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	<title>Tiago Dória Weblog &#187; livros</title>
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	<description>Doses diárias de cultura web, tecnologia e mídia</description>
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		<title>O que o YouTube está matando</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 21:56:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Lembro que duas coisas chamaram a minha atenção quando acessei pela primeira vez o YouTube, lá em meados de 2005. O fato dos vídeos &#8220;rodarem&#8221; no Firefox (&#8221;Finalmente um site de vídeos que abre no Firefox&#8221;, pensei na época) e a questão de poder embutir o vídeo em um post do blog.
Na época, quando noticiei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/garota_youtube.jpg"><img title="Broadcast Yourself!" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/garota_youtube.jpg" alt="garota_youtube" width="640" height="424" /></a></p>
<p>Lembro que duas coisas chamaram a minha atenção quando acessei pela primeira vez o <a href="http://www.youtube.com" target="_blank">YouTube</a>, lá em meados de 2005. O fato dos vídeos &#8220;rodarem&#8221; no <a href="http://br.mozdev.org/" target="_blank">Firefox</a> (&#8221;Finalmente um site de vídeos que abre no Firefox&#8221;, pensei na época) e a questão de poder embutir o vídeo em um post do blog.</p>
<p>Na época, quando noticiei no <a href="http://tiagodoria.blogspot.com/" target="_blank">blog</a>, defini o <a href="http://www.youtube.com" target="_blank">YouTube</a> como &#8220;uma espécie de <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a> dos vídeos&#8221;.</p>
<p>A primeira característica nem tanto, mas a segunda, poder embutir os vídeos, ainda é vista como um dos principais motivos do sucesso do YouTube. A capacidade de você poder incorporar em um post um vídeo do YouTube apenas copiando e colando um código HTML (código embed).</p>
<p>Na época, o artifício foi visto como uma simples &#8220;firula&#8221; ou &#8220;diferencial&#8221; de um novo site de vídeos feito por nerds, mas já revelava a futura estratégia de negócios do YouTube, de criar valor em torno da circulação e não do controle de informações, o que ia contra o modelo tradicionalmente adotado pelas plataformas de mídia. O &#8220;<a href="http://www.google.com/support/youtube/bin/answer.py?hl=br&amp;answer=69781" target="_blank">código embed</a>&#8221; também abriu caminho para que os vídeos do YouTube fossem inseridos em diferentes mercados culturais.</p>
<p>De 2005 até hoje, o YouTube cresceu e mudou. Deixou de ser ferramenta de nicho. Foi <a href="http://www.youtube.com/watch?v=QCVxQ_3Ejkg" target="_blank">comprado pela Google em 2006</a> por US$ 1,65 bilhão. Ficou no meio termo entre ser amigo ou inimigo dos grandes estúdios. Virou palco da guerra dos direitos autorais, plataforma para lançamento de campanhas publicitárias virais, além de arquivo acidental cultural de uma época.</p>
<p>E agora faz parte da cultura popular. Não há quase como negar.</p>
<p><img class="alignnone" title="Vídeos do YouTube em qualquer lugar" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/youtubecaminhao.jpg" alt="" width="640" height="434" /></p>
<p>Nesses 4 anos, dois rótulos não escapam.</p>
<p>O primeiro deles. É um &#8220;metanegócio&#8221; (termo criado pelo tecnólogo <a href="http://www.hyperorg.com/blogger/" target="_blank">David Weinberger</a>), negócio que aumenta o valor da informação produzida em outro lugar. O segundo, é um exemplo de convergência entre as chamadas novas e velhas mídias. Ao mesmo tempo que abriga novos atores, dá visibilidade ao material e às referências vindas da televisão.</p>
<p>E é nessa convergência de mídias que surgem os conflitos em relação a direitos autorais e usos do YouTube. Um dos desafios atuais mais evidentes da <a href="http://www.youtube.com/t/about" target="_blank">YouTube Inc</a>, empresa que gerencia o YouTube, é lidar com as demandas simultâneas dos vários públicos que utilizam o site.</p>
<p>Neste cenário, surgem questões. O YouTube está no mercado de plataformas de mídia ou de redes sociais? Seu papel é criar relacionamentos ou meramente ser uma plataforma de distribuição?</p>
<p>Em geral, ainda influenciadas pela cultura da radiodifusão, empresas tradicionais de mídia veem o YouTube mais como uma tradicional plataforma de mídia. Mais como um canal para escoarem o seu conteúdo e servir de isca para atrair público para outros lugares.</p>
<p>Neste sentido, se preocupam mais com o número de visualizações do que com as conversas que surgem nos comentários do YouTube.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtube_livro01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19234" title="Fundadores comentam compra do YouTube pela Google" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtube_livro01.jpg" alt="youtube_livro01" width="640" height="384" /></a></p>
<p>O mesmo acontece com o <a href="http://www.twitter.com" target="_blank">Twitter</a>. Muitas vezes, empresas de mídia com uma abordagem mais tradicional somente se interessam pelo Twitter quando percebem que ele pode ser uma fonte de tráfego e de visibilidade para o seu conteúdo.</p>
<p>Preocupam-se mais em ser &#8220;retuitados&#8221; do que criar relacionamentos. O que também é válido. Mas apenas enxergar esse &#8220;caráter promocional&#8221; do YouTube e do Twitter, de dar mais visibilidade a um conteúdo, é aproveitar apenas 30% do potencial dessas ferramentas.</p>
<p>O livro <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital </a>(240 páginas/Aleph Editora), de<a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/autores/jean-burgess" target="_blank"> Jean Burgess</a> (Universidade de Queensland) e <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/autores/joshua-green" target="_blank">Joshua Green</a> (MIT), recém-lançado no Brasil, mostra que grande parte do potencial do YouTube está na capacidade de criar relacionamentos e incentivar a criatividade popular.</p>
<p>É o segundo livro a respeito do site de vídeos que surge de um trabalho acadêmico. O primeiro foi &#8220;<a href="http://www.amazon.com/Television-Will-be-Revolutionized/dp/0814752209/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1257191607&amp;sr=8-1" target="_blank">A televisão será revolucionada</a>&#8220;, de Amanda Lotz, lançado em 2007.</p>
<p>Além disso, <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a> é um dos primeiros trabalhos dedicados a analisar o YouTube não como uma plataforma de distribuição, mas sim de relacionamentos. Ou seja, vê mais o seu caráter de rede social. Revela, por exemplo, que os usuários do YouTube expandem a sua interação para outros sites, como o <a href="http://www.stickam.com/" target="_blank">Stickam</a>, que permite fazer transmissões ao vivo de vídeo.</p>
<p>Ademais, não ficam presos a restrições tecnológicas e à arquitetura do site. Se o YouTube não tem determinado recurso, eles tratam de utilizar aplicativos e sites que complementam os recursos padrões do YouTube. Qualquer semelhança com o usuário do Twitter, que geralmente utiliza diversos <a href="http://twitter.com/downloads" target="_blank">aplicativos satélites</a> criados em torno do serviço de microblogging, não é mera coincidência.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/paris_hilton_011.jpg"><img class="size-full wp-image-19242 alignleft" title="Paris Hilton" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/paris_hilton_011.jpg" alt="paris_hilton_01" width="260" height="372" /></a>Sobre o futuro do YouTube? Segundo os pesquisadores, a sustentabilidade será um dos principais desafios do site de vídeos nos próximos anos. Da mesma forma que o Twitter,  a entrada de celebridades afetou a sustentabilidade do YouTube.</p>
<p>A aparição de <a href="http://www.youtube.com/user/OPRAH" target="_blank">Oprah</a> e de <a href="http://www.youtube.com/user/ParisHilton" target="_blank">Paris Hilton</a>, que passaram a ter canais exclusivos no site de vídeos, mudou o relacionamento da comunidade de usuários com a YouTube Inc.</p>
<p>Afinal, a <a href="http://www.youtube.com/t/about" target="_blank">YouTube Inc</a> trabalha para o conteúdo amador, o Broadcast Yourself, lema do site, ou para atender às exigências das &#8220;grandes emissoras de TV e dos estúdios&#8221;? Ela conseguirá manter no YouTube ao mesmo tempo as abordagens &#8220;bottom-up&#8221; e &#8220;up-bottom&#8221;?</p>
<p><a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a> foi escrito em um tom de texto mais acadêmico, o que pode tornar a leitura não muito fluída para quem não está acostumado ou não gosta deste tipo de texto. E na edição brasileira, o link fornecido para conferir o &#8220;<a href="http://www.culturadaconvergencia.com.br/youtubeearevolucao" target="_blank">material exclusivo</a>&#8221; em relação ao livro não funciona.</p>
<p>Porém, para mim, o mais interessante da leitura do livro de Burgess e Green é vê-la em um contexto maior. Neste sentido, não é um livro sobre o YouTube, a &#8220;cultura participativa&#8221; e os seus usuários, mas sobre como o nosso modo de consumir conteúdo mudou.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtuberev_capa012.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-19244" title="Youtube e a revolução digital - capa" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/youtuberev_capa012.jpg" alt="youtuberev_capa01" width="260" height="373" /></a>Somos consumidores de mídia mais ativos. Não no sentido político ou ativista. Mas de não aceitar somente a narrativa baseada no &#8220;dito e feito&#8221;. Nisso, Burgess e Green lembram que participar do YouTube não é apenas criar conteúdo original, fazer upload de material novo, mas a atitude de colocar um vídeo nos favoritos ou assinar um determinado canal do YouTube é também um ato de participação. São formas de expressão.</p>
