Tim Berners-Lee + Al Gore + Campus Party 2011

Na tarde desta terça-feira, acompanhei a passagem na Campus Party Brasil de Tim Berners-Lee, criador da web, e de Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e ativista ambiental.

Pela primeira vez, os dois ficaram juntos no mesmo palco.

Acredito que, em 4 anos de Campus Party Brasil, essa foi a melhor palestra no palco principal.

Ambos fizeram diversos comentários sobre assuntos atuais, como vazamento de informações na web e privacidade.

Por exemplo, o criador da web minimizou a importância dada ao Wikileaks. Segundo ele, o site é, em realidade, apenas um intermediário. Não é ele quem vaza as informações.

Assim como Al Gore, Berners-Lee se mostrou a favor da divulgação de dados na web, mas desde que sejam informações públicas e o direito à privacidade das pessoas seja respeitado.

Apesar de ter se posicionado de forma idêntica em um evento no final do ano passado, quando disse que o Wikileaks não tem a ver com a ideia de “governo aberto” defendida por ele, pelo que percebi, a opinião de Berners-Lee sobre o vazamento de informações na web causou um pouco de estranheza. Porém, o posicionamento do criador da web faz sentido.

Em seu trabalho, Berners-Lee sempre deixou evidente a sua preocupação com a forma e os interesses como dados são utilizados na web, além da relevância deles para o dia a dia das pessoas. “Dados sobre o estado de saúde de uma pessoa não devem estar abertos a qualquer um na web”.

Segundo ele, precisamos lutar por informações de interesse comum, que sejam realmente relevantes para as pessoas, como dados sobre violência, habitação e áreas de risco em enchentes, e não intrigas entre governos.

Durante a palestra, ambos acionaram o ‘alarme de incêndio’ ao afirmarem que grandes empresas e governos querem, cada vez mais, controlar a internet e rastrear a navegação dos usuários. Al Gore bateu bem mais nos governos que tentam monitorar o uso da web. Berners Lee, por sua vez, criticou mais as empresas: “Preocupo-me quando percebo que algumas empresas estão se tornando dominantes na internet”, numa clara alusão à Google e ao Facebook.

Os dois defenderam a criação de leis que garantam ainda mais a privacidade das pessoas na web.

Uma das melhores partes do encontro foi quando Berners Lee defendeu que, acima de tudo, devemos utilizar a internet para conhecer pessoas de outros países e com visões diferentes. A internet deve ser uma oportunidade para pararmos de andar somente com as pessoas que já pensam como a gente. Ou seja, uma oportunidade única de nos tirar da “zona de conforto“.

Veja também: Tim Berners-Lee acionou o alarme de incêndio

Crédito da foto: Cristiano Santa’a nna (Campus Party Brasil)

Publicado por Tiago Dória, em 18 de janeiro de 2011 (Terça-feira).
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Ciberativismo de butique

Apesar de toda a expectativa criada em torno deles, os chamados nativos digitais são os mais superficiais quando o assunto é ativismo online. É o que mostra a última edição da Economist.

A matéria baseia-se numa pesquisa recente da Pew Internet que revela que a maioria dos jovens entre 18 e 24 anos realiza um tipo de “ativismo online superficial”, apoiado mais em atitudes que não vão além de se cadastrar em comunidades ligadas a grandes causas.

Segundo o estudo, os jovens são os menos suscetíveis a fazer doações políticas online, por exemplo. Ao se cadastrar em uma comunidade ligada a uma causa no Facebook, existe um desejo maior de exibir seu ativismo aos amigos (mais como uma forma de construção de identidade) do que realmente se engajar de forma prática.

Não é a primeira vez que o “ativismo online” das novas gerações é criticado. Em sua coluna na Foreign Policy, o pesquisador Evgeny Morozov, especialista na relação entre política e internet, gosta de provocar ao afirmar que não é se cadastrando em comunidades online a favor da liberdade no Irã e na China que a democracia vai surgir de forma mágica nesses países.

Por enquanto, é muito barulho para pouco resultado. Será?

