Como a Fox incentivou a pirataria

Mais um sinal de que algumas empresas podem dar dois passos para frente e um para trás.

Há um bom tempo, nos EUA, a Fox disponibilizava na web alguns de seus programas 24 horas após irem ao ar na TV. No entanto, no último mês, foi tomada a decisão de que os programas estariam na web somente 8 dias após serem exibidos na TV.

Imagina esperar uma semana para assistir a um programa que você acabou de ver na TV?

A intenção da FOX era preservar o índice de assinantes e a receita de publicidade na TV.

Segundo um estudo do TorrentFreak, que monitora o compartilhamento de arquivos na rede, cinco dias após a decisão da FOX ser colocada em prática, houve um aumento significativo no número de “downloads ilegais” de programas da emissora de TV.

Downloads do seriado “Hell’s Kitchen”, por exemplo, aumentaram em 114%.

É quase não impossível fazer uma relação entre o aumento de programas baixados em sites de torrent e a decisão da FOX.

No cenário atual, por si só, a decisão da FOX não é lá muito inteligente, pois “deseduca” um público que, cada vez mais, estava acostumado a utilizar o próprio site da emissora e serviços como Hulu e Netflix para acessar o conteúdo. Serviços que, diga-se de passagem, são considerados legais.

O mesmo TorrentFreak vem levantando a bola há alguns meses de que o número de downloads ilegais de programas de TV e filmes vem caindo depois que serviços como Netflix e Hulu passaram a aumentar a quantidade de conteúdo oferecido e a fornecer uma experiência melhor que os “sites piratas de downloads”.

Ou seja, a decisão da FOX ignora que as pessoas estão, acima de tudo, atrás de facilidade, de ter uma boa experiência com o conteúdo.

As pessoas não pararam de assistir TV. Aliás, elas vêm assistindo como nunca. Contudo, essas mesmas pessoas agora querem poder assistir a um programa quando, onde e como quiser.

Veja também: Quem está usando e abusando dos sites de streaming

Publicado por Tiago Dória, em 23 de agosto de 2011 (Terça-feira).
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BitTorrent é um dos termômetros da web

Nesta quinta-feira, acompanhei a palestra de Eric Klinker, diretor geral da BitTorrent, no Web Expo Fórum 2010, em São Paulo. Klinker fez uma palestra bem didática, mas óbvia. O que chamou a atenção foi sobre o quanto serviços como o BitTorrent podem revelar demandas e comportamentos dos usuários.

Em outras palavras, é quase um termômetro. Muito antes de grandes emissoras disponibilizarem o seu conteúdo na íntegra na web, por exemplo, o BitTorrent detectou o crescimento da demanda por vídeos por meio da quantidade de arquivos deste tipo que era trocada. Hoje mais da metade dos usuários do BitTorrent troca material audiovisual. Outro sinal é a demanda por vídeos em HD (um exemplo fora. Se existem no Justin.TV “transmissões piratas” de emissoras abertas de TV, é sinal de que pode existir uma demanda para assistir a esses canais na web).

BitTorrent é o protocolo mais utilizado para troca de arquivos. Foi criado em 2001 e o seu tráfego total chega a representar de 25% a 50% do tráfego total da internet. Um dos motivos do sucesso é que o sistema força os usuários a “compartilhar banda”,  não sobrecarregando um servidor central e, desse modo, evitando “filas para download”.

Em 2004, foi criada a empresa BitTorrent Inc, da qual Klinker é diretor geral e desenvolve tecnologias com base no protocolo BitTorrent.