<p>Para exemplificar, é citado o caso do discurso do primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, com um <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u371825.shtml" target="_blank">pedido histórico de desculpas</a> aos povos nativos da Austrália, feito em fevereiro de 2008.</p>
<p>No YouTube, ao lado do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SzodDAaPdJw&amp;feature=related" target="_blank">vídeo com o discurso de Rudd</a>, há vários outros, que destacam apenas os trechos mais importantes, algumas paródias, outros que relacionam o pedido a músicas. E mais alguns em que usuários discursam em frente a webcam afirmando se são a favor ou contra o pedido.</p>
<p>Em suma, ao lado do vídeo do pedido de desculpas, vários &#8220;remixes&#8221; em torno do conteúdo original. No caso, assistir à transmissão do pedido foi apenas o início da experiência com o conteúdo, com a notícia. O consumo deixou de ser apenas o ponto de chegada. É o início da experiência.</p>
<p>Ou seja, a questão não é somente sobre contestar as antigas regras de direitos autorais, pois, a longo prazo, o que o Youtube está ajudando mesmo a matar é a narrativa baseada no &#8220;dito e feito&#8221;.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/08/22/linha-do-tempo-mostra-historico-dos-videos-no-youtube/" target="_blank"> Linha do tempo mostra histórico dos vídeos no YouTube</a></p>
<p><em>Crédito das fotos:(1) <a href="http://www.flickr.com/photos/wizetux/3131651307/sizes/o/" target="_blank">WizeTux</a>, (2) <a href="http://www.flickr.com/photos/markroquet/3047628132/" target="_blank">Mark Roquet</a>, (3) reprodução, (4 e 5) divulgação<a href="http://www.flickr.com/photos/markroquet/3047628132/" target="_blank"><br />
</a></em></p>
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		<item>
		<title>Dois livros sobre duas grandes recentes empresas</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/30/dois-livros-sobre-duas-grandes-recentes-empresas/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 13:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O primeiro deles é A Magia da Pixar, de David Price. O livro foi lançado no começo deste ano lá fora e conta a história de criação da Pixar, responsável pelo premiado ToyStory e o recente filme/animação UP. A Pixar é mais ou menos como a Disney da geração atual (não é à toa que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/pixarlivro.jpg"><img class="size-full wp-image-19120 aligncenter" title="pixarlivro" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/pixarlivro.jpg" alt="pixarlivro" width="180" height="259" /></a></p>
<p>O primeiro deles é <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2937123&amp;sid=896219753111027788456066332&amp;k5=1BC62AC3&amp;uid=" target="_blank">A Magia da Pixar</a>, de David Price. O livro foi lançado no começo deste ano lá fora e conta a história de criação da <a href="http://www.pixar.com/" target="_blank">Pixar</a>, responsável pelo premiado ToyStory e o recente filme/animação UP. A Pixar é mais ou menos como a Disney da geração atual (não é à toa que a Disney comprou a Pixar em 2006). Lá fora, o livro repercutiu por mostrar também os fracassos da empresa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2009/10/youtubelivro.jpg"><img class="aligncenter" title="youtubelivro" src="../wp-content/uploads/2009/10/youtubelivro.jpg" alt="youtubelivro" width="180" height="271" /></a></p>
<p>O segundo é <a href="http://www.editoraaleph.com.br/site/youtube-e-a-revoluc-o-digital.html?SID=3985b6af4495f6cbc57bb5343c5fd454" target="_blank">YouTube e a Revolução Digital</a>, de Joshua Green e Jean Burgess, pesquisador do MIT e da Universidade de Queensland, respectivamente.</p>
<p>Além de contar um pouco a história da fundação do YouTube (há um capítulo escrito por <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/07/frase-da-semana-61/" target="_blank">Henry Jenkins</a>), a partir da análise de mais de 4.000 vídeos do site, os pesquisadores tentam descobrir padrões de uso do YouTube. Partem da premissa de que existe uma &#8220;cultura própria&#8221; em torno do site.</p>
<p>Em breve, com mais calma, comento sobre as duas obras na <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/category/livros/" target="_blank">seção de livros</a> do blog.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Tecnologias para curar a escassez de atenção na mídia impressa</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/18/tecnologias-para-curar-a-escassez-de-atencao-na-midia-impressa/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 00:16:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
A mídia impressa talvez seja hoje um dos sacos de pancadas preferidos de pensadores que tentam vender as chamadas novas mídias como a &#8220;terra prometida&#8220;. Com a vinda do Kindle, então, o discurso contra a mídia impressa ficou mais carregado.
Muitas vezes, esse discurso não vai muito além de um futurismo exacerbado, de análises apressadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/bancaderevista01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18416" title="Banca de revista" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/bancaderevista01.jpg" alt="Banca de revista" width="640" height="480" /></a></p>
<p>A mídia impressa talvez seja hoje um dos sacos de pancadas preferidos de pensadores que tentam vender as chamadas novas mídias como a &#8220;<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">terra prometida</a>&#8220;. Com a vinda do <a href="http://www.amazon.com/Kindle-Amazons-Original-Wireless-generation/dp/B000FI73MA" target="_blank">Kindle</a>, então, o discurso contra a mídia impressa ficou mais carregado.</p>
<p>Muitas vezes, esse discurso não vai muito além de um futurismo exacerbado, de análises apressadas e de uma visão que não vê as mídias e a comunicação como processos integrados.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/kindle_011.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18425" style="border: 0pt none;" title="kindle_01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/kindle_011.jpg" alt="kindle_01" width="150" height="225" /></a>Na realidade, o cenário é de mídias convivendo lado a lado. O que existe são intensidades de usos diferentes para as mídias. E o mais importante de tudo, há um ambiente hipercompetitivo &#8211; com o crescimento das tecnologias de publicação e edição de conteúdo e da banda larga, o ambiente de mídia ficou mais competitivo. Existe uma abundância grande de conteúdo e informações, o que faz gerar uma escassez de atenção.</p>
<p>Portanto, a grande questão passa a ser não se a mídia impressa vai morrer, mas como ela vem buscando alternativas para se manter atrativa perante as outras opções. Como a mídia impressa reage a esse cenário hipercompetitivo.</p>
<p>Mesmo desafio pelo qual a televisão e até os blogs vêm passando, ou seja, como conquistar a atenção. Destacar-se perante tantas opções.</p>
<p>No caso da mídia impressa, essa busca por mais atratividade envolve a absorção de novas tecnologias de impressão e a união entre comunicação verbal e não-verbal, além, claro, da noção de que a mídia impressa não detém mais o monopólio da atenção.</p>
<p>Parte dessa busca está condensada no livro &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/index.html" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, de Sergio Picciarelli Junior, da editora Abril e <a href="http://www.eca.usp.br/comunicacaoetrabalho/" target="_blank">pesquisador da ECA/USP</a>, lançado no final do mês passado.</p>
<p>Picciarelli trabalha há 18 anos na <a href="http://www.abril.com.br/revistas/" target="_blank">Editora Abril</a> e, atualmente, é especialista na área de Desenvolvimento de Novos Produtos da editora. Seu livro é fruto de pesquisa aplicada. Ou seja, trabalho acadêmico visando resolver problemas e demandas reais do mercado.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_capa01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18427" style="border: 0pt none;" title="ee_capa01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_capa01.jpg" alt="ee_capa01" width="600" height="396" /></a></p>
<p>Basicamente, Picciarelli faz um passeio por todas essas novas tecnologias e abordagens utilizadas pela mídia impressa para enfrentar a disputa por atenção &#8211; uso de chips de som e luz, holografia, tintas fluorescentes, removíveis, termocrômicas  (que mudam a cor de acordo com a temperatura), texturas, pop-ups, etiquetas com aromas, além de recursos que incentivam o manuseio (cordas e elásticos).</p>
<p>Tecnologias, que, por sinal, já são desenvolvidas há 10 anos por gráficas que vêm investindo em seus parques tecnológicos.</p>
<p>O nome &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8221; vem do fato de que essas tecnologias são utilizadas, em sua maioria, em encartes publicitários inseridos em revistas. É aquele anúncio de desodorante que vem com uma etiqueta, que, quando você puxa, solta um aroma. Ou ainda, aquele anúncio de carro em que você é convidado a desarmar a dobra de uma página.</p>
