Transparência Camp apresenta dois novos aplicativos

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Paralela à 1ª Conferência Web do W3C Brasil aconteceu o Transparência Camp, encontro que reuniu pessoas de diversas áreas para debater e criar aplicativos em torno de dados públicos disponíveis. Foi uma continuidade ao Transparência Hack Day, que aconteceu em outubro.

Ao final, dois aplicativos foram apresentados:

1) SACSP, que mostra em um mapa de São Paulo as reclamações feitas por moradores da cidade. A maioria das reclamações é relacionada à jardinagem (poda de árvores e corte de mato).

O interessante delas estarem plotadas em um mapa é a possibilidade de visualizar melhor quais regiões da cidade são mais problemáticas, além de ter um ranking dos tipos de reclamações.

Para isso, a ferramenta utiliza dados do SAC (serviço de atendimento ao cidadão) da Prefeitura de São Paulo. No caso, o Bruno Barreto, que criou o site, teve que fazer um processo de “raspagem de dados”. Ou seja, pegar os dados do site da prefeitura e passá-los para um formato aberto, mais maleável e que permita a criação de mashups.

A previsão é que, no futuro, o SACSP libere o acesso público à API.

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2) Legisdados, por sua vez, surgiu durante o Transparência Hack Day. Foi desenvolvido pelo pessoal do Parlamento Aberto.

Semelhante ao SACSP, faz um trabalho de “raspagem de dados”. Extrai dados sobre projetos de leis do site da Câmara Federal e passa-os para formatos abertos. A ideia é ser uma espécie de repositório de dados que já foram “raspados” (estão em formatos abertos),  o que facilitará o trabalho futuro de outros desenvolvedores que quiserem criar aplicativos em torno de informações públicas.

Vale lembrar que os dois projetos ainda estão em estágio de desenvolvimento inicial, logo podem apresentar problemas e algumas funções incompletas.

Antes da apresentação dos projetos desenvolvidos no Transparência Camp, aconteceu um debate sobre dados públicos, que contou com a presença de Wagner Diniz, gerente do escritório do W3C no Brasil; Roberto Aguine, do Gati (Grupo de Apoio Técnico à Inovação da Secretaria de Gestão Pública, do Governo do Estado de São Paulo); e Marcelo Stopanoveski, da Controladoria Geral da União.

Em resumo, acredito que três pontos importantes foram levantados durante o debate. Um deles, é necessário uma linguagem menos técnica nos sites de transparência governamental.

Transparência e disponibilização de dados abertos não podem se resumir a fiscalizar e controlar a corrupção. É comum associar dados abertos ao combate à corrupção, mas a ideia deve ir além disso, ser um instrumento para uma gestão mais próxima das demandas da sociedade.

E ainda. É preciso haver um debate sobre o licenciamento dos dados públicos. É permitido o uso comercial desses dados? Com qual licença específica os dados serão disponibilizados? Quem produz os mashups e aplicativos precisa de uma segurança jurídica?

Outro Transparência Camp está previsto para acontecer.

Desta vez, em Brasília e no começo de dezembro.

Veja também:
Quem tem medo da internet?

Publicado por Tiago Dória, em 25 de novembro de 2009 (Quarta-feira).
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Google e Obama (um caso de amor)

Google Obama

Na mesma semana em que o Facebook contrata um jornalista para melhorar a sua comunicação em Washington, o site da revista Fortune publicou um artigo sobre algo que já havia comentado por aqui, sobre a linha tênue entre a Google e o governo americano.

A matéria assinada pelas jornalistas Jia Lynn Yang e Nina Easton mostra que a lua de mel entre Obama e a Google é antiga. Começou em 2004, quando o político visitou o QG da Google, na Califórnia, fato que está registrado em seu próprio livro “The Audacity of Hope“.

A partir daí, foram vários capítulos. Executivos e funcionários da Google tornaram-se doadores da campanha de Obama. Doaram aproximadamente US$ 803 mil, sendo que Eric Schmidt, atual diretor geral da Google, atuou na equipe de transição do presidente americano. O capítulo mais recente foi o fato de executivos da Google serem indicados para cargos no governo Obama.

Recentemente, Andrew McLaughlin, chefe global de políticas públicas da Google, deixou a empresa para assumir o cargo de diretor do gabinete de tecnologia de Obama.

