O cientista Ray Tomlinson deve dar risada à toa. Quarenta anos depois, uma das suas principais criações – o email – permanece como a aplicação mais utilizada na web.
Segundo a Pew Internet, “enviar/ler emails” é a atividade mais popular na internet, ao lado da ação de “realizar buscas”. As duas atividades - email e busca – são realizadas por 92% dos usuários.
Há 10 anos, a Pew Internet fez o mesmo estudo no mercado americano e as conclusões não foram diferentes – as duas atividades eram as mais populares. A diferença é que, uma década depois, elas se tornaram mais habituais (as pessoas realizam com mais frequência durante o dia).
A porcentagem de pessoas que utiliza plataformas de redes sociais aumentou bastante nos últimos anos. No entanto, não chegou a quebrar a supremacia da atividade de ler e enviar emails.
Não é sem motivos que as plataformas de redes sociais tentam trazer as duas atividades para debaixo de seu chapéu. No ano passado, o Facebook lançou um serviço de email (na Europa, o Facebook já é o terceiro provedor de serviços de email no celular).
As buscas, por sua vez, são consideradas, cada vez mais, uma das funcionalidades mais importantes nas plataformas de redes sociais. Aliás, a discussão Google e Facebook gira justamente em torno de quem oferece a melhor experiência de busca (apesar de não existirem dados precisos sobre a utilização da funcionalidade de busca dentro das redes sociais).
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Velocidade é um dos requisitos básicos dos produtos da Google. Bem mais que os concorrentes, o Gmail e o navegador Chrome são otimizados para serem ágeis.
Não é de hoje que a empresa mostra sua obsessão pela velocidade. Em um vídeo postado há dois anos, engenheiros da Google afirmaram que um dos principais objetivos era tornar a navegação na web mais rápida. Tão simples e ágil quanto folhear as páginas de uma revista.
O motivo dessa obsessão é simples. Quanto mais rápida a navegação, mais buscas são realizadas pelas pessoas e, desse modo, mais anúncios são visualizados. E ainda – quanto mais buscas, mais dados são gerados, o que torna o sistema de busca da Google mais “inteligente”.
Por um lado, essa complusão pode passar a impressão errônea de que para a Google o atual problema dos sistemas de pesquisa é somente uma questão de velocidade e não de relevância e qualidade dos resultados das buscas. Por outro, pode ser usada como uma ferramenta de marketing de seus produtos, além de incentivar os seus times a sempre estarem inovando.
Isso ficou bem evidente nesta terça-feira no anúncio do lançamento do Instant Pages, recurso que permite abrir as páginas com maior rapidez. A tecnologia pré-carrega as páginas do resultado de uma busca, fazendo-as abrirem em menos de 1 segundo (atualmente leva de 2 a 5 segundos).
Por enquanto, nas próximas semanas, a tecnologia estará disponível apenas para usuários nos EUA.
O Instant Pages é uma continuação de outro recurso – o Google Instant, lançado em 2010 e que possibilita o usuário ver os resultados de uma pesquisa enquanto digita os termos. A intenção é a mesma – fazer com que as buscas fiquem mais rápidas e as pessoas naveguem com mais agilidade pelos resultados.
Ou seja, de certa forma, com o Google Instant e o Instant Pages, a Google mostra que tem uma dinâmica para se aproveitar de um dos hábitos mais comuns na web – zapear por páginas, dados e informações.
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Nas duas últimas semanas, a Google vem lançando uma série de produtos – a maioria resultado das mais recentes aquisições da empresa.
O Google Instant é uma das exceções. Sua tecnologia é desenvolvida há um bom tempo dentro dos escritórios da Google.
A tecnologia permite que, no Google, o usuário veja os resultados de uma pesquisa enquanto digita os termos. A intenção é tornar as buscas mais rápidas.
Por exemplo, enquanto digita “blogs sobre música” , você já começa a ver os resultados. Isso é interessante, pois, caso os resultados não o satisfaçam, você pode refinar ou mudar rapidamente os termos pesquisados, em vez de esperar a página de resultados do Google carregar, ver que os resultados exibidos não correspondem ao que você está procurando, apagar e digitar outro termo, esperar a página de resultados do Google carregar uma vez mais…
Partindo do pressuposto que uma boa parte das pessoas utilize o Google Instant, acontecerão algumas mudanças no comportamento do usuário ao utilizar um sistema de busca. Além disso, as buscas ficarão mais personalizadas, logo algumas técnicas de SEO terão que ser revistas.
Contudo, penso que ainda é cedo para fazer uma previsão do que essas mudanças acarretarão. Uma coisa é certa – apesar de algumas pessoas falarem que ele está numa mesmice, no mercado de busca ainda há muita coisa a ser explorada em termos de user interface (UI).
Aliás, não somente o lançamento do Google Instant, mas as diversas funcionalidades que a Microsoft vem lançando no Bing mostram que ainda existem caminhos a serem percorridos em termos de apresentação de resultados, de “experiência dos usuários” em sistemas de buscas.