<p>Ou mais ainda, aquela página que, quando você vira, ela emite um som, resultado da utilização de um chip de áudio embutido.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_empastado1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18430" style="border: 0pt none;" title="ee_empastado" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_empastado1.jpg" alt="ee_empastado" width="640" height="538" /></a></p>
<p>O livro é repleto (cerca de 50) de estudos de casos nacionais de uso dessas tecnologias e abordagens (interativas). São diversas técnicas e abordagens feitas para chamar a atenção do leitor e melhorar a mensagem de um anúncio.</p>
<p>Além do desafio da escassez de atenção, o livro de Picciarelli aborda a questão da união da comunicação verbal e não-verbal, sobre o estímulo aos vários sentidos, ir além da racionalidade e das barreiras idiomáticas do texto. A mídia impressa é a única em que podemos mexer com os 5 sentidos.</p>
<p>Tudo isso é mostrado com o apoio de teorias. Pensadores do chamado Colégio Invisível, por exemplo, que observam a comunicação como um processo integrado, são citados diversas vezes para reforçar os exemplos mostrados. Não é apenas um livro técnico.</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, a qualidade mais evidente é a minuciosa edição e encardenação. O livro ficou um tempo na minha mesa em meu home-office. Era o que mais chamava a atenção. Todo mundo que passava o folheava. A capa tem letras prateadas e é macia. Chama a atenção. Ou seja, o próprio livro de Picciarelli é um exemplo do que ele comenta na obra.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_aroma.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18437" style="border: 0pt none;" title="ee_aroma" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_aroma.jpg" alt="ee_aroma" width="640" height="451" /></a></p>
<p>Não é apenas para ler, não é somente comunicação escrita ou verbal, é também para manusear, cheirar, mexer. Trabalha com vários sentidos. Cerca de 20 exemplos reais com esses recursos de interatividade são mostrados, olfato (você puxa uma etiqueta em uma xícara de café e sente o cheiro da bebida), tato (você esfrega uma imagem e após algum tempo aparece outra), visão (quando você coloca a imagem contra o sol, aparecem outros detalhes).</p>
<p>Você imagina como está o livro enquanto escrevo esse post. Com cheiro de maçã, café, imagens raspadas e levemente amassado.</p>
<p>Durante a leitura/manuseio/interação de &#8220;<a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/" target="_blank">Encartes Especiais</a>&#8220;, algo que chamou a minha atenção é que 99% dos exemplos citados são voltados à área de publicidade, são anúncios. Apenas um exemplo é relacionado ao jornalismo.</p>
<p>Uma <a href="http://super.abril.com.br/" target="_blank">Revista Superinteressante</a> de abril de 1997, em que a capa trouxe uma aplicação de aroma de banana, que servia de isca para chamar a atenção para uma reportagem interna sobre o funcionamento do olfato e a tecnologia do &#8220;<a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=1653&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=" target="_blank">nariz artificial</a>&#8220;.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_serrilha.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18453" style="border: 0pt none;" title="ee_serrilha" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ee_serrilha.jpg" alt="ee_serrilha" width="640" height="420" /></a></p>
<p>Ou seja, a impressão que fica é que, ao contrário da publicidade, o jornalismo ainda não despertou para as possibilidades que essas novas tecnologias de impressão (ou não) proporcionam. Recentemente, temos visto algo ainda tímido envolvendo a tecnologia de &#8220;<a href="http://tv.estadao.com.br/videos,LINK-REALIDADE-AUMENTADA,73001,261,0.htm" target="_blank">realidade aumentada</a>&#8220;.</p>
<p>Da mesma forma que fizeram ou fazem as agências de publicidade, fiquei pensando sobre o quanto o jornalismo poderia se aproveitar dessa crescente &#8220;interatividade&#8221; da mídia impressa, de todas essas tecnologias de impressão.</p>
<p>De repente, um infográfico com texturas, o uso de um chip de som para complementar a apresentação de uma reportagem, holografia ou até o uso de aromas em alguma matéria sobre bebidas ou alimentos.</p>
<p>As possibilidades poderiam ser variadas. Abriria-se oportunidade para várias leituras em um ambiente onde a atenção é cada vez mais escassa. Enfim, seria possível aproveitar um dos mais criativos momentos da mídia impressa do ponto de vista de uso de novas tecnologias.</p>
<p>Momento em que justamente devido às novas opções, à <strong>competividade</strong> e à consequente busca por atenção, a mídia impressa se mexe para buscar <strong>novos horizontes</strong> com o leitor.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/04/06/historias-escondidas-nas-buscas/" target="_blank"> Livro aborda as &#8220;histórias escondidas nas buscas&#8221;</a></p>
<p><em>Crédito das fotos: <a href="http://www.flickr.com/photos/leslieduss/150770167/" target="_blank">Leslie</a> e <a href="http://www.anunciosdiferenciados.com.br/index.html" target="_blank">anúncios diferenciados</a><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Estratégia de Flickr e Facebook é tema de livro</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/15/estrategia-de-flickr-e-facebook-vira-tema-de-livro/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 15:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Viral loop é o rótulo que recebe a estratégia utilizada (em algum momento ou sempre) por sites como Flickr, Facebook, Ning e que tem como efeito aumentar o número de usuários. Um usuário adquire a possibilidade e indiretamente o papel de angariar mais usuários.
Um usuário se torna dois, dois se tornam quatro, quatro se tornam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/viralooplivro01.jpg"><img class="size-full wp-image-18324 aligncenter" title="Viral Loop capa do livro" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/viralooplivro01.jpg" alt="Viral Loop capa do livro" width="250" height="379" /></a></p>
<p><a href="http://www.fastcompany.com/magazine/125/nings-infinite-ambition.html" target="_blank">Viral loop</a> é o rótulo que recebe a estratégia utilizada (em algum momento ou sempre) por sites como <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a>, <a href="http://www.facebook.com" target="_blank">Facebook</a>, <a href="http://www.ning.com" target="_blank">Ning</a> e que tem como efeito aumentar o número de usuários. Um usuário adquire a possibilidade e indiretamente o papel de angariar mais usuários.</p>
<p>Um usuário se torna dois, dois se tornam quatro, quatro se tornam oito e assim por diante. Quanto mais pessoas, mais conteúdo e mais &#8220;defensores&#8221; de sua marca ou produto. É algo autoreplicável e que garante crescimento.</p>
<p>A novidade é que saiu um livro sobre o assunto. <a href="http://www.amazon.com/Viral-Loop-Facebook-Businesses-Themselves/dp/1401323499/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1255618623&amp;sr=1-1" target="_blank">Viral Loop</a>, do jornalista <a href="http://www.penenberg.com/biography.html" target="_blank">Adam L. Penenberg</a>, colaborador das revistas Economist e Forbes.</p>
<p>E o mais interessante é que, como isca para vender o livro, a revista FastCompany está publicando trechos, não do livro, mas das entrevistas que serviram de base para a obra. A primeira delas é com <a href="http://www.fastcompany.com/blog/adam-penenberg/penenberg-post/flickr-co-founder-caterina-fake-value-viral-loops-exclusive-qa" target="_blank">Caterina Fake</a>, cofundadora do site de fotos <a href="http://www.flickr.com" target="_blank">Flickr</a> e atualmente diretora geral do site <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/29/meus-testes-com-o-site-hunch/" target="_blank">Hunch</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Se você vai a uma festa e ninguém oferece uma bebida, você vai embora e parte para outra festa em outro lugar. Você precisa cuidar. Trabalhar como um anfitrião.  Você não precisa fazer isso sempre, mas, segundo Stewart (também fundador do Flickr), nós deveríamos deixar todos entrar. Achei que deveríamos fazer assim, logo que um usuário convidasse cinco amigos, ofereceríamos 3 meses grátis (de Flickr)&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/02/26/comunidades-sao-como-festas-e-softwares-como-musica/" target="_blank"> Comunidades são como festas e softwares são iguais a músicas</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Murdoch para leigos</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/12/murdoch-para-leigos/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 01:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
“Eu sou Rupert Murdoch, o tirano bilionário”, com essa frase Rupert Murdoch abriu a sua participação no desenho Simpsons, galinha dos ovos de ouro da sua emissora, a Fox. A frase foi proferida pelo próprio Murdoch. E até hoje, Matt Groening, criador do Simpsons, não entende como um cara considerado tão retrógrado como Murdoch tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/murdoch01.jpg"><img class="size-full wp-image-2498 aligncenter" title="Rupert Murdoch" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/murdoch01.jpg" alt="Rupert Murdoch" width="300" height="450" /></a></p>
<p>“Eu sou Rupert Murdoch, o tirano bilionário”, com essa frase <a href="http://www.answers.com/rupert%20murdoch" target="_blank">Rupert Murdoch</a> abriu a sua participação no desenho Simpsons, galinha dos ovos de ouro da sua emissora, a Fox. A frase foi proferida pelo próprio Murdoch. E até hoje, <a href="http://www.thesimpsons.com/bios/bios_creators_index.htm" target="_blank">Matt Groening</a>, criador do Simpsons, não entende como um cara considerado tão retrógrado como Murdoch tem o controle supremo sobre o desenho.</p>
