Em primeiro lugar, 85% dos usuários do Twitter seguem amigos no site, depois celebridades (54%), familiares (29%) e empresas (29%). Essa é uma das conclusões de uma recente pesquisa da Participatory Media Network a respeito do Twitter, serviço web com maior crescimento. Ou seja, as pessoas preferem seguir amigos, pessoas, a empresas no Twitter.
Outra pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Universidade de Harvard mostra que 10% dos usuários do Twitter são responsáveis por 90% das mensagens. Cenário parecido a outras mídias, mais tradicionais, e plataformas de redes sociais, uma parte produz conteúdo e o resto apenas consome.
Achei os resultados das pesquisas um pouco óbvios (a 2ª é mais interessante). Ainda falta um estudo mais completo e focado no uso que as pessoas fazem do Twitter do que sobre quem elas seguem. Com essa onda de usar script para inflar o número de seguidores, esse aspecto sobre quem você segue ou por quem é seguido ficou meio distorcido no Twitter.
O que se percebe nos últimos tempos, não está em nenhuma pesquisa e já foi comentado é que, enquanto alguns profissionais buscam usos cada vez mais produtivos para o Twitter, as celebridades, principais responsáveis pela recente “mídia espontânea” em torno do site, usam a ferramenta para o que ela foi proposta desde o seu início – para falar o que estão fazendo neste momento.
Depois do YouTube, outro site de vídeos que vem investindo em conteúdo premium, feito por profissionais, é o Ustream, que permite fazer transmissões ao vivo de vídeo. Basta conectar uma webcam. Uma boa parte dos leitores do blog já deve ter usado ou topado com o site por aí.
A novidade é a rede de TV CBS, uma das mais antigas do mundo, que anunciou uma parceria com o Ustream, que passará a transmitir ao vivo pela web alguns programas da emissora, além de coletivas de imprensa, bastidores de programas e outros conteúdos exclusivos para a web.
Haverá divisão de receita de publicidade entre a emissora de TV e o site. Para a CBS, é bom já que existiam algumas “transmissões piratas” de seus programas no Ustream, assim como no Justin.TV, outro site de transmissão ao vivo de vídeo.
Sem uma parceria formal, aqui, no Brasil, a TV Cultura também utilizou o site por um tempo para transmitir ao vivo gravações e bastidores do Roda Viva.
O Google faz o anúncio oficial nesta segunda-feira do acordo que foi fechado com o governo de Minas Gerais. Segundo o Meio e Mensagem, 2,5 milhões de estudantes da rede pública do Estado utilizarão os aplicativos do Google durante o processo de aprendizado.
Na verdade, esses aplicativos são o Google Apps Education Edition. É uma suíte, um conjunto de aplicativos da Google voltado para instituições educacionais. É semelhante a outros conjuntos de aplicativos da empresa de busca voltados para empresas.
Google Docs, Gmail, Google Talks, ferramenta de fórum online e para criação de sites fazem parte do pacote, além de ferramentas de compartilhamento de vídeos.
A Google criou esse pacote de aplicativos em 2006 com a intenção de oferecer uma solução de baixo custo e que permitisse a colaboração entre estudantes, além da possibilidade de poder acessar o conteúdo educacional de qualquer computador.
Dependendo dos recursos, há versões pagas e gratuitas. Ademais, existem concorrentes, ainda que pequenos, à vista, como o Wiggio, lançado em 2008 por estudantes da Cornell University.
O Google Apps Education Edition já é utilizado pelas universidades de Arizona e de Utah, entre outras, além de algumas escolas da região de Nova York, nos EUA. No Brasil, o acordo é pioneiro.
Nesta segunda-feira, deixa de circular a Gazeta Mercantil, jornal econômico brasileiro com quase 90 anos de idade. Em quase 6 meses, é o segundo jornal brasileiro que deixa de circular.
Apesar do encerramento das operações acontecer no palco da atual crise da mídia impressa, semelhante à maioria dos jornais que estão fechando as suas redações, a Gazeta arrastava problemas administrativos e estratégicos antigos, desde os anos 90, além do impacto da entrada de um concorrente de peso no mercado, o jornal Valor Econômico, em 2000.
Num primeiro momento, a Gazeta Mercantil segue o mesmo caminho do Tribuna da Imprensa, jornal carioca que encerrou a sua circulação no final do ano passado. Hoje, no site do Tribuna, existe um blog mantido por Hélio Fernandes, ex-diretor do jornal.
