Durante quase um mês, o Hub São Paulo, primeiro espaço de coworking do Brasil, será palco da Hub Escola de Inverno, ciclo de palestras, cursos e workshops ligados ao conceito de coworking (empreendedorismo, inovação social, webcidadania e desenvolvimento pessoal).
Será em São Carlos, em São Paulo. O projeto já está em processo de montagem e um dos idealizadores é o brasileiro Fabricio Zuardi, que durante a sua estadia como desenvolvedor no Vale do Silício, teve contato de forma indireta com o conceito de coworking, ao participar de eventos como o Citizen Space, espaço de coworking em São Francisco, e os Meetups, do Open Media Web.
A idéia surgiu no final do ano passado, quando o Fabricio estava voltando ao Brasil. O conceito é semelhante ao de outros espaços – juntar pessoas que estejam a fim de trabalhar de forma colaborativa, dividindo ferramentas, conteúdo, idéias e trabalhos.
Conversei por email com o Fabricio e ele contou que o projeto está sendo sustentado com dinheiro próprio, não existe investimento externo. E que o espaço não será tão aberto, até por que não existe a intenção de ganhar dinheiro. Haverá agendamento e entrevista antes de utilizá-lo
É possível acompanhar todo o processo de montagem do espaço em São Carlos no site da comunidade.
O assunto já foi tema de matérias na Fortune, Wired, NYTimes e BusinessWeek. E quem acompanha este blog já deve ter lido diversos posts meus sobre o tema coworking, que é o conceito de você trabalhar de forma colaborativa, compartilhando conteúdo, idéias e ferramentas.
A novidade é que a cidade de São Paulo está prestes a ganhar um espaço de coworking, lugar voltado para pessoas e empresas, onde será possível colocar esse conceito na prática.
Em cidades como Nova York, Londres e Berlim, esses espaços têm sido muito utilizados por freelancers, já que um local desses consegue resgatar aquele ‘clima de escritório’ [no sentido de ser um espaço de troca de idéias], que não existe quando você trabalha sozinho em casa.
Além disso, a infra-estrutura e o ambiente fornecidos são muitos próximos aos de escritórios de empresas como a Google, com pufes pelo chão e troca constante de experiências.
Diversos brainstorms do projeto foram realizados antes
Nesta terça-feira, fiz uma visita às obras do The Hub SP, que funcionará na Rua Bela Cintra, 409, em São Paulo. Bati um papo com Pablo Handl, coordenador do projeto, e Zay M Pereira, designer do espaço.
Foi interessante conversar com o Pablo, que é australiano e está há 2 anos e meio no Brasil, pois ele esclareceu algumas questões, como a de que o espaço não será voltado apenas a “pessoas que trabalham com internet”.
Mas a todo tipo de profissional – advogados, professores, analistas financeiros que precisam de um “escritório casual” ou não. A idéia é que justamente ocorra uma troca de experiência entre pessoas de diversas profissões.
Agregador offline de pessoas – hub de coworking em Londres. Foto: Avorio
Empresas, principalmente startups de internet, também podem utilizar o espaço – quatro organizações já fazem parte. Outra questão, segundo Pablo, é que o conceito central não é ser apenas um “escritório para freelancers”, mas um ponto de encontro de pessoas.
Você que gosta de blogar pode ir lá e, por exemplo, acabar encontrando uma pessoa que adora fazer layouts para blogs. E combinar um trabalho juntos. Ou até colaborar em freelas.
O The Hub SP contará com espaço para palestras, sala para reuniões, exposições, cozinha, wifi, telefones fixos, lounges com redes [de balanço mesmo] e almofadas para quem quiser trabalhar mais sossegado.
Espaço tem 500 metros quadrados
Você pode trazer o seu laptop e trabalhar deitado em uma rede, por exemplo. Aliás, você pode trazer o seu computador ou não. O local fornece toda a infra-estrutura, você pode até utilizá-lo como endereço para entregas de correspondências.
Para utilizar o espaço, será necessário assinar um plano com horas de uso, como um celular. Entre planos para pessoas físicas e jurídicas, os valores variam de R$ 34 [15h] a R$ 665 [horas ilimitadas].
Para conhecer melhor o espaço e o conceito de coworking, segue acima uma visita que fiz em vídeo ao The Hub SP. É guiada pelo próprio Pablo, que explica os detalhes.
Depois da revista Fortune, agora é a vez do The New York Times dar um grande destaque ao assunto. No começo do ano, o Estadão abordou o tema, mas não usou o termo “coworking“.
Nas entrelinhas, o jornal de Nova York revela o motivo do coworking crescer tanto no mundo – as pessoas gostam de trabalhar de forma independente, mas não isoladas em casa.