<p>Anti-intelectual e &#8220;outsider&#8221; são duas características que, a meu ver, melhor ajudam a entender Rupert Murdoch. Servem inclusive para justificar as suas ações tomadas durante os bastidores da compra da <a href="http://www.dowjones.com/" target="_blank">Dow Jones</a>, empresa que administra o <a href="http://www.wsj.com" target="_blank">Wall Street Journal</a>, e é o eixo central do livro &#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8220;, de <a href="http://www.newser.com/about/michael-wolff.html" target="_blank">Michael Wolff</a>, colunista da <a href="http://www.vanityfair.com/" target="_blank">Vanity Fair</a>, e que ganhou uma versão traduzida no Brasil.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochsimpsons01.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18188" title="Murdoch nos Simpsons" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochsimpsons01.jpg" alt="Murdoch nos Simpsons" width="210" height="249" /></a>A <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070801_murdochdowjones_ac.shtml" target="_blank">compra da Dow Jones</a> em 2007 foi uma das ações mais &#8216;murdochianas&#8221; de toda a História. Mistura de fofocas, uso da rede de contatos ao máximo, um pouco de cinismo, além de altas doses da falta crônica de paciência de Murdoch.</p>
<p>Ao lado de <a href="http://veja.abril.com.br/070404/p_106.html" target="_blank">Donald Trump</a> e <a href="http://www.tedturner.com/enterprises/home.asp" target="_blank">Ted Turner</a> (CNN),  Murdoch é resultado direto dos anos 80. É o típico empresário de mídia resultante daquela época, meio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wayne" target="_blank">John Wayne</a> (pé no chão, faz tudo sozinho, machão, anti-intelectual). É o contrário de empresários como Bill Gates, Sergey Brin e Larry Page, entre outros, que viriam com o crescimento do Vale do Silício.</p>
<p>A história de Murdoch começa nos anos 50, ainda na Austrália, sua terra natal, quando dá seguimento ao negócio de seu pai, que, claro, é  jornal. Contudo, o grande momento climático de Murdoch se dá entre 1980 e 1990, quando começa a construção de seu feudo. Feudo mesmo, pois, segundo Murdoch, jornalismo em geral é algo em si feudal. É herdar a propriedade e todos seus trabalhadores. Jornais têm a ver com uso de autoridade. Não têm segredo. Não podem ser modestos.</p>
<p>O caráter &#8220;pé no chão&#8221;, não visionário, se reflete em vários momentos de sua carreira. Ao lado de<a href="http://www.nytimes.com/1992/12/21/obituaries/the-creator-of-time-warner-steven-j-ross-is-dead-at-65.html?sec=&amp;spon=&amp;pagewanted=4" target="_blank"> Steve Ross</a>, da Time Warner, foi ele quem colocou em prática o conceito de mídia global e multiplataforma, ao misturar debaixo do mesmo chapéu impresso, TVs, internet, mas não fez isso por uma questão de visão, mas sim por  puro pragmatismo, pela necessidade de fluxo constante de  caixa.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/newyorkpost.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-18216" title="Capa do New York Post" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/newyorkpost.jpg" alt="newyorkpost" width="220" height="279" /></a>É pelo fato de ser um australiano em Londres que nasce o seu caráter &#8220;outsider&#8221; nos anos 60. O forasteiro que tenta ser aceito e enfrenta as dificuldades para ser levado a sério por uma elite local (e esnobe, na sua visão).</p>
<p>Segundo Wolff, é a partir dessa dificuldade de ser aceito, revestida de rejeição que a manutenção dos tabloides foi a sua marca de provocar todo dia esse establishment britânico. &#8220;Provoque o establishment e ele lhe dará ouvidos&#8221;.</p>
<p>O mesmo acontece quando parte para os EUA nos 70. O seu habitat natural, portanto, torna-se ficar do lado de fora. Isso justifica, em parte, por que a imprensa nos EUA trata Murdoch quase sempre de forma negativa, como um lobo mau. Murdoch não gosta da imprensa americana. Acha que ela é  intelectual demais, fria, objetiva, fechada, uma panelinha. No final das contas, Murdoch não gosta deles e nem eles gostam dele.</p>
<p>&#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8221; é um livro detalhista, pede uma leitura atenta em alguns momentos, devido à quantidade de nomes e datas que Wolff cita. O colunista levou um ano para concluir o livro. Somente com Murdoch consumiu mais de 50 horas de entrevistas.</p>
<p>A meu ver, a partir do livro dá até para montar um &#8220;Dicionário de Murdoch&#8221;. No vocabulário do magnata, por exemplo, tabloide significa urgência, eficiência, compressão e emoção. Ou seja, está muito longe da conotação americana, que associa o termo a notícias falsas e fofocas de celebridades.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/donodamidia_capa1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18192" title="O Dono da Mídia (capa)" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/donodamidia_capa1.jpg" alt="donodamidia_capa" width="210" height="304" /></a>Pela leitura do livro, passei a entender melhor as declarações públicas de Murdoch. É, antes de tudo, um instrumento para irritar um grupo de pessoas, a tal &#8220;elite intelectual&#8221; que tanto o excluiu ou ainda o exclui. Não é à toa que, até hoje, Murdoch não se sente à vontade em eventos badalados e mais pensantes, como o Fórum Econômico Mundial.</p>
<p>Ao longo dos anos, Murdoch acabou se assumindo como o anti-intelectual do jornalismo. Ele não gosta de &#8220;teóricos&#8221;, pois  a maioria faz parte desse establishment que tanto o rejeitou.</p>
<p>Para ele, jornalismo é  algo direto e cru. Não tem muito o que teorizar (o jornalista ideal para Murdoch é <a href="http://mobile.gothamist.com/2003/05/30/steve_dunleavy_our_kind_of_drunk.php" target="_blank">Steve Dunleavy</a>, ex-colunista do tabloide <a href="http://www.nypost.com/" target="_blank">New York Post</a>, que durante 55 anos dividiu sua vida entre o jornal e o bar. Era um &#8220;operário da informação&#8221; antes de tudo).</p>
<p>Se a &#8220;intelligentsia do jornalismo&#8221; acha que os jornais devem derrubar o paredão de conteúdo pago, Murdoch afirma que vai começar a cobrar pelo acesso aos sites de seus jornais. Se acredita que as chamadas &#8220;velhas mídias&#8221; não abriram os olhos para as &#8220;novas mídias&#8221;, ele vai e compra a <a href="http://www.myspace.com" target="_blank">MySpace</a>. Se acha que o Google é mais amigo do que inimigo, ele afirma que a <a href="http://blog.newsweek.com/blogs/techtonicshifts/archive/2009/10/09/rupert-murdoch-says-google-is-stealing-his-content-so-why-doesn-t-he-stop-them.aspx" target="_blank">empresa de busca rouba conteúdo</a> de seus jornais.</p>
<p>Em suma, suas declarações não deixam de ser um recado para o mercado, mas são mais para marcar território, fazer contraponto, ser o que ele sempre foi, o cara de fora, além de brincar com os brios da &#8220;intelligentsia do jornalismo&#8221;, que, a cada declaração de Murdoch, logo corre para os seus perfis no Twitter e blogs para escrever mensagens e textos inflamados contra a sua pessoa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochwendi012.jpg"><img class="size-full wp-image-18198 aligncenter" title="Murdoch e Wendi" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/murdochwendi012.jpg" alt="murdochwendi01" width="550" height="390" /></a></p>
<p>Quem espera uma biografia completa de Murdoch, o livro de Wolff é um pouco decepcionante. &#8220;<a href="http://www.elsevier.com.br/site/produtos/Detalhe-produto.aspx?tid=3787&amp;seg=6&amp;isbn=9788535234046&amp;cat=37&amp;origem=Busca" target="_blank">O Dono da Mídia</a>&#8221; é, antes de tudo, sobre o Murdoch homem de negócios. A sua vida familiar é citada diversas vezes, contudo mais para justificar e explicar decisões tomadas em sua vida profissional.</p>
<p>Em 1999, por exemplo, o casamento com a sua terceira esposa, a chinesa <a href="http://online.wsj.com/article/SB973040597961471219.html" target="_blank">Wendi Deng</a> (foto acima), 40 anos mais nova, fez aumentar o seu interesse por investir na China. Tanto que Wendi foi convidada a gerenciar a filial da <a href="http://www.myspace.com" target="_blank">MySpace</a> em território chinês.</p>
<p>Por isso que, para mim, o livro, às vezes, não é tanto sobre Murdoch, mas sobre uma época em que os jornais finalmente passaram a ser vistos como negócio por Wall Street.</p>
<p>É também sobre um estilo de gerenciar e criar grandes impérios de mídia, no qual uma aquisição abre caminho para fazer outra aquisição maior, em que o lema da indústria é &#8221; faça um negócio, qualquer negócio&#8221;. E, acima de tudo, no qual jornalista é apenas um &#8220;operário da informação&#8221; e ponto final.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/07/10/como-sao-os-melhores-jornais-do-mundo/" target="_blank"> Como são os melhores jornais do mundo</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Eles estão cada vez mais desconectados</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/09/eles-estao-cada-vez-mais-desconectados/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Quando eu participei do encontro Palavra na Tela, promovido pelo Digestivo Cultural, em junho deste ano, falei que as pessoas, pelo menos as que estão há mais tempo dentro dessa dinâmica da internet, estão aprendendo a equilibrar melhor as coisas.
