Startup brasileira viabilizará defesa coletiva do consumidor

Quando você tem um problema com um produto ou serviço de uma empresa, “gritar no Twitter” parece ser a solução mais rápida e inteligente. Contudo, apenas 1/3 das pessoas que reclamam na rede de microblogs recebem uma resposta das empresas.

Um outro caminho é o da via jurídica – encaminhar a reclamação para órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público e agências reguladoras. É o caminho do cada um por si. Existe um terceiro meio, ainda pouco adotado no Brasil – o das petições coletivas

É nesse terceiro caminho que a Zaanga, startup brasileira voltada para a defesa do consumidor, se propõe a atuar. A startup oferecerá um serviço que viabiliza a formação de grupos de consumidores com dificuldades semelhantes para que, de forma coletiva, possam resolver os problemas.

O serviço da Zaanga reunirá as queixas comuns e as encaminhará, por meio de petições coletivas, às empresas envolvidas, ao Ministério Público, às agências reguladoras e aos órgãos de defesa do consumidor.

Conversei nesta manhã com Raquel Costa, cofundadora da startup, que afirmou que, entre outros motivos, a Zaanga surgiu da constatação de que petições coletivas têm mais resultado do que petições individuais. Além disso, as reclamações coletivas ajudam a revelar que um problema que parece ser esporádico é, na realidade, comum a vários consumidores.

Segundo a cofundadora, a startup difere de outros serviços que reúnem reclamações de clientes na web na medida em que não somente encaminha as petições coletivamente, como também conecta pessoas que tiveram os mesmos problemas. “A partir da Zaanga, as pessoas poderão trocar informações e conhecer pessoas que passaram pelo mesmo problema com empresas”.

Para que as pessoas possam enviar as suas reclamações e conectar-se com outros usuários que tiveram as mesmas lesões, a Zaanga trabalhará com base em um aplicativo do Facebook, que rodará dentro da própria plataforma de rede social. A pessoa faz um cadastro, responde a um questionário e o aplicativo se encarrega de fazer o resto

Pelo que percebi, a Zaanga nasce bem mais como uma proposta de ativismo online do que de negócio. Ainda não existe modelo de receita e nem investidores externos. A startup trabalha com uma estrutura de 10 pessoas, entre desenvolvedores, comunicadores e pessoal da área jurídica.

A Zaanga promete ser um exemplo nacional de um movimento de startups que busca dar mais poder aos consumidores.

Nesta segunda-feira, antes do lançamento oficial do site, a startup brasileira lançou um “manifesto online“.

Veja também: Documentário brasileiro sobre “vaquinha virtual”

Crédito da foto: jpellgen

Publicado por Tiago Dória, em 21 de novembro de 2011 (Segunda-feira).
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Frase da semana

Não tenho fé na internet. Tenho fé nas pessoas que estão conectadas por meio da internet

Jim Gilliam, fundador da startup 3dna, voltada para mobilizações online.

Publicado por Tiago Dória, em 30 de julho de 2011 (sábado).
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Hashtags não derrubam governos

Acreditar que a internet, por si só, fortalece a democracia é uma ideia tão simplória quanto achar que a queda de um governo autoritário sempre dá lugar a um democrático.

E mais, ao contrário do consenso geral, governos totalitários perceberam que o mundo mudou. Notaram que estão em um mundo de abundância de informação e que bloquear urls é coisa do passado. Hoje, usam formas bem mais sutis de censurar as vozes dissidentes.

Nessa história toda, o governo do Egito é uma exceção. Percebeu muito tarde que é mais eficiente monitorar a internet a bloquear o seu acesso.

A melhor forma de censurar a internet é não a censurar, explica o pesquisador em política e internet Evgeny Morozov, em seu polêmico e recém-lançado livro The Net Delusion (432 páginas/Editora PublicAffairs).

A leitura do livro de Morozov chegou em boa hora para mim. Não apenas por que o autor está presente na mídia, ficando assim mais fácil acompanhar a sua linha de pensamento, mas também por Net Delusion funcionar como um contraponto necessário em meio à certa histeria sobre o papel da internet nos recentes conflitos no Egito.

Segundo Morozov, nossa noção de censura na internet ainda tem como base a ideia de “bloquear/não bloquear”, lógica que, a rigor, não faz mais sentido hoje em dia. Cada vez mais, governos como os da China, Irã e Síria estão respondendo à internet de maneira diferente, utilizando-a em seu favor, para fortalecer os seus governos.

O que é natural acontecer, pois quando a censura à rede se torna impraticável ou politicamente indefensável, governos autoritários passam a usá-la para propaganda ou, em casos mais extremos, como uma ferramenta de monitoramento da população.

Um exemplo dessa mudança de postura é o venezuelano Hugo Chavez, que até abril de 2010 considerava a internet e o Twitter “ferramentas terroristas contra-revolucionárias dos EUA”. Mas, depois, ao perceber o potencial da internet para promoção pessoal e propaganda de seu governo, passou a aceitá-la, chegando a montar um perfil no Twitter.