Veja também: Eles estão cada vez mais desconectados

Publicado por Tiago Dória, em 5 de março de 2010 (sexta-feira).
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Transparência Camp apresenta dois novos aplicativos

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Paralela à 1ª Conferência Web do W3C Brasil aconteceu o Transparência Camp, encontro que reuniu pessoas de diversas áreas para debater e criar aplicativos em torno de dados públicos disponíveis. Foi uma continuidade ao Transparência Hack Day, que aconteceu em outubro.

Ao final, dois aplicativos foram apresentados:

1) SACSP, que mostra em um mapa de São Paulo as reclamações feitas por moradores da cidade. A maioria das reclamações é relacionada à jardinagem (poda de árvores e corte de mato).

O interessante delas estarem plotadas em um mapa é a possibilidade de visualizar melhor quais regiões da cidade são mais problemáticas, além de ter um ranking dos tipos de reclamações.

Para isso, a ferramenta utiliza dados do SAC (serviço de atendimento ao cidadão) da Prefeitura de São Paulo. No caso, o Bruno Barreto, que criou o site, teve que fazer um processo de “raspagem de dados”. Ou seja, pegar os dados do site da prefeitura e passá-los para um formato aberto, mais maleável e que permita a criação de mashups.

A previsão é que, no futuro, o SACSP libere o acesso público à API.

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2) Legisdados, por sua vez, surgiu durante o Transparência Hack Day. Foi desenvolvido pelo pessoal do Parlamento Aberto.

Semelhante ao SACSP, faz um trabalho de “raspagem de dados”. Extrai dados sobre projetos de leis do site da Câmara Federal e passa-os para formatos abertos. A ideia é ser uma espécie de repositório de dados que já foram “raspados” (estão em formatos abertos),  o que facilitará o trabalho futuro de outros desenvolvedores que quiserem criar aplicativos em torno de informações públicas.

Vale lembrar que os dois projetos ainda estão em estágio de desenvolvimento inicial, logo podem apresentar problemas e algumas funções incompletas.

Antes da apresentação dos projetos desenvolvidos no Transparência Camp, aconteceu um debate sobre dados públicos, que contou com a presença de Wagner Diniz, gerente do escritório do W3C no Brasil; Roberto Aguine, do Gati (Grupo de Apoio Técnico à Inovação da Secretaria de Gestão Pública, do Governo do Estado de São Paulo); e Marcelo Stopanoveski, da Controladoria Geral da União.

Em resumo, acredito que três pontos importantes foram levantados durante o debate. Um deles, é necessário uma linguagem menos técnica nos sites de transparência governamental.

Transparência e disponibilização de dados abertos não podem se resumir a fiscalizar e controlar a corrupção. É comum associar dados abertos ao combate à corrupção, mas a ideia deve ir além disso, ser um instrumento para uma gestão mais próxima das demandas da sociedade.

E ainda. É preciso haver um debate sobre o licenciamento dos dados públicos. É permitido o uso comercial desses dados? Com qual licença específica os dados serão disponibilizados? Quem produz os mashups e aplicativos precisa de uma segurança jurídica?

Outro Transparência Camp está previsto para acontecer.

Desta vez, em Brasília e no começo de dezembro.

Veja também:
Quem tem medo da internet?

Publicado por Tiago Dória, em 25 de novembro de 2009 (Quarta-feira).
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O que mais gostei no TEDxSP

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Neste final de semana, estive na primeira edição da conferência TEDxSP. Maratona de mais de 30 palestras, apresentações de 5 a 15 minutos (a meu ver o tempo ideal para qualquer palestra) sobre temas que iam de biologia a educação, passando, claro, por tecnologia e mídia.

O formato é importado. O TED, na verdade, surgiu em 1.984, nos EUA.

Em relação à diversidade de temas, lembra bastante a POP!Tech.

A apresentação da Fernanda Viégas foi bem conectada com algumas coisas que venho abordando aqui, no blog – transparência e mesclagem de dados, APIs, novas narrativas.

A pesquisadora da IBM e do MIT mostrou que a atual “revolução da informação” faz surgir a necessidade de tradutores para entender esse excesso de informações resultante dela.