Não ficam tanto tempo conectadas no Twitter, não caem tanto no fetiche da velocidade da comunicação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/unplug.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-18118" title="Desconectado" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/unplug.jpg" alt="Desconectado" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Quando eu participei do encontro <a href="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=2386" target="_blank">Palavra na Tela</a>, promovido pelo <a href="http://www.digestivocultural.com.br/" target="_blank">Digestivo Cultural</a>, em junho deste ano, falei que as pessoas, pelo menos as que estão há mais tempo dentro dessa dinâmica da internet, estão aprendendo a equilibrar melhor as coisas.</p>
<p>Não ficam tanto tempo conectadas no Twitter, não caem tanto no fetiche da velocidade da comunicação, têm uma presença digital importante, porém mais discreta e equilibrada.</p>
<p>Apesar dessa diferença estar tênue, as pessoas estão sabendo equilibrar melhor o tempo entre o que se convencionou chamar de &#8220;vida online&#8221; e de &#8220;vida offilne&#8221;. Fiz essa afirmação sem qualquer base científica, mais na observação das pessoas próximas, conforme comentei na época.</p>
<p>Lembrei disso ao ler o <a href="http://www.huffingtonpost.com/jose-antonio-vargas/how-we-unplug_b_310594.html" target="_blank">texto</a> desta semana de <a href="http://twitter.com/Joseiswriting" target="_blank">Jose Antonio Vargas</a>, editor do <a href="http://www.huffingtonpost.com/technology/" target="_blank">Huffington Post Tech</a> (para mim, atualmente a melhor editoria de tecnologia, voltada mais para análise e não tanto gadgets).</p>
<p>Vargas começa o texto afirmando que nós devemos nos desconectar. Nada de Twitter, checar emails no celular a cada 10 minutos ou atualizar o perfil do Facebook a toda hora. Nesse contexto, o jornalista perguntou a pessoas conhecidas na área de web como elas fazem para se desconectar.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cellphonegirl10.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-18124" title="Celular" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cellphonegirl10.jpg" alt="Celular" width="280" height="175" /></a>Todas têm o seu momento em que ficam desligadas da &#8220;vida digital&#8221;.<a href="http://twitter.com/biz" target="_blank"> Biz Stone</a>, cofundador do Twitter, por exemplo, aproveita para correr, pintar e ajudar a esposa. <a href="http://twitter.com/PeterRojas" target="_blank">Peter Rojas</a>, criador do blog Engadget, por sua vez, fica com o filho e cozinha um pouco. A maioria vai ler um  livro.</p>
<p>Esse texto serve de fundo para <a href="http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/announcing-my-first-pick-_b_310544.html" target="_blank">outro</a>, escrito por Arianna Huffington na estréia do <a href="http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/announcing-my-first-pick-_b_310544.html" target="_blank">HuffPostClub</a>, espécie de clube de leituras do <a href="http://www.huffingtonpost.com" target="_blank">Huffington Post</a>. Logo de início, na estréia, ela recomenda a leitura de <a href="http://www.amazon.com/Praise-Slowness-Challenging-Cult-Speed/dp/0060750510/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1255094784&amp;sr=8-1" target="_blank">In Praise of Slowness: Challenging the Cult of Speed</a>, livro em que o jornalista Carl Honoré faz um histórico da cultura da velocidade, sobre quando começou esse nosso fascínio pela velocidade (no Brasil, o livro tem o nome de capa de <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=823642&amp;sid=8721146321110859810880867&amp;k5=250441A1&amp;uid=" target="_blank">Devagar</a>).</p>
<p>Arianna acredita que muitos dos problemas atuais (principalmente a crise de 2008 nos mercados), em parte, podem ser resultados desse nosso fetiche pela velocidade. Contudo, o discurso não é para fazer as coisas mais lentas ou mais rápidas, mas ter uma existência mais equilibrada.</p>
<p>Em tempos de Twitter quase monopolizando a atenção, acho interessante acompanhar esse crescente movimento contra a vida “em tempo real”. Pensamento parecido ao do movimento “slow food“ e a favor de uma vida mais interpessoal e menos fascinada pela velocidade.</p>
<p>Neste mês, será lançado &#8220;<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank">A Tirania do email</a>&#8220;, de John Freeman, livro que também vai nessa linha e ajudará a alimentar os argumentos dos que defendem uma vida mais equilibrada. Um tipo crescente de pensamento e reação que, hoje em dia, faz todo sentido.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/08/25/o-fim-da-internet-como-a-terra-prometida/" target="_blank"> O fim da internet como a “Terra Prometida”</a></p>
<p><em>Crédito da foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/jjsawiuk/3983465404/in/photostream/" target="_blank">jsawki</a></em></p>
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		<title>Dá para fuçar o DNA da Google?</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/10/06/da-para-fucar-o-dna-da-google/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 11:59:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Muitas vezes, para conhecer o DNA de uma empresa, descobrir por que ela tem tal cultura corporativa, você tem que fuçar o histórico de seus fundadores. Saber por quais universidades e escolas passaram, quem foram os seus ídolos e referências. Enfim, conhecer a história pessoal dos fundadores.
Com a Google não é diferente, empresa que completou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/google1999.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17978" title="google1999" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/google1999.jpg" alt="google1999" width="640" height="460" /></a></p>
<p>Muitas vezes, para conhecer o DNA de uma empresa, descobrir por que ela tem tal cultura corporativa, você tem que fuçar o histórico de seus fundadores. Saber por quais universidades e escolas passaram, quem foram os seus ídolos e referências. Enfim, conhecer a história pessoal dos fundadores.</p>
<p>Com a Google não é diferente, empresa que completou 11 anos no penúltimo domingo (dia 27) e, uma vez mais, é tema de livro (quem acompanha o blog  atentamente deve entender o porquê dessa frase). A empresa tem servido de pauta certa para escritores em todo mundo.</p>
<p>Por que a Google investe em biotecnologia e energias não-poluentes? Por que a empresa permite que os seus funcionários gastem 20% de seu tempo em projetos próprios? Ou ainda, por que existe um sigilo tão grande interno em relação aos projetos da empresa?</p>
<p>O caminho para essas respostas está na análise da história pessoal dos fundadores da Google, aspecto que se destaca no livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2910338&amp;sid=91002411611105800338492853&amp;k5=21672C40&amp;uid=" target="_blank">Google &#8211; Lições de Sergey Brin e Larry Page</a>, da jornalista <a href="http://janetsnews.com/" target="_blank">Janet Lowe</a>, lançado recentemente pela editora Elsevier. O original, lançado em maio, tem o nome de capa &#8220;<a href="http://www.amazon.com/Google-Speaks-Greatest-Billionaire-Entrepreneurs/dp/047039854X/ref=sr_1_12?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1254788798&amp;sr=8-12" target="_blank">Google Speaks</a>&#8220;.  E a escritora Lowe é responsável também por biografias sobre outros ícones dos negócios, Bill Gates e Warren Buffet.</p>
<p>O livro de Lowe é um dos poucos que li ultimamente sobre a Google que dá um destaque maior a essa &#8220;fase pré-google&#8221; da vida de seus fundadores. A escritora dedica espaço aos pais, às cidades onde moraram e à formação educacional deles.</p>
<p>Por esse caminho, fica evidente que o investimento em energias não-poluentes vem do interesse pessoal de <a href="http://www.google.com.br/corporate/execs.html#larry" target="_blank">Larry Page</a>, cofundador da Google. Quando era estudante, ainda na universidade, ele ajudou a desenvolver um carro movido a energia solar. A ideia do 20% de tempo livre vem lá de trás, da formação educacional dos fundadores. Os dois foram educados em colégios <a href="http://pessoas.hsw.uol.com.br/homeschooling4.htm" target="_blank">Montessori</a>, que adotam um método de ensino que valoriza a auto-organização e a iniciativa própria do aluno.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/sergeybrin01.jpg"><img class="size-full wp-image-17948 alignleft" title="sergeybrin01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/sergeybrin01.jpg" alt="sergeybrin01" width="280" height="380" /></a>E a dinâmica aberta, mas ao mesmo tempo fechada da empresa? É um costume comum no Vale do Silício, mas dizem que isso vem do russo naturalizado americano <a href="http://www.google.com.br/corporate/execs.html#sergey" target="_blank">Sergey Brin</a>, também fundador da Google, que, desde a época de universidade, sempre foi muito desconfiado, falava sobre um plano apenas quando ele estivesse plenamente concretizado. Não é à toa que até hoje os comunicados públicos da Google viram manchetes, mas as atividades internas ficam bem guardadas.</p>
<p>É lógico que esses aspectos não justificam todas as estratégias da empresa, mas é um caminho para se conhecer um pouco a  cultura corporativa da Google.</p>
<p>Brin, por exemplo, mantém até hoje o costume de se apresentar publicamente como um típico acadêmico em época de provas, cabelo despenteado, camiseta amassada e aparência de cansado (quem assistiu ao <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1FJHYqE0RDg" target="_blank">vídeo do anúncio do Android</a> deve se lembrar desse aspecto).</p>
<p>Porém, segundo Lowe, os fundadores desenvolveram mais ainda esse seu lado excêntrico (os dois têm o costume de chegar atrasado na reunião errada) depois de terem participado do <a href="http://www.burningman.com/" target="_blank">Burning Man</a>, festival anual de &#8220;contracultura&#8221; que acontece durante 7 dias no deserto de Nevada, nos EUA.</p>
