Em seu livro Click, Bill Tancer, diretor de pesquisa da Hitwise, bate na tecla de que, atualmente, os sistemas de busca são um confessionário, assim como uma espécie de Nostradamus. Ou seja, os termos que pesquisamos nos sistemas de buscas dizem muito sobre nós, a respeito do nosso comportamento e personalidade, mas, dependendo da forma como são analisados, podem também ser utilizados para prever tendências.
O Yahoo!Labs lançou o protótipo de um sistema de busca de notícias que muda um pouco a lógica deste tipo de ferramenta.
Geralmente, sistemas de busca levam a data de publicação como um dos principais critérios de relevância. O TimesExplorer, ao contrário, mostra a evolução de um termo durante um período.
Na prática, quando você faz uma busca por “Brazil”, por exemplo, o sistema mostra em uma linha do tempo tudo o que já foi comentado sobre o país nos jornais (por enquanto, o TimesExplorer indexa apenas o conteúdo do NYTimes). A diferença é que ele “faz previsões” com base nas notícias. Ao passar o mouse em cima do ano de 2015, ele mostra que o Brasil poderá passar a produzir a versão genérica de um medicamento para o tratamento de AIDS.
Por enquanto, ainda é um protótipo, tem alguns bugs, a interface às vezes é meio complicada. Mas promete ser uma boa ferramenta para dar contexto a algumas notícias.
Normalmente, sistemas de busca mostram apenas o presente
O TimesExplorer pretende mostrar passado, presente e futuro de um termo pesquisado.
Da mesma forma que os comerciais sobre search overload do Bing, sistema de busca da Microsoft, a nova fase da campanha de US$ 100 milhões do Yahoo! busca bater no líder do mercado de buscas - o Google. No caso, criticando a simplicidade de sua home.
O vídeo abaixo (de pontapé da campanha) enaltece o Yahoo! como portal (homepage).
Somente pela curiosidade, um comercial do Yahoo! nos anos 90, totalmente focado na busca.
F-1 results, aplicativo que cria infográficos e animações a partir dos resultados da Fórmula 1, foi o grande vencedor do Yahoo! Open Hack Day Brasil 2010 que aconteceu neste fim de semana em São Paulo e reuniu 240 desenvolvedores. Eu estive por lá.
Vencedor de 3 categorias – escolha do público, melhor interface do usuário e melhor hack geral – o F-1 results permite que você visualize tabelas do campeonato e compare o desempenho dos pilotos da Fórmula 1.
Foi desenvolvido pelos brasileiros Daniel Filho, Fabio Dan (os dois da SocialMinds) e Iraê de Carvalho. Semelhante a outros “hacks” apresentados no evento, por meio de uma interface mais “amigável”, o F-1 results busca tornar mais acessíveis dados que já são públicos.
Realizado desde 2005 em vários países pelo Yahoo!, o Open Hack Day é uma competição que dura dois dias e em que desenvolvedores são convidados a criar “hacks”. Ou seja, desenvolver formas alternativas de resolver ou contornar um problema específico.
Esses “hacks” vão desde criar uma função que faz falta em algum produto do Yahoo! até fazer um processo de “raspagem de dados” – passar dados públicos que já estão disponíveis para um formato mais maleável que permita um melhor entendimento ou ainda fazer cruzamento de informações.
Os desenvolvedores têm 24 horas para se organizar em equipes e criar um “hack”. Um relógio é exibido em um telão no meio do local onde ocorre o Hack Day para indicar o começo e o encerramento da competição.
Mas antes, no comecinho do primeiro dia, ocorrem algumas palestras. No final do segundo dia, acontecem as apresentações dos “hacks” (apenas dois minutos para cada um) e, em seguida, o público e um júri escolhem os melhores.
Na teoria, o Open Hack Day era para ser um ambiente de competição acirrada, mas, na prática, é um grande espaço para networking e troca de conhecimento. A competição é entremeada com almoço, jantar, café da manhã (tudo bancado pelo Yahoo!), além da possibilidade de jogar vídeo-game, conversar com as pessoas.