Do mesmo modo, censurar blogs está virando coisa do passado na China e no Irã. É mais negócio criar um exército de blogueiros pró-governo e contratar pessoas para entupir blogs e redes de microblogs com perfis falsos e comentários a favor do governo (50 Cent Party).

Os efeitos são parecidos. E o objetivo é sufocar a oposição na web por meio de uma avalanche de conteúdo. Combater conteúdo com conteúdo e não com escassez de informações.

Não é sem motivos que os governos da China e do Irã estão por trás de investimentos em diversos sites e blogs de gosto duvidoso, que, claro, apóiam os respectivos governos.

Para os olhos internacionais é uma solução amigável, mantém-se uma aparência de liberalização; mas, na verdade, sufoca as vozes dissidentes no plano interno.

“Terceirizar a censura” também tem se tornado prática comum. Forçar as empresas de internet a se autocensurar ou, aceitando a censura oficial, praticá-la diretamente. Vide a Google forçada a filtrar resultados da busca na China, em 2009.  Empresas internacionais oferecem resistência a essa prática, mas com medo de perderem mercado acabam cedendo. Com empresas locais não há com o que se preocupar. Muitas recebem subsídios estatais e acatam as ordens.

Conforme Morozov, isso é um problema, pois em muitos países totalitários há preferência pela utilização de serviços locais.

Uma das novas formas mais simples de sufocar as vozes dissidentes é justamente se aproveitar das características da web, como a descentralização. Em ambientes descentralizados é bem mais fácil espalhar boatos.

Durante os protestos em Teerã, em 2009, por exemplo, o governo iraniano usou o Twitter para propagar boatos e dessa maneira colocar a população em pânico e passar uma visão de que os protestos não eram tão populares.  Enquanto a imprensa no Ocidente glorificava o papel do Twitter, ativistas no país pediam que não se usasse o serviço de microblogging como fonte de informação, devido à enorme quantidade de boatos.

Ainda durante os mesmos conflitos, o governo iraniano colocou no ar um site com fotos dos protestos e pediu que a população ajudasse a identificar as pessoas nas imagens. Crowdsourcing a favor da repressão.

O que Morozov mais destaca é o quanto os governos estão percebendo o enorme valor das informações publicadas  espontaneamente nas redes sociais. Nisso, o monitoramento desses espaços é constante.

Informações que, antigamente, os serviços secretos do Irã e da China demoravam dias para filtrar, hoje facilmente podem ser encontradas nessas plataformas.

Com a onda do botão “curtir” no Facebook então, a navegação ficou menos anônima. Basta entrar no perfil de uma pessoa para saber por onde ela andou navegando (ou “curtindo”) nos últimos dias. Na Síria, já se fala que o Facebook é um grande banco de dados para o governo.

Em janeiro de 2010, Ahmadi Maghaddam, chefe da polícia iraniana, disse que “as novas tecnologias permitem identificar conspiradores sem a necessidade de controlar individualmente cada pessoa”

E, no próprio Egito, na semana passada, ativistas da oposição orientaram as pessoas a parar de utilizar o Facebook e o Twitter e  priorizar o email, mais difícil de ser monitorado.

O governo da China, por sua vez, já está flertando com técnicas de data mining para analisar tendências em um nível macro nas redes sociais.

Por isso, na visão de Morozov, ao contrário do que os fundadores do Facebook e do Twitter dão a entender, as plataformas de redes sociais são uma faca de dois gumes para quem é dissidente.

Por um lado, dá mais visibilidade internacional. Mas, por outro, deixa mais vulnerável quem as utiliza.

É comum as pessoas serem presas no Irã, Nigéria e China com base em informações publicadas em seus perfis em redes sociais.

Em suma, Morozov mostra o que as “Wireds” e os “Mashables da vida” não costumam revelar – o lado B da internet, o que acontece quando a rede é utilizada para fortalecer a propaganda, censurar e vigiar a população em governos autoritários.

Por tal motivo, o pesquisador acredita que a internet não é inerentemente democrática. Tudo depende em qual contexto a tecnologia é usada. Em um país que tem uma base política e cultural democrática, ela tenderá a ser usada para fortalecer a democracia. Em um país que não possui nada disso,  ela poderá reforçar o autoritarismo.

Enfim, para compreender o raciocínio de Morozov é necessário entender que ele vai contra o chamado “determinismo tecnológico”, linha de pensamento atual muito comum. Para o pesquisador, é a política, e principalmente a cultura e a economia, que moldam como usaremos uma tecnologia, e não o contrário. A internet não é algo autônomo, com vida própria e acima dos indivíduos. Ela, na verdade, está inserida dentro de um contexto que define os seus usos e os seus efeitos na sociedade.