<p>Rumores dão conta que Page e Brin mantêm até hoje o hábito de ir todo ano ao <a href="http://www.burningman.com/" target="_blank">Burning Man</a>. Aliás, o fato de <a href="http://www.google.com.br/corporate/execs.html#eric" target="_blank">Eric Schmidt</a>, atual diretor geral da Google, ter participado do festival foi um dos fatores que influenciou na sua escolha como diretor da Google em 2001.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/googletriade.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17938" title="Tríade do Google" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/googletriade.jpg" alt="Tríade do Google" width="640" height="373" /></a></p>
<p>O <a href="http://www.burningman.com/" target="_blank">Burning Man</a> aliado à pressão de investidores que queriam um &#8220;diretor geral experiente&#8221; para a Google pode ter ajudado a formar a tríade &#8211; Page, Brin e Schmidt &#8211; que guia a empresa até os dias atuais, sendo que Schimdt, que tem 54 anos, aceitou assumir um papel quase de pai. De polir as ideias e muitas vezes segurar o ímpeto de execução de Page e Brin, com 36 anos cada um.</p>
<p>Apesar de passear por esses detalhes que justificam a cultura da empresa de busca, o que o livro de Janet Lowe deixou mais evidente para mim foi o relacionamento tênue  da Google com o governo, além do lobby considerável que ela possui no Congresso Americano.</p>
<p>Um exemplo é o acordo bem vantajoso que a empresa possui com a <a href="https://www1.nga.mil/Pages/Default.aspx" target="_blank">Agência Nacional de Inteligência Geoespacial</a>, que dá para a Google todos os direitos comerciais exclusivos de uso das imagens fornecidas pelo satélite GeoEye- 1. Imagens que são utilizadas no <a href="http://earth.google.com/intl/pt/" target="_blank">Google Earth</a>.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/googlelowe.jpg"><img class="size-full wp-image-17940 alignright" title="googlelowe" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/googlelowe.jpg" alt="googlelowe" width="280" height="402" /></a>Além disso, em 2008, o fato da FCC (espécie de Anatel dos EUA) ter <a href="http://news.cnet.com/8301-1035_3-10082505-94.html" target="_blank">aprovado a abertura do espectro de transmissão de TV</a> é considerado até hoje um dos maiores exemplos do poder de influência da Google em Washington. A Google era a empresa que mais defendia a liberação de uso de espectros ociosos de transmissão para a utilização e extensão da tecnologia Wi-fi.</p>
<p>Apesar do livro ser bem entusiasta  em relação ao Google, Lowe não deixa de fora alguns conflitos e controvérsias. Até hoje, por exemplo, a Google não explicou direito um processo que a empresa sofreu de um ex-funcionário de 52 anos que alegou discriminação em razão da  idade. Segundo o ex-funcionário, ele era chamado de &#8220;cara velho&#8221; e que as suas ideias eram &#8220;obsoletas&#8221;. Processo que até hoje a Google abafa.</p>
<p>Isso abre espaço para Lowe fechar o livro afirmando que a Google é um dos &#8220;paradoxos mais desconcertantes&#8221; de hoje em dia. &#8220;Amamos o Google, despimos nossas almas diante dele&#8221; ao fazer uma busca e ao utilizar os serviços, mas até hoje não entendemos, de fato, como ele funciona.</p>
<p>O que eles realmente fazem ou farão com os nossos dados? Qual o futuro da Google? É realmente o caminho da &#8220;inteligência artificial&#8221;, um mecanismo de busca que entenda perfeitamente o que estamos pesquisando? Ou a Google será como a Toyota, que ficou dominante por 30 anos no mercado?</p>
<p>O livro não é nenhuma bola de cristal, mas deixa claro que a Google atualmente é o maior exemplo de que o <strong>sonho americano </strong>ainda existe (de que com ousadia e persistência tudo é possível) .</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/08/01/na-verdade-somos-viciados-em-eletricidade/" target="_blank"> Na verdade, somos viciados em eletricidade</a></p>
<p><em>Crédito das fotos: (1) <a href="http://money.cnn.com/galleries/2008/fortune/0809/gallery.google_anniversary.fortune/2.html" target="_blank">CNN Money</a>, (2) (3) divulgação</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Bill Gates é um homem 3 em 1</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/09/28/bill-gates-e-um-homem-3-em-1/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 04:32:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Sonhador, homem de negócios e &#8220;filho da puta&#8221;. Assim o escritor e consultor Des DearLove ajudou a definir Bill Gates, cofundador da Microsoft, no final dos anos 90.
Há motivos para essa descrição. Diz um ditado que toda empresa para ser bem sucedida precisa de 3 tipos de homens &#8211; um sonhador, um homem de negócios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gates01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17380" title="Bill Gates" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gates01.jpg" alt="Bill Gates" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Sonhador, homem de negócios e &#8220;filho da puta&#8221;. Assim o escritor e consultor <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/search-handle-url?_encoding=UTF8&amp;search-type=ss&amp;index=books&amp;field-author=Des%20Dearlove" target="_blank">Des DearLove</a> ajudou a definir Bill Gates, cofundador da Microsoft, no final dos anos 90.</p>
<p>Há motivos para essa descrição. Diz um ditado que toda empresa para ser bem sucedida precisa de 3 tipos de homens &#8211; um sonhador, um homem de negócios e um &#8220;filho da puta&#8221;. Segundo Dearlove, ex-editor do Times, de Londres, Gates é um dos poucos executivos que possui essas três qualidades.</p>
<p>A terceira qualidade, claro, não é no sentido puramente pejorativo, mas relacionada a ser um homem sagaz, impetuoso, concorrente feroz e viciado em vencer, sempre. Essas qualidades do cofundador da Microsoft são exploradas no livro &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2874015&amp;sid=72114211911927598583400932&amp;k5=1F322149&amp;uid=" target="_blank">O estilo Bill Gates de gerir</a>&#8221; (216 páginas), de Dearlove, que chega em reedição ao público brasileiro neste mês (a <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3018409&amp;sid=72114211911927598583400932&amp;k5=3A6294EA&amp;uid=" target="_blank">primeira edição</a> foi lançada em 2000).</p>
<p>O lado sonhador de Gates vem do fato de ser apaixonado por computadores e assumir uma posição visionária e não tanto de estrategista na empresa. De saber adaptar e popularizar tecnologias existentes para um contexto maior. A Microsoft não inventou o sistema operacional <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/DOS" target="_blank">DOS</a>, mas soube aperfeiçoá-lo.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/windows95_011.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-17384" title="Windows 95" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/windows95_011.jpg" alt="Windows 95" width="240" height="180" /></a>O lado de homem de negócios de Gates se reflete no pragmatismo de sempre contratar gente inteligente, mesmo que essa pessoa saiba mais do que ele ou tenha sido um antigo desafeto. Tudo isso casado com uma atitude de não esperar agradecimentos, ciente de que não agradará a todos.</p>
<p>Ser famoso e, ao mesmo tempo, infame são duas coisas intimimamente ligadas na visão de Gates, o que o coloca entre os &#8220;bichos-papões corporativos&#8221;, onde já estão <a href="http://www.terra.com.br/dinheironaweb/122/john_rockefeller.htm" target="_blank">John Rockefeller</a> e <a href="http://www.financial-inspiration.com/JP-Morgan-biography.html" target="_blank">JP Morgan</a>, que, em suas respectivas épocas, foram vistos como geniais e, ao mesmo tempo, como &#8220;anti-cristos&#8221;, ao passearem na linha tênue sobre o que é ou não é permitido, sobre limites no mundo dos negócios.</p>
<p>No campo comportamental, antes da &#8220;Era Google&#8221; e de geek isso e aquilo, Gates mostrou que ser nerd é legal. Foi ele quem abriu as portas para o que hoje é visto como normal e bacana &#8211; &#8216;&#8221;nerd chique&#8221;. Do executivo estilo John Wayne (sorte, pé no chão e coragem) para o estilo Gates (criatividade, conhecimento e ser visionário).</p>
<p>Antes de Gates, &#8220;a América corporativa não gostava dos nerds&#8221;, sentencia DearLove. E junto com os nerds veio um estilo despojado, blasé e menos hieráquico de trabalhar (você não &#8220;precisa mais trabalhar de terno e gravata&#8221;), que, durante duas décadas, Gates melhor personificou. E que, claro, abriu espaço para que o atual &#8220;estilo de ser Google&#8221; fosse facilmente aceito no meio corporativo.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gates021.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17386" title="Bill Gates" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gates021.jpg" alt="Bill Gates" width="640" height="419" /></a></p>
<p>&#8220;Quando ele apareceu, pensei que era o office boy&#8221;, teria tido Jack Sams, executivo da IBM que assinara o contrato com a recém lançada Microsoft, em 1981. Acordo que é visto por Dearlove como um dos grandes trunfos da visão de Gates.</p>
<p>Visão que, no entanto, não conseguiu perceber o quanto a internet tornaria os computadores mais relevantes para as pessoas comuns (a Microsoft entrou atrasada na internet). As pedras ainda estão rolando, mas, sem querer, Dearlove aponta que uma das deficiências da Microsoft foi ter caído no erro  da &#8220;previsão singular&#8221;. Numa empresa, as conversas sobre o futuro não podem ser feitas pelas mesmas pessoas falando das mesmas coisas. E a visão da Microsoft quase sempre foi a de Gates.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gatescapa_04.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-17379" title="gatescapa_04" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gatescapa_04.jpg" alt="gatescapa_04" width="240" height="348" /></a>O lado ruim do livro de Dearlove é que ele chega meio desatualizado ao público brasileiro, mesmo problema do <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/31/em-2009-o-culto-do-amador-nao-fede-nem-cheira/" target="_blank">livro de Andrew Keen</a>. Para se ter uma noção, a primeira edição foi publicada em 1999, com uma consequente reedição em 2001. O livro que chega ao Brasil tem como base essa última edição.</p>
