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	<title>Tiago Dória Weblog &#187; livros</title>
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	<description>Doses diárias de cultura web, tecnologia e mídia</description>
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		<title>Por uma internet em tempo giusto</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 21:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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Na hora em que o McDonald`s contrata um chef especializado em slow-food e as suas lojas passam a vender água de coco e saladas, e no Japão começa a aparecer a geração fureeta, que acredita que não é preciso trabalhar até se matar, é de se perguntar se o &#8220;slow movement&#8221; não está aos poucos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/slowclock01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20411" style="border: 0pt none;" title="Relógio na cabeça" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/slowclock01.jpg" alt="slowclock01" width="640" height="517" /></a></p>
<p>Na hora em que o McDonald`s contrata um <a href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI101083-17453,00-A+COMIDA+DO+MCDONALDS+E+BOA.html" target="_blank">chef especializado em slow-food</a> e as suas lojas passam a vender água de coco e saladas, e no Japão começa a aparecer a geração <a href="http://chinmusicpress.com/books/kuhaku/literature/glossary/entries/fureeta.html" target="_blank">fureeta</a>, que acredita que não é preciso trabalhar até se matar, é de se perguntar se o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; não está aos poucos ganhando espaço, de forma quase imperceptível.</p>
<p>Em seu livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=823642&amp;sid=896220563111122511589833767&amp;k5=1039FFBE&amp;uid=" target="_blank">Devagar</a> (352 páginas/Editora Record), o jornalista canadense <a href="http://www.carlhonore.com/" target="_blank">Carl Honoré</a> diz que o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; não é panfletário. Pelo contrário, é algo que acontece aos poucos, de forma discreta. De minuto em minuto, as pessoas vão questionar o porquê de fazer tudo rápido. Rapidez sempre quer dizer eficiência? Produtividade? Quantidade é igual a qualidade e relevância?</p>
<p>Honoré escreveu o seu livro em <a href="http://www.amazon.com/Praise-Slowness-Worldwide-Movement-Challenging/dp/0965929361/ref=sr_1_17?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1258921887&amp;sr=8-17" target="_blank">2004</a> e começou a pesquisa para produzi-lo um pouco antes. De lá para cá, bastante coisa aconteceu.</p>
<p>De novidade, o Twitter e a tal da &#8220;<a href="http://mashable.com/2009/05/09/future-real-time/" target="_blank">internet em tempo real</a>&#8221; ajudaram a dar uma nova vida ao &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8220;. Quase sempre quando o homem se fascina pela velocidade surge uma reação.</p>
<p>Dos profissionais mais recentes, <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">John Freeman,</a> autor do livro <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">A Tirania do email</a>; <a href="http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/announcing-my-first-pick-_b_310544.html" target="_blank">Arianna Huffington</a>, fundadora do portal Huffington Post, que, a cada dia, busca equilibrar análise com &#8220;notícias em tempo real&#8221;; e o pesquisador de mídia <a href="http://www.ethanzuckerman.com/blog/" target="_blank">Ethan Zuckerman</a>, da Universidade de Harvard, começaram a questionar o porquê do fascínio pela velocidade na área da comunicação.</p>
<p>O pesquisador Dan Gillmor também <a href="http://twitter.com/dangillmor/status/5543449390" target="_blank">comentou</a> sobre o assunto. Mas fez uma análise apressada. Em uma espécie de maniqueísmo jornalistas versus leitores, dá a entender que o culto à velocidade no jornalismo existe simplesmente devido à busca dos profissionais por competitividade.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/fastcar01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20420" title="Culto à velocidade" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/fastcar01.jpg" alt="fastcar01" width="640" height="425" /></a></p>
<p>Honoré mostra que, ao contrário, o fascínio pela velocidade existe em razão de motivos bem mais complexos.</p>
<p>Vem da própria maneira como pensamos sobre o tempo. Nas tradições filosóficas chinesas, por exemplo, o tempo é visto de forma cíclica. Na tradição ocidental, ao contrário, o tempo é visto de forma linear, como algo que vai de A a B. É finito.</p>
<p>Casado com isso vem a própria necessidade do homem de medir e fracionar com precisão a passagem do tempo &#8211; minutos, segundos e milisegundos.<span> Desde a invenção do quadrante solar egípcio de 1.500 a.C. até a invenção do relógio mecânico no século XVIII, a própria sobrevivência humana era um dos principais estímulos para medir o tempo. </span></p>
<p><span>O tempo era utilizado para saber quando plantar e colher. E com quanto mais precisão o homem medisse o tempo, melhor. A busca pela precisão na medição do tempo virou questão de Estado.<br />
</span></p>
<p>Meio contraditório, mas quanto mais o homem tenta controlar e entender o tempo, mais ele fica refém.</p>
<p>Neste sentido, o relógio é a tecnologia que melhor simboliza essa tentativa do homem de entender e medir o tempo. E o fascínio pela velocidade é mais um daqueles efeitos a longo prazo proporcionados por uma tecnologia, mas que foi subestimado em sua devida época por especialistas .</p>
<p>Na época da invenção do relógio mecânico, especialistas exaltavam e conseguiam ver apenas benefícios (iguais às discussões sobre os efeitos da internet hoje em dia). O homem será mais eficiente, terá mais tempo para fazer outras coisas. Mas ninguém imaginou que, como efeito colateral, o relógio criaria esse vício em velocidade, que perdura até hoje.</p>
<p>Outros autores vão mais longe e acreditam que o fascínio do homem pela velocidade é algo transcendental. Corremos para fugir da morte. A velocidade, no caso, com o estímulo sensorial que provoca, seria uma forma de distração, para fugir da &#8220;consciência de mortalidade&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/clockgirl01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20428" title="Refém do tempo" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/clockgirl01.jpg" alt="clockgirl01" width="640" height="523" /></a></p>
<p>A própria leitura de <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=823642&amp;sid=896220563111122511589833767&amp;k5=1039FFBE&amp;uid=" target="_blank">Devagar</a>, que está em sua 5ª edição no Brasil, ajudou a corroborar a minha teoria de que as ideias do &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; estão ganhando espaço.</p>
<p>Honoré cita duas coisas que vão ao encontro. Uma delas, as gerações mais novas estão lendo mais, estão sabendo equilibrar melhor. Cita o fenômeno de leitura de <a href="http://criancas.uol.com.br/harrypotter/" target="_blank">Harry Potter</a>, livro em média com 700 páginas. <a href="http://www.jkrowling.com/" target="_blank">J. K. Rowling</a>, autora da série <a href="http://criancas.uol.com.br/harrypotter/" target="_blank">Harry Potter</a>, mostrou que ler é uma coisa legal.</p>
<p>E outra &#8211; em relação às gerações anteriores, a atual vê o trabalho de forma diferente.</p>
<p>Quando conversei com a <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/07/16/entrevista-com-a-escritora-e-blogueira-carol-bensimon/" target="_blank">Carol Bensimon</a> aqui, no blog, comentei sobre isso. Um dos aspectos que a nossa geração tem de bom é isso, saber equilibrar melhor lazer, vida familiar e trabalho.</p>
<p>O que, às vezes, deixa de cabelo em pé os setores de Recursos Humanos (RH). Pessoas largam &#8220;grandes empregos&#8221; para ganhar menos, mas ter mais tempo para lazer ou trabalhar com o que gosta. Ou ainda ter o seu próprio negócio, ser o patrão de si mesmo e assim potencialmente conseguir controlar melhor o&#8230; tempo.</p>
<p>Honoré é bem cético em relação a tecnologias que prometem economizar tempo. Na verdade, são as pessoas e a nossa noção de tempo que devem mudar antes de tudo.</p>
<p>Cita o caso do email. Uma de suas propostas era economizar tempo. Mas a facilidade de uso do email levou ao abuso (basta apertar um botão e enviar a mensagem). O resultado final é um montão de mensagens em nossa caixa postal todos os dias e que consome mais ainda o nosso escasso tempo.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/queue021.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20424" title="Filas para comprar" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/queue021.jpg" alt="queue02" width="640" height="405" /></a></p>
<p>E é nesse tópico &#8211; escassez de tempo &#8211; que está uma falta evidente no livro de Honoré. Não falar sobre o quanto o tempo virou quase uma moeda hoje em dia. Conscientemente ou não, as pessoas estão percebendo que o seu tempo tem valor, está virando moeda.</p>