Por enquanto, o Google Instant não está disponível para todos os usuários. A previsão é que na semana que vem esteja. Abaixo comercial do novo serviço com a participação de… Bob Dylan.
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Logo após o 11 de setembro, houve um aumento das buscas pelo termo “alianças de noivado”. Após os ataques, os EUA entraram em uma fase de instrospecção e as pessoas passaram a querer estar mais próximas àquelas que mais amavam.
No mês de janeiro, os termos mais buscados são “como parar de fumar”, “como emagrecer” e é justamente no primeiro mês do ano que, tradicionalmente, firmamos promessas pessoais para o ano inteiro. As visitas a sites de pornografia e buscas por termos relacionados têm uma queda no domingo, provavelmente por que as casas estão lotadas de parentes ou toda a família está presente em casa.
Esses exemplos são utilizados por Bill Tancer, autor do livro Click (309 páginas), recém-lançado pela Editora Globo, para mostrar o quanto os termos que pesquisamos nos sistemas de buscas dizem muito sobre nós, a respeito do nosso comportamento e personalidade.
Em 2005, o jornalista John Battelle, em seu livro A Busca, já dizia que o registro de buscas era um “grande banco de dados de intenções da humanidade”.
O que Tancer, colunista da revista TIME e diretor-geral da empresa de pesquisa Hitwise, faz no livro Click é explorar ao máximo esse conceito – de que as buscas que fazemos na internet refletem muito de nós. Aliás são na maioria das vezes o melhor jeito de verificar os gostos e as preferências das pessoas em uma determinada época, ou seja, explorando os dados, os rastros que deixamos na rede.

Segundo Tancer, quando estamos na frente do computador e com a sensação de um suposto anonimato, acabamos nos soltando mais do que na frente de um representante de um instituto de pesquisa. Isso faz com que a análise dos dados de nossas buscas seja mais eficiente para tomadas de decisão e revele tendências que antes não eram tão visíveis.
Por métodos tradicionais de pesquisa, por telefone ou pessoalmente, dificilmente pesquisadores saberiam que as maiores dúvidas que as pessoas têm é “como dar o nó na gravata” ou “como fazer sexo”. Ou que os maiores medos pessoais são o de “ficar sozinho a vida inteira” ou o de “firmar um compromisso muito forte”. Todas as quatro estão entre as expressões mais buscadas na rede.
Tancer também mostra o quanto as outras mídias, a TV principalmente, pautam o que a gente busca na rede. Por exemplo, logo após o anúncio num capítulo da série Gene Simmons: family jewels, do canal de TV A&E, de que o vídeo da cirurgia facial de Simmons, músico do Kiss, estaria na internet, choveram pessoas buscando pela gravação no site da emissora. Reflexo da chamada na TV (produtos e pessoas citadas na TV normalmente são as mais buscadas na rede).
Durante a leitura do livro, fiquei pensando se esses dados sobre o que buscamos na rede também pudessem ser utilizados no jornalismo, no dia-a-dia para pautar a edição. Ao invés da “concorrência fez isso”, “o assessor de imprensa me mandou tal release” ou o “editor viu um negócio interessante não sei onde”, uma reunião de pauta também poderia ser guiada por esses dados. Uma crescente busca por um termo pode indicar o interesse do público por um determinado assunto, que vale a pena investir na cobertura.

O que eu senti falta foi de uma postura mais crítica de Tancer em relação a precisão e até o quanto esses dados de buscas na internet refletem realmente o nosso comportamento. Além disso, há a questão da privacidade, algo que vem preocupando muitas agências reguladoras, principalmente na Europa. As pessoas sabem que, ao usar um sistema de busca, o seu comportamento será analisado e utilizado, mesmo que de forma anônima, por empresas?
Essas questões ficam de lado. O que o escritor faz, de certa forma, é vender seu peixe (Tancer é diretor-geral da Hitwise). Mostrar o quanto esses dados são importantes para a tomada de decisões e o quanto eles podem revelar nuances de comportamento que não são detectadas em métodos tradicionais de pesquisas.
Somente em um momento Tancer questiona – se o fato de usarmos cada vez mais as ferramentas de busca como um divã, ao invés de perguntarmos a um amigo, não estaria a internet, na verdade, nos isolando.
Mesmo com essas questões em aberto o livro não perde a sua importância.
Talvez, no futuro, quando alguém quiser saber como foi um período da humanidade, depois do surgimento dos sistemas online de busca, a melhor forma não será tanto visitar arquivos de museus ou bibliotecas, mas sim analisar os dados de registro (log) de diversas buscas feitas na internet.
Junto com o A Busca, de John Battelle, acredito que Click seja atualmente um dos melhores livros para quem quiser entender por que aquele novo ditado de que “nós somos aquilo em que clicamos, nós somos o que pesquisamos no Google” faz tanto sentido.
Crédito das fotos: Transcam, DullHunk e reprodução de capa
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