<p>Em um trecho, por exemplo, o autor fala sobre &#8220;o recém-lançado Windows XP&#8221;, enquanto, na realidade, estamos na &#8220;Era do <a href="http://www.microsoft.com/brasil/windows/windows-vista/" target="_blank">Windows Vista</a>&#8221; e já caminhando para o <a href="http://www.microsoft.com/windows/windows-7/" target="_blank">Windows 7</a>. Questões como a concorrência com a Google ou a saída de Gates do dia-a-dia da Microsoft não têm espaço.</p>
<p>O livro foi escrito no contexto em que Gates ainda era diretor geral e presidente da Microsoft e a companhia era considerada a maior da América, valendo US$ 262 bilhões, além de ainda ser vista como uma empresa prodígio &#8211; jovem, vigorosa e petulante (posto que hoje é da Google).</p>
<p>&#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2874015&amp;sid=72114211911927598583400932&amp;k5=1F322149&amp;uid=" target="_blank">O estilo Bill Gates de gerir</a>&#8221; não é o melhor livro sobre a Microsoft ou o cofundador dela (<a href="http://www.amazon.com/Microsoft-Way-Company-Outsmarts-Competition/dp/020132797X/ref=ntt_at_ep_dpi_4" target="_blank">The Microsoft Way</a>, de Randall E. Stross é bem mais completo), mas é um dos mais concisos.</p>
<p>Em cada capítulo, Dearlove deixa um box com todas as ideias exploradas no texto. E ainda no final do livro faz um resumo das &#8220;10 lições que se pode tirar do livro&#8221;. O que o faz ser um dos mais didáticos sobre o assunto em português.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/09/08/o-que-a-google-faria-se-o-mundo-fosse-apenas-dela/" target="_blank"> O que a Google faria se o mundo fosse apenas dela</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Alguém sempre paga a conta da internet</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/09/20/alguem-sempre-paga-a-conta-da-internet/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 21:45:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Quando peguei Free (Grátis), de Chris Anderson, editor da revista Wired, para escrever (com certo atraso) esse post, esperava encontrar um livro pouco ponderado, resultado mais de uma escrita rápida de um autor tentando impor a todo custo uma teoria do que um trabalho de pesquisa. Mas errei ao acreditar no afirmado por pessoas que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/one_dollar.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17001" title="Dollar" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/one_dollar.jpg" alt="Dollar" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Quando peguei <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">Free</a> (Grátis), de <a href="http://www.thelongtail.com/about.html" target="_blank">Chris Anderson</a>, editor da revista <a href="http://www.wired.com" target="_blank">Wired</a>, para escrever (com certo atraso) esse post, esperava encontrar um livro pouco ponderado, resultado mais de uma escrita rápida de um autor tentando impor a todo custo uma teoria do que um trabalho de pesquisa. Mas errei ao acreditar no afirmado por pessoas que, pelo visto, leram apenas a orelha do livro.</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">Free</a> está longe de ser um livro de autoajuda empresarial ou panfletário. Pelo contrário, achei Anderson, autor de outro sucesso, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1571513&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=26693658&amp;uid=" target="_blank">A Cauda Longa</a>, bem ponderado. Diversas vezes, ele questiona e mostra o outro lado do modelo do grátis em seu livro, o que pode ser visto como uma contradição.</p>
<p>A <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">versão em português</a>, lançada recentemente pela editora Elsevier, não perde muito para a versão gratuita que está disponível na rede (em inglês), produzida em julho deste ano.</p>
<p>Mesma quantidade de capítulos, paginação parecida. Peca somente por apresentar alguns erros de revisão, corriqueiros em versões nacionais. Em um dos capítulos finais, por exemplo, o site de vídeos <a href="http://www.hulu.com" target="_blank">Hulu</a> foi digitado diversas vezes como &#8220;Hulo&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/attention01.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-17052" title="attention01" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/attention01.jpg" alt="attention01" width="210" height="300" /></a>Em <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">Free</a>, Anderson, na realidade, não apresenta novidades. Basicamente, mostra que a mentalidade de gratuidade na internet não existe por motivos ideológicos (cultura hippie, contracultura), mas sim por razões econômicas (os custos de armazenamento, processamento e transporte de informações são cada vez mais baixos). E, como pano de fundo, faz um histórico da aplicação do modelo do grátis.</p>
<p>Desde uma ferramenta de marketing &#8211; almoce grátis, mas pague a bebida &#8211; até uma tática para manter concorrentes fora do mercado. A Microsoft utilizou o grátis para manter concorrentes fora do mercado de navegadores, ao oferecer o Internet Explorer (gratuito) junto ao Windows (pago).</p>
<p>Dessa forma, Anderson mostra que alguém sempre paga a conta nos chamados &#8220;modelos grátis&#8221; &#8211; a publicidade subsidia sites de notícias,  em serviços como Flickr, 5% dos usuários que assinam contas pro pagam os gastos dos 95% usuários não-pagantes. E nos blogs que, apesar de não cobrarem por acesso, os leitores acabam pagando ao cederem seu tempo e atenção para lê-los. Não existe um custo monetário direto, mas há uma despesa.</p>
<p>Ou seja, alguém sempre paga o &#8220;almoço grátis&#8221;, mesmo que seja de forma não monetária, cedendo reputação, tempo e atenção. Coisas que até hoje são escassas. Aliás, reputação e atenção estão se tornando &#8220;quase moedas&#8221; na economia baseada na internet.</p>
<p>Segundo Anderson, a abundância de informação fez surgir um novo tipo de escassez, a de atenção e tempo. Não é à toa que pessoas pagam para baixar música no <a href="http://www.apple.com/br/itunes/" target="_blank">iTunes</a>. Para não terem que perder tempo procurando por uma música na web. Elas sabem que o seu tempo tem valor.</p>
<p><a href="../wp-content/uploads/2009/09/walle.jpg"><img title="walle" src="../wp-content/uploads/2009/09/walle.jpg" alt="walle" width="640" height="268" /></a></p>
<p>Contudo, nem sempre o grátis pode ser benéfico. Ele pode gerar um consumo sem responsabilidade, já que tudo está disponível em abundância. Na economia dos átomos, pode gerar uma superprodução de bens físicos e, como consequência, lixo. Anderson cita o filme <a href="http://br.cinema.yahoo.com/filme/14542/walle" target="_blank">Wall-e</a> como exemplo em que os humanos são obrigados a sair da Terra devido ao acúmulo de lixo, ocasionado por anos de consumo sem responsabilidade. Pagar gera compremetimento.</p>
<p>Na área de mídia (jornais, especificamente), Anderson passeia muito pouco, é bem superficial. Mas ratitica a premissa de que a informação abundante quer ser grátis. A escassa quer ser paga. E lembra que a queda dos custos de distribuição fez gerar um ambiente hipercompetitivo de mídia.<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/free.jpg"><img class="size-full wp-image-16992 alignleft" title="free" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/free.jpg" alt="free" width="210" height="300" /></a> Colocou em pé de igualdade diversos produtores de conteúdo.</p>
<p>O grátis, afirma Anderson, funciona muito bem para quem está entrando no mercado. É a tática da Google. Entrar no mercado oferecendo um produto de mesma ou qualidade superior com um custo zero para o usuário final, o que acaba minando a concorrência. Por outro lado, a empresa de busca usa o grátis para manter concorrentes fora do mercado por meio de estratégias de maximização.</p>
<p>E para concluir, num momento de incerteza (o livro foi fechado durante a crise econômica), Anderson termina afirmando que é bem provável que o conteúdo grátis conviverá lado a lado com o conteúdo pago. &#8220;Ele precisa da contraparte do pago&#8221;. No entanto, o grátis sempre terá um apelo psicológico maior. &#8220;O Grátis pode ser o melhor preço, mas não pode ser o único&#8221;, finaliza. Em suma, o grátis é uma atração em todos os mercados, mas ganhar dinheiro em função dele varia de mercado a mercado.</p>
<p>A meu ver, o único problema de <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">Free</a> (ou benefício, dependendo do ponto de vista) é ser muito simplista. O livro se aprofunda muito pouco no tema central. Apesar de toda a polêmica em seu lançamento, não traz novidades. Não sai muito do lugar.</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2855974&amp;sid=72113512711919731869801425&amp;k5=2817EA49&amp;uid=" target="_blank">Free</a> é um bom livro, mas apenas como um pontapé bem inicial no assunto.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/03/23/como-eles-tiraram-leite-de-pedra/" target="_blank"> Como eles tiraram leite de pedra</a></p>
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		<title>O que a Google faria se o mundo fosse apenas dela</title>
		<link>http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/09/08/o-que-a-google-faria-se-o-mundo-fosse-apenas-dela/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 03:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Doria</dc:creator>
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Profecias de que a Google vai dominar o mundo existem aos montes. Jeff Jarvis, jornalista, investidor, autor do blog Buzz Machine e professor de Jornalismo da Universidade de Nova York, resolveu levar essas profecias mais a sério e tirá-las do campo apenas do fantástico e das teorias conspiratórias.