<p>Pagamos mais caro na hora de comprar um ingresso para não ter que ficar tanto tempo em filas. Pessoas pagam para baixar música na loja <a href="http://www.apple.com/br/itunes/" target="_blank">iTunes</a> para não terem que perder tempo procurando por uma música na web. Utilizamos o Google para não ter que ficar perguntando a esmo por uma infomação. Ou seja, em parte, utilizamos o Google para economizar tempo.</p>
<p>Por outro lado, achei interessante o jornalista mostrar que o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; está bem longe de ser um movimento de autoajuda, new age ou ludista. Menos ainda, ligado a &#8220;pessoas alternativas&#8221; ou à preguiça. Na realidade é sobre equilíbrio, encontrar o tempo correto para cada coisa.</p>
<p>Cada coisa tem seu tempo. Algumas devem ser rápidas. Outras mais lentas. O problema é que, na maioria das vezes, estamos fazendo tudo rápido.</p>
<p><a href="http://www.carlhonore.com/" target="_blank">Carl Honoré</a> atravessou diversos países para fazer a sua pesquisa sobre o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8220;, que começou enquanto ele ainda era colaborador do jornal canadense <a href="http://www.nationalpost.com/" target="_blank">National Post</a>. O jornalista fala sobre o movimento em diversas áreas  &#8211; gastronomia, educação, relacionamentos, sexo.</p>
<p>Segundo o seu estudo, o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; nasceu na Itália, nos anos 80. Por ironia, no mesmo país onde antes foi lançado o <a href="http://www.cscs.umich.edu/~crshalizi/T4PM/futurist-manifesto.html" target="_blank">Manifesto Futurista</a>, que exaltava a &#8220;beleza da velocidade&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/devagar_capa2.jpg"><img class="size-full wp-image-20512 aligncenter" title="Devagar - capa do livro" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/devagar_capa2.jpg" alt="devagar_capa" width="256" height="396" /></a></p>
<p>Sobre a vertente mais nova do &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8220;, o &#8220;<strong>slow news movement</strong>&#8220;, é interessante notar que, depois da medicina, a área de jornalismo talvez seja a que mais vive em conflito com o tempo.</p>
<p>Na medicina, velocidade é crucial. Um paciente ferido a bala, por exemplo, precisa ser tratado o mais rápido possível. Segundos se tornam muito importantes.</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo, mais rápido nem sempre quer dizer melhor, principalmente em tratamentos. Não é à toa que a medicina alternativa ganha espaço.</p>
<p>No jornalismo, velocidade também é primordial. Não é sem motivos que os produtos do jornalismo têm nomes ligados à questão do tempo. Jornal Hoje, Jornal Zero Hora, 60 minutes.</p>
<p>Ter prazos é bom. Faz o trabalho ficar mais focado. Em seu último livro, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2774165&amp;sid=91203213511331133334448960&amp;k5=283E30D2&amp;uid=" target="_blank">Vida de Escritor</a>, o jornalista Gay Talesse mostra que a falta de prazo faz você perder o foco. Mas, por outro lado, a velocidade faz cair a qualidade principalmente em relação à checagem de informações.</p>
<p>E no caso do jornalismo, &#8220;<strong>slow news movement</strong>&#8221; não tem nada a ver com fazer todas as reportagens lentas, mas em buscar o tempo certo. Será que todos os assuntos pedem uma produção rápida, liveblogging? Será que um evento como o <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/15/o-que-mais-gostei-no-tedxsp/" target="_blank">TedxSP</a> é para ficar tuitando que nem um doido ou mais adequado para depois escrever um post, uma matéria bem trabalhada com várias conexões?</p>
<p>É esse tipo de questão que o &#8220;<a href="http://www.slowmovement.com/" target="_blank">slow movement</a>&#8221; propõe. Cada assunto pede uma velocidade.</p>
<p>Não é fazer tudo rápido nem tudo lento. É o equilíbrio. Buscar o tempo <em>giusto</em> para cada coisa.</p>
<p><em>Parte do livro Devagar está disponível no <a href="http://books.google.com.br/books?id=eAphEYhRBdgC&amp;printsec=frontcover&amp;source=gbs_v2_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">Google Books</a>.</em></p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/09/eles-estao-cada-vez-mais-desconectados/" target="_blank"> Eles estão cada vez mais desconectados</a></p>
<p><em>Crédito das fotos: <a href="http://www.freakingnews.com/Clocks-Pictures--1486.asp" target="_blank">KatyKaite</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/viernest/3531901577/" target="_blank">Viernest</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/theaftershock/3283238354/" target="_blank">The After Shock</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/kewei/2872824470/" target="_blank">Kewei</a> e reprodução.<a href="http://www.freakingnews.com/Clocks-Pictures--1486.asp" target="_blank"><br />
</a></em></p>
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		<title>Pixar é a Disney de quem já nasceu digital</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 01:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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Certa vez, quando a Pixar mudou de endereço, um computador foi quebrado na marreta, no último dia, no antigo escritório. Como se fosse um ritual de passagem.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/pixar_studios01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19925" title="Pixar Studios" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/pixar_studios01.jpg" alt="Pixar Studios" width="640" height="428" /></a></p>
<p>Certa vez, quando a <a href="http://www.pixar.com/index.html" target="_blank">Pixar</a> mudou de endereço, um computador foi quebrado na marreta, no último dia, no antigo escritório. Como se fosse um ritual de passagem.</p>
<p>Se a gente olhar de forma isolada, quebrar computadores na marreta é apenas mais uma das excentricidades da Pixar, empresa de animação por trás de sucessos como <a href="http://www.pixar.com/featurefilms/walle/" target="_blank">Wall-E</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wKvPry6kJDE" target="_blank">Toy Story</a>. Porém, num contexto maior, esse &#8220;ritual de passagem&#8221; diz muito sobre a empresa. Para a <a href="http://www.pixar.com/index.html" target="_blank">Pixar</a>, computadores sempre foram computadores. Apenas uma ferramenta de trabalho.</p>
<p>É fácil perceber que empresas e projetos de animação por computador vão e voltam, mas a Pixar é uma das poucas que se mantém perene. Parte do seu segredo, que a cada dia é menos secreto, está em aplicar os conceitos de Disney à animação feita por computador.</p>
<p>Uma animação não tem nada a ver com aparência ou transmitir movimentos, mas emoção. &#8220;Não são os olhos, mas o olhar. Não são os lábios, mas o sorriso&#8221;, diria John Lasseter, cofundador da Pixar, em certa ocasião, em meados de 1994.</p>
<p>O negócio da Pixar é contar histórias. A animação por computador, no caso, é apenas o meio.</p>
<p>Quem nunca assistiu a algum filme de animação sem graça, mas que tecnicamente era impecável?</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/walle01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19929" title="Wall-E" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/walle01.jpg" alt="Wall-E" width="640" height="400" /></a></p>
<p>A história da Pixar sempre foi uma combinação de perfis às vezes conflitantes. Uma empresa que conseguiu unir debaixo do mesmo teto geeks, hippies e mórmons, pessoas com personalidades e trajetórias de vidas diferentes. Em essência, a Pixar é formada por esses três perfis de pessoas.</p>
<p>Seus pais são o cientista Edwin Catmull, mórmon, homem comedido e religioso, e John Lasseter, atual diretor de arte da Pixar, expansivo, perfil de artista e nada religioso. O contraponto de Catmull.</p>
<p>Aliás, pouca gente sabe, mas existe influência religiosa na Pixar. A <a href="http://www.youtube.com/watch?v=D1o42BhiRq0" target="_blank">EVE</a>, do premiado filme <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZisWjdjs-gM" target="_blank">Wall-E</a>, por exemplo, tem influência do Velho Testamento. Ela seria a pomba da Arca de Noé, enviada para encontrar o pouco de vegetação que provaria que a Terra poderia ser habitada outra vez.</p>
<p>Nisso tudo, ainda há a figura do pragmático Steve Jobs, primeiro comprador (<a href="http://pt.wikibooks.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Humanidade_:_Mecenas" target="_blank">mecenas</a>) da Pixar. Na época da compra, em 1986, a Pixar era apenas um setor de efeitos especiais da Lucas Film, de George Lucas. E Jobs a comprou e manteve o seu papel de mecenas por anos.</p>