E é exatamente essa visão que dá combustível para Morozov criticar a recente política externa americana, que, segundo ele, assume uma postura errada ao posicionar a internet como solução para todos os males e ao utilizar Facebook, Google e Twitter como ferramentas dessa política (vide a última capa da Foreign Affairs sobre o “poder político das mídias sociais” e os últimos discursos de Barack Obama e Hillary Clinton).

Morozov entende que essa politização da Web 2.0 mais atrapalha do que ajuda. Quanto mais Facebook, Twitter e Google forem vistos como ferramentas da política externa americana, maior o risco de serem censurados em países com governos ditatoriais.

Além disso, para Morozov, esse tipo de política é simplória, pois, no desejo de tornar menos complexo o discurso (internet vs ditaduras), acaba tentando resolver um problema político, cultural e econômico (governos autoritários) com uma solução tecnológica (acesso a Twitter e Facebook).

Ou seja, trata um grande problema como se fosse pequeno.

O pesquisador acredita que, em parte,  isso acontece por que a política externa americana ainda é pautada por padrões da Guerra Fria – quanto mais acesso à informação, pior para governos autoritários. Tipo de leitura que o pesquisador considera imprecisa, mas presente em todas as análises sobre a internet, principalmente nas produzidas pela imprensa ocidental.

Nem sempre acesso à informação torna as pessoas mais politizadas. Na China, a maioria dos usuários usa a rede para baixar filmes pirateados dos EUA e não para acessar informações políticas. Na Rússia, os blogs mais visitados não são os políticos. Pelo contrário, são os de humor e sexo.

Na Alemanha Oriental, as poucas pessoas que tinham acesso a redes de TV ocidentais usavam-nas, principalmente, para assistir seriados como Dallas e Miami Vice. (Até hoje, nos círculos de pensadores americanos, acredita-se que o Muro de Berlim caiu por causa da TV e não em razão de um processo, fruto de anos de descontentamento político e econômico).

Um dos muitos destaques de Net Delusion se dá quando Morozov analisa por que, muitas vezes, o ativismo facilitado pelas redes sociais faz muito barulho, mas resulta em quase nada. Haja vista aqui, no Brasil, o #forasarney (Sarney está mais presente do que nunca na política brasileira).

É interessante essa parte do livro, pois Morozov fala da sua própria experiência. O autor acompanhou de perto o ativismo online na Bielorrússia, sua terra natal.

Segundo ele, existem exceções, mas muitas vezes esse tipo de ciberativismo não apresenta resultados, visto que se preocupa muito com a mobilização (juntar seguidores no Twitter e amigos no Facebook) e pouco com a ação (depois de conseguir 10 mil seguidores e fãs na página do Facebook, o que vai fazer? Enviar spam com conteúdo político para todo mundo?).

A capacidade de mobilizar ainda está encantando os ciberativistas, embora a capacidade de agir seja bem mais importante.

Outra questão exposta é a de que, na maioria das vezes, esse tipo de ativismo acontece por motivos que nada têm a ver com ideais ou causas políticas, mas sobretudo para impressionar os amigos e criar uma identidade online. A rede social favorece isso. Vou participar por que os meus amigos estão participando. Vou participar para mostrar que não sou alienado, e não falo apenas bobagens no Twitter.

Para Morozov (foto acima), o resultado é uma baixa taxa de comprometimento e uma alta quantidade de participantes. Combinação nociva para qualquer movimento.

Quanto maior o grupo, menor a pressão para apresentar resultados (se eu não fizer nada, ninguém vai perceber já que tem tanta gente mesmo). Ou seja, se não existem meios de mensurar a participação de cada em um movimento, os efeitos são mínimos.

Por essa razão,  nas plataformas de redes sociais, é muito fácil você “fazer a sua parte”, basta usar uma hashtag, mudar a cor da foto em seu perfil, e pronto!

De acordo com o pesquisador, revoluções exigem 3 coisas – disciplina, líderes e comprometimento. E isso você não encontra nas redes sociais que nivelam todo mundo na horizontal.

Em questão de segundos e de forma indolor, você pode deixar de apoiar uma causa no Facebook, sem qualquer comprometimento ou remorso. As plataformas de redes sociais são um dos poucos ambientes onde, ao mesmo tempo, você pode apoiar todas ou nenhuma causa, conclui Morozov.

Pelo que tenho percebido, por tratar de temas polêmicos,  Net Delusion caminha para o mesmo fim de Free, de Chris Anderson – tornar-se um livro mal compreendido.

Em nenhum momento, Morozov afirma que a internet não tem capacidade de fortalecer a democracia. Pelo contrário, ele acredita que os dissidentes devem sim utilizar Twitter e Facebook, mas desde que estejam familiarizados com os riscos. A tecnologia de “cloud computing”, por exemplo,  é algo que Morozov acredita estar ajudando os opositores.

Em essência, o livro não vai de encontro a este ou aquele país, mas sim contra o “determinismo tecnológico” (de achar que a internet tem um papel determinante em tudo). Para Morozov, essa linha de pensamento pode ter efeitos nocivos para a democracia, ao tentar resolver problemas que são muito mais sociais, culturais e econômicos com uma mera solução tecnológica.

