Google Telecom – Parte 3

A Google deu mais um passo em seu objetivo de se transformar em uma empresa verticalizada de comunicação, que forneça não somente serviços, mas também infraestrutura.

A empresa passará a fornecer rede de fibra ótica própria para os cidadãos de Kansas, nos EUA. O objetivo é que a velocidade de conexão da rede da Google seja cem vezes mais veloz que uma conexão normal com a qual os americanos estão acostumados.

A instalação da rede começou nesta semana na cidade.

Desde que Larry Page foi nomeado como CEO da Google, era meio que esperada essa movimentação. Page é visto como o principal “sponsorship” do projeto de a Google ter uma rede própria de telecomunicação.

Para entender a importância desse movimento da Google, é necessário resgatar uma visão muito comum em alguns setores das áreas de TI e telecom – ver a internet como uma plataforma com duas camadas.

Numa camada estão as aplicações – Twitter, Facebook, Skype – e as barreiras de entrada são baixíssimas. É aberta, colaborativa, grátis etc. Dominada por diversas empresas. Normalmente, quando se fala em “internet”, é logo essa camada que vem à mente da maioria das pessoas e da imprensa.

A outra camada é a infraestrutura, onde as barreiras de entrada são bem altas e é dominada por poucas empresas – as de telecom.

O que a Google está fazendo é tentar ocupar essa camada da internet, onde as barreiras de entrada são altas.

Ter a sua própria infraestrutura pode dar vantagem competitiva à Google em relação a concorrentes, como Facebook, Twitter e Netflix,.

Apesar de terem milhões de usuários, Facebook, Twitter e Netflix não dominam essa última camada – dependem de terceiros, para que seus serviços cheguem aos usuários finais. No ano passado, o Netflix, por exemplo, foi prejudicado por uma decisão da AT&T.

Não é uma movimentação fácil. A última empresa a tentar algo foi a Microsoft no final de 2011, que anunciou parcerias com diversas operadoras de telecom durante o lançamento do novo dashboard do Xbox 360, voltado para o consumo de TV no console de games.

O projeto da Google é maior, envolve o uso de rede própria e faz com que a empresa passe a concorrer com as operadoras de telecom.

Aos poucos e de forma experimental, a Google Telecom vai saindo do papel.

Veja também: Confessionário de um Xoogler

Crédito das fotos: Mal-irl

Publicado por Tiago Dória, em 6 de fevereiro de 2012 (Segunda-feira).
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A caixa-preta personalizada da Google

Nem bem começou o ano e a Google anunciou modificações importantes em um dos produtos mais utilizados na web. Por meio do recurso Search plus Your World, a empresa integrará dados e conteúdos do Google+ em seu sistema de busca, que ficará mais personalizado.

Perfis e conteúdos, publicados e indicados por contatos que estão no Google+, ganharão destaque especial nos resultados das buscas.

Na realidade, o Search plus Your World é uma extensão mais radical do recurso Google Social Search, porém, desta vez, os dados de origem vêm do Google+.

A notícia da alteração chegou a ofuscar as informações que estavam vindo lá da CES 2012, tradicional feira de eletrônicos que acontece em Las Vegas, nos EUA.

Dois motivos chamam a atenção nas modificações:

É a primeira vez que a Google, abertamente, favorece conteúdo de uma empresa nas buscas. No caso, conteúdo dela mesma, o que vai contra a premissa histórica da Google de não dar maior relevância ao conteúdo desta ou daquela empresa nos resultados de buscas.

O Google continua sendo uma caixa-preta. Mas, desta vez, está mais transparente. O Search plus Your World é opcional. Existe a possibilidade de desativar as buscas personalizadas. Ou seja, você tem mais controle sobre a forma como a busca é customizada.

De imediato quem mais sai prejudicado com o novo recurso é o Twitter, que tinha boa parte de seu conteúdo apresentado nos primeiros resultados das buscas. Desde que se assumiu como uma empresa de conteúdo e, deste modo, viver exclusivamente de publicidade, o Twitter necessita de pageviews para rechear os seus relatórios de audiência. Com a má colocação nos resultados, os pageviews decaem. A chiadeira do Twitter é justificável; é uma questão de sobrevivência.