Enfim, o evento torna-se um grande encontro de pessoas que se interessam por visualização de dados, hacking (resolver problemas) e tecnologia.
O interessante é que, hoje em dia, cada vez mais esse tipo de evento, de hacking, está deixando de ser algo exclusivo de “empresas de tecnologia”. Publicações como NYTimes e Guardian realizam eventos parecidos, como uma maneira de trazer inovação de fora da empresa no processo de criação de novos produtos e tecnologias próprias.
Além do F-1 results, outros “hacks” foram premiados.
O Infraero Parser, por exemplo, ganhou na categoria “relevância pública” por realizar um processo de “raspagem de dados” do site da Infraero, ou seja, extrair dados do site da empresa e passar os mesmos para um formato aberto, tornando-os mais maleáveis, para que outras pessoas possam visualizá-los e mesclá-los com outros dados e informações.
Na categoria “Keep it local”, Place Hacker foi o vencedor. É uma espécie de versão nacional do Placemaker, que pemite trabalhar com georreferenciamento. Como resultado para o usuário final, ele abre, por exemplo, a possibilidade para a criação de um aplicativo que permita a uma pessoa ler as reportagens do notíciário brasileiro de acordo com a sua localização. No caso, matérias do portal G1 foram utilizadas na demonstração.
Por sua vez, o SlideMeme, que integra o Slideshare ao Meme (ferramenta de microblogging do Yahoo!), ganhou na categoria “melhor hack ligado ao Meme”.
A “categoria YQL” (ferramenta do Yahoo! que facilita a extração de dados) ficou com o Gas Finder, site e aplicativo para celular que mostra onde estão os postos de gasolina mais próximos com preços mais baixos. O Filmes.CC, mashup de informações do Google, Cinemark e Ingresso.com, que, de acordo com o critério de “estréia” e “em cartaz”, mostra onde estão sendo exibidos os filmes, levou a categoria “melhor uso da plataforma do Yahoo!”.
Contudo, foram apresentados outros “hacks” que não ganharam prêmios, mas que também achei interessante. Entre eles, o Violência SP, que, a partir de dados públicos, mostra qual o grau de periculosidade de uma área em São Paulo. Basta digitar o endereço de uma rua para saber como andam os crimes no local.
O Casa ou Bar, por sua vez, é ótimo para ser utilizado no trabalho quando chega a hora de ir embora. A partir de dados sobre trânsito no site da CET (São Paulo), ele indica se vale a pena você sair do trabalho e ir para casa. Dependendo da situação do trânsito, é melhor ir para o bar.
O Raintrack também é interessante. A partir de dados de mensagens no Twitter, mostra em um mapa onde está chovendo em São Paulo.
Pelo que percebi, a maioria dos “hacks” trabalha com informações imediatas e do dia-a-dia (trânsito, tempo) e é voltada para a questão do hiperlocal (informação de acordo com a sua localização), além disso, alguns são tentativas de criar relevância em meio ao excesso de dados e informações que temos diariamente (o Espertim, por exemplo, cria um critério de relevância, de ranking, para as mensagens do Twitter, algo que não existe hoje em dia).
Vale lembrar que muitos desses “hacks” ainda estão em fase inicial. Ou seja, alguns podem apresentar erros e outros não estão online.
Pessoalmente, o Yahoo! Open Hack Day foi bem positivo. Pude trocar informações com várias pessoas, olhar para novos lados de pesquisa na área de mídia e aprender um pouco mais sobre como trabalhar com “dados estruturados” e formas de apresentar informações.
No evento, uma vez mais, aproveitei para bater um papo com o Pedro Valente, do Yahoo!, um dos poucos jornalistas brasileiros que tem formação na área de programação e que foi palestrante do último Seminário Tendências Conectadas, lá na Cásper Líbero.
No vídeo abaixo, conversamos não somente a respeito do Yahoo!, mas do NYTimes e do Guardian realizarem “hacks days” e sobre o quanto o jornalismo e o desenvolvimento de software vêm se misturando. Dependendo da forma e com quais dados você trabalha, criar aplicativos também é fazer jornalismo.