Esse “determinismo” estaria afastando-nos das questões essenciais, como a de que governos autoritários morrem por causa de problemas políticos e econômicos. Em regra, se a economia está boa, dificilmente um governo cai.

Para quem é da área de tecnologia, Net Delusion tem uma lição sutil e interessante.

Constitui um erro descontextualizar uma tecnologia, quando se analisa seus efeitos e seu poder de gerar mudanças. Em certos contextos, algumas tecnologias podem causar mais efeitos, e outros, não.

Muitas vezes, por acharmos que uma tecnologia é autônoma, com vida própria, não compreendemos por que ela dá resultados em uma empresa e em outras não. Por que os blogs em alguns países servem mais para polarizar do que informar. Por que uma “ação genial” dá certo com um cliente e com outro não. Por que a internet fortalece a democracia em alguns países, ao contrário de outros.

Não é por que uma tecnologia produziu um efeito em um dado ambiente que, necessariamente, ele se reproduzirá em outros. Enfim, o que define os efeitos de uma tecnologia é o contexto no qual ela é utilizada, e não “poderes mágicos”  que supostamente lhe sejam atribuídos.

Compreender isso é importante para utilizar a internet não somente com fins comerciais, mas também como meio efetivo de fortalecimento da democracia.

Veja também: Por uma internet em tempo giusto

Crédito das fotos:  John Biehler, Chilcy, Ascaro41, BarryGeo e Oso

Publicado por Tiago Dória, em 31 de janeiro de 2011 (Segunda-feira).
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Tim Berners-Lee acionou o alarme de incêndio

Tim Berners-Lee acionou um alarme.

Segundo ele, o caráter democrático e aberto da internet está ameaçado.

Em artigo na revista Scientific American, o criador da web alerta que empresas estariam, cada vez mais, desenvolvendo “produtos fechados” e “ilhas de informação” (aplicativos e plataformas de redes sociais); governos autoritários, por sua vez, monitorando e restringindo o uso da internet, e provedores de internet, ameaçando favorecer ou desfavorecer um site.

A internet estaria ficando mais fragmentada e menos universal.

Em diversos pontos, o artigo de Berners-Lee pode soar um pouco alarmista para alguns. Constantes pesquisas mostram que as pessoas ainda preferem acessar o conteúdo por meio de navegadores. Além disso, o conteúdo dos aplicativos pode até estar “fora da web”, mas não é exclusivo. Na maioria das vezes, é sincronizado ou replicado da web.

Para entender melhor a repercussão do alerta de Berners-Lee, é necessário saber em que contexto foi publicado o artigo.

O artigo não soa como uma resposta à matéria da Wired sobre o fim da web (assunto que, diga-se de passagem, já está superado com a resposta da Technology Review), mas sim a uma recente declaração de Ed Vaizey, ministro da cultura do Reino Unido.

Berners-Lee é britânico. Mora na Inglaterra. Tem o título de Sir. Há uma semana, Vaizey se posicionou a favor de que provedores de internet locais discriminem certos conteúdos, o que vai totalmente contra a ideia de neutralidade da internet, defendida por Berners-Lee.

O conceito de neutralidade da internet parte do pressuposto de que todos conteúdos e serviços web devem ser tratados iguais. Um provedor de internet (operadora de telecom, empresa de TV a cabo), por exemplo, deve ser neutro, não pode favorecer ou desfavorecer um site ou um tipo de serviço (um site de vídeos abrir mais rápido que os dos seus concorrentes).

Na segunda-feira, quando o artigo de Berners-Lee foi publicado, rapidamente o político se retratou, chegando a concordar com o criador da web.

Esse debate sobre se a internet está perdendo ou não o seu caráter universal lembra uma teoria que Tim Wu, professor da Universidade da Columbia e um dos principais pesquisadores da internet, comenta em seu recente livro The Master Switch.

Segundo Wu, a internet não é a primeira tecnologia que as pessoas acham ser capaz de mudar tudo para melhor. Sempre quando uma tecnologia surge é comum que, no início, ela seja repleta de teorias otimistas, de profecias positivas e quase utópicas. Normalmente, no início, essas teorias funcionam como uma eficiente ferramenta para vender uma tecnologia.

Ou seja, existe uma sucessão de tecnologias que começaram carregando um caráter otimista e aberto e depois se tornaram sistemas controlados por 3 ou 4 empresas.

Com o surgimento do rádio, acreditava-se que o mundo se tornaria uma “grande mente”, pois todos estariam conectados. Não haveria mais monopólios.

Enfim, segundo Wu, essa oscilação entre aberto e fechado sempre aconteceu com plataformas de comunicação e de distribuição de conteúdo. Historicamente, é algo comum.

E, com a internet, talvez estivesse acontecendo o mesmo. Ela estaria entrando no mesmo ciclo.

Ou, possivelmente não. Na realidade, a internet seria a primeira a abolir esse tipo de ciclo.