O Facebook é um caso à parte. Até hoje me pergunto quantas pessoas realmente usam a funcionalidade de busca na plataforma de rede social. O grande potencial do Facebook está em ser um importante utilitário de comunicação para o usuário final e uma exclusiva e segmentada base de dados para empresas e anunciantes. Busca é algo importante para o Facebook, mas talvez não na dimensão em que é supervalorizada em diversos artigos.

Além de ser uma etapa importante no projeto de incrementar os resultados das buscas e de fazer o Google+ uma camada social e um fator de integração entre todos os produtos da Google, o Search plus Your World parece ser mais uma tentativa de atrair mais produtores de conteúdo para o Google+. Publique o seu conteúdo no Google+ e ele aparecerá em destaque nos resultados das buscas.

Aliás, desde as modificações anteriores em seu sistema de busca, a Google vem favorecendo quem produz conteúdo original na web, ao fornecer suporte para certas tags e associações de perfil do Google+ (Google Agent Rank)

A grande questão é se a mudança incentivará as pessoas a começarem a usar ou a utilizar com mais intensidade o Google+?

Até agora, o “overwhelmed consumer factor” parece jogar contra a Google e a favor de Twitter e Facebook. Talvez as duas empresas nem precisem recorrer a recursos jurídicos, leis antitruste, para minimizar a movimentação da Google.

Cada vez mais, as pessoas estão ocupadas e entupidas de informações, não tendo tempo nem paciência para mudar da plataforma habitualmente utilizada e que lhes é eficiente.

Quando começam a surgir muitas opções, você fica confuso e acaba optando pela alternativa mais segura. Ou seja, deixar como está.

Veja também: O futuro do Google+ está nas “redes privadas”?

Publicado por Tiago Dória, em 11 de janeiro de 2012 (Quarta-feira).
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Busca em 6 minutos

A Google divulgou um material interessante sobre a evolução da busca na web.

Em um vídeo de 6 minutos, a empresa mostra um histórico de seu sistema de busca, hoje peça-chave no gerenciamento de bits na rede.

Uma das poucas empresas no Vale do Silício que, nos anos 90, acreditou que busca poderia ser produto e não apenas funcionalidade, a Google faz, em média, 500 melhorias por ano em seu sistema de busca. Algumas são imperceptíveis para o usuário final. Outras nem tanto, como o Google Instant e o Google Voice Search.

É um dos primeiros vídeos em que a empresa reconhece que, cada vez mais, as pessoas têm dificuldade de encontrar o conteúdo que querem na web.

O futuro da busca? Segundo a Google, passa por uma mistura de inteligência artificial, assistente pessoal e reconhecimento de voz, permitindo assim responder a perguntas mais complexas e, cada vez mais, rápido (tenho impressão que esse trecho do vídeo ajudará a aumentar as especulações de que o Siri da Apple representa uma ameaça para a Google).

Aliás, durante todo o vídeo, a empresa deixa evidente a sua obsessão pela velocidade, o que pode ajudar a passar a impressão errônea de que para a Google o atual problema dos sistemas de busca é somente uma questão de velocidade e não de relevância e qualidade dos resultados das pesquisas.

Junto com o vídeo, a empresa publicou uma linha do tempo da busca (imagem que abre o post).

Veja também: Histórias escondidas nas buscas

Publicado por Tiago Dória, em 28 de novembro de 2011 (Segunda-feira).
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De círculo em círculo no Google+

Nesta semana, a Google estreou dois comerciais sobre o Google+.

O primeiro fez a sua estreia na TV durante o feriado de Ação de Graças, nos EUA.

O segundo apareceu no YouTube. Tem um apelo mais afetivo.

Com os dizeres “Sharing …but like real life”, os dois comerciais destacam a funcionalidade “Circles” do Google+, que, por incrível que pareça, é vista como uma faca de dois gumes do serviço.

Para alguns, o futuro do Google+ passa justamente pelas redes privadas que podem ser construídas à medida que você separa e organiza os seus contatos em círculos.