A primeira pergunta foi sobre o porquê de uma empresa fazer um evento deste tipo.
O sistema de busca de images do Yahoo! (Yahoo! Images) lançou um filtro que promete facilitar a vida de quem utiliza “imagens da internet”. Existe uma opção para que sejam mostradas nos resultados de uma pesquisa apenas imagens que estejam sob licença da Creative Commons.
Ou seja, que tenham um uso mais livre, possam ser reutilizadas mesmo com algumas restrições. É só clicar em “Options/Advanced Search” e selecionar a opção de “Search only for Creative Commons licensed content”.
O evento reunirá estudantes, hackers – no bom sentido – e profissionais da empresa para a criação livre de aplicativos que tenham como base os serviços da Yahoo!. Os melhores projetos receberão prêmios.
É a 1ª vez que o evento é realizado na América Latina e será nos dias 8 e 9 de novembro, no Campus Santo Amaro, do Senac, em São Paulo. As inscrições são gratuitas, estão abertas e podem ser feitas aqui.
Lá fora, esse tipo de evento que reúne desenvolvedores é bem comum, não somente na Yahoo!. Com certa frequência, a emissora de TV BBC promove encontros para a criação de aplicativos em torno de seu conteúdo e a aproximação com a comunidade de desenvolvedores e software livre.
Recentemente, o jornal Washington Post traçou o perfil de Harding como de uma pessoa normal que, de uma outra para outra, se tornou estrela da web e, em seguida, garoto propaganda do mercado corporativo.
O blog oficial do serviço pede que os usuários recuperem suas senhas e usernames [para quem não se lembra], pois todo o conteúdo do site será direcionado para delicious.com.
Em breve, entra no ar a nova versão da ferramenta de favoritos online. Interface mais organizada, recurso de autocompletar na hora de digitar as tags, possibilidade de fazer buscas nos favoritos de sua rede de contatos, entre outras novidades.
A reformulação foi coordenada pelo fundador do del.icio.us Joshua Schachter, antes de seu pedido de saída da Yahoo!.
Criado em 2003, o del.icio.us é um dos primeiros serviços a fornecer o recurso de tags para que as pessoas possam organizar e compartilhar melhor o seu conteúdo, no caso, os seus sites favoritos.
Enfim sozinhos – Yahoo! está livre para ir à cama com a Google
Os comentários mais analíticos estão vindo dos blogs do WSJ e do Financial Times. Quase todos são unânimes em afirmar que, agora que a Microsoft saiu da corrida, o caminho finalmente está aberto para um acordo entre Yahoo! e Google na área de publicidade online.
Ou seja, daqui para frente, não tem como a Yahoo! continuar como uma “empresa independente”.
Da parte da Microsoft? A empresa fundada por Bill Gates está interessada em obter escala para a sua rede de anúncios e uma possível aquisição da AOL não é mais algo descabido.
A AOL pode ser adquirida por um valor entre US$ 10 a 20 bi, um preço bem abaixo da Yahoo!, que estava avaliada em quase US$ 45 bi.
Enquanto o pessoal fica especulando se a Yahoo! está morta ou não, a empresa lançou nesta sexta-feira, em fase de testes, um serviço de transmissão ao vivo de vídeos, o Live Yahoo!.
O serviço é bem parecido com UStream, Mogulus e Justin.TV [acredito que o 1º ainda seja melhor - interface e simplicidade] e diferente do Qik, que permite transmitir pelo celular. É só acertar algumas configurações, ligar uma webcam ou Mini-DV e mandar bala na transmissão ao vivo.
Serviços de streaming de vídeo existem há algum tempo, mas hoje, com a banda larga e até celular que faz streaming de vídeos, faz mais sentido utilizar esses sites.
É só questão de tempo para o YouTube lançar algo parecido e começar a apostar na “streaming media” – em um primeiro momento, uma mídia alimentada pelo narcisismo – pessoas se exibindo na webcam – para depois se tornar “algo mais sério”, com transmissão ao vivo de conferências.