“Temos que fechar o diário em situação precária. É muito triste; é muito choro e é bem difícil pensar que tudo isso está acabando hoje”, declarou. “Tem gente que está aqui há quase vinte anos. É o trabalho de uma vida…”.
A frase acima é reproduzida do Portal Imprensa, que segue com a cobertura do caso da Gazeta Mercantil. No vídeo abaixo, um dos últimos comerciais do jornal.
“Eu ainda tenho um email da AOL. Mas ninguém mais se preocupa com a AOL. A empresa ainda pode ser um negócio viável, mas perdeu a sua capacidade de irritar ou influenciar as pessoas”.
Considerada uma das megafusões que melhor definiu o capítulo da “bolha da internet“, Jeff Bertolucci, articulista da PC World, comenta o fim oficial, anunciado nesta semana, do “casamento” entre a TimeWarner e a AOL – America Online.
A idéia com a megafusão era juntar a nova à velha mídia, mas as culturas das 2 empresas eram incompatíveis. Uma mais tradicional, outra mais aberta. Além disso, com a perda de sua influência junto aos usuários de internet, a AOL vinha se tornando um estorvo para a Time Warner.
Mais recente e envolvendo também uma empresa nova, “de internet”, e outra mais atinga, outro “casamento” que começa a ser colocado em questionamento é o da rede de TV CBS com a Cnet, portal de tecnologia que reúne blogs e vídeos.
Nesta semana, finalmente a Microsoft levou a público o novo projeto/reposicionamento de seu sistema de busca. Terá o nome de Bing e estréia no dia 03 de junho. Num primeiro momento, apenas usuários residentes nos EUA e no Canadá terão acesso completo a todas as funções do sistema, que substituirá a marca do Live Search, atual mecanismo de busca da empresa.
É a 4ª vez em 5 anos que a Microsoft rebatiza o seu sistema de busca, antes MSN Search, depois Windows Live Search, Live Search e agora Bing.
Resultado de 1 ano de pesquisa e com um alto investimento em publicidade previsto para os próximos meses, além de permitir refinar melhor as buscas, o sistema terá como objetivo mostrar mais do que links nos resultados de uma pesquisa. Fazer comparação entre dados de compra, mostrar termos e categorias relacionadas, preview de sites ao passar o mouse em cima de links etc.
Além disso, segundo o anúncio oficial, o Bing trabalhará com “buscas verticais”, proporcionando resultados mais detalhados nas categorias de viagem, compras, saúde e local.
A intenção é ir além do Google. Porém, o Yahoo! também vem fazendo mudanças em seu sistema de busca, sem alcançar grandes resultados. Nessa linha de pensamento, a “busca em tempo real” do Twitter parece ser algo mais competitivo.
Posso estar errado, mas pelo que puder notar e apesar dos comentários de que o Bing foi feito para bater de frente com o Google, antes de qualquer coisa, essa movimentação da Microsoft está mais com jeito de disputa pelo 2º lugar no mercado de buscas, posição que hoje é do Yahoo!, empresa que, diga-se de passagem, recentemente a Microsoft tentou comprar.
A meu ver, a Microsoft tem mais condições de competir com o sistema do Yahoo! do que com o Google. Atualmente, segundo números da comScore, o Google lidera o mercado – possui 64% das buscas nos EUA, mercado que é utilizado como referência, seguido pelo Yahoo! com 20% e pela Microsoft com apenas 8%.
Atualização - Antes do previsto, o buscador Bing entrou no ar. No dia 01 de junho, ainda com recursos limitados para os brasileiros.
Segue o link para baixar Onipresente, novo livro do publicitário Ricardo Cavallini, autor do blog Coxa Creme. A versão gratuita que segue abaixo conta com um comentário meu, um prefácio.
Quem acompanha o meu twitter deve ter visto que, na terça-feira, postei sobre a notícia de que o NYTimes havia criado o cargo de “editora de mídias sociais“.
Num primeiro momento, Jennifer Preston, ex-editora da área regional do NYTimes, terá um papel mais educativo, ensinará aos jornalistas e encontrará melhores formas de utilizar blogs, plataformas de redes sociais e microblogs para o jornalismo praticado pelo jornal.