<p>Quem ficou fuçando durante um ano todos esses detalhes foi o jornalista <a href="http://thepixartouch.typepad.com/main/about-the-author.html" target="_blank">David A .Price</a>, colaborador do Wall Street Journal e da Forbes, que lançou recentemente no Brasil o livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2937123&amp;sid=896219753111027788456066332&amp;k5=1BC62AC3&amp;uid=" target="_blank">A Magia da Pixar</a> (304 páginas/Editora Elsevier). Price toca nesses detalhes em seu livro, mas vai além.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/up_film01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19931" title="Trecho de Up" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/up_film01.jpg" alt="up_film01" width="640" height="304" /></a></p>
<p>Na realidade, mostra o quanto inovar demora anos. Na área de mídia, muito se fala atualmente da inovação no NYTimes, sobre trabalhar com bancos de dados amigáveis. Às vezes, passa a impressão de que o jornal começou a inovar recentemente por causa da queda de receita com publicidade.</p>
<p>Mas, na verdade, o jornal vem trabalhando nisto desde os anos 80. Por aí você nota desde quando o NYTimes vê as notícias como dados. Atualmente, ter banco de dados amigáveis é consequência dessa visão que começou há anos. Não é algo que começou há 2 ou 5 anos.</p>
<p>A história da <a href="http://www.pixar.com/" target="_blank">Pixar</a> ratifica isso. Começou com uma tese acadêmica que virou empresa de hardware, software, produtora de animações para filmes publicitários até finalmente cair na produção de longas metragens de animação. E hoje é uma empresa satélite da Disney (a Disney comprou a Pixar em 2006). Ou seja, a inovação da Pixar teve um longo período de maturação.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/monstrossa02.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-19935" style="border: 0pt none;" title="Monstros S.A." src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/monstrossa02.jpg" alt="monstrossa02" width="240" height="322" /></a>Mesmo os concorrentes são frutos da própria Pixar. A <a href="http://www.dreamworksanimation.com/" target="_blank">Dreamworks,</a> responsável pela série <a href="http://www.youtube.com/watch?v=jxqQPrUomTc" target="_blank">Shrek</a>, foi criada por Jeffrey Katzenberg, que se desentendeu com a Disney. Katzenberg teve um papel crucial na história da Pixar. Foi ele quem pressionou a Disney para fechar um acordo de filmes com a Pixar. Portanto, para a empresa de animação, a <a href="http://www.dreamworksanimation.com/" target="_blank">Dreamworks</a> é um concorrente criado em casa.</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2937123&amp;sid=896219753111027788456066332&amp;k5=1BC62AC3&amp;uid=" target="_blank">A Magia da Pixar</a> é também sobre a história da digitalização, mas do ponto de vista da área de animacão. Mostra o quanto a digitalização barateou os custos de produção, armazenamento e transporte no setor de animação, além de criar uma cultura em torno disso.</p>
<p>Neste sentido, não é descabido afirmar que o MP3 está para a música, assim como a Pixar está para a animação em células. Além de filmes, ao desenvolver APIs e softwares de animação (<a href="https://renderman.pixar.com/" target="_blank">Renderman</a>, por exemplo), a própria Pixar criou acessibilidade de ferramentas. Ou seja, abriu espaço para que hoje um animador com espírito empreendedor não dependa tanto dos grandes estúdios.</p>
<p>Em geral, Price se dá bem em seu livro, supera <a href="http://www.amazon.com/Infinity-Beyond-Story-Animation-Studios/dp/0811850129" target="_blank">To Infinity and Beyond</a>, de 2007, espécie de autobiografia da Pixar. É bem difícil adotar um olhar mais crítico sobre empresas como a Disney ou a Pixar. Normalmente, são empresas que estão ligadas a um imaginário infantil, o que as fazem ter um alto índice de aprovação. Não é à toa que, em pesquisas de opinião, normalmente apresentam um alto índice de confiança do público.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/pixar_livrocapa.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-19926" title="pixar_livrocapa" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/pixar_livrocapa.jpg" alt="pixar_livrocapa" width="260" height="377" /></a>A Disney resolveu comprar a <a href="http://www.pixar.com/" target="_blank">Pixar</a> justamente a partir do momento em que, entre as famílias, a empresa tinha um nível de aprovação alto, maior até que o da Disney. Enfim, a Pixar, com sua sequência de filmes &#8211; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wKvPry6kJDE" target="_blank">Toy Story</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=w2-Jrglx2BM" target="_blank">Procurando Nemo</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=cvOQeozL4S0" target="_blank">Monstros S.A</a>. -  tornou-se a Disney da geração atual.</p>
<p>Mesmo com esses detalhes, o livro de Price tem algumas lacunas. É detalhista demais na parte tecnológica (computadores e softwares), o que o torna um pouco cansativo. O jornalista cita muitos termos técnicos e conceitos muito específicos para a área de animação. Às vezes, parece que Price está falando apenas para animadores.</p>
<p>Outro detalhe é o parco trabalho de pesquisa de arquivo. O livro é acompanhado de poucas fotos e reproduções de arquivos, que, em geral, são comuns neste tipo de livro. As poucas fotos que ilustram o livro são de press releases, com pouco valor histórico, que nada acrescentam.</p>
<p>Quem sai perdendo no livro de Price é Steve Jobs. Jobs é retratado como um homem sem visão (na parte de animação), distante, egoísta e apenas interessado no retorno a curto prazo na Pixar. O livro é até um pouco que parcial neste aspecto.</p>
<p>Em meados de 1994, amargurando dívidas, quase que Jobs vende a Pixar para a Microsoft. Isso ainda durante o processo de produção de Toy Story. Para o cofundador da Apple, o futuro da Pixar não era produzir filmes, mas ser uma empresa de software de animação (realmente a Pixar ainda produz software, o pacote <a href="https://renderman.pixar.com/" target="_blank">Renderman</a>, mas é apenas uma parte pequena de seus negócios).</p>
<p>As negociações com a Microsoft chegaram a avançar, mas Jobs voltou atrás.  Preferiu licenciar várias patentes para a empresa cofundada por Bill Gates.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/renderman.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19974" style="border: 0pt none;" title="Renderman" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/renderman.jpg" alt="Renderman" width="640" height="282" /></a></p>
<p>Quem sai ganhando na história toda, por sua vez, é John Lasseter, atual diretor de criação da Pixar, retratado como um gênio da animação, mentor do sucesso da Pixar. Um gestor que conseguiu por anos manter um dos principais ativos da Pixar, os seus animadores.</p>
<p>Além disso, fez o que ninguém havia feito &#8211; aplicar os princípios da Disney à animação por computador. Princípios estes que ele aprendeu durante o tempo que trabalhou na Disney como animador antes de ser demitido.</p>
<p>E é nessa ligação de Lasseter com a Disney onde está o ponto da trajetória da Pixar que mais chamou a minha atenção. Antes de ler <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2937123&amp;sid=896219753111027788456066332&amp;k5=1BC62AC3&amp;uid=" target="_blank">A Magia da Pixar</a>, no começo do ano, li a <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2769017&amp;sid=89622005911617426318006418&amp;k5=1093EF10&amp;uid=" target="_blank">biografia de Walt Disney</a>, escrita por Neal Gabler. Um calhamaço de 944 páginas, porém atualmente é o melhor registro da vida do criador da Disney.</p>
<p>Livro que termina de uma forma um pouco melancólica, pois mostra que, em 1966, Walt Disney morreu sem ver o seu grande sonho, que era a animação ganhar o status de filme sério (na época, animação era apenas coisa de criança e ainda menosprezada por críticos).</p>
<p>Não dá para negar que, em <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZisWjdjs-gM" target="_blank">Wall-E</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=USpI6Jzl3No" target="_blank">Up</a>, Lasseter realizou o sonho de seu mentor. Fornecer maturidade para a animação. Hoje longas-metragens de animação estão páreo a páreo com filmes com atores reais.</p>
<p>É quase impossível pensar em animação sem fazer a ligação com os filmes da Pixar. Imagina para essa geração que a conheceu no iTunes, no p2p e no iPod. A reboque de sua empresa mãe, a Pixar foi uma das primeiras a disponibilizar o seu conteúdo na loja da Apple.</p>
<p>Não é à toa que a Pixar é a Disney de quem já nasceu digital.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/04/06/historias-escondidas-nas-buscas/" target="_blank"> Histórias escondidas nas buscas</a></p>
<p><em>Crédito da foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/tomarthur/2720588187/" target="_blank">Tom. Arthur</a></em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Autora de &#8220;YouTube e a Revolução Digital&#8221; vem ao Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 21:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia, em &#8220;O que o YouTube está matando&#8220;, comentei sobre o livro &#8220;YouTube e a Revolução Digital&#8220;, recém-lançado no Brasil.