Se a Google administrasse um restaurante, como ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/terra_nasa01.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-16253" title="Terra" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/terra_nasa01.jpg" alt="Terra" width="637" height="584" /></a></p>
<p>Profecias de que a Google vai dominar o mundo existem aos montes. <a href="http://twitter.com/jeffjarvis" target="_blank">Jeff Jarvis</a>, jornalista, investidor, autor do blog <a href="http://twitter.com/jeffjarvis" target="_blank">Buzz Machine</a> e professor de Jornalismo da Universidade de Nova York, resolveu levar essas profecias mais a sério e tirá-las do campo apenas do fantástico e das teorias conspiratórias.</p>
<p>Se a Google administrasse um restaurante, como ele seria? Se fosse dona de uma universidade, como seria a educação oferecida? E ainda. E se a empresa de busca fosse um banco, quais investimentos existiriam? Ainda haveria dinheiro em papel? São algumas das perguntas que Jarvis responde em seu livro &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11029728&amp;sid=721135250119774387956981&amp;k5=3B6E7782&amp;uid=" target="_blank">O que a Google faria?</a>&#8221; (257 páginas), lançado pela editora Manole, no Brasil.</p>
<p>Na realidade, Jarvis mostra como seria o mundo, caso as principais empresas e organizações que fazem parte de nosso cotidiano pensassem como a Google. A Google raciocina como uma plataforma. Esse é o seu diferencial. E, como consequência, uma empresa &#8220;googleficada&#8221; seria uma que pensasse de modo distribuído e fosse faminta por dados. Soubesse transformar dados sobre os seus clientes em conhecimento. Trabalharia com a abundância e não com a escassez de conteúdo.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jeffjarvis01pq1.jpg"><img class="size-full wp-image-16256 alignleft" title="Jeff Jarvis" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jeffjarvis01pq1.jpg" alt="Jeff Jarvis" width="280" height="185" /></a>Os &#8220;insights&#8221;  de Jarvis (foto ao lado) sobre o que aconteceria se esse modelo fosse aplicado a diversos setores da sociedade são a base do livro.</p>
<p>Como seria a &#8220;googleficação&#8221; das empresas aéreas? Em nossa viagem de volta, as companhias aéreas pediriam nossas avaliações sobre hotéis e restaurantes que frequentamos. Em troca de nossa avaliação, ganharíamos milhas. Ou seja, as empresas aproveitariam a própria rede de clientes e o seu valor para reunir conhecimento sobre uma região. Transformariam dados em conhecimento.</p>
<p>Governos, por sua vez, não tentariam resolver os problemas por meio de proibição e regulamentação, mas a partir de inovação e &#8220;racionalidade científica&#8221;. Para exemplificar, Jarvis cita  <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u336192.shtml" target="_blank">Al Gore</a>, político tradicional, que procura resolver o problema energético por meio da criação de impostos sobre a emissão de carbono. Tenta tornar a poluição cara. Enquanto, a Google, mais inovadora, tenta resolver o problema com o olho em uma sociedade de abundância, em investir em criatividade, buscar novas formas de energia além das tradicionais. Ou seja, ter abundância de fontes de energia.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/googleapple01.jpg"><img class="size-full wp-image-16259 alignright" title="Google" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/googleapple01.jpg" alt="googleapple01" width="280" height="186" /></a>No setor de mídia, Jarvis deita e rola. É a sua área. Numa visão bem realista, diz que os jornais deveriam <a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/05/30/fim-de-uma-era-the-new-york-times-nao-e-mais-um-jornal/" target="_blank">pensar como plataformas</a>, o que necessariamente não significa liberar o acesso público a APIs ou a banco de dados. Significa ver o seu site como um meio e não um fim. Uma plataforma para as pessoas chegarem onde quiserem. Nisso, uma política presente de links abertos é um caminho.</p>
<p>Somente o capítulo &#8220;Nova arquitetura&#8221;, em que Jarvis aborda o setor de mídia, já vale pelo livro inteiro, que pretende ser um guia de sobrevivência para empresas na &#8220;Era Google&#8221;.</p>
<p>A meu ver, o problema de Jarvis é que ele adota uma postura muito evangelista, ativista, e pouco científica em relação ao assunto. Apesar de existirem empresas que têm uma postura mais controladora e, mesmo assim, vão muito bem da vida, até o final do livro, ele quer nos convencer de que o modelo da Google é o caminho ideal, pode ser aplicado a praticamente qualquer negócio. Desde uma loja de vinhos até um governo  federal. E é, nesses momentos, quando ele sai da análise do setor de mídia, que fica evidente o seu conhecimento meio simplista a respeito de algumas áreas.</p>
<p><a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/googlefaria.jpg"><img class="size-full wp-image-16250 alignleft" title="Livro: O que a Google faria?" src="http://www.tiagodoria.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/googlefaria.jpg" alt="googlefaria" width="200" height="283" /></a>No penúltimo capítulo, por exemplo, quando  divaga sobre a área jurídica,  ele afirma que todos os processos judiciais deveriam estar disponíveis na web,  serem buscáveis, disponíveis para qualquer pessoa. Ou seja, Jarvis ignora que existe o direito ao &#8220;segredo de justiça&#8221;. Existem processos que, por motivos diversos, como envolvimento de  crianças ou casos de família, não devem ser acessíveis a qualquer pessoa. Assim como o acesso livre a dados, a <strong>privacidade também é liberdade.</strong></p>
<p>Percebe-se que essa postura ativista ofusca a análise de Jarvis quando  afirma que a Google está acabando com a intermediação. No começo do capítulo sobre &#8220;desintermediação&#8221;, ele bate o martelo &#8211; &#8220;Ninguém gosta de intermediários&#8221;.</p>
<p>Contudo, Jarvis se esquece que o próprio Google está se tornando um grande intermediário, um mediador entre a gente e todo o caos de conteúdo da web. A intermediação não acabou.  <strong>O Google é um intermediador</strong>. É ele quem faz o meio de campo na web.</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11029728&amp;sid=721135250119774387956981&amp;k5=3B6E7782&amp;uid=" target="_blank">O que a Google faria?</a>&#8220;, Jarvis mostra que é um dos poucos escritores que consegue transformar profecias em conhecimento ao montar um guia sobre como a Google faz.</p>
<p><strong>Veja também:</strong><br />
<a href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/08/01/na-verdade-somos-viciados-em-eletricidade/" target="_blank"> Na verdade, somos viciados em eletricidade</a></p>
<p><em>Crédito das fotos: <a href="http://visibleearth.nasa.gov/view_rec.php?id=174" target="_blank">NASA</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/scobleizer/2216427824/" target="_blank">Robert Scoble</a>, <a href="http://www.flickr.com/photos/missha/2209205063/" target="_blank">Missha</a>, divulgação</em></p>
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