Primeiro aspecto evidente da criação desse cargo é que, pela primeira vez, o jornal está tratando microblogs e redes sociais como ferramentas oficiais de trabalho. Assim como o telefone e o email já são há algum tempo.
O segundo ponto, mais importante, é que o NYTimes está confirmando algo que já era dito nos bastidores e em listas de discussão. Há muito tempo redes sociais e microblogs estão se tornando importantes fontes de tráfego e formas de contato com o conteúdo do jornal, ao contrário da home, página principal do site, que vem sendo obrigada a ter que dividir a sua importância com perfis do NYTimes no Twitter, por exemplo.
O jornal, de certa forma, vai contra o hábito nos sites de notícias e portais de supervalorizar a home e subvalorizar outros canais de contato e apresentação de conteúdo, como buscas orgânicas, twitter, links de blogs, aplicativos, perfis em redes sociais e links de outros sites de jornais.
A home de um site já não é a única, mas uma das fontes de tráfego e contato do leitor com o conteúdo. Cada vez mais ela vem perdendo o poder para outros canais. Por isso, a importância de um editor (gestor) nessa área de onde vem, de forma crescente, tráfego e contato com o leitor.
Neste sentido, para mim, uma editora de “mídias sociais” terá tanto poder e importância quanto um editor da home do NYTimes.
Não é sem motivos que o jornal deu relevância ao cargo e escolheu para a vaga uma pessoa com mais tempo de empresa e gerência, o que gerou uma certa reclamação entre os blogs de mídia. Em geral, esperava-se que o NYTimes contrataria algum “guru das mídias sociais”.
Porém, na área de jornalismo, de nada adianta contratar uma pessoa que saiba mexer nessas ferramentas e entenda a dinâmica, mas não tenha nenhuma experiência com reportagem, apuração ou redação. É o mesmo que contratar um marceneiro que sabe mexer muito com pregos e martelo, mas nunca construiu um móvel, um armário.
O NYTimes não é o primeiro a criar este tipo de cargo, a nomeação tem uma boa dose de marketing, mas simbolicamente essa atitude vai de encontro às recentes decisões da Bloomberg e do Wall Street Journal de querer regularizar o uso de redes sociais e microblogs por parte dos jornalistas a partir de decisões tomadas de cima para baixo.
O sistema de busca de images do Yahoo! (Yahoo! Images) lançou um filtro que promete facilitar a vida de quem utiliza “imagens da internet”. Existe uma opção para que sejam mostradas nos resultados de uma pesquisa apenas imagens que estejam sob licença da Creative Commons.
Ou seja, que tenham um uso mais livre, possam ser reutilizadas mesmo com algumas restrições. É só clicar em “Options/Advanced Search” e selecionar a opção de “Search only for Creative Commons licensed content”.
Identify é uma extensão bem simples para o navegador Firefox, que tem a função de ajudá-lo a encontrar/agregar mais dados sobre uma pessoa na rede.
Depois de instalada, basta teclar “ALT + i” (Windows) ou “Ctrl + i” (Mac) na página do perfil de uma pessoa em uma rede social, que aparecerá uma janela que indicará outras informações sobre essa pessoa – outros sites onde ela tem perfil, por exemplo (imagem acima).
A extensão ainda está em testes, notei que ainda não indexa algumas informações, mas dá para utilizá-la sem problemas.
Imagina ter um blog em que você pode fazer links apenas para você mesmo, mais ninguém. É mais ou menos assim como a Bloomberg acredita que devem ser os blogs dos jornalistas de sua equipe.
Não é de hoje que as empresas estão definindo regras internas de como os seus funcionários devem usar essas novas ferramentas. A discussão não é nova, mas percebe-se que, na maioria das vezes, essas regras ainda são feitas de cima para baixo e por pessoas que têm pouca vivência com o uso de blogs, plataformas de redes sociais e microblogs.
Segundo as regras da Bloomberg, que vazaram neste final de semana e causaram uma discussão entre os principais sites de mídia, um jornalista não pode fazer links, citar trechos ou comentar o conteúdo de concorrentes. Isso vale para blogs, Twitter e até Facebook.
Ou seja, uma prática comum aqui, no Brasil, nos blogs de política, de fazer um clipping (um apanhado das principais notícias do dia publicadas em vários sites) ou até comentar matérias que saíram em um jornal da concorrência, não seria permitida.