Google e Obama tem afinidades do ponto de vista de “cultura corporativa”. Mas essas afinidades podem ajudar a Google em muitos casos. Atualmente, em Washington, a empresa se prende a 4 questões – neutralidade da internet, acusações de monopólio (caso Google Books), violação de privacidade, além de conflitos de interesses (executivos da Google estão ligados à diretoria da Apple).

Do ponto de vista jurídico, a empresa estaria cada vez mais entrincheirada nestas questões.

Parece que a Google aprendeu por osmose com a Microsoft, que demorou anos para perceber a importância de ter pessoas que defendam os seus interesses em Washington. Segundo o livro de DearLove, a Microsoft somente percebeu isso após sofrer o processo por monopólio no caso do IE.

Veja também:
Dá para fuçar o DNA da Google?

Publicado por Tiago Dória, em 27 de outubro de 2009 (Terça-feira).
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Banda larga vira direito do cidadão em mais um país

LaptopA partir de julho de 2010 todos os cidadãos da Finlândia terão acesso à banda larga. Foi aprovada nesta quarta-feira uma lei que considerada o acesso à banda larga um direito do cidadão, igual o acesso à saúde e à educação.

A decisão faz sentido se a gente levar em conta que, cada vez mais, serviços importantes de comunicação funcionam com base na tecnologia de banda larga – telefonia, teleconferências, vídeos etc.

Dessa forma, a Finlândia se junta a outros países que consideram o acesso à banda larga um direito do cidadão – França, Grécia e Estônia.

Veja também:
Internet “aberta e imparcial”, debate polarizado

Publicado por Tiago Dória, em 14 de outubro de 2009 (Quarta-feira).
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O que aconteceu no 1º Transparência HackDay

Hack Day

RSS para acompanhar como cada político vem votando a pauta da Câmara, mashup para confrontar dados sobre o desmatamento na Amazônia e um mapa para identificar a demanda por escolas voltadas para educação adulta foram alguns dos projetos (“hacks”) desenvolvidos e apresentados durante o Transparência Hack Day, que eu acompanhei neste final de semana, na Casa de Cultura Digital, em São Paulo.

O encontro, que reuniu pessoas de diversas áreas para criar aplicativos em torno de dados públicos disponíveis, foi organizado pelo projeto Esfera, responsável pela clonagem do Blog do Planalto.

Além de um RSS para poder acompanhar a votação de cada político, o Parlamento Aberto tem a proposta de fornecer uma interface que permita visualizar os votos de cada deputado e senador. E ainda simular uma votação, onde você também pode votar nos mesmos tópicos dos políticos. Essa simulação acontece para que, no final, você possa confrontar os seus votos com os dos deputados e, a partir disso, descobrir com qual você tem mais afinidade política. Algo parecido ao que o Last.fm já faz na área de música, mas voltado para a área política.

Interface do tr3eO tr3e, por sua vez, confronta dados sobre o desmatamento na Amazônia. Atualmente, existem várias metodologias para mensurar a derrubada de árvores e que, muitas vezes, entram em conflito e são utilizadas para fins eleitoreiros. O tr3e tem o objetivo de confrontar e mostrar esses dados em uma interface do Google Maps para evitar distorções.

A partir de dados públicos do Ministério da Educação, o Mapa da EJA (Educação para Jovens e Adultos) mostra em um mapa todas as escolas que fornecem educação para adultos no Brasil. O objetivo é não somente mostrar onde essas escolas estão localizadas (algo difícil de visualizar por outros meios), mas identificar a demanda por esse tipo de educação no Brasil. A ideia, mais pra frente, é que as pessoas possam complementar essas informações plotadas no  mapa.

Ademais, outros projetos foram apresentados. Um deles é um protótipo de um sistema de votação online para os cargos na USP. No caso, os próprios alunosthackday_05 podem votar de forma remota. Outro, um mashup para mapear o lixo eletônico em todo o país. E ainda uma espécie de API (não oficial) para o projeto Excelências, da Transparência Brasil, e outra para a seção de fotos da Agência Brasil (o ABrCrawl).

O interessante é que esses dois últimos foram feitos em sites de informação que estão no ar, mas que apesar de terem uma abordagem de abertura de informações, não fornecem os seus dados de forma amigável e legível para computadores.

O trabalho é um pouco de “raspagem de dados”. Ou seja, extrair esses dados dos sites da Transparência Brasil e da Agência Brasil e passá-los para um formato aberto, tornando-os mais maleáveis, para que outras pessoas possam mesclá-los com outros dados e informações.