Seria eternamente “aberta e democrática”.

Veja também: Por uma internet mais humana

Crédito das fotos: Silvio Tanaka e Linder

Publicado por Tiago Dória, em 24 de novembro de 2010 (Quarta-feira).
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Era uma vez um blog…

Não é fácil escrever a história de alguma coisa ainda muito recente, sobretudo se quem escreve está diretamente envolvido nela. E, principalmente, se essa história for acompanhada de personagens que têm uma boa dose de ego e de paixão pelo que fazem, acima do que seria considerado normal.

O autor pode ser facilmente acusado de ser parcial, precipitado e, sem motivos fortes e claros, mexer com a reputação de pessoas que ainda estão vivas.

Scott Rosenberg, cofundador da Salon, uma das revistas digitais pioneiras, passou por esse desafio. E escreveu um dos melhores livros que tive a oportunidade de ler neste ano.

Em “Say Everything” (416 páginas/ Editora Crown Business), Rosenberg usa entrevistas, perfis e a sua própria experiência como autor de blog para contar a história, a influência e o que poderá acontecer no futuro com os blogs.

Numa época em que plataformas de redes sociais como Facebook são os novos monopolizadores da atenção da mídia, pareceria meio deslocado e redundante falar de blogs. Mas, em 2010, faz muito sentido, mais do que o esperado. Blogs foram os primeiros a passar pelos dilemas que as plataformas de redes sociais estão enfrentando.

O quanto devemos nos expor na web? Vale a pena afrouxar a privacidade em troca de mais conectividade e atenção? As informações que circulam nas plataformas de redes sociais são confiáveis? Todas essas questões já foram colocadas em relação aos blogs.

Podemos aprender muito com a sua breve e recente história, principalmente se ela for contada por quem esteve no olho do furacão.

Você percebe um dos méritos de “Say Everything” logo no primeiro capítulo. Rosenberg conta a história do surgimento dos blogs de um ponto de vista diferente. Não existe uma pessoa que criou os blogs, mas sim os criadores.

Na verdade, blog não foi uma criação individual, mas coletiva. Por isso, talvez o seu formato seja um dos primeiros exemplos do que é comentado pelo historiador Trevor Williams. Com o surgimento da web, as grandes invenções deixariam de ser atribuídas a um indivíduo e passariam a ser de equipes/grupos não identificados publicamente.

Existem sim pessoas que criaram termos, mas não o formato blog. Em 1997, o pesquisador Jorn Barger, por exemplo, criou o termo weblog, mas não a forma de publicar notas em ordem reversa cronológica e com links para fora.

Dave Winer, por sua vez, criou um dos primeiros sistemas de publicação de blog. E, um pouco antes, em 1990, Tim Berners-Lee, criador da web, desenvolveu uma página que informava quando um novo site era criado. Os links eram organizados em formato de lista, o mais recente sempre era o mais importante.

Aliás, é essa ordem reversa cronológica que dá forte apelo ao formato. Blog é o formato mais nativo da internet para se ler notícias. O texto mais recente é sempre o mais importante.

Em um meio em que as pessoas estão constantemente conectadas, em que as páginas são acessadas várias vezes ao dia pela mesma pessoa, faz todo sentido essa dinâmica. Por isso, a cada dia, o tradicional formato “manchete, submanchete e foto” se mostra mais apropriado para um meio que é acessado uma vez ao dia (aka jornais impressos) e não para a web.

Say Everything” é um dos poucos livros que dá contexto a alguns jargões da “blogolândia”, como a de que “blogs são como conversações”. Sei que muita gente fala a torto e direito essa frase em palestras, mas sempre fiquei com um pé atrás. Conversações? Por causa do espaço para comentários? Aquilo não é uma conversa.

Com a experiência de quem presenciou o nascimento desse jargão, Rosenberg explica. Na realidade, é algo que não tem nada a ver com espaço para comentários dos leitores. Mas sim com o fato de que atualizar um blog é como uma conversa. É o mesmo tipo de experiência. Você deve ouvir e não apenas falar.

Um bom autor de blog é, antes de tudo, uma pessoa que sabe ouvir muito, que lê muito. Mais ouve do que escreve. Mais absorve do que escreve.

Pesquisa e escuta bastante antes de escrever sobre um assunto. Escrever é apenas consequência de ouvir.

No livro, Rosenberg resgata diversos personagens pioneiros para contar a história dos blogs. Por exemplo, para falar sobre o momento em que os blogs passaram a ser vistos como veículos, negócios, conta a trajetória de Jason Calacanis e de Nick Denton (foto acima). Para definir o instante em que a imprensa percebeu que não tinha mais a exclusividade do furo, ele cita Drudge Report, que publicou em primeira mão o caso entre Bill Clinton e a estagiária Mônica Lewinsky.