Um desses tradutores é a visualização de dados, que ela definiu como um “óculos especial” para enxergar nuances que antes não eram visíveis.

Dentro dessa ideia, Viégas mostrou o site que codesenvolveu em 2007, o Many Eyes, onde qualquer pessoa pode criar os seus próprios infográficos a partir de dados externos.

O Many Eyes é o “motor” utilizado pelo NYTimes no VizLab para desenvolver alguns dos infográficos da versão digital do jornal, tão comentados e elogiados aqui, no Brasil.

Gostei também da apresentação do Fabio Barbosa, presidente do Banco Santander. Ele não usou esse termo, mas falou sobre algo que acho bem importante na administração, que é a “teoria da janela quebrada“. É preciso resolver os problemas enquanto ainda são pequenos.

Acredito que seja um conceito que se aplica muito bem não somente na administração pública, mas também na privada (gestão de plataformas de redes sociais, por exemplo).

Bug em um sistema? Conserte o mais rápido possível.

Em tempos de Twitter e blog, em que todo mundo gosta de levantar bandeiras e mostrar opinião sobre tudo, Barbosa fez o contraponto ao falar que uma atitude vale mais do que mil discursos e bravatas.

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O engenheiro Osvaldo Stella, por sua vez, no finalzinho de sua apresentação, fez uma ótima ligação entre digitalização de conteúdos e a preservação ambiental. O MP3 é a melhor coisa para o meio ambiente, segundo ele. Acabou com os CDs e desmaterializou a música.

É interessante, pois quando se fala de digitalização, quase sempre o lado da queda de custo é abordado, mas pouco sobre o efeito ecológico do digital.

Citando números do crescimento das LAN Houses no Brasil, Ronaldo Lemos, da FGV e Creative Commons, levantou a questão da apropriação das tecnologias nas periferias do Brasil, o que me fez lembrar a questão do autodidatismo. Você aprender por necessidade e conta própria.

Com a palestra de Lemos, ficou mais claro ainda para mim que apropriação de tecnologias e autodidatismo são duas coisas que andam juntas. Não somente hoje, ou no Brasil, mas quase sempre na história e em outros países foi assim.

Outro ponto interessante foi o lançamento do Vote na web, site que simula uma votação, onde você também pode votar nos mesmos tópicos dos políticos. Essa simulação serve para que, no final, você possa confrontar os seus votos com os dos deputados e, a partir disso, descobrir com quais você tem mais afinidade política. Ideia que foi levantada durante o 1º Transparência Hack Day.

Achei o evento meio ufanista em alguns momentos, o que o tornou um pouco cansativo. Em parte, efeito colateral do tema central, “O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?”.

Quando terminou o TEDxSP, eu saí com uma opinião sobre o evento, mas depois percebi que ainda era cedo para ter uma avaliação final e definitiva. O TEDxSP, na realidade, ainda não terminou.

Saberemos a sua validade somente daqui a algum tempo, pois, diferente de alguns eventos, o TEDxSP não é um ponto de chegada, mas de partida para ações.

Veja também:
O que aconteceu no 1º Transparência HackDay

Crédito da foto: (2) Alexandre Fugita

Publicado por Tiago Dória, em 15 de novembro de 2009 (domingo).
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Banda larga vira direito do cidadão em mais um país

LaptopA partir de julho de 2010 todos os cidadãos da Finlândia terão acesso à banda larga. Foi aprovada nesta quarta-feira uma lei que considerada o acesso à banda larga um direito do cidadão, igual o acesso à saúde e à educação.

A decisão faz sentido se a gente levar em conta que, cada vez mais, serviços importantes de comunicação funcionam com base na tecnologia de banda larga – telefonia, teleconferências, vídeos etc.

Dessa forma, a Finlândia se junta a outros países que consideram o acesso à banda larga um direito do cidadão – França, Grécia e Estônia.