Vale lembrar que, em sua maioria, esses “hacks” estão em uma fase bem inicial, mais de conceituação e desenvolvimento (podem apresentar alguns erros). Neste momento mesmo, alguns deles estão sendo desenvolvidos. Todos foram apresentados no domingo, mas começaram a ser desenvolvidos e conceituados um dia antes, semelhante à dinâmica de outros eventos estilo “Hack Day“.

Portal Governo Aberto

O Transparência Hack Day, na realidade, começou já no sábado de manhã, com Roberto Agune, do Gati (Grupo de Apoio Técnico à Inovação da Secretaria de Gestão Pública) apresentando o projeto do Portal Governo Aberto, do Governo estadual, que fornecerá 11 bases de dados sobre informações públicas (desemprego, PIB, condição de vida etc.).

Dados que já são públicos, mas serão disponilizados em padrão aberto e formato “amigável”, o que permitirá o desenvolvimento de aplicativos que possam melhorar o seu entendimento. Um preview do portal foi mostrado durante o Transparência Hack Day (imagem acima).

Na ocasião, a SEADE (fundação responsável pela análise de dados estaduais) aproveitou para distribuir um CD com dados públicos – cerca de 40 indicadores sobre todos os municípios do Estado de São Paulo. Os dados foram solicitados anteriormente pelos organizadores do Hack Day.

Debate manhã do Hack DayO projeto do Portal Governo Aberto está sendo feito em parceria com o escritório do W3C no Brasil. Aliás, o W3C também está em negociação com a Casa Civil para uma parceria para disponibilizar dados sobre as obras do PAC.

Vagner Diniz, gerente do escritório no Brasil, também presente no Hack Day, contou algo que chamou a minha atenção, além de governos, o W3C está com foco também em orientar, “evangelizar”, emissoras, jornais e rádios para que disponibilizem seu acervo em padrão aberto, o que vai ao encontro do que já está sendo feito lá fora com o NYTimes, BBC e Guardian, ao liberar o acesso público às suas APIs.

No período da tarde, Pedro Valente, jornalista e desenvolvedor, explicou como utilizar o YQL, ferramenta do Yahoo! que facilita a coleta de dados públicos na web, seguido pelo professor Sérgio Amadeu, da Faculdade Cásper Líbero, que falou sobre cidadania digital.

O que ficou evidente no debate da manhã é que os dados públicos existem, eles estão acessíveis para qualquer pessoa e os governos têm disposição em fornecê-los. O problema é o formato. Esses dados, na maioria das vezes, quando disponilizados na web, estão em formato pdf ou algo parecido que não permite a leitura por máquinas e impossibilita a criação de aplicativos e interfaces interativas e amigáveis para visualizar e interagir com essas informações.

Quadro com projetosUma coisa é os dados poderem ser lidos por pessoas. Outra coisa é por computadores, serem utilizados de forma automática. Enfim, adianta muito pouco oferecer os dados em padrões não-abertos, legível apenas para pessoas. O grande diferencial é esses dados poderem ser lidos automaticamente por computadores, o que abre espaço para fazer cruzamentos e data mining, possibilidade que não existia enquanto esses mesmos dados não estavam digitalizados. A partir desses cruzamentos, é possível descobrir nuances e tendências que antes não eram perceptíveis.

Atualmente, é possível ter acesso a maioria dos dados que é considerada pública. Mas, dependendo do caso, é necessário fazer um ofício para o órgão responsável, justificar o uso e esperar um certo tempo para receber as informações que, na maioria das vezes, virão impressas e desatualizadas, já que se toma como referência a data em que foi feito o pedido de acesso aos dados.

Dinâmica que muda totalmente quando esses dados são oferecidos de forma aberta na web e com uma licença que permita o seu uso sem tantas restrições.

Para mim, o Transparência Hack Day foi bem positivo. Foi o primeiro deste tipo no Brasil. O que vai ajudar a fomentar que sejam realizados outros no país, sempre pensando em como utilizar a rede por uma maior transparência política. O encontro, claro, teve um caráter de provocação, sobre a importância de liberar os dados em formatos abertos, deixando para a sociedade a criação de ferramentas, interfaces e recursos que tornem mais fácil o seu entendimento.