Calacanis fundou em 2003 a Weblogs Inc, uma das primeiras redes de blogs. Esperou ela crescer, formar audiência e reputação e, dois anos depois, a vendeu para a AOL por US$ 25 milhões. Ou seja, seguiu o tradicional caminho de algumas startups no Vale do Silício. Esperar crescer para depois vender a alguma grande e estabelecida empresa.

Também em 2003, Denton, por sua vez, fundou a Gawker Media, rede de blogs que tem como carro-chefe o Gizmodo. Ao contrário de Calacanis, foi e continua indo pelo caminho mais difícil nas mídias digitais – monetizar conteúdo. Acredita que a sua rede de blogs será sustentada apenas via publicidade.

Aliás, Denton acha que a internet é muito parecida com a TV aberta. O que Rosenberg acredita ser um erro. A internet é bem mais próxima do telefone (receita via serviços a mais) do que da TV aberta (receita via publicidade). É muito mais uma plataforma de comunicação do que de distribuição de conteúdo. Em outras palavras, as pessoas estão na internet sobretudo para se comunicar, e não simplesmente para consumir conteúdo.

Nesta parte do livro, fica faltando a citação da GigaOm Network, rede de blogs que tem mostrado um negócio bem mais sustentável e que historicamente foi testado por quem trabalha com conteúdo em outras plataformas. A rede de blogs trabalha com a dobradinha publicidade + assinaturas. Grande parte do conteúdo é gratuito, mas a encomenda de pesquisas personalizadas e o acesso a relatórios são pagos.

Say Everything” é atualmente um dos poucos livros que mostra que não devemos tratar os blogs como um fenômeno isolado, mas como algo inserido na história da web.

Aliás, muito do hype em torno dos blogs vem do fato de que o formato surgiu na mesma época em que a internet começou a se popularizar. Quanto mais a web crescia, mais os blogs aumentavam em volume.

Nessa relação com web e blogs, Rosenberg acredita que o 11 de setembro simboliza o momento em que a mídia percebeu que a web existia. Antes, dominada por empresas como Time Warner e AOL, parecia ser somente mais um canal para grandes grupos de mídia distribuírem o seu conteúdo. Após o atentado, com milhares de blogs registrando a tragédia, caiu a ficha de que a web é feita de pessoas.

É interessante na leitura de “Say Everything” perceber que a história dos blogs é universal. O cara pode estar no Japão que vai passar pelos mesmos dilemas e desafios de uma pessoa que tem um blog em português, no Brasil.

Rebecca Blood, por exemplo, começou o seu blog pelos mesmo motivos que eu. Enviava diariamente muitos emails aos seus amigos com coisas interessantes que encontrava na web, até a hora que decidiu criar um blog para facilitar a organização.

Aliás, Rebecca Blood, Robert Scoble, Michael Arrington. Todo esse pessoal deve ser respeitado. Não porque eles foram os pioneiros disso e daquilo. Mas pelo motivo de que, acima de tudo, conseguiram construir a sua reputação na web, em rede, em um meio onde existe uma competitividade muito grande, com poucas regras e uma disputa grande por atenção.

Na web, todo mundo quer ter a palavra final.

É bem diferente de construir a reputação em uma grande publicação, que acaba transferindo automaticamente a credibilidade e a tradição da marca para você.

Não é à toa que, muitas vezes, quem deixa de trabalhar em uma grande veículo entra em uma crise existencial. Será que as pessoas gostavam de mim por que eu trabalhava em tal veículo ou por que era realmente bom?

Confesso a você, falo por experiência própria, construir a reputação em rede é bem mais difícil, depende muito do quanto você contribui e respeita essa rede, no entanto, é bem mais compensador. É algo que acontece naturalmente. Ninguém tira isso de você.

Portanto, se existe algo que difere os jornalistas das mídias tradicionais dos autores de blogs é isso. Um constrói a sua reputação nas redes sociais; o outro, junto a um veículo.

Aliás, Rosenberg entra na discussão “blogueiros vs jornalistas”, mas sem ser redundante. O autor desenvolve um dos capítulos mais interessantes do livro, ao expor as frustadas tentativas de tradicionais veículos tentarem entender os blogs.

Um erro é achar que as pessoas utilizam os blogs na tentativa de conseguir fama. A graça dos blogs não é ter 15 minutos de fama, mas ser o mais famoso para 15 pessoas. Não é a visibilidade, mas a liberdade. Eis o grande atrativo não somente dos blogs, mas de todas as ferramentas de publicação que vêm nascendo na web.

No passado, desde que alfabetizada, qualquer pessoa poderia, obviamente, escrever, mas publicar era um pouco complicado, era restrito a poucos. Hoje, é bem diferente. Primeiro publicamos, depois filtramos.

Se fosse pela visibilidade, ninguém montaria e atualizaria um blog.

Outra erro comum é rotular os blogs como ridículos simplesmente por que as pessoas, em geral, os utilizam mais para falar delas mesmas. Visão típica de quem acha que algo para ser importante tem que ser veículo. Se fosse assim, o telefone seria uma das invenções mais inúteis da humanidade. Se a gente for colocar no papel, acho que 80% das ligações são de pessoas falando delas mesmas ou dos outros.