Veja também:
Internet “aberta e imparcial”, debate polarizado

Publicado por Tiago Dória, em 14 de outubro de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: ciberativismo, politica. Tags: , , , , ,

O que aconteceu no 1º Transparência HackDay

Hack Day

RSS para acompanhar como cada político vem votando a pauta da Câmara, mashup para confrontar dados sobre o desmatamento na Amazônia e um mapa para identificar a demanda por escolas voltadas para educação adulta foram alguns dos projetos (“hacks”) desenvolvidos e apresentados durante o Transparência Hack Day, que eu acompanhei neste final de semana, na Casa de Cultura Digital, em São Paulo.

O encontro, que reuniu pessoas de diversas áreas para criar aplicativos em torno de dados públicos disponíveis, foi organizado pelo projeto Esfera, responsável pela clonagem do Blog do Planalto.

Além de um RSS para poder acompanhar a votação de cada político, o Parlamento Aberto tem a proposta de fornecer uma interface que permita visualizar os votos de cada deputado e senador. E ainda simular uma votação, onde você também pode votar nos mesmos tópicos dos políticos. Essa simulação acontece para que, no final, você possa confrontar os seus votos com os dos deputados e, a partir disso, descobrir com qual você tem mais afinidade política. Algo parecido ao que o Last.fm já faz na área de música, mas voltado para a área política.

Interface do tr3eO tr3e, por sua vez, confronta dados sobre o desmatamento na Amazônia. Atualmente, existem várias metodologias para mensurar a derrubada de árvores e que, muitas vezes, entram em conflito e são utilizadas para fins eleitoreiros. O tr3e tem o objetivo de confrontar e mostrar esses dados em uma interface do Google Maps para evitar distorções.

A partir de dados públicos do Ministério da Educação, o Mapa da EJA (Educação para Jovens e Adultos) mostra em um mapa todas as escolas que fornecem educação para adultos no Brasil. O objetivo é não somente mostrar onde essas escolas estão localizadas (algo difícil de visualizar por outros meios), mas identificar a demanda por esse tipo de educação no Brasil. A ideia, mais pra frente, é que as pessoas possam complementar essas informações plotadas no  mapa.

Ademais, outros projetos foram apresentados. Um deles é um protótipo de um sistema de votação online para os cargos na USP. No caso, os próprios alunosthackday_05 podem votar de forma remota. Outro, um mashup para mapear o lixo eletônico em todo o país. E ainda uma espécie de API (não oficial) para o projeto Excelências, da Transparência Brasil, e outra para a seção de fotos da Agência Brasil (o ABrCrawl).

O interessante é que esses dois últimos foram feitos em sites de informação que estão no ar, mas que apesar de terem uma abordagem de abertura de informações, não fornecem os seus dados de forma amigável e legível para computadores.

O trabalho é um pouco de “raspagem de dados”. Ou seja, extrair esses dados dos sites da Transparência Brasil e da Agência Brasil e passá-los para um formato aberto, tornando-os mais maleáveis, para que outras pessoas possam mesclá-los com outros dados e informações.

Vale lembrar que, em sua maioria, esses “hacks” estão em uma fase bem inicial, mais de conceituação e desenvolvimento (podem apresentar alguns erros). Neste momento mesmo, alguns deles estão sendo desenvolvidos. Todos foram apresentados no domingo, mas começaram a ser desenvolvidos e conceituados um dia antes, semelhante à dinâmica de outros eventos estilo “Hack Day“.

Portal Governo Aberto

O Transparência Hack Day, na realidade, começou já no sábado de manhã, com Roberto Agune, do Gati (Grupo de Apoio Técnico à Inovação da Secretaria de Gestão Pública) apresentando o projeto do Portal Governo Aberto, do Governo estadual, que fornecerá 11 bases de dados sobre informações públicas (desemprego, PIB, condição de vida etc.).

Dados que já são públicos, mas serão disponilizados em padrão aberto e formato “amigável”, o que permitirá o desenvolvimento de aplicativos que possam melhorar o seu entendimento. Um preview do portal foi mostrado durante o Transparência Hack Day (imagem acima).

Na ocasião, a SEADE (fundação responsável pela análise de dados estaduais) aproveitou para distribuir um CD com dados públicos – cerca de 40 indicadores sobre todos os municípios do Estado de São Paulo. Os dados foram solicitados anteriormente pelos organizadores do Hack Day.