Em sua palestra, Klinker trouxe alguns números atualizados sobre o uso do BitTorrent:

- 60% dos usuários baixam vídeos, 17% software. Apenas 6% baixa áudio.
- Base de usuários é de 100 milhões, mas 70 milhões são ativos
- Usuário médio do BitTorrent trafega 25GB por mês
- Tráfego total do BitTorrent chega a representar de 25% a 50% do tráfego total da internet

Veja também: As pessoas estão nas “nuvens” faz tempo

Crédito da foto: divulgação

Publicado por Tiago Dória, em 18 de março de 2010 (Quinta-feira).
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Download vira problema nacional

paris01

Há três semanas mais ou menos, eu comentei na minha coluna na MTV sobre um projeto de lei francês que pretendia cortar a internet da pessoa que é pega pela 3ª vez baixando conteúdo de forma ilegal. O polêmico projeto foi aprovado em definitivo nesta quarta-feira pelos senadores franceses.

Na primeira vez em que é pego baixando conteúdo de forma ilegal recebe uma advertência. Na segunda vez, idem. Na terceira vez, pode ter a internet cortada por até 1 ano.

A sua aplicabilidade é incerta já que o projeto vai de encontro a uma medida do parlamento europeu que proíbe a interrupção da conexão de internet de qualquer pessoa sem a ordem de um tribunal. Um orgão governamental francês, ainda a ser criado, ficará responsável pela fiscalização.

Pode parecer algo distante, lá na França, mas o projeto de lei chama a atenção por ser, em todo o mundo, um dos mais severos contra o comportamento de fazer downloads livremente. O projeto teve o endosso de parte da indústria de entretenimento – gravadoras e estúdios.

Apesar de agressiva, a indústria francesa passa a imagem de ingênua, acredita que com a lei as pessoas passarão, acredite se quiser, a comprar CDs outra vez (as vendas de mídia física tiveram uma queda de 60% nos últimos 6 anos).

Segundo o site Ars Technica, mais uma vez, a lei cai na difícil aplicabilidade, da dificuldade de definir quem será punido. Um fã de uma banda que troca com outros fãs músicas do grupo, como se fazia antigamente com as fitas cassettes, também vai ter a sua conexão cortada?

Se colocada em prática, é bem provável que a lei, que contempla apenas downloads e não streaming, incentive justamente o surgimento de sites de “streaming pirata“, sem contar que pode criar na França uma cultura de utilizar “IP mascarados”, o que será ruim para a própria segurança.

Uma boa parte da população, principalmente a mais jovem e antenada com meandros da rede, pode se acostumar a não utilizar o seu verdadeiro IP, que é uma espécie de RG (todo computador tem um IP, que permite identificar quem estava na internet).

Ainda mantenho aquela minha posição. Quer combater a “pirataria” para valer? Deixe os processos judiciais de lado e forneça um serviço melhor que os “sites piratas”, disponibilize o conteúdo, caminho que vem sendo trilhado pelo Hulu e o Spotify e que, na maioria das vezes, têm agradado tanto usuários como a indústria e os anunciantes.

A França é um país que transforma um problema de modelo de negócios da indústria de entretenimento em um problema legal.

Crédito da foto: Darkroom

Publicado por Tiago Dória, em 13 de maio de 2009 (Quarta-feira).
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Meu comentário sobre a decisão contra o Pirate Bay

Meu rápido comentário sobre a condenação dos fundadores do site de troca de arquivos Pirate Bay.

Primeira coisa, apesar de todo o barulho na web, vale lembrar que a decisão é em primeira instância. Não é a decisão final, os advogados do Pirate Bay ainda podem recorrer da decisão (e vão recorrer).

Caso a posição do tribunal se mantenha, o efeito será o mesmo da condenação ao Napster, Grokster e outros sites de trocas de arquivos. Num primeiro momento, a indústria vai comemorar, mas os usuários em geral encontrarão outras formas de trocar arquivos.

O Pirate Bay, na verdade, é apenas um entre tantos outros sites de troca de arquivos.

Segundo Mike Masnick, do Techdirt, que desde 1998 cobre a parte de direitos autorais na web, o problema é que a indústria trata a “livre troca de arquivos vs estúdios e gravadoras” como um problema legal, jurídico, e não de modelo de negócios.