Portanto, se existe algo realmente ridículo é o próprio ser humano, que adora falar dele mesmo. Os blogs apenas canalizam isso.

Ao ler esse capítulo, lembrei da forma como a mídia supostamente antenada cobre o Twitter. O tempo todo ela está tentando encontrar quem está bombando, quem tem mais seguidores. Ainda a cultura dos hits de sucesso, das 10 mais tocadas.

Quase sempre a cobertura é feita para apontar quem são mais relevantes no Twitter, enquanto que a graça do serviço de microblogging é justamente não ter nada disso.

De repente, a pizzaria da esquina pode ser o perfil mais relevante da sua timeline no Twitter e não aquele ator de televisão.

Rosenberg conta até um caso engraçado sobre isso. Por ter sido coroado como um dos “10 relevantes da blogosfera”, quando Calacanis anunciou que pararia de blogar, a mídia comprou a ideia e anunciou que os blogs morreram.

No final, os blogs continuaram com ou sem Calacanis. O caso provou que os blogs não têm um centro de poder, como a mídia costuma dar a entender. Assim como não existia uma blogosfera, mas as blogosferas.

Rosenberg aponta que atualmente o debate “blogueiros vs jornalistas” já se encontra em outro âmbito – o efeito dos blogs sobre a gente. Ficamos mais inteligentes? Estamos criativos?

O jornalista acredita que, em 16 anos de blogs, ficamos mais reflexivos. Aprendemos que a privacidade é algo que vem com a maturidade. E ainda estamos aprendendo a lidar com a responsabilidade de filtrar as informações que realmente nos interessam.

Nesses anos todos, blogs escancararam o melhor e o pior do ser humano.

Antes dos blogs entendia-se que jabá dizia respeito exclusivamente a certas classes profissionais, depois revelou-se que não era bem assim. Em verdade, as pessoas vendem a opinião por qualquer merreca.

Com a vinda dos rankings de blogs organizados pelo Technorati, provou-se que a internet tem muito de um discurso tecno-populista e que nem todos são iguais.

Blogs são, acima de tudo, um formato em constante mutação. Começaram como curadoria, uma forma de filtrar informações relevantes; passaram por uma fase de diário de adolescente, quando várias pessoas começaram a escrever sobre suas vidas; viraram veículos e agora com o Twitter e Facebook, estão entrando numa fase de instrospecção, em que os posts são mais trabalhados, você tenta falar o que não consegue em 140 caracteres.

Em 16 anos, se existe algo que define os blogs, podemos dizer, primeiramente, que é a publicação em ordem cronológica reversa e o uso intensivo do hipertexto (espaço para comentários são um invenção recente na história dos blogs, surgida em 2001). E o segundo e mais importante aspecto: a liberdade de publicar, sem filtros, sem ciclo de notícias.

Possivelmente, a melhor definição de blog vem numa frase simples e direta que Rosenberg cita em “Say Everything”, livro que, para mim, é dos mais definitivos sobre o assunto. “Don`t hate the media, become the media”. Não odeie a mídia, torne-se a mídia.

Veja também: Em livro, 30 super-heróis dos blogs

Publicado por Tiago Dória, em 18 de outubro de 2010 (Segunda-feira).
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Eleições 2010: Internet reforça militância e “mídia cidadã”

As eleições ainda não terminaram. Mas já ficou evidente que quem mais aproveitou o potencial da internet foram os militantes.

Foi a primeira vez que, efetivamente, a militância participou do processo eleitoral produzindo o seu próprio conteúdo. Vídeos no YouTube com montagens e edições a favor ou contra algum candidato, “twitaços” com hashtags combinadas e blogs com posts em defesa de um ou outro político fizeram parte dessas eleições.

É algo sem volta. Na próxima disputa eleitoral, será difícil encontrar um militante que não queira participar do debate eleitoral por meio da criação dos seus próprios vídeos, tweets, fotomontagens e textos.

Não sei quanto a você, mas na última semana , a minha timeline no twitter ficou cheia de hashtags a favor ou contra algum candidato.

Outro destaque foram os projetos de “mídia cidadã”. Na última eleição, eles existiam, mas ainda de forma tímida. Neste ano, eles são bem mais numerosos, muitos criados de forma espontânea, como, aliás, é a maioria das coisas mais interessantes que surgem na internet.

Alguns são projetos desenvolvidos por pessoas comuns, que tradicionalmente estariam fora do processo eleitoral ou da produção de notícias relacionadas ao pleito.

Muitos prometem continuar no ar. A maioria foi criada como ferramenta de fiscalização, e, justamente por isso, terá sobrevida após as eleições.

O Eu Lembro, por exemplo, busca minimizar um dos problemas típicos do eleitor brasileiro – a falta de memória. Você pode montar um perfil, indicar em quais candidatos votou e, caso eles sejam eleitos, receberá atualizações de suas ações. Foi desenvolvido pela Webcitizen.