A novidade é que Jean Burgess (@jeanburgess), pesquisadora da Universidade de Queensland e coautora do livro, estará no Brasil para participar do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital, que acontecerá entres os dias 18 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/jeanburgess01.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-19734" title="Jean Burgess" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/jeanburgess01.jpg" alt="Jean Burgess" width="280" height="210" /></a>Outro dia, em &#8220;<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/02/o-que-o-youtube-esta-matando/" target="_blank">O que o YouTube está matando</a>&#8220;, comentei sobre o livro &#8220;<a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a>&#8220;, recém-lançado no Brasil.</p>
<p>A novidade é que Jean Burgess (@<a href="http://twitter.com/JeanBurgess" target="_blank">jeanburgess</a>), pesquisadora da Universidade de Queensland e coautora do livro, estará no Brasil para participar do <a href="http://culturadigital.br/blog/2009/11/09/programacao-do-seminario-internacional-do-forum-da-cultura-digital/" target="_blank">Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital</a>, que acontecerá entres os dias 18 e 21 de novembro, na cidade de São Paulo.</p>
<p>Entre outros convidados, participarão do evento &#8211; David Sasaki, da organização <a href="http://rising.globalvoicesonline.org/" target="_blank">Global Voices Online</a>, e Jaime King, diretor de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=z8PVOPhY7AQ" target="_blank">Steal This Film</a> (Roube este filme), documentário sobre o impacto da tecnologia p2p no compartilhamento de arquivos na Suécia.</p>
<p>Detalhes e inscrições para o seminário estão <a href="http://culturadigital.br/blog/2009/11/09/programacao-do-seminario-internacional-do-forum-da-cultura-digital/" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>iPhone + livro = PhoneBook</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/09/iphone-livro-phonebook/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 16:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É apenas um conceito, mas não deixa de ser interessante.
Mistura de tecnologia análoga com digital. Ideia de designers japoneses.

via @nickbilton
Veja também:
 Culpa da internet: venda de livros está aumentando
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É apenas um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=GnZTul_9fWc" target="_blank">conceito</a>, mas não deixa de ser interessante.</p>
<p>Mistura de tecnologia análoga com digital. Ideia de<a href="http://www.mobileart.jp/phonebook.html" target="_blank"> designers japoneses</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GnZTul_9fWc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="400" src="http://www.youtube.com/v/GnZTul_9fWc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>via <a href="http://twitter.com/nickbilton/status/5562525194" target="_blank">@nickbilton</a></em></p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/06/02/culpa-da-internet-vendas-de-livros-estao-aumentando/" target="_blank"> Culpa da internet: venda de livros está aumentando</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O que o YouTube está matando</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/02/o-que-o-youtube-esta-matando/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 21:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Lembro que duas coisas chamaram a minha atenção quando acessei pela primeira vez o YouTube, lá em meados de 2005. O fato dos vídeos &#8220;rodarem&#8221; no Firefox (&#8221;Finalmente um site de vídeos que abre no Firefox&#8221;, pensei na época) e a questão de poder embutir o vídeo em um post do blog.
Na época, quando noticiei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/garota_youtube.jpg"><img title="Broadcast Yourself!" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/garota_youtube.jpg" alt="garota_youtube" width="640" height="424" /></a></p>
<p>Lembro que duas coisas chamaram a minha atenção quando acessei pela primeira vez o <a href="http://www.youtube.com" target="_blank">YouTube</a>, lá em meados de 2005. O fato dos vídeos &#8220;rodarem&#8221; no <a href="http://br.mozdev.org/" target="_blank">Firefox</a> (&#8221;Finalmente um site de vídeos que abre no Firefox&#8221;, pensei na época) e a questão de poder embutir o vídeo em um post do blog.</p>
<p>Na época, quando noticiei no <a href="http://tiagodoria.blogspot.com/" target="_blank">blog</a>, defini o <a href="http://www.youtube.com" target="_blank">YouTube</a> como &#8220;uma espécie de <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a> dos vídeos&#8221;.</p>
<p>A primeira característica nem tanto, mas a segunda, poder embutir os vídeos, ainda é vista como um dos principais motivos do sucesso do YouTube. A capacidade de você poder incorporar em um post um vídeo do YouTube apenas copiando e colando um código HTML (código embed).</p>
<p>Na época, o artifício foi visto como uma simples &#8220;firula&#8221; ou &#8220;diferencial&#8221; de um novo site de vídeos feito por nerds, mas já revelava a futura estratégia de negócios do YouTube, de criar valor em torno da circulação e não do controle de informações, o que ia contra o modelo tradicionalmente adotado pelas plataformas de mídia. O &#8220;<a href="http://www.google.com/support/youtube/bin/answer.py?hl=br&amp;answer=69781" target="_blank">código embed</a>&#8221; também abriu caminho para que os vídeos do YouTube fossem inseridos em diferentes mercados culturais.</p>
<p>De 2005 até hoje, o YouTube cresceu e mudou. Deixou de ser ferramenta de nicho. Foi <a href="http://www.youtube.com/watch?v=QCVxQ_3Ejkg" target="_blank">comprado pela Google em 2006</a> por US$ 1,65 bilhão. Ficou no meio termo entre ser amigo ou inimigo dos grandes estúdios. Virou palco da guerra dos direitos autorais, plataforma para lançamento de campanhas publicitárias virais, além de arquivo acidental cultural de uma época.</p>
<p>E agora faz parte da cultura popular. Não há quase como negar.</p>
<p><img class="alignnone" title="Vídeos do YouTube em qualquer lugar" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/youtubecaminhao.jpg" alt="" width="640" height="434" /></p>
<p>Nesses 4 anos, dois rótulos não escapam.</p>
<p>O primeiro deles. É um &#8220;metanegócio&#8221; (termo criado pelo tecnólogo <a href="http://www.hyperorg.com/blogger/" target="_blank">David Weinberger</a>), negócio que aumenta o valor da informação produzida em outro lugar. O segundo, é um exemplo de convergência entre as chamadas novas e velhas mídias. Ao mesmo tempo que abriga novos atores, dá visibilidade ao material e às referências vindas da televisão.</p>
<p>E é nessa convergência de mídias que surgem os conflitos em relação a direitos autorais e usos do YouTube. Um dos desafios atuais mais evidentes da <a href="http://www.youtube.com/t/about" target="_blank">YouTube Inc</a>, empresa que gerencia o YouTube, é lidar com as demandas simultâneas dos vários públicos que utilizam o site.</p>
<p>Neste cenário, surgem questões. O YouTube está no mercado de plataformas de mídia ou de redes sociais? Seu papel é criar relacionamentos ou meramente ser uma plataforma de distribuição?</p>
<p>Em geral, ainda influenciadas pela cultura da radiodifusão, empresas tradicionais de mídia veem o YouTube mais como uma tradicional plataforma de mídia. Mais como um canal para escoarem o seu conteúdo e servir de isca para atrair público para outros lugares.</p>
<p>Neste sentido, se preocupam mais com o número de visualizações do que com as conversas que surgem nos comentários do YouTube.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtube_livro01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19234" title="Fundadores comentam compra do YouTube pela Google" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtube_livro01.jpg" alt="youtube_livro01" width="640" height="384" /></a></p>
<p>O mesmo acontece com o <a href="http://www.twitter.com" target="_blank">Twitter</a>. Muitas vezes, empresas de mídia com uma abordagem mais tradicional somente se interessam pelo Twitter quando percebem que ele pode ser uma fonte de tráfego e de visibilidade para o seu conteúdo.</p>
<p>Preocupam-se mais em ser &#8220;retuitados&#8221; do que criar relacionamentos. O que também é válido. Mas apenas enxergar esse &#8220;caráter promocional&#8221; do YouTube e do Twitter, de dar mais visibilidade a um conteúdo, é aproveitar apenas 30% do potencial dessas ferramentas.</p>
<p>O livro <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital </a>(240 páginas/Aleph Editora), de<a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/autores/jean-burgess" target="_blank"> Jean Burgess</a> (Universidade de Queensland) e <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/autores/joshua-green" target="_blank">Joshua Green</a> (MIT), recém-lançado no Brasil, mostra que grande parte do potencial do YouTube está na capacidade de criar relacionamentos e incentivar a criatividade popular.</p>