Pessoalmente, foi ótimo para fazer mais contatos com desenvolvedores que estão por dentro dessa questão de “dados abertos” (jornalismo de dados) e  aprender um pouco mais sobre APIs.

Para saber mais sobre o encontro e os seus desdobramentos, é só seguir a hashtag #thackday.

Veja também:
Como foi o seminário sobre mídia na Cásper Líbero

Publicado por Tiago Dória, em 5 de outubro de 2009 (Segunda-feira).
Categoria: ciberativismo, mashups, politica. Tags: , , , , , , , , , , , , ,

Internet “aberta e imparcial”, debate polarizado

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Dependendo do andar da carruagem, a última segunda-feira poderá ser considerada histórica para a recente história da internet. A FCC – Federal Communications Commission – , principal agência reguladora das telecomunicações nos EUA (o equivalente à Anatel no Brasil), revelou novas propostas para que os provedores de internet não façam discriminação em relação ao conteúdo na internet.

É uma vitória para os que defendem a questão da “neutralidade da internet“. Debate que se arrasta há 6 anos e tem como premissa impedir que provedores de internet bloqueiem ou diminuam a velocidade da conexão em decorrência do tipo de conteúdo que está sendo enviado/baixado ou aplicativo utilizado. As propostas valem somente para os EUA, mas quem sabe podem ter repercussão em futuras decisões regulatórias aqui, no Brasil.

“Hoje, não podemos imaginar nossas vidas sem a Internet – do mesmo jeito que não conseguimos imaginar a vida sem água encanada e sem a lâmpada”

Disse o presidente da FCC, Julius Genachowski, em discurso que repercute nos principais sites de notícias. Além da não discriminação, Genachowski adicionou ainda a proposta (bem vaga) da transparência, provedores devem ser transparentes na forma como gerenciam as suas redes, sejam elas de acesso sem fio ou não. Praticam traffic shaping? A velocidade entregue é equivalente à anunciada na venda?

laptopmesa01pqAs propostas da comissão ainda serão discutidas em uma reunião prevista para outubro. Contudo, somente a sua apresentação  já animou os defensores da “imparcialidade na rede”. Entre eles, o atual governo dos EUA, que, por meio de Obama, desde a época de campanha se posicionou a favor da “neutralidade”, e a Google, que chegou a lançar no começo do ano uma ferramenta para saber se um provedor de internet está praticando traffic shaping ou não.

Outro lado - Provedores reclamam. A FCC, por meio de mais regulamentações, estaria buscando “uma solução para um problema que não existe”. Dylan Tweney, em artigo na Wired, lembra que as propostas da FCC acrescentam mais uma camada de influência e burocracia do governo em um mercado que vem inovando de forma livre. As propostas fariam sentido em um mercado com monopólios, com poucas opções, o que não é o caso do acesso à web nos EUA, segundo ele.

A discussão começa a ficar politizada e polarizada, o que pode ajudar a esvaziar o debate e a torná-lo simplista, uma briga entre “mocinhos e bandidos”, enquanto a questão envolve vários lados e possíveis consequências a longo prazo. Senadores republicanos já se posicionaram contra as propostas regulatórias de Genachowski, que é do partido democrata.

Nesta segunda-feira, foi inaugurado o Openinternet.gov, voltado a discussão aberta do assunto. E, por coincidência, nesta terça-feira acontece, em todo o mundo, pelo 3º ano, o One Web Day, dedicado ao acesso público à internet e a sua utilização por uma maior transparência política.

Veja também:
O que mais aproxima cidadãos de governantes na web?

Crédito da foto: Respres

Publicado por Tiago Dória, em 22 de setembro de 2009 (Terça-feira).
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Dia de ‘hackear’ a política brasileira

Bandeira Brasil

Quem acompanha o blog deve conhecer o conceito de “hack day“.

É um dia inteiro em que desenvolvedores, estudantes, jornalistas e entusiastas se reúnem para criar aplicativos, “hackear” (no bom sentido) banco de dados e sites. A BBC, o NYTimes, o Guardian e o Yahoo! Brasil já promoveram os seus “hack days”.

Normalmente, os criadores dos melhores aplicativos recebem prêmios. Além do caráter de encontro, é uma competição.

A novidade é que, nos dias 3 e 4 de outubro, vai acontecer um “hack day” em São Paulo, o “Transparência Hack Day”, dedicado a desenvolver aplicativos em torno de informações governamentais e dados públicos. O foco é na ideia de transparência política.