Para outros, o “Circles” é exatamente a contradição do Google+. Na vida real, nós não separamos os nossos amigos, familiares e colegas em círculos, de forma consciente e cartesiana, mas sim de modo subconsciente e caótico. A todo momento estamos mudando as pessoas de “círculo”. Em um dia, podemos colocar a mesma pessoa em diversos “círculos”.

Círculo por círculo, a grande questão é se os comerciais ajudarão a Google a aumentar a taxa de adesão ao serviço. A empresa ainda costuma utilizar pouco a TV para divulgar seus produtos.

Veja também: Estão confiando no taco do Google+

Publicado por Tiago Dória, em 25 de novembro de 2011 (sexta-feira).
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Google Telecom – Parte 2

A Google anunciou que planeja oferecer uma rede de fibra ótica na cidade de Kansas, nos EUA.

Segundo o Wall Street Journal, a intenção é fornecer não somente infraestrutura, mas serviços “triple play” – TV a cabo, telefonia e acesso à banda larga.

O serviço de TV seria disponibilizado por meio da Google TV, projeto que estaria passando por uma reformulação.

Há algum tempo, comentei sobre o quanto a Google Telecom começa a ganhar corpo, principalmente depois que Larry Page assumiu a diretoria da empresa.

Desde agosto, a Google fornece uma rede de fibra ótica para parte das pessoas residentes em Palo Alto, nos EUA.

Ao entrar no negócio de infraestrutura, a Google ganha uma vantagem sobre as demais empresas, que dependem de terceiros para fazer com que os seus serviços cheguem aos usuários finais. Por outro lado, com o posicionamento, a Google ganha novos competidores – as empresas de telecom.

Veja também: Google Telecom mais próxima da realidade

Crédito da foto: d-reichardt

Publicado por Tiago Dória, em 4 de novembro de 2011 (sexta-feira).
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Vetado pela Google, Paul Adams lança novo livro em novembro

Paul Adams é, atualmente, um dos principais profissionais do segmento de plataformas de redes sociais. É também protagonista de uma das histórias mais mal contadas sobre demissões e admissões em empresas de tecnologia.

Durante quatro anos, Adams foi pesquisador de UX da Google. Acabou se transformando no principal teórico por trás do Google+. Em colaboração com a empresa de busca, o pesquisador chegou a escrever um livro sobre o tema – “Social Circles“, o qual não foi publicado.

Adams pediu demissão da Google em dezembro de 2010. Foi para o Facebook, onde virou gerente de produtos.

Sem Adams, o Google+ foi lançado em junho de 2011. E, segundo o americano, a Google vetou a publicação de “Social Circles“, que chegou a entrar no catálogo da Amazon.

Depois do episódio, Adams chegou a lavar roupa suja em público. Apesar de ter sido o principal pesquisador responsável pelo Google+, alegou que o seu trabalho “não tinha espaço na Google”.  A empresa de busca, por sua vez, nunca deu a sua versão dos fatos.

O funcionário do Facebook começou a produzir Grouped, livro com conteúdo e análises semelhantes às do livro não lançado. Está previsto para chegar às livrarias em 26 de novembro.

É quase que uma versão adaptada de “Social Circles“.

Contudo, com as adaptações feitas, o livro perdeu um pouco de vigor. Pela capa e sinopses que Adams postou no próprio Google+, parece ser mais um livro que analisa as plataformas de redes sociais do ponto de vista do marketing.

Mas como quem vê capa nem sempre vê conteúdo, para entender um pouco o que vem pela frente, vale a pena dar uma olhada na apresentação de Adams na última UX Week.

O americano bate naquela tecla. Cada vez mais, a internet é feita em torno de pessoas. E para compreendê-la, você deve entender muito mais de pessoas do que simplesmente de tecnologia ou de negócios.

Veja também: O futuro do Google+ está nas “redes privadas”?

Publicado por Tiago Dória, em 16 de outubro de 2011 (domingo).
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O futuro do Google+ está nas “redes privadas”?