Debate manhã do Hack DayO projeto do Portal Governo Aberto está sendo feito em parceria com o escritório do W3C no Brasil. Aliás, o W3C também está em negociação com a Casa Civil para uma parceria para disponibilizar dados sobre as obras do PAC.

Vagner Diniz, gerente do escritório no Brasil, também presente no Hack Day, contou algo que chamou a minha atenção, além de governos, o W3C está com foco também em orientar, “evangelizar”, emissoras, jornais e rádios para que disponibilizem seu acervo em padrão aberto, o que vai ao encontro do que já está sendo feito lá fora com o NYTimes, BBC e Guardian, ao liberar o acesso público às suas APIs.

No período da tarde, Pedro Valente, jornalista e desenvolvedor, explicou como utilizar o YQL, ferramenta do Yahoo! que facilita a coleta de dados públicos na web, seguido pelo professor Sérgio Amadeu, da Faculdade Cásper Líbero, que falou sobre cidadania digital.

O que ficou evidente no debate da manhã é que os dados públicos existem, eles estão acessíveis para qualquer pessoa e os governos têm disposição em fornecê-los. O problema é o formato. Esses dados, na maioria das vezes, quando disponilizados na web, estão em formato pdf ou algo parecido que não permite a leitura por máquinas e impossibilita a criação de aplicativos e interfaces interativas e amigáveis para visualizar e interagir com essas informações.

Quadro com projetosUma coisa é os dados poderem ser lidos por pessoas. Outra coisa é por computadores, serem utilizados de forma automática. Enfim, adianta muito pouco oferecer os dados em padrões não-abertos, legível apenas para pessoas. O grande diferencial é esses dados poderem ser lidos automaticamente por computadores, o que abre espaço para fazer cruzamentos e data mining, possibilidade que não existia enquanto esses mesmos dados não estavam digitalizados. A partir desses cruzamentos, é possível descobrir nuances e tendências que antes não eram perceptíveis.

Atualmente, é possível ter acesso a maioria dos dados que é considerada pública. Mas, dependendo do caso, é necessário fazer um ofício para o órgão responsável, justificar o uso e esperar um certo tempo para receber as informações que, na maioria das vezes, virão impressas e desatualizadas, já que se toma como referência a data em que foi feito o pedido de acesso aos dados.

Dinâmica que muda totalmente quando esses dados são oferecidos de forma aberta na web e com uma licença que permita o seu uso sem tantas restrições.

Para mim, o Transparência Hack Day foi bem positivo. Foi o primeiro deste tipo no Brasil. O que vai ajudar a fomentar que sejam realizados outros no país, sempre pensando em como utilizar a rede por uma maior transparência política. O encontro, claro, teve um caráter de provocação, sobre a importância de liberar os dados em formatos abertos, deixando para a sociedade a criação de ferramentas, interfaces e recursos que tornem mais fácil o seu entendimento.

Pessoalmente, foi ótimo para fazer mais contatos com desenvolvedores que estão por dentro dessa questão de “dados abertos” (jornalismo de dados) e  aprender um pouco mais sobre APIs.

Para saber mais sobre o encontro e os seus desdobramentos, é só seguir a hashtag #thackday.

Veja também:
Como foi o seminário sobre mídia na Cásper Líbero

Publicado por Tiago Dória, em 5 de outubro de 2009 (Segunda-feira).
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Internet “aberta e imparcial”, debate polarizado

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Dependendo do andar da carruagem, a última segunda-feira poderá ser considerada histórica para a recente história da internet. A FCC – Federal Communications Commission – , principal agência reguladora das telecomunicações nos EUA (o equivalente à Anatel no Brasil), revelou novas propostas para que os provedores de internet não façam discriminação em relação ao conteúdo na internet.

É uma vitória para os que defendem a questão da “neutralidade da internet“. Debate que se arrasta há 6 anos e tem como premissa impedir que provedores de internet bloqueiem ou diminuam a velocidade da conexão em decorrência do tipo de conteúdo que está sendo enviado/baixado ou aplicativo utilizado. As propostas valem somente para os EUA, mas quem sabe podem ter repercussão em futuras decisões regulatórias aqui, no Brasil.