<p>É o segundo livro a respeito do site de vídeos que surge de um trabalho acadêmico. O primeiro foi &#8220;<a href="http://www.amazon.com/Television-Will-be-Revolutionized/dp/0814752209/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1257191607&amp;sr=8-1" target="_blank">A televisão será revolucionada</a>&#8220;, de Amanda Lotz, lançado em 2007.</p>
<p>Além disso, <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a> é um dos primeiros trabalhos dedicados a analisar o YouTube não como uma plataforma de distribuição, mas sim de relacionamentos. Ou seja, vê mais o seu caráter de rede social. Revela, por exemplo, que os usuários do YouTube expandem a sua interação para outros sites, como o <a href="http://www.stickam.com/" target="_blank">Stickam</a>, que permite fazer transmissões ao vivo de vídeo.</p>
<p>Ademais, não ficam presos a restrições tecnológicas e à arquitetura do site. Se o YouTube não tem determinado recurso, eles tratam de utilizar aplicativos e sites que complementam os recursos padrões do YouTube. Qualquer semelhança com o usuário do Twitter, que geralmente utiliza diversos <a href="http://twitter.com/downloads" target="_blank">aplicativos satélites</a> criados em torno do serviço de microblogging, não é mera coincidência.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/paris_hilton_011.jpg"><img class="size-full wp-image-19242 alignleft" title="Paris Hilton" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/paris_hilton_011.jpg" alt="paris_hilton_01" width="260" height="372" /></a>Sobre o futuro do YouTube? Segundo os pesquisadores, a sustentabilidade será um dos principais desafios do site de vídeos nos próximos anos. Da mesma forma que o Twitter,  a entrada de celebridades afetou a sustentabilidade do YouTube.</p>
<p>A aparição de <a href="http://www.youtube.com/user/OPRAH" target="_blank">Oprah</a> e de <a href="http://www.youtube.com/user/ParisHilton" target="_blank">Paris Hilton</a>, que passaram a ter canais exclusivos no site de vídeos, mudou o relacionamento da comunidade de usuários com a YouTube Inc.</p>
<p>Afinal, a <a href="http://www.youtube.com/t/about" target="_blank">YouTube Inc</a> trabalha para o conteúdo amador, o Broadcast Yourself, lema do site, ou para atender às exigências das &#8220;grandes emissoras de TV e dos estúdios&#8221;? Ela conseguirá manter no YouTube ao mesmo tempo as abordagens &#8220;bottom-up&#8221; e &#8220;up-bottom&#8221;?</p>
<p><a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a> foi escrito em um tom de texto mais acadêmico, o que pode tornar a leitura não muito fluída para quem não está acostumado ou não gosta deste tipo de texto. E na edição brasileira, o link fornecido para conferir o &#8220;<a href="http://www.culturadaconvergencia.com.br/youtubeearevolucao" target="_blank">material exclusivo</a>&#8221; em relação ao livro não funciona.</p>
<p>Porém, para mim, o mais interessante da leitura do livro de Burgess e Green é vê-la em um contexto maior. Neste sentido, não é um livro sobre o YouTube, a &#8220;cultura participativa&#8221; e os seus usuários, mas sobre como o nosso modo de consumir conteúdo mudou.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtuberev_capa012.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-19244" title="Youtube e a revolução digital - capa" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtuberev_capa012.jpg" alt="youtuberev_capa01" width="260" height="373" /></a>Somos consumidores de mídia mais ativos. Não no sentido político ou ativista. Mas de não aceitar somente a narrativa baseada no &#8220;dito e feito&#8221;. Nisso, Burgess e Green lembram que participar do YouTube não é apenas criar conteúdo original, fazer upload de material novo, mas a atitude de colocar um vídeo nos favoritos ou assinar um determinado canal do YouTube é também um ato de participação. São formas de expressão.</p>
<p>Para exemplificar, é citado o caso do discurso do primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, com um <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u371825.shtml" target="_blank">pedido histórico de desculpas</a> aos povos nativos da Austrália, feito em fevereiro de 2008.</p>
<p>No YouTube, ao lado do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SzodDAaPdJw&amp;feature=related" target="_blank">vídeo com o discurso de Rudd</a>, há vários outros, que destacam apenas os trechos mais importantes, algumas paródias, outros que relacionam o pedido a músicas. E mais alguns em que usuários discursam em frente a webcam afirmando se são a favor ou contra o pedido.</p>
<p>Em suma, ao lado do vídeo do pedido de desculpas, vários &#8220;remixes&#8221; em torno do conteúdo original. No caso, assistir à transmissão do pedido foi apenas o início da experiência com o conteúdo, com a notícia. O consumo deixou de ser apenas o ponto de chegada. É o início da experiência.</p>
<p>Ou seja, a questão não é somente sobre contestar as antigas regras de direitos autorais, pois, a longo prazo, o que o Youtube está ajudando mesmo a matar é a narrativa baseada no &#8220;dito e feito&#8221;.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/08/22/linha-do-tempo-mostra-historico-dos-videos-no-youtube/" target="_blank"> Linha do tempo mostra histórico dos vídeos no YouTube</a></p>
<p><em>Crédito das fotos:(1) <a href="http://www.flickr.com/photos/wizetux/3131651307/sizes/o/" target="_blank">WizeTux</a>, (2) <a href="http://www.flickr.com/photos/markroquet/3047628132/" target="_blank">Mark Roquet</a>, (3) reprodução, (4 e 5) divulgação<a href="http://www.flickr.com/photos/markroquet/3047628132/" target="_blank"><br />
</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/02/o-que-o-youtube-esta-matando/feed/</wfw:commentRss>
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		<item>
		<title>Dois livros sobre duas grandes recentes empresas</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/30/dois-livros-sobre-duas-grandes-recentes-empresas/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 13:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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O primeiro deles é A Magia da Pixar, de David Price. O livro foi lançado no começo deste ano lá fora e conta a história de criação da Pixar, responsável pelo premiado ToyStory e o recente filme/animação UP. A Pixar é mais ou menos como a Disney da geração atual (não é à toa que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/pixarlivro.jpg"><img class="size-full wp-image-19120 aligncenter" title="pixarlivro" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/pixarlivro.jpg" alt="pixarlivro" width="180" height="259" /></a></p>
<p>O primeiro deles é <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2937123&amp;sid=896219753111027788456066332&amp;k5=1BC62AC3&amp;uid=" target="_blank">A Magia da Pixar</a>, de David Price. O livro foi lançado no começo deste ano lá fora e conta a história de criação da <a href="http://www.pixar.com/" target="_blank">Pixar</a>, responsável pelo premiado ToyStory e o recente filme/animação UP. A Pixar é mais ou menos como a Disney da geração atual (não é à toa que a Disney comprou a Pixar em 2006). Lá fora, o livro repercutiu por mostrar também os fracassos da empresa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2009/10/youtubelivro.jpg"><img class="aligncenter" title="youtubelivro" src="../wp-content/uploads/2009/10/youtubelivro.jpg" alt="youtubelivro" width="180" height="271" /></a></p>
<p>O segundo é <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a>, de Joshua Green e Jean Burgess, pesquisador do MIT e da Universidade de Queensland, respectivamente.</p>
<p>Além de contar um pouco a história da fundação do YouTube (há um capítulo escrito por <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/07/frase-da-semana-61/" target="_blank">Henry Jenkins</a>), a partir da análise de mais de 4.000 vídeos do site, os pesquisadores tentam descobrir padrões de uso do YouTube. Partem da premissa de que existe uma &#8220;cultura própria&#8221; em torno do site.</p>
<p>Em breve, com mais calma, comento sobre as duas obras na <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/category/livros/" target="_blank">seção de livros</a> do blog.</p>
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		</item>
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		<title>Tecnologias para curar a escassez de atenção na mídia impressa</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 00:16:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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A mídia impressa talvez seja hoje um dos sacos de pancadas preferidos de pensadores que tentam vender as chamadas novas mídias como a &#8220;terra prometida&#8220;. Com a vinda do Kindle, então, o discurso contra a mídia impressa ficou mais carregado.