Neste sentido, um artigo no jornal Telegraphy lembra que a melhor forma de combater esse tipo de site é lutar com as mesmas armas – oferecer também downloads/conteúdo de graça, algo que eu já havia comentado em outro post.

Quer combater a “pirataria” para valer? Deixe os processos judiciais de lado e forneça um serviço melhor que os “piratas”, invista em uma “melhor experiência para o usuário”.

Publicado por Tiago Dória, em 17 de abril de 2009 (sexta-feira).
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RIP: documentário mostra importância dos mashups e da “cultura do remix”

RIP: Remix Manifesto é um documentário sobre a importância dos mashups e da “cultura do remix“.

Dirigido pelo ciberativista Brett Gaylor, que criou o projeto Open Source Cinema, o documentário conta com participações do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil, do advogado Lawrence Lessig e do crítico cultural Cory Doctorow.

Seguindo a idéia de “cultura do remix“, alguns trechos do documentário estão disponíveis para download para quem quiser remixá-los com outros conteúdos.

A própria produção do Remix Manifesto seguiu com uma dinâmica aberta, com o uso de wikis e blogs, onde as pessoas podiam opinar no roteiro.

O documentário estréia nesta semana no Canadá. O trailer segue abaixo. Parece ser bom.

Post relacionado:
Digital Age 2.0: o que vale destacar no 1º dia

Publicado por Tiago Dória, em 16 de outubro de 2008 (Quinta-feira).
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BitTorrent no Canal Futura

No post BitTorrent é a TV da audiência global, o Carlos D`Andréa deixou nos comentários a dica da iniciativa do Canal Futura, de distribuir seus programas via BitTorrent no site Futuratec.

Publicado por Tiago Dória, em 3 de outubro de 2008 (sexta-feira).
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BitTorrent é a TV da audiência global


Maioria dos downloads foi feita pela audiência global do seriado

A estréia da 3ª temporada de Heroes, da NBC, bateu recorde nos sites de BitTorrent, tecnologia utilizada para livre troca de arquivos na rede. Em apenas um dia, foram mais de 10 milhões de downloads dos capítulos de abertura da nova fase do seriado, segundo o MiniNova.

E o detalhe mais importante – 92% dos downloads vieram de usuários de fora dos EUA, países onde a 3ª temporada da série vai demorar semanas, meses ou anos para estrear na TV.

O que ajuda a corroborar uma pesquisa de uma das maiores redes de TV e rádio dos EUA. A priori, as pessoas preferem assistir a uma série na TV. Somente optam pelo download ou assistir na web a um capítulo que perderam [reprise] ou a um seriado ou temporada que vai demorar ou não passa mais na TV.

Jesse Alexander, produtor-executivo de Heroes, completou em entrevista ao TorrentFreak:

“As redes de TV devem reconhecer isso. E dar aos seus telepectadores mais meios de interagir com o seu conteúdo, além de encontrar formas de gerar receita de cada membro dessa audiência global”.

Também durante esse final de semana, na conferência Streaming Media West, Albert Cheng, da ABC Digital, disse que a emissora de TV planeja colocar todo o seu conteúdo na rede.

Programas completos para downloads, vídeos que podem ser “embedados” em sites e streaming ao vivo de jornais e seriados, além de ferramentas para que as pessoas possam fazer mashups e criar aplicativos que tenham como base o conteúdo da ABC. Talvez uma API com acesso público pela frente.


ABC: Não é TV, mas uma empresa de conteúdo

No final das contas, seguirá o mesmo caminho da CBS e BBC. O que o usuário quiser, quando quiser e onde quiser [ubiqüidade].

“A ABC é uma `marca de conteúdo` que poderá estar em qualquer dispositivo, moldada especificamente para atender às necessidades dos consumidores e anunciantes e ‘otimizada’ para cada uso e plataforma digital”

A emissora de TV, com sucessos como Ugly Betty e Lost debaixo de seu chapéu, é outra empresa de comunicação que pretende adotar a postura agnóstica do NYTimes, num processo de não se prender muito a nenhum formato ou suporte e se posicionar no mercado como uma empresa de conteúdo, de informação editada e estruturada.