Acho que existem outras razões maiores – trabalhar como freelancer é cada vez mais comum e a internet [banda larga] abriu possibilidades para as pessoas poderem trabalhar de forma remota e colaborativa. Ou seja, hoje faz sentido falar de coworking.
Gustavo Fortes, diretor de planejamento da agência Espalhe e um dos autores do Blog de Guerrilha, abriu o seminário falando sobre a relação entre empresas, agências e novos produtores de conteúdo.
Achei interessante uma idéia que o Gustavo levantou ao responder uma pergunta da platéia. Semelhante aos bridge-bloggers [blogs que fazem a ponte entre duas culturas], há blogs que fazem a ponte entre profissionais de várias mídias.
De repente, ao fazer uma ação em um blog, uma empresa acaba atingindo outras mídias e profissionais de outros veículos. [Por exemplo, jornalistas da grande imprensa que lêem um blog podem ser influenciados ou até pautados por um post].
Rosana Hermann, do Querido Leitor, fez uma das palestras mais descontraídas. Falou sobre credibilidade na blogosfera. A meu ver, criou uma das melhores metáforas sobre a blogosfera -blogs são como padarias. Tem em toda esquina e sempre tem que ter pão quentinho [post novo].
Evangelista da BarCamp Brasil, André Avorio apresentou o conceito de coworking. Em resumo, é um movimento de pessoas freelancers que normalmente trabalham em casa e estão alugando escritórios para dividir despesas de luz, aluguel e internet. A idéia é resgatar aquele ‘clima de escritório’.
Em breve, o Brasil terá um hub de coworking e será na rua Bela Cintra, 490 409, em São Paulo. Está sendo montado dentro da mesma filosofia do The hub.
Juliano Spyer, autor do livro Conectado, começou falando sobre a sua carreira na StarMedia e o quanto acompanhar pessoas que nunca se viram, participando de um chat-entrevista, o fez se interessar pela web. Spyer lembrou que sempre existe aquele momento em nossas vidas em que a internet nos conquista.
Participantes assíduos de ‘desconferências’, Spyer e Avorio ajudaram a quebrar o clima formal do evento. Em certo momento, Avorio começou a fazer perguntas para a platéia, derrubando a barreira – palestrantes e público [gostei bastante desse momento].
Kazi, da produtora Colmeia.Tv, trouxe bastantes novidades sobre o uso do Wii em projetos de comunicação [inclusive para a manipulação de interfaces 3D]. O Wiirimbau foi demonstrado ao vivo! E Kazi mostrou o quanto o Wii resgatou a questão da importância da inteligência motora.
Eu sou suspeito para falar – montei a programação do seminário – mas acredito que o evento agradou a todos – alunos, professores, profissionais e palestrantes. O clima estava muito bom. Diversas perguntas foram feitas ao final de cada apresentação, o que demonstrou o interesse das pessoas pelos assuntos abordados.
Gustavo Jreige fez um comentário que resumiu bem o clima do evento “[...] foi a primeira vez que eu vi o povo da pós e do mestrado rindo!”
Para mim, foi ótimo rever e conhecer pessoalmente algumas pessoas com as quais somente tinha contato online, como o Paulo Maia.
No final, ainda deu tempo de passar rapidinho na StartupCamp
Algo como o Coworking Brooklyn, onde pessoas se unem [por um curto período] para alugar um escritório para trocar idéias e centralizar trabalhos. Outra idéia é o Jelly. A cada 5ª feira, freelancers são convidados a trabalhar em um mesmo lugar, no caso o apartamento de Amit Gupta, blogueiro em Nova York. Lá tem wi-fi, café e você só precisa levar o seu laptop.
Já trabalhei em redações e escritórios, mas adoro trabalhar em casa e fazer meu próprio horário – produzo mais assim – deve ser até por causa disso que acabei trabalhando com internet.
Apesar de todo dia trocar idéias pelo MSN e Skype, vou confessar a vocês, às vezes, sinto falta mesmo desse tal “clima de escritório” ou de um lugar para fazer reuniões ou uma entrevista – às vezes, “redação de blogueiro” acaba sendo as Fnac’s , Startbucks e Frans Café da vida ;-)
O que gostei no projeto da Jelly e do Coworking Brooklyn é que os dois, no final das contas, são escritórios, mas você não precisa cumprir horários. Você continua trabalhando de forma independente, mas tem seu espaço garantido lá e aparece quando realmente precisa.
E você pode o alugar o lugar [no caso, o Coworking Brooklyn] por apenas alguns dias se quiser. Semelhante a um escritório casual.
A blogosfera brasileira ainda está engatinhando tanto em conteúdo como em profissionalismo. Mas bem que os blogueiros brasileiros poderiam começar a pensar em fazer algo parecido. Já pensou em uma redação só de blogueiros?