BitTorrent é um dos termômetros da web

Nesta quinta-feira, acompanhei a palestra de Eric Klinker, diretor geral da BitTorrent, no Web Expo Fórum 2010, em São Paulo. Klinker fez uma palestra bem didática, mas óbvia. O que chamou a atenção foi sobre o quanto serviços como o BitTorrent podem revelar demandas e comportamentos dos usuários.

Em outras palavras, é quase um termômetro. Muito antes de grandes emissoras disponibilizarem o seu conteúdo na íntegra na web, por exemplo, o BitTorrent detectou o crescimento da demanda por vídeos por meio da quantidade de arquivos deste tipo que era trocada. Hoje mais da metade dos usuários do BitTorrent troca material audiovisual. Outro sinal é a demanda por vídeos em HD (um exemplo fora. Se existem no Justin.TV “transmissões piratas” de emissoras abertas de TV, é sinal de que pode existir uma demanda para assistir a esses canais na web).

BitTorrent é o protocolo mais utilizado para troca de arquivos. Foi criado em 2001 e o seu tráfego total chega a representar de 25% a 50% do tráfego total da internet. Um dos motivos do sucesso é que o sistema força os usuários a “compartilhar banda”,  não sobrecarregando um servidor central e, desse modo, evitando “filas para download”.

Em 2004, foi criada a empresa BitTorrent Inc, da qual Klinker é diretor geral e desenvolve tecnologias com base no protocolo BitTorrent.

Em sua palestra, Klinker trouxe alguns números atualizados sobre o uso do BitTorrent:

- 60% dos usuários baixam vídeos, 17% software. Apenas 6% baixa áudio.
- Base de usuários é de 100 milhões, mas 70 milhões são ativos
- Usuário médio do BitTorrent trafega 25GB por mês
- Tráfego total do BitTorrent chega a representar de 25% a 50% do tráfego total da internet

Veja também: As pessoas estão nas “nuvens” faz tempo

Crédito da foto: divulgação

Publicado por Tiago Dória, em 18 de março de 2010 (Quinta-feira).
Categoria: p2p. Tags: , , , , , ,

BitTorrent é a TV da audiência global


Maioria dos downloads foi feita pela audiência global do seriado

A estréia da 3ª temporada de Heroes, da NBC, bateu recorde nos sites de BitTorrent, tecnologia utilizada para livre troca de arquivos na rede. Em apenas um dia, foram mais de 10 milhões de downloads dos capítulos de abertura da nova fase do seriado, segundo o MiniNova.

E o detalhe mais importante – 92% dos downloads vieram de usuários de fora dos EUA, países onde a 3ª temporada da série vai demorar semanas, meses ou anos para estrear na TV.

O que ajuda a corroborar uma pesquisa de uma das maiores redes de TV e rádio dos EUA. A priori, as pessoas preferem assistir a uma série na TV. Somente optam pelo download ou assistir na web a um capítulo que perderam [reprise] ou a um seriado ou temporada que vai demorar ou não passa mais na TV.

Jesse Alexander, produtor-executivo de Heroes, completou em entrevista ao TorrentFreak:

“As redes de TV devem reconhecer isso. E dar aos seus telepectadores mais meios de interagir com o seu conteúdo, além de encontrar formas de gerar receita de cada membro dessa audiência global”.

Também durante esse final de semana, na conferência Streaming Media West, Albert Cheng, da ABC Digital, disse que a emissora de TV planeja colocar todo o seu conteúdo na rede.

Programas completos para downloads, vídeos que podem ser “embedados” em sites e streaming ao vivo de jornais e seriados, além de ferramentas para que as pessoas possam fazer mashups e criar aplicativos que tenham como base o conteúdo da ABC. Talvez uma API com acesso público pela frente.


ABC: Não é TV, mas uma empresa de conteúdo

No final das contas, seguirá o mesmo caminho da CBS e BBC. O que o usuário quiser, quando quiser e onde quiser [ubiqüidade].

“A ABC é uma `marca de conteúdo` que poderá estar em qualquer dispositivo, moldada especificamente para atender às necessidades dos consumidores e anunciantes e ‘otimizada’ para cada uso e plataforma digital”

A emissora de TV, com sucessos como Ugly Betty e Lost debaixo de seu chapéu, é outra empresa de comunicação que pretende adotar a postura agnóstica do NYTimes, num processo de não se prender muito a nenhum formato ou suporte e se posicionar no mercado como uma empresa de conteúdo, de informação editada e estruturada.

O que, de certa forma, ecoa na entrevista de Vint Cerf ao The Guardian. O “vovô da internet” e evangelista da Google disse:

“Eu gostaria de sugerir que o termo newspaper [jornal] fosse dividido em 2 partes, ‘news’ e ‘paper’. O ‘paper’ [papel] precisa ser colocado de lado por um tempo, como um dos muitos possíveis suportes de distribuição de conteúdo. O mecanismo de produzir informação é  separado do de distribuição. Ou deveria ser…”


Cerf: “news” separado de “paper”

Para uma audiência global, cada vez mais comum nos produtos dessas empresas, resta saber se todo esse conteúdo de ABC, CBS, BBC e outras siglas, não estará bloqueado para usuários residentes fora dos EUA e da Inglaterra.

Enquanto não existir uma “lei internacional de direitos autorais”, uma Convenção de Genebra dos direitos autorais, o BitTorrent fica como opção para a audiência global dessas emissoras.

É frustante você lançar um produto como o Heroes e, num primeiro momento, ele ficar disponível apenas para a audiência de um país. Mais frustante ainda é tratar a internet como único meio de distribuição de conteúdo ou suporte de narrativa.

Por isso que os produtos mais interessantes caminham para serem aqueles apoiados na transmedia. O próprio Heroes é o melhor exemplo disso. Não adianta diretores de sites ficarem de birra com a TV e os impressos. E os diretores de TV, por sua vez, “ficarem de mal” com a internet.

Esse “mimimi” todo não vai levar a lugar nenhum. Transmedia e audiência global de produtos estão aí para não serem desperdiçados.

Enquanto isso, os sites de BitTorrent crescem em cima dessa audiência global não atendida.

Post relacionado:
Soundtrack: integração entre TV e sites de música

Publicado por Tiago Dória, em 29 de setembro de 2008 (Segunda-feira).
Categoria: midia, p2p. Tags: , , , , , ,