O Extrato parlamentar, por sua vez, se propõe a ajudar os indecisos ou a reforçar as escolhas dos já decididos. Tem o objetivo de calcular a sua afinidade política com as ideias de diversos candidatos. A ferramenta foi criada pelo projeto Voto Aberto.

Da mesma forma, o site Repolítica ajuda a escolher um candidato de acordo com o seu perfil. Depois de responder a 8 perguntas, o site faz a sugestão de um candidato que mais tenha afinidade com as suas respostas.

Na parte de blogs, o Braziu, formado por ex-integrantes do histórico A Nova Corja, cumpriu o prometido e realizou uma cobertura diferenciada sem apoiar um candidato, ser de “direita ou esquerda”, mas criticando todos, além de realizar livebloggings abertos à participação de qualquer pesssoa durante os debates e a apuração dos votos.

Durante a votação neste domingo, o 48horas Democracia fez uma das coberturas mais voltadas para o debate. De modo bem informal, um bate-papo “quase conversa de bar” e aberto à participação ao vivo da audiência.

Partindo do slogan “Se você pode sujar a minha cidade, eu posso sujar a sua cara”, o Sujo a sua cara simboliza a vingança do eleitor que se incomodou com o excesso de material de propaganda política nas ruas. Muitas vezes irregular e poluindo as ruas. Mais um exemplo de como as coisas mais interessantes da internet surgem de forma espontânea.

O Sem Sujeira segue linha parecida. Funciona como um site denúncia. Os usuários podem enviar, direto do celular, fotos de propagandas irregulares e que se encontrem sujando vias públicas. Por meio de um mapa online, o site mostra o ponto exato onde está a propaganda.

Ainda relacionado à “sujeira” da propaganda política, no próprio domingo, dia da votação, o Projeto Redenção organizou um flashmob para limpar parte das ruas de Porto Alegre.

O Quanto vale seu candidato? parte de uma ideia simples, mas bem últil. Descobrir o patrimônio de um candidato. Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porém apresentados em uma interface mais amigável.

Em meio ao excesso de informações, os agregadores sempre têm um papel importante. O Politweets agrega os perfis dos políticos que são candidatos. A partir desses dados, produz alguns infográficos, como o de políticos com mais seguidores.

Um dos mais comentados é o Eleitor 2010, que tem o objetivo de maper os relatos de denúncias de crimes eleitorais (propaganda irregular, compra de votos, ofensas). As denúncias podem ser acompanhadas de fotos e vídeos. Na medida em que as denúncias chegam, algumas são verificadas pela equipe de voluntários do site. O Eleitor 2010 tem como base tecnológica o Ushahidi, também utilizado pelo Guardian. E é inspirado em um projeto que surgiu durante as eleições no Quênia, em 2007.

Nestas eleições, aconteceram várias tentativas de censurar a imprensa durante a cobertura eleitoral. O Centro Knight for Journalism in the Americas, ligado à Universidade do Texas, mapeou todas as tentativas de prejudicar o trabalho da imprensa.

O Vote na Web foi lançado durante o TEDxSP, antes mesmo das eleições. O site simula uma eleição em que você pode votar nos mesmos tópicos dos políticos. Essa simulação serve para que, no final, você possa confrontar os seus votos com os dos deputados e, a partir disso, descobrir com quais tem mais afinidade política.

Veja também: O que aconteceu no 1º Transparência HackDay

Publicado por Tiago Dória, em 4 de outubro de 2010 (Segunda-feira).
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Economist e o fim da universalidade da internet

Fazia tempo que a revista não dava tanto destaque a um assunto ligado à internet.

Matéria de capa da Economist destaca que a universalidade e a abertura da internet estão ameaçadas.

Governos autoritários estariam, cada vez mais, monitorando e restringindo o uso da internet; empresas, por sua vez, criando “produtos fechados” (aplicativos), e provedores de internet, favorecendo ou desfavorecendo um site ou um tipo de serviço.

A matéria é um pouco maniqueísta em alguns pontos e lembra a que foi capa da Wired. Ambas têm como pano de fundo a questão da neutralidade da internet.

A partir da leitura dela, lembrei de algumas coisas que comentei por aqui:

- Aquele pensamento inquestionável de que a internet e as mídias digitais, por si só, são ferramentas democratizantes está cada vez mais caduco. Quem pesquisa ou acompanha essa área precisa ter em mente que essas ferramentas são neutras. Tanto podem ser usadas para restringir como para incentivar a liberdade de expressão

- Estamos tão acostumados com o discurso de que a internet liberta as pessoas e derruba governos, que estranhamos vê-la ser utilizada como ferramenta militar e governamental.

- Quem controla a infraestrutura da internet tem um grande poder nas mãos.

Veja também: Redes sociais se tornaram ferramentas de massa

Publicado por Tiago Dória, em 3 de setembro de 2010 (sexta-feira).
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