Muitas vezes, esse discurso não vai muito além de um futurismo exacerbado, de análises apressadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/bancaderevista01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18416" title="Banca de revista" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/bancaderevista01.jpg" alt="Banca de revista" width="640" height="480" /></a></p>
<p>A mídia impressa talvez seja hoje um dos sacos de pancadas preferidos de pensadores que tentam vender as chamadas novas mídias como a &#8220;<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">terra prometida</a>&#8220;. Com a vinda do <a href="http://www.amazon.com/Kindle-Amazons-Original-Wireless-generation/dp/B000FI73MA" target="_blank">Kindle</a>, então, o discurso contra a mídia impressa ficou mais carregado.</p>
<p>Muitas vezes, esse discurso não vai muito além de um futurismo exacerbado, de análises apressadas e de uma visão que não vê as mídias e a comunicação como processos integrados.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/kindle_011.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18425" style="border: 0pt none;" title="kindle_01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/kindle_011.jpg" alt="kindle_01" width="150" height="225" /></a>Na realidade, o cenário é de mídias convivendo lado a lado. O que existe são intensidades de usos diferentes para as mídias. E o mais importante de tudo, há um ambiente hipercompetitivo &#8211; com o crescimento das tecnologias de publicação e edição de conteúdo e da banda larga, o ambiente de mídia ficou mais competitivo. Existe uma abundância grande de conteúdo e informações, o que faz gerar uma escassez de atenção.</p>
<p>Portanto, a grande questão passa a ser não se a mídia impressa vai morrer, mas como ela vem buscando alternativas para se manter atrativa perante as outras opções. Como a mídia impressa reage a esse cenário hipercompetitivo.</p>
<p>Mesmo desafio pelo qual a televisão e até os blogs vêm passando, ou seja, como conquistar a atenção. Destacar-se perante tantas opções.</p>
<p>No caso da mídia impressa, essa busca por mais atratividade envolve a absorção de novas tecnologias de impressão e a união entre comunicação verbal e não-verbal, além, claro, da noção de que a mídia impressa não detém mais o monopólio da atenção.</p>
<p>Parte dessa busca está condensada no livro &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/index.html" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, de Sergio Picciarelli Junior, da editora Abril e <a href="http://www.eca.usp.br/comunicacaoetrabalho/" target="_blank">pesquisador da ECA/USP</a>, lançado no final do mês passado.</p>
<p>Picciarelli trabalha há 18 anos na <a href="http://www.abril.com.br/revistas/" target="_blank">Editora Abril</a> e, atualmente, é especialista na área de Desenvolvimento de Novos Produtos da editora. Seu livro é fruto de pesquisa aplicada. Ou seja, trabalho acadêmico visando resolver problemas e demandas reais do mercado.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_capa01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18427" style="border: 0pt none;" title="ee_capa01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_capa01.jpg" alt="ee_capa01" width="600" height="396" /></a></p>
<p>Basicamente, Picciarelli faz um passeio por todas essas novas tecnologias e abordagens utilizadas pela mídia impressa para enfrentar a disputa por atenção &#8211; uso de chips de som e luz, holografia, tintas fluorescentes, removíveis, termocrômicas  (que mudam a cor de acordo com a temperatura), texturas, pop-ups, etiquetas com aromas, além de recursos que incentivam o manuseio (cordas e elásticos).</p>
<p>Tecnologias, que, por sinal, já são desenvolvidas há 10 anos por gráficas que vêm investindo em seus parques tecnológicos.</p>
<p>O nome &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8221; vem do fato de que essas tecnologias são utilizadas, em sua maioria, em encartes publicitários inseridos em revistas. É aquele anúncio de desodorante que vem com uma etiqueta, que, quando você puxa, solta um aroma. Ou ainda, aquele anúncio de carro em que você é convidado a desarmar a dobra de uma página.</p>
<p>Ou mais ainda, aquela página que, quando você vira, ela emite um som, resultado da utilização de um chip de áudio embutido.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_empastado1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18430" style="border: 0pt none;" title="ee_empastado" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_empastado1.jpg" alt="ee_empastado" width="640" height="538" /></a></p>
<p>O livro é repleto (cerca de 50) de estudos de casos nacionais de uso dessas tecnologias e abordagens (interativas). São diversas técnicas e abordagens feitas para chamar a atenção do leitor e melhorar a mensagem de um anúncio.</p>
<p>Além do desafio da escassez de atenção, o livro de Picciarelli aborda a questão da união da comunicação verbal e não-verbal, sobre o estímulo aos vários sentidos, ir além da racionalidade e das barreiras idiomáticas do texto. A mídia impressa é a única em que podemos mexer com os 5 sentidos.</p>
<p>Tudo isso é mostrado com o apoio de teorias. Pensadores do chamado Colégio Invisível, por exemplo, que observam a comunicação como um processo integrado, são citados diversas vezes para reforçar os exemplos mostrados. Não é apenas um livro técnico.</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, a qualidade mais evidente é a minuciosa edição e encardenação. O livro ficou um tempo na minha mesa em meu home-office. Era o que mais chamava a atenção. Todo mundo que passava o folheava. A capa tem letras prateadas e é macia. Chama a atenção. Ou seja, o próprio livro de Picciarelli é um exemplo do que ele comenta na obra.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_aroma.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18437" style="border: 0pt none;" title="ee_aroma" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_aroma.jpg" alt="ee_aroma" width="640" height="451" /></a></p>
<p>Não é apenas para ler, não é somente comunicação escrita ou verbal, é também para manusear, cheirar, mexer. Trabalha com vários sentidos. Cerca de 20 exemplos reais com esses recursos de interatividade são mostrados, olfato (você puxa uma etiqueta em uma xícara de café e sente o cheiro da bebida), tato (você esfrega uma imagem e após algum tempo aparece outra), visão (quando você coloca a imagem contra o sol, aparecem outros detalhes).</p>
<p>Você imagina como está o livro enquanto escrevo esse post. Com cheiro de maçã, café, imagens raspadas e levemente amassado.</p>
<p>Durante a leitura/manuseio/interação de &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, algo que chamou a minha atenção é que 99% dos exemplos citados são voltados à área de publicidade, são anúncios. Apenas um exemplo é relacionado ao jornalismo.</p>
<p>Uma <a href="http://super.abril.com.br/" target="_blank">Revista Superinteressante</a> de abril de 1997, em que a capa trouxe uma aplicação de aroma de banana, que servia de isca para chamar a atenção para uma reportagem interna sobre o funcionamento do olfato e a tecnologia do &#8220;<a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=1653&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=" target="_blank">nariz artificial</a>&#8220;.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_serrilha.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18453" style="border: 0pt none;" title="ee_serrilha" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_serrilha.jpg" alt="ee_serrilha" width="640" height="420" /></a></p>
<p>Ou seja, a impressão que fica é que, ao contrário da publicidade, o jornalismo ainda não despertou para as possibilidades que essas novas tecnologias de impressão (ou não) proporcionam. Recentemente, temos visto algo ainda tímido envolvendo a tecnologia de &#8220;<a href="http://tv.estadao.com.br/videos,LINK-REALIDADE-AUMENTADA,73001,261,0.htm" target="_blank">realidade aumentada</a>&#8220;.</p>
<p>Da mesma forma que fizeram ou fazem as agências de publicidade, fiquei pensando sobre o quanto o jornalismo poderia se aproveitar dessa crescente &#8220;interatividade&#8221; da mídia impressa, de todas essas tecnologias de impressão.</p>
<p>De repente, um infográfico com texturas, o uso de um chip de som para complementar a apresentação de uma reportagem, holografia ou até o uso de aromas em alguma matéria sobre bebidas ou alimentos.</p>
<p>As possibilidades poderiam ser variadas. Abriria-se oportunidade para várias leituras em um ambiente onde a atenção é cada vez mais escassa. Enfim, seria possível aproveitar um dos mais criativos momentos da mídia impressa do ponto de vista de uso de novas tecnologias.</p>
<p>Momento em que justamente devido às novas opções, à <strong>competividade</strong> e à consequente busca por atenção, a mídia impressa se mexe para buscar <strong>novos horizontes</strong> com o leitor.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/04/06/historias-escondidas-nas-buscas/" target="_blank"> Livro aborda as &#8220;histórias escondidas nas buscas&#8221;</a></p>
<p><em>Crédito das fotos: <a href="http://www.flickr.com/photos/leslieduss/150770167/" target="_blank">Leslie</a> e <a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/index.html" target="_blank">anúncios diferenciados</a><br />
</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Estratégia de Flickr e Facebook é tema de livro</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/15/estrategia-de-flickr-e-facebook-vira-tema-de-livro/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 15:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Viral loop é o rótulo que recebe a estratégia utilizada (em algum momento ou sempre) por sites como Flickr, Facebook, Ning e que tem como efeito aumentar o número de usuários. Um usuário adquire a possibilidade e indiretamente o papel de angariar mais usuários.
