Futuro do liveblogging

O Guardian começou uma boa discussão sobre o “futuro do liveblogging“, transmissão em tempo real de um evento via blog. Lembra muito a narração de um jogo de futebol via rádio (eu fiz vários livebloggings. Um da Pop!Tech 2007 e outro do Tsunami na Ásia em 2004, por exemplo).

Os blogs de tecnologia foram pioneiros nos livebloggings, que hoje são usados por boa parte  das publicações online.

Segundo o artigo do Guardian, a grande vantagem do formato é que você pode reunir várias fontes em um único lugar, produzir um fluxo único de conteúdo, além de evitar ficar editando e reescrevendo uma matéria a cada nova informação. Com o surgimento do Twitter, o formato se tornou mais atraente, uma vez que, junto às atualizações minuto a minuto, você pode fazer uma seleção dos melhores tweets sobre um determinado assunto.

Um grande problema é a falta de contexto. Um leitor que acessa um liveblogging em andamento perde muito do contexto do que realmente está acontecendo.

Kevin Anderson, pesquisador de mídias digitais do Guardian, diz que “curadoria de conteúdo” não é apenas sobre velocidade e quantidade.

Para resolver isso, a BBC mudou a apresentação de seu formato de liveblogging. Ao lado das atualizações minuto a minuto (live updates), existe um box fixo com um resumo do que está sendo reportado (key points), além de um link para a última matéria publicada sobre o assunto.

Essa discussão sobre o futuro do liveblogging é reflexo de como alguns formatos nativos da web não são “fechados”. Estão em constante transformação.

Veja também: Guardian: guia de blogs e participação em comentários

Publicado por Tiago Dória, em 28 de março de 2011 (Segunda-feira).
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Blogs também têm 7 vidas

“Blog” é cada vez mais parecido com a “web” – tem sete vidas. A cada semestre a sua morte é anunciada. A “web” já foi morta duas vezes pela Wired. E, desta vez, quem anunciou o fim dos blogs foi o The New York Times em matéria no último fim de semana.

Segundo o artigo, de modo crescente, o público mais jovem prefere usar o Tumblr e o Facebook ao WordPress e ao Blogger.

A matéria se apoia em diversas pesquisas que, na realidade, mostram um cenário comum a outros serviços de internet. Nos EUA, no mercado doméstico, serviços como Blogger e WordPress estão estagnados (já atingiram um teto); no entanto, globalmente, apresentam crescimento.

O que tem acontecido nos últimos anos é que os blogs não estão mais no holofote da mídia. Porém, números referentes a estudos globais mostram que as pessoas continuam usando uma plataforma de publicação/comunicação, mesmo que ela não esteja mais no foco das atenções. Vide o “email”, patinho feio da chamada “social media”, mas que, até hoje, é a aplicação de internet mais utilizada para compartilhar conteúdo na web.

Uma coisa evidente é que essa discussão sobre “os blogs estarem morrendo” é mais a respeito de semântica do que números.

Um dos entrevistados da reportagem diz que não está mais blogando por que agora prefere utilizar o Tumblr. Mas o Tumblr não é um blog? E o Twitter não é uma espécie de blog (microblogging)? O que é “blogging”? Não é tudo a mesma coisa, ou seja, publicar conteúdo na web?

David Karp, criador do Tumblr, comenta direto do Techcrunch, afirmando que o Tumblr é uma ferramenta de publicação de conteúdo como o WordPress, porém mais simples e voltada para quem quer algo mais minimalista, não gosta de escrever grandes quantidades de texto.

Autor do livro Say Everything, quase bíblia dos blogs, Scott Rosenberg lembra que, na verdade, os blogs estão mudando, tornando-se mais consistentes (uma plataforma para você falar o que não consegue em 140 caracteres).

Matt Mullenweg, criador do WordPress, encerra a discussão e diz que o mais importante é que, cada vez mais, pessoas de todas as idades estão mais confortáveis em publicar conteúdo na web.

Veja também: Para blogs, Twitter e Facebook são mais importantes que SEO

Crédito da foto: Laihiu

Publicado por Tiago Dória, em 22 de fevereiro de 2011 (Terça-feira).
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Blog é igual à TV aberta

Nick Denton é o Rupert Murdoch dos blogs. É 8 ou 80, as pessoas gostam dele ou o detestam.

Quase tudo o que ele fala e escreve tem repercussão no setor de mídia.

Em 2003, fundou aquela que é considerada hoje uma das mais importantes redes de blogs, a Gawker Media, que tem debaixo de seu chapéu marcas como Gizmodo e