“Hoje, não podemos imaginar nossas vidas sem a Internet – do mesmo jeito que não conseguimos imaginar a vida sem água encanada e sem a lâmpada”

Disse o presidente da FCC, Julius Genachowski, em discurso que repercute nos principais sites de notícias. Além da não discriminação, Genachowski adicionou ainda a proposta (bem vaga) da transparência, provedores devem ser transparentes na forma como gerenciam as suas redes, sejam elas de acesso sem fio ou não. Praticam traffic shaping? A velocidade entregue é equivalente à anunciada na venda?

laptopmesa01pqAs propostas da comissão ainda serão discutidas em uma reunião prevista para outubro. Contudo, somente a sua apresentação  já animou os defensores da “imparcialidade na rede”. Entre eles, o atual governo dos EUA, que, por meio de Obama, desde a época de campanha se posicionou a favor da “neutralidade”, e a Google, que chegou a lançar no começo do ano uma ferramenta para saber se um provedor de internet está praticando traffic shaping ou não.

Outro lado - Provedores reclamam. A FCC, por meio de mais regulamentações, estaria buscando “uma solução para um problema que não existe”. Dylan Tweney, em artigo na Wired, lembra que as propostas da FCC acrescentam mais uma camada de influência e burocracia do governo em um mercado que vem inovando de forma livre. As propostas fariam sentido em um mercado com monopólios, com poucas opções, o que não é o caso do acesso à web nos EUA, segundo ele.

A discussão começa a ficar politizada e polarizada, o que pode ajudar a esvaziar o debate e a torná-lo simplista, uma briga entre “mocinhos e bandidos”, enquanto a questão envolve vários lados e possíveis consequências a longo prazo. Senadores republicanos já se posicionaram contra as propostas regulatórias de Genachowski, que é do partido democrata.

Nesta segunda-feira, foi inaugurado o Openinternet.gov, voltado a discussão aberta do assunto. E, por coincidência, nesta terça-feira acontece, em todo o mundo, pelo 3º ano, o One Web Day, dedicado ao acesso público à internet e a sua utilização por uma maior transparência política.

Veja também:
O que mais aproxima cidadãos de governantes na web?

Crédito da foto: Respres

Publicado por Tiago Dória, em 22 de setembro de 2009 (Terça-feira).
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O lado B da internet

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Aquele pensamento inquestionável de que a internet e as mídias digitais, por si só, são ferramentas democratizantes está cada vez mais caduco.

Durante o Seminário sobre Liberdade de Expressão e Democracia promovido pela Revista Imprensa, em maio, em São Paulo, comentei que quem pesquisa ou acompanha essa área precisa ter em mente que essas ferramentas são neutras. Tanto podem ser usadas para restringir como para incentivar a liberdade de expressão.

Citei o caso recente da Moldávia, onde forças locais de segurança foram acusadas de criar falsos perfis no Twitter com informações inverídicas para gerar um ambiente de instabilidade e desinformação não somente interno como internacional.

Neste final de semana, no caderno Aliás, do Estadão, saiu um artigo interessante, traduzido do Washington Post, que toca um pouco nesse assunto, do lado B da internet, sobre o quanto regimes autoritários começam a aprender a usar essas mídias em seu favor.

Hoje soube da existência do site Gerdab, onde autoridades iranianas ou simpatizantes do governo de Mahmoud Ahmadinejad postam fotos dos recentes protestos nas ruas do Irã. O site pede que os usuários ajudem a identificar as pessoas que estão nas fotos para depois facilitar a sua entrega às autoridades de repressão. É o crowdsourcing a favor do governo nada democrático de Ahmadinejad.

Crédito da foto: Conson

Veja também:
Bush vai deixar saudades

Publicado por Tiago Dória, em 29 de junho de 2009 (Segunda-feira).
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Quem tem medo da internet?

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Campanha da agência Ogilvy Frankfurt, na Alemanha, para a Sociedade Internacional de Direitos Humanos. Tem mais aqui.

Dica da Marina, nos comentários.

Publicado por Tiago Dória, em 22 de maio de 2009 (sexta-feira).
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