Um usuário se torna dois, dois se tornam quatro, quatro se tornam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/viralooplivro01.jpg"><img class="size-full wp-image-18324 aligncenter" title="Viral Loop capa do livro" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/viralooplivro01.jpg" alt="Viral Loop capa do livro" width="250" height="379" /></a></p>
<p><a href="http://www.fastcompany.com/magazine/125/nings-infinite-ambition.html" target="_blank">Viral loop</a> é o rótulo que recebe a estratégia utilizada (em algum momento ou sempre) por sites como <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a>, <a href="http://www.facebook.com" target="_blank">Facebook</a>, <a href="http://www.ning.com" target="_blank">Ning</a> e que tem como efeito aumentar o número de usuários. Um usuário adquire a possibilidade e indiretamente o papel de angariar mais usuários.</p>
<p>Um usuário se torna dois, dois se tornam quatro, quatro se tornam oito e assim por diante. Quanto mais pessoas, mais conteúdo e mais &#8220;defensores&#8221; de sua marca ou produto. É algo autoreplicável e que garante crescimento.</p>
<p>A novidade é que saiu um livro sobre o assunto. <a href="http://www.amazon.com/Viral-Loop-Facebook-Businesses-Themselves/dp/1401323499/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1255618623&amp;sr=1-1" target="_blank">Viral Loop</a>, do jornalista <a href="http://www.penenberg.com/biography.html" target="_blank">Adam L. Penenberg</a>, colaborador das revistas Economist e Forbes.</p>
<p>E o mais interessante é que, como isca para vender o livro, a revista FastCompany está publicando trechos, não do livro, mas das entrevistas que serviram de base para a obra. A primeira delas é com <a href="http://www.fastcompany.com/blog/adam-penenberg/penenberg-post/flickr-co-founder-caterina-fake-value-viral-loops-exclusive-qa" target="_blank">Caterina Fake</a>, cofundadora do site de fotos <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a> e atualmente diretora geral do site <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/29/meus-testes-com-o-site-hunch/" target="_blank">Hunch</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Se você vai a uma festa e ninguém oferece uma bebida, você vai embora e parte para outra festa em outro lugar. Você precisa cuidar. Trabalhar como um anfitrião.  Você não precisa fazer isso sempre, mas, segundo Stewart (também fundador do Flickr), nós deveríamos deixar todos entrar. Achei que deveríamos fazer assim, logo que um usuário convidasse cinco amigos, ofereceríamos 3 meses grátis (de Flickr)&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/02/26/comunidades-sao-como-festas-e-softwares-como-musica/" target="_blank"> Comunidades são como festas e softwares são iguais a músicas</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Murdoch para leigos</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/12/murdoch-para-leigos/</link>
		<comments>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/12/murdoch-para-leigos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 01:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
“Eu sou Rupert Murdoch, o tirano bilionário”, com essa frase Rupert Murdoch abriu a sua participação no desenho Simpsons, galinha dos ovos de ouro da sua emissora, a Fox. A frase foi proferida pelo próprio Murdoch. E até hoje, Matt Groening, criador do Simpsons, não entende como um cara considerado tão retrógrado como Murdoch tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/murdoch01.jpg"><img class="size-full wp-image-2498 aligncenter" title="Rupert Murdoch" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/murdoch01.jpg" alt="Rupert Murdoch" width="300" height="450" /></a></p>
<p>“Eu sou Rupert Murdoch, o tirano bilionário”, com essa frase <a href="http://www.answers.com/rupert%20murdoch" target="_blank">Rupert Murdoch</a> abriu a sua participação no desenho Simpsons, galinha dos ovos de ouro da sua emissora, a Fox. A frase foi proferida pelo próprio Murdoch. E até hoje, <a href="http://www.thesimpsons.com/bios/bios_creators_index.htm" target="_blank">Matt Groening</a>, criador do Simpsons, não entende como um cara considerado tão retrógrado como Murdoch tem o controle supremo sobre o desenho.</p>
<p>Anti-intelectual e &#8220;outsider&#8221; são duas características que, a meu ver, melhor ajudam a entender Rupert Murdoch. Servem inclusive para justificar as suas ações tomadas durante os bastidores da compra da <a href="http://www.dowjones.com/" target="_blank">Dow Jones</a>, empresa que administra o <a href="http://www.wsj.com" target="_blank">Wall Street Journal</a>, e é o eixo central do livro &#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8220;, de <a href="http://www.newser.com/about/michael-wolff.html" target="_blank">Michael Wolff</a>, colunista da <a href="http://www.vanityfair.com/" target="_blank">Vanity Fair</a>, e que ganhou uma versão traduzida no Brasil.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochsimpsons01.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18188" title="Murdoch nos Simpsons" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochsimpsons01.jpg" alt="Murdoch nos Simpsons" width="210" height="249" /></a>A <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070801_murdochdowjones_ac.shtml" target="_blank">compra da Dow Jones</a> em 2007 foi uma das ações mais &#8216;murdochianas&#8221; de toda a História. Mistura de fofocas, uso da rede de contatos ao máximo, um pouco de cinismo, além de altas doses da falta crônica de paciência de Murdoch.</p>
<p>Ao lado de <a href="http://veja.abril.com.br/070404/p_106.html" target="_blank">Donald Trump</a> e <a href="http://www.tedturner.com/enterprises/home.asp" target="_blank">Ted Turner</a> (CNN),  Murdoch é resultado direto dos anos 80. É o típico empresário de mídia resultante daquela época, meio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wayne" target="_blank">John Wayne</a> (pé no chão, faz tudo sozinho, machão, anti-intelectual). É o contrário de empresários como Bill Gates, Sergey Brin e Larry Page, entre outros, que viriam com o crescimento do Vale do Silício.</p>
<p>A história de Murdoch começa nos anos 50, ainda na Austrália, sua terra natal, quando dá seguimento ao negócio de seu pai, que, claro, é  jornal. Contudo, o grande momento climático de Murdoch se dá entre 1980 e 1990, quando começa a construção de seu feudo. Feudo mesmo, pois, segundo Murdoch, jornalismo em geral é algo em si feudal. É herdar a propriedade e todos seus trabalhadores. Jornais têm a ver com uso de autoridade. Não têm segredo. Não podem ser modestos.</p>
<p>O caráter &#8220;pé no chão&#8221;, não visionário, se reflete em vários momentos de sua carreira. Ao lado de<a href="http://www.nytimes.com/1992/12/21/obituaries/the-creator-of-time-warner-steven-j-ross-is-dead-at-65.html?sec=&amp;spon=&amp;pagewanted=4" target="_blank"> Steve Ross</a>, da Time Warner, foi ele quem colocou em prática o conceito de mídia global e multiplataforma, ao misturar debaixo do mesmo chapéu impresso, TVs, internet, mas não fez isso por uma questão de visão, mas sim por  puro pragmatismo, pela necessidade de fluxo constante de  caixa.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/newyorkpost.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-18216" title="Capa do New York Post" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/newyorkpost.jpg" alt="newyorkpost" width="220" height="279" /></a>É pelo fato de ser um australiano em Londres que nasce o seu caráter &#8220;outsider&#8221; nos anos 60. O forasteiro que tenta ser aceito e enfrenta as dificuldades para ser levado a sério por uma elite local (e esnobe, na sua visão).</p>
<p>Segundo Wolff, é a partir dessa dificuldade de ser aceito, revestida de rejeição que a manutenção dos tabloides foi a sua marca de provocar todo dia esse establishment britânico. &#8220;Provoque o establishment e ele lhe dará ouvidos&#8221;.</p>
<p>O mesmo acontece quando parte para os EUA nos 70. O seu habitat natural, portanto, torna-se ficar do lado de fora. Isso justifica, em parte, por que a imprensa nos EUA trata Murdoch quase sempre de forma negativa, como um lobo mau. Murdoch não gosta da imprensa americana. Acha que ela é  intelectual demais, fria, objetiva, fechada, uma panelinha. No final das contas, Murdoch não gosta deles e nem eles gostam dele.</p>
<p>&#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8221; é um livro detalhista, pede uma leitura atenta em alguns momentos, devido à quantidade de nomes e datas que Wolff cita. O colunista levou um ano para concluir o livro. Somente com Murdoch consumiu mais de 50 horas de entrevistas.</p>
<p>A meu ver, a partir do livro dá até para montar um &#8220;Dicionário de Murdoch&#8221;. No vocabulário do magnata, por exemplo, tabloide significa urgência, eficiência, compressão e emoção. Ou seja, está muito longe da conotação americana, que associa o termo a notícias falsas e fofocas de celebridades.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/donodamidia_capa1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18192" title="O Dono da Mídia (capa)" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/donodamidia_capa1.jpg" alt="donodamidia_capa" width="210" height="304" /></a>Pela leitura do livro, passei a entender melhor as declarações públicas de Murdoch. É, antes de tudo, um instrumento para irritar um grupo de pessoas, a tal &#8220;elite intelectual&#8221; que tanto o excluiu ou ainda o exclui. Não é à toa que, até hoje, Murdoch não se sente à vontade em eventos badalados e mais pensantes, como o Fórum Econômico Mundial.</p>
