Como o brasileiro consome vídeo online

Nesta quarta-feira, no Digital Age 2.0, que acontece em São Paulo, foi divulgada uma pesquisa sobre o consumo de vídeo online no Brasil.

Os dados do estudo são inéditos e, o mais importante, voltados totalmente ao mercado brasileiro.

Para mim, foi o ponto mais interessante do evento neste 1º dia.

Alguns detalhes do estudo, que foi elaborado pela Globosat, Havas Digital e Qualibest.

1) 96% dos usuários brasileiros de internet têm o hábito de assistir a vídeos pela web
2) Em sua maioria, esses vídeos são consumidos das 20h às 1h
3) Possibilidade de assistir a qualquer hora (não ficar preso a grade de horário) é o principal atrativo do vídeo online
4) Em geral, homens preferem vídeos com conteúdo esportivo. Mulheres, sobre culinária.
5) A maioria assiste a um vídeo após a indicação de um amigo ou citação em um artigo.
6) Usuários não têm rejeição a propagandas, mas sim à repetição do mesmo comercial em diversos vídeos.

Por coincidência, num debate logo após a divulgação da pesquisa, Regina Chamma, gerente de projetos especiais do Google Brasil, afirmou que o YouTube está testando uma funcionalidade que permitirá ao usuário escolher quando e qual comercial quer assistir.

Recurso que, diga-se de passagem, já existe no Hulu, site que lidera a exibição de publicidade em vídeos nos EUA.

Veja também: Pré-seleção de comercial é solução para vídeo online

Publicado por Tiago Dória, em 18 de agosto de 2010 (Quarta-feira).
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