E o evento é promovido pelo projeto Esfera, que recentemente clonou o Blog do Planalto.

As inscrições para o “Transparência Hack Day” são gratuitas, estão abertas e podem ser feitas aqui.

Veja também:
Como hackear um portal de notícias

Crédito da imagem: Diogo Azevedo

Publicado por Tiago Dória, em 13 de setembro de 2009 (domingo).
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Blog do Planalto é clonado

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Desde ontem de manhã, está no ar uma versão clonada do Blog do Planalto, com espaço para comentários.

No blog Trezentos, a jornalista Daniela Silva comenta sobre a ação de clonagem. O que é permitido já que o Blog do Planalto está sob uma licença da Creative Commons que permite criar obras derivadas e reproduções integrais do conteúdo, desde que citada a fonte.

Veja também:
Blog do Planalto não quer saber de diálogo com leitores

Publicado por Tiago Dória, em 4 de setembro de 2009 (sexta-feira).
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Blog do Planalto não quer saber de diálogo com leitores

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Próximo às comemorações da Semana da Pátria, entrou no ar o Blog do Planalto, projeto que teve a sua estréia adiada diversas vezes. Não é o presidente quem escreve os posts, mas uma equipe formada por profissionais que já passaram por outros projetos na rede, como o Global Voices Online.

A principal referência é a fórmula utilizada por Obama no governo dos EUA. A inspiração foi tanta que, no final, foram copiadas as mesmas deficiências do blog da Casa Branca, que, perto do que a campanha de Obama produziu, é algo bem burocrático – conteúdo oficial e previsível, uma espécie de agenda diária do presidente, com transcrição de discursos e decisões do governo, e a falta de espaço para comentários (opinião do leitor).

Ou seja, uma das principais qualidades do conceito de blog, que é a proximidade entre leitor e autor, foi deixada de lado. Apesar do blog ser produzido por uma equipe de 5 pessoas, a assessoria do Planalto alegou não ter  ”estrutura para moderar os comentários”. Há a possibilidade de saber quem fez links para posts do blog, mas, durante os meus testes, essa função (trackbacks) não estava funcionando corretamente.

Na necessidade de referências, em vez do blog da Casa Branca, poderiam ter pego como guia o próprio site do Ministério da Cultura que aceita comentários e tem uma edição menos burocrática e previsível. Ou ainda o blog de Bibiana Aído, ministra da Igualdade, do governo de José Luis Zapatero, na Espanha, e que foge bastante do conteúdo como propaganda oficial e tem um diálogo constante com os cidadãos.

Em suma, a sensação que fica é a de um projeto que chegou tarde. Há 3 anos seria algo diferenciado. Mas, hoje em dia, um blog com conteúdo totalmente oficial e sem espaço para comentários não representa nenhuma novidade, não importa se é de uma empresa ou de um governo.

Veja também:
Político no YouTube é coisa para inglês ver

Publicado por Tiago Dória, em 31 de agosto de 2009 (Segunda-feira).
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A startup mais promissora de 2009

obama_02pqAnil Dash, da Six Apart, empresa que desenvolve publicadores de conteúdo, escreveu um dos textos que mais repercutiu em blogs de tecnologia nesta semana. Segundo ele, a startup de tecnologia mais promissora de 2009 é… o governo dos EUA.

Dash refere-se ao fato dos sites do governo têm o que de melhor as melhores empresas de tecnologia do Vale Silício já possuem – atenção ao design, elementos bem posicionados e, o mais importante, API e dados abertos para que outras pessoas possam criar mashups e aplicativos em torno de dados públicos – como gastos do governo, dados sobre crimes numa região ou informações demográficas. Em suma, transparência.

Devido a essa política de transparência surgiu o Apps for America, um concurso para eleger os melhores aplicativos criados em torno desses dados públicos. Por essas e outras, Dash acredita que o governo americano será a organização que mais se destacará na área de tecnologia.

Aqui, no Brasil, iniciativa parecida de divulgação de gastos terminou com a acusação de que os dados eram vendidos em camelôs nas ruas de São Paulo.

Veja também:
“Integração entre mídias” é a grande vencedora das eleições nos EUA

Crédito da foto: White House

Publicado por Tiago Dória, em 21 de agosto de 2009 (sexta-feira).
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