<p>Ao longo dos anos, Murdoch acabou se assumindo como o anti-intelectual do jornalismo. Ele não gosta de &#8220;teóricos&#8221;, pois  a maioria faz parte desse establishment que tanto o rejeitou.</p>
<p>Para ele, jornalismo é  algo direto e cru. Não tem muito o que teorizar (o jornalista ideal para Murdoch é <a href="http://mobile.gothamist.com/2003/05/30/steve_dunleavy_our_kind_of_drunk.php" target="_blank">Steve Dunleavy</a>, ex-colunista do tabloide <a href="http://www.nypost.com/" target="_blank">New York Post</a>, que durante 55 anos dividiu sua vida entre o jornal e o bar. Era um &#8220;operário da informação&#8221; antes de tudo).</p>
<p>Se a &#8220;intelligentsia do jornalismo&#8221; acha que os jornais devem derrubar o paredão de conteúdo pago, Murdoch afirma que vai começar a cobrar pelo acesso aos sites de seus jornais. Se acredita que as chamadas &#8220;velhas mídias&#8221; não abriram os olhos para as &#8220;novas mídias&#8221;, ele vai e compra a <a href="http://www.myspace.com" target="_blank">MySpace</a>. Se acha que o Google é mais amigo do que inimigo, ele afirma que a <a href="http://blog.newsweek.com/blogs/techtonicshifts/archive/2009/10/09/rupert-murdoch-says-google-is-stealing-his-content-so-why-doesn-t-he-stop-them.aspx" target="_blank">empresa de busca rouba conteúdo</a> de seus jornais.</p>
<p>Em suma, suas declarações não deixam de ser um recado para o mercado, mas são mais para marcar território, fazer contraponto, ser o que ele sempre foi, o cara de fora, além de brincar com os brios da &#8220;intelligentsia do jornalismo&#8221;, que, a cada declaração de Murdoch, logo corre para os seus perfis no Twitter e blogs para escrever mensagens e textos inflamados contra a sua pessoa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochwendi012.jpg"><img class="size-full wp-image-18198 aligncenter" title="Murdoch e Wendi" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochwendi012.jpg" alt="murdochwendi01" width="550" height="390" /></a></p>
<p>Quem espera uma biografia completa de Murdoch, o livro de Wolff é um pouco decepcionante. &#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8221; é, antes de tudo, sobre o Murdoch homem de negócios. A sua vida familiar é citada diversas vezes, contudo mais para justificar e explicar decisões tomadas em sua vida profissional.</p>
<p>Em 1999, por exemplo, o casamento com a sua terceira esposa, a chinesa <a href="http://online.wsj.com/article/SB973040597961471219.html" target="_blank">Wendi Deng</a> (foto acima), 40 anos mais nova, fez aumentar o seu interesse por investir na China. Tanto que Wendi foi convidada a gerenciar a filial da <a href="http://www.myspace.com" target="_blank">MySpace</a> em território chinês.</p>
<p>Por isso que, para mim, o livro, às vezes, não é tanto sobre Murdoch, mas sobre uma época em que os jornais finalmente passaram a ser vistos como negócio por Wall Street.</p>
<p>É também sobre um estilo de gerenciar e criar grandes impérios de mídia, no qual uma aquisição abre caminho para fazer outra aquisição maior, em que o lema da indústria é &#8221; faça um negócio, qualquer negócio&#8221;. E, acima de tudo, no qual jornalista é apenas um &#8220;operário da informação&#8221; e ponto final.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/07/10/como-sao-os-melhores-jornais-do-mundo/" target="_blank"> Como são os melhores jornais do mundo</a></p>
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		<title>Eles estão cada vez mais desconectados</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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Quando eu participei do encontro Palavra na Tela, promovido pelo Digestivo Cultural, em junho deste ano, falei que as pessoas, pelo menos as que estão há mais tempo dentro dessa dinâmica da internet, estão aprendendo a equilibrar melhor as coisas.
Não ficam tanto tempo conectadas no Twitter, não caem tanto no fetiche da velocidade da comunicação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/unplug.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18118" title="Desconectado" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/unplug.jpg" alt="Desconectado" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Quando eu participei do encontro <a href="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=2386" target="_blank">Palavra na Tela</a>, promovido pelo <a href="http://www.digestivocultural.com.br/" target="_blank">Digestivo Cultural</a>, em junho deste ano, falei que as pessoas, pelo menos as que estão há mais tempo dentro dessa dinâmica da internet, estão aprendendo a equilibrar melhor as coisas.</p>
<p>Não ficam tanto tempo conectadas no Twitter, não caem tanto no fetiche da velocidade da comunicação, têm uma presença digital importante, porém mais discreta e equilibrada.</p>
<p>Apesar dessa diferença estar tênue, as pessoas estão sabendo equilibrar melhor o tempo entre o que se convencionou chamar de &#8220;vida online&#8221; e de &#8220;vida offilne&#8221;. Fiz essa afirmação sem qualquer base científica, mais na observação das pessoas próximas, conforme comentei na época.</p>
<p>Lembrei disso ao ler o <a href="http://www.huffingtonpost.com/jose-antonio-vargas/how-we-unplug_b_310594.html" target="_blank">texto</a> desta semana de <a href="http://twitter.com/Joseiswriting" target="_blank">Jose Antonio Vargas</a>, editor do <a href="http://www.huffingtonpost.com/technology/" target="_blank">Huffington Post Tech</a> (para mim, atualmente a melhor editoria de tecnologia, voltada mais para análise e não tanto gadgets).</p>
<p>Vargas começa o texto afirmando que nós devemos nos desconectar. Nada de Twitter, checar emails no celular a cada 10 minutos ou atualizar o perfil do Facebook a toda hora. Nesse contexto, o jornalista perguntou a pessoas conhecidas na área de web como elas fazem para se desconectar.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cellphonegirl10.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18124" title="Celular" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cellphonegirl10.jpg" alt="Celular" width="280" height="175" /></a>Todas têm o seu momento em que ficam desligadas da &#8220;vida digital&#8221;.<a href="http://twitter.com/biz" target="_blank"> Biz Stone</a>, cofundador do Twitter, por exemplo, aproveita para correr, pintar e ajudar a esposa. <a href="http://twitter.com/PeterRojas" target="_blank">Peter Rojas</a>, criador do blog Engadget, por sua vez, fica com o filho e cozinha um pouco. A maioria vai ler um  livro.</p>
<p>Esse texto serve de fundo para <a href="http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/announcing-my-first-pick-_b_310544.html" target="_blank">outro</a>, escrito por Arianna Huffington na estréia do <a href="http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/announcing-my-first-pick-_b_310544.html" target="_blank">HuffPostClub</a>, espécie de clube de leituras do <a href="http://www.huffingtonpost.com" target="_blank">Huffington Post</a>. Logo de início, na estréia, ela recomenda a leitura de <a href="http://www.amazon.com/Praise-Slowness-Challenging-Cult-Speed/dp/0060750510/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1255094784&amp;sr=8-1" target="_blank">In Praise of Slowness: Challenging the Cult of Speed</a>, livro em que o jornalista Carl Honoré faz um histórico da cultura da velocidade, sobre quando começou esse nosso fascínio pela velocidade (no Brasil, o livro tem o nome de capa de <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=823642&amp;sid=8721146321110859810880867&amp;k5=250441A1&amp;uid=" target="_blank">Devagar</a>).</p>
<p>Arianna acredita que muitos dos problemas atuais (principalmente a crise de 2008 nos mercados), em parte, podem ser resultados desse nosso fetiche pela velocidade. Contudo, o discurso não é para fazer as coisas mais lentas ou mais rápidas, mas ter uma existência mais equilibrada.</p>
<p>Em tempos de Twitter quase monopolizando a atenção, acho interessante acompanhar esse crescente movimento contra a vida “em tempo real”. Pensamento parecido ao do movimento “slow food“ e a favor de uma vida mais interpessoal e menos fascinada pela velocidade.</p>
<p>Neste mês, será lançado &#8220;<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">A Tirania do email</a>&#8220;, de John Freeman, livro que também vai nessa linha e ajudará a alimentar os argumentos dos que defendem uma vida mais equilibrada. Um tipo crescente de pensamento e reação que, hoje em dia, faz todo sentido.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank"> O fim da internet como a “Terra Prometida”</a></p>
<p><em>Crédito da foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/jjsawiuk/3983465404/in/photostream/" target="_blank">jsawki</a></em></p>
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