Quarenta milhões de pessoas criaram um perfil no Google+, plataforma de rede social da Google com 4 meses de vida. O número foi divulgado por Larry Page, CEO da Google, durante a apresentação do balanço financeiro do terceiro trimestre da empresa.

Nesta semana, junto com a divulgação dos números, engenheiros da Google deram para falar até os cotovelos em redes sociais e publicações.

Primeiro, Steve Yegge que deixou vazar uma mensagem voltada aos colegas de empresa, na qual fazia críticas à demora do Google+ em lançar APIs públicas. Yegge chamou de “patético” o projeto da própria empresa da qual faz parte.

Depois, Bradley Horowitz, vice-presidente de produtos do Google+, que, em entrevista ao Wall Street Journal, admitiu que a Google está numa corrida com o Facebook. Uma competição por funcionalidades.

Nesta corrida, a qual chamei de jogo de xadrez, a Google deu um passo importante. Adicionou ao Google+ um sistema de busca em tempo real. Funcionalidade na qual o Google se destaca há tempos, enquanto que o Facebook e o Twitter ainda são deficitários em termos de tecnologia. O DNA da Google está na busca.

É de se questionar quantos usuários realmente usam a busca interna nas plataformas de redes sociais, mas não dá para negar que a funcionalidade imprime mais relevância e uma noção de temporalidade a uma plataforma.

Uma integração com o Orkut, para migrar fotos, e outra com o YouTube, para compartilhar conteúdo e conversar com outras pessoas que estejam assistindo a um mesmo vídeo, também foram disponibilizadas ao público.

Contudo, a afirmação mais interessante de Horowitz é a que ratifica algo que era apontado por pesquisas. O Google+ estaria pegando uma pequena fatia de mercado que não é muito bem atendida pelo Facebook e Twitter – a de pessoas que não querem fazer broadcast, mas sim compartilhar e conversar de forma privada com as suas redes pessoais (o Facebook lançou recentes funcionalidades que permitem o compartilhamento privado, porém, o incentivo é outro).

Para gerar mais tráfego e tempo de uso, e assim rechear os seus relatórios de audiência, as atuais plataformas de redes sociais incentivam as pessoas, além de correr atrás de seguidores, a compartilhar tudo de forma pública, a fazer broadcast, quase que compulsivamente.

No entanto, existe uma parte do público que, por motivos de privacidade ou relevância, não se interessa por compartilhar tudo publicamente e menos ainda liga para o número de seguidores.

Já comentei que esse negócio de seguidores interessa mais para uma parte dos usuários de redes sociais, porém bastante barulhenta e que acaba falando pelo todo – celebridades, empresas e “candidatos a microcelebridades da internet”.

Ainda é muito cedo para bater o martelo, mas, se a intenção da Google era atender o público interessado em conversar de forma privada com as suas redes pessoais, parece que a estratégia está dando certo. Dois terços das mensagens no Google+ são privadas. A tendência é subir, segundo Horowitz.

Pelo histórico da empresa, é meio difícil imaginar que a Google tenha entrado no negócio de plataformas de redes sociais apenas para pegar uma pequena fatia do mercado. Historicamente, a Google entra num mercado para ganhar o bolo todo.

Apesar disso, Horowitz diz que, no estágio atual, o Google+ não tem a intenção de atingir um grande público. Na realidade, na medida em que os dados gerados no Google+ são usados em outros produtos da Google, quem usa o Google+ quer, na verdade, ter uma experiência melhor com o sistema de pesquisa da empresa.

Ou seja, na Google tudo termina em busca.

Veja também: Estão confiando no taco do Google+

Publicado por Tiago Dória, em 14 de outubro de 2011 (sexta-feira).
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Google Telecom mais próxima da realidade

Lembra que eu comentei sobre a Google estar mais próxima de uma empresa de telecom e da visão de Larry Page a respeito da Google se transformar em uma empresa verticalizada de comunicação, que forneça não somente serviços, mas também infraestrutura?