Engraçado que a Bloomberg vai totalmente na contramão do mercado, onde os sites de grandes jornais começam a linkar uns para outros, compartilhando tráfego (postura que já é responsável por uma das principais fontes de tráfego de um site de notícias).
Nessas horas, cai a ficha de quanto a “indisciplina” é uma vantagem para os blogs independentes. Como na maioria das vezes não existe medo de fazer propaganda de marcas da concorrência, podem potencialmente fazer uma cobertura mais dinâmica de diversos assuntos.
Na prática, a gente viu isso na cobertura das enchentes em Santa Catarina. Enquanto a edição da maioria dos sites de notícias era engessada, devido a uma política interna de não fazer links para conteúdo externo, o blog AllesBlau se destacou por ter uma edição mais dinâmica ao deixar o critério jornalístico e não o corporativo falar mais alto na hora de escolher para quem linkar ou citar.
No final, a Bloomberg indiretamente demonstrou uma postura de desconfiança da empresa em relação aos seus funcionários. A justificativa oficial para a medida é evitar que jornalistas façam links para informações incorretas. Ou seja, a própria empresa não acredita na capacidade de seus jornalistas serem bons curadores, de saberem separar o joio do trigo, de fazerem links para conteúdo bem apurado.
Ao restringir a atividade de fazer links, a Bloomberg deu uma lição de como engessar o blog de um jornalista.
E o Vaticano? Está construindo uma presença online melhor que muita empresa dita “antenada”. Lançou nesta sexta-feira um novo portal (Pope2you) que dá acesso a aplicativos para o iPhone (ainda não aprovado pela Apple) e para a plataforma de rede social Facebook, além de um Wiki.
Paul Tighe, secretário do departamento de Comunicação do Vaticano, reconheceu que “muitos jovens hoje não se voltam mais à mídia tradicional para informação e entretenimento. Eles buscam uma cultura de mídia diferente. Esse é nosso esforço para garantir que a Igreja esteja presente nessa cultura de comunicações”.
Quem acompanha este blog sabe que não é nenhuma novidade o uso dessas tecnologias por parte do Vaticano, que foi responsável por um dos primeiros grandes sites. Isso em 1995. Mais detalhes dessa história estão no post A responsável pelo Papa no YouTube.
Em seguida, reportagem da última edição da revista TIME, que tem a Michelle Obama na capa, destaca o trabalho de pastores nos EUA que, além de terem perfil no Twitter, passaram a ensinar os seus fiéis sobre como usar a ferramenta de microblogging para “aproximar-se de Deus”.
Diferente de outras igrejas que pedem para desligar o celular, durante a cerimônia, os pastores até incentivam o uso do Twitter. Antes de um sermão, um deles disse “Eu espero que muitos de vocês ‘tuitem’ sobre essa nossa experiência com Deus nesta manhã.”
Está aí uma boa dica para quem gostou do Wolfram Alpha. Existe uma extensão para o navegador Firefox que mistura os resultados de uma pesquisa ao Google com os do sistema de busca lançado na semana passada. O plugin está em fase experimental, portanto podem aparecer alguns erros.
O urubu pode até estar voando baixo no NYTimes com a queda do preço das ações, mas o jornal (hoje quase uma plataforma online de conteúdo) não escapa das manchetes de sites que, como este, trabalham com o tema âncora “mídia e tecnologia”.
Para se situar melhor, vale lembrar que, desde 2006, o NYTimes vem tratando o investimento em pesquisa para criação de novos produtos como algo crucial para o seu futuro. Por isso, a idéia de um laboratório, onde são experimentados novos dispositivos e formas de entregar conteúdo.
Algo diferenciado para o mercado de jornais, mas arroz com feijão para outras indústrias, como a de carros e a de alimentação, que, há muito tempo, têm a pesquisa de produtos como ponto-chave para os seus negócios.
Para quem está dentro do NYTimes a conversa é um pouco antiga. Lá, em 1964, existia uma tal de “Comissão do futuro”, um departamento onde pesquisadores e executivos do jornal avaliavam o impacto e como tirar proveito dos avanços tecnológicos sobre os jornais.
Porém, na atual época de incertezas, a radicalização desse processo faz mais sentido. Como não temos fórmulas prontas, somente pesquisando e experimentando para chegar a algum lugar.