O que, de certa forma, ecoa na entrevista de Vint Cerf ao The Guardian. O “vovô da internet” e evangelista da Google disse:

“Eu gostaria de sugerir que o termo newspaper [jornal] fosse dividido em 2 partes, ‘news’ e ‘paper’. O ‘paper’ [papel] precisa ser colocado de lado por um tempo, como um dos muitos possíveis suportes de distribuição de conteúdo. O mecanismo de produzir informação é  separado do de distribuição. Ou deveria ser…”


Cerf: “news” separado de “paper”

Para uma audiência global, cada vez mais comum nos produtos dessas empresas, resta saber se todo esse conteúdo de ABC, CBS, BBC e outras siglas, não estará bloqueado para usuários residentes fora dos EUA e da Inglaterra.

Enquanto não existir uma “lei internacional de direitos autorais”, uma Convenção de Genebra dos direitos autorais, o BitTorrent fica como opção para a audiência global dessas emissoras.

É frustante você lançar um produto como o Heroes e, num primeiro momento, ele ficar disponível apenas para a audiência de um país. Mais frustante ainda é tratar a internet como único meio de distribuição de conteúdo ou suporte de narrativa.

Por isso que os produtos mais interessantes caminham para serem aqueles apoiados na transmedia. O próprio Heroes é o melhor exemplo disso. Não adianta diretores de sites ficarem de birra com a TV e os impressos. E os diretores de TV, por sua vez, “ficarem de mal” com a internet.

Esse “mimimi” todo não vai levar a lugar nenhum. Transmedia e audiência global de produtos estão aí para não serem desperdiçados.

Enquanto isso, os sites de BitTorrent crescem em cima dessa audiência global não atendida.

Post relacionado:
Soundtrack: integração entre TV e sites de música

Publicado por Tiago Dória, em 29 de setembro de 2008 (Segunda-feira).
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Chamadas do Skype pela TV

Os fundadores do Skype estão trabalhando em um novo sistema que permitirá fazer chamadas de vídeo pela TV. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e é chamado de InkSpin1. Será voltado para TVs LCD.

Promete ser uma boa solução para programas de TV, estilo Urbano, que queiram aumentar a participação dos telespectadores por meio de chamadas de vídeo.

Ou ainda para pessoas leigas, que não mexem com computadores.

Ainda não existe previsão de lançamento.

Publicado por Tiago Dória, em 8 de setembro de 2008 (Segunda-feira).
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BBTV do Blinkx chega ao Brasil

Não é uma versão nacional do site de busca de vídeos, mas um programa que permite assistir a diversos vídeos no computador, no mesmo estilo do Joost e do Babelgum, ou seja, você fica restrito ao conteúdo que é oferecido e nenhum programa é ao vivo.

É resultado de uma parceria do buscador de vídeos Blinkx com a distribuidora de conteúdo digital Elo Company.

O lançamento é em toda América Latina, mas o foco principal é no Brasil. “São mais de 15 milhões de pessoas assistindo a vídeos online no Brasil”, disse Suranga Chandratillake, CEO do Blinkx.

Segundo o release de lançamento, haverá no Blinkx diversos canais voltados para o público brasileiro, como o ELO Hits, com clipes de grupos como Pitty e Cachorro Grande.

Outro canal com cinema, o ELO Cinema Latino, com filmes como Boleiros, Quase dois irmãos, Grande Sertão Veredas; e o ELO Gourmet, sobre “hábitos alimentares, mas com uma linguagem mais antropológica”.

Por enquanto, o Blinkx Brasil funciona somente no Windows, os vídeos são em português.

Publicado por Tiago Dória, em 17 de julho de 2008 (Quinta-feira).
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