Nesta semana, a Google passou a oferecer uma rede própria de fibra ótica para pessoas residentes próximas à Universidade de Stanford, em Palo Alto, nos EUA. A próxima cidade a receber a infraestrutura de internet da Google será a de Kansas.

A intenção é que a velocidade de conexão da rede da Google seja cem vezes mais veloz que uma conexão normal com a qual os americanos estão acostumados.

Ao verticalizar as suas operações e entrar no negócio de infraestrutura, por um lado, a Google ganha uma vantagem competitiva sobre as demais empresas – Apple, Facebook, Microsoft -  que dependem de terceiros para fazer com que os seus serviços cheguem aos usuários finais (recentemente, o Netflix foi prejudicado por uma decisão da AT&T). Por outro lado, com o posicionamento, a Google ganha novos competidores – as empresas de telecom.

Ao que tudo indica, a Google percebeu que quem domina a infraestrutura de internet tem um grande poder em mãos.

Com a nomeação de Larry Page como CEO da Google, era meio que esperado que a empresa retomasse de forma mais acelerada o seu projeto de ter uma rede própria de telecomunicação.

Segundo o livro Confessions of Google Employee 59, Page sempre defendeu a visão (o que a empresa será daqui a alguns anos) de que a Google deveria se tornar uma empresa verticalizada de comunicação. Além disso, internamente, o executivo foi o principal responsável por incentivar o projeto do Android, sistema operacional da Google para dispositivos móveis.

Aos poucos, as peças vão se encaixando. A Google passa a fornecer chamadas telefônicas via Gmail, compra a Motorola, retoma o projeto de oferecer infraestrutura de telecomunicação. Parece que a Google Telecom está bem mais próxima da realidade.

Veja também: Com Skype, Facebook reafirma ser um “utilitário de comunicação”

Publicado por Tiago Dória, em 24 de agosto de 2011 (Quarta-feira).
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Guerra de patentes e outras coisas mais em “Google + Motorola”

O anúncio da compra foi meio que inesperado, mas faz sentido:

A Google anunciou que vai comprar a Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões (a Motorola atualmente é dividida em duas unidades de negócios – Motorola Mobility, voltada para dispositivos móveis, e Motorola Solutions, ligada a serviços de comunicação para empresas).

A Motorola é uma das principais fabricantes de celular que trabalha com o sistema operacional Android e a compra é considerada a de maior valor até hoje feita pela Google.

Com a aquisição, a Google ganha mais poder de barganha na guerra de patentes, que vem se desenrolando há alguns meses entre Apple, Microsoft, Nortel, Motorola e a própria Google.

Pagar US$ 12,5 bilhões por patentes de “comunicação móvel” para depois licenciá-las não é para qualquer um. No entanto, existem mais coisas envolvidas na operação de compra.

A compra é consequência da histórica política da Google de cortar intermediários e verticalizar os negócios. A Google cortou um intermediário no setor mobile. Agora, a empresa controla não somente o software, mas também o hardware dos aparelhos com o Android.

Com isso, a Google tem um domínio melhor sobre a “experiência do usuário” com o Android. Aliás, com a compra, de certa forma, a Google dá um crédito à Apple que sempre defendeu a ideia de que “experiência” é hardware + software + serviços (os 3 devem estar integrados).

A aquisição pode ter diversas consequências mais imediatas: 1) acelerar a possível compra da Nokia (ou quem sabe RIM) por parte da Microsoft , 2) a Google pode estender a compra para outras áreas, como a de tablets, 3) a empresa de busca pode passar a ser vista como concorrente por seus antigos parceiros, como Samsung e HTC, que distribuíam o Android em seus dispositivos.

A operação de compra da Motorola deverá ser concluída até o final deste ano ou começo de 2012.

Atualização - O Lost Remote acrescentou uma questão que tem um possível efeito específico no mercado americano. A Motorola é a maior provedora de set-top boxes de TV nos EUA. Com a integração, a Google TV poderá ganhar mais distribuição, além de acesso a mais dados.

Veja também: A obsessão da Google por velocidade

Crédito da foto: Kham Tran

Publicado por Tiago Dória, em 15 de agosto de 2011 (Segunda-feira).
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