Ocupando parte de um dos andares da sede do jornal em Nova York, o NYTimes Labs trabalha atualmente muito com a questão da multiplataforma, da ubiquidade (onipresença) da informação jornalística, reflexo do posicionamento do NYTimes há alguns anos, de ter uma postura agnóstica em relação às plataformas, não se prendendo a nenhuma delas.
Se posicionar como uma empresa de conteúdo antes de tudo e, mesmo assim, estar presente em várias delas. O jornal não seria impresso, internet, TV ou rádio. Mas tudo isso ao mesmo tempo. Não teria um suporte predominante. Mas plataformas sincronizadas.
Um laboratório como esse tem uma dose de marketing. Ninguém garante que de lá vai sair alguma coisa realmente inovadora e que seja relevante. Talvez sirva mais como fumaça para esconder os antigos erros estratégicos e tecnológicos de um jornal de quase 200 anos.
Mas quem investe num laboratório deste tipo não espera receita a curto prazo. Novas tecnologias demandam risco e investimento a longo prazo.
Foi de lá que saiu recentemente o produto TimesReader 2.0, uma abordagem de entrega de conteúdo como software, algo que começa a ficar comum.
Além da parte de anúncios interativos, a mais importante, o calcanhar de aquiles da indústria, na linha de frente de pesquisas, está a integração de diversas plataformas, do jornal com a TV, por exemplo. Você clica em um vídeo no site do jornal e o mesmo passa em sua TV. Fala-se muito da integração do Twitter com a TV, mas pouco dos jornais e TV (vídeo acima).
Neste sentido, o futuro seria de diversas plataformas trabalhadas sincronizadas e de forma inteligente, como se não existisse fronteiras entre TVs, jornais, redes sociais, computadores, rádios e celulares. Clico numa notícia no site, depois quando o acessaria pelo celular, ele saberia em quais notícias cliquei, por exemplo, e onde estou localizado geograficamente.
No entanto, o que o NYTimesLabs deixa mais explícito é o hiato tecnológico e conceitual do NYTimes em relação a outros jornais.
Enquanto ainda se discute pela 2.976ª vez o diploma de jornalista e a audiência garantida ainda é usada como muleta para não investir em inovação e pesquisa, lá o papo é sobre APIs e os desafios da ubiquidade (onipresença) da informação jornalística aliada à participação em larga escala da audiência.
Justamente por causa dessa mentalidade e do ponto de vista de gestão de negócios chama a atenção a postura do NYTimes.
Ele é líder de mercado em várias áreas do jornalismo, poderia muito bem adotar a postura conservadora típica de empresas líderes de mercado, não mexer em nada, mas, pelo contrário, continua experimentando e pesquisando, como se o jornal um dia fosse começar do zero outra vez.
O que não seria nenhuma novidade. Pelos cantos, Adolph Ochs (1858-1935) dizia que, como produto, o jornal nunca estava acabado, nem tinha começado ainda, sempre tinha que pesquisar, recomeçar. O NYTimes Labs talvez seja apenas o reflexo mais radical desse antigo pensamento do patriarca do NYTimes.
Esse post faz parte de uma série sobre as mudanças tecnológicas no NYTimes e que venho escrevendo desde o começo de 2008.
Quarta-feira que vem, em São Paulo, acontece o lançamento do novo livro do publicitário Ricardo Cavallini, autor de um dos melhores blogs sobre comunicação do país.
O livro terá vários prefácios e comentários. Eu sou responsável por um deles.
Sem fórmulas prontas ou chavões, o livro dá uma perspectiva histórica a várias coisas que acontecem hoje em dia na área de comunicação. Recomendo.
De acordo com ele, em meados dos anos 90, havia a mentalidade de que tudo o que era digital era bom, novidade, e o que vinha antes, analógico, era lixo, ultrapassado. Pensamento que, segundo o professor, está defasado atualmente.
Achei interessante por que, de certa forma, essa idéia de equilíbrio entre digital e analógico vai ao encontro do que, nesta segunda-feira, Eric Schmidt, diretor geral da Google, disse a estudantes da Universidade da Pensilvânia.
“Desliguem seu computador. Está na hora de vocês desligarem o telefone e descobrir tudo o que é humano ao nosso redor. Não há nada melhor do que segurar a mão do seu neto quando ele está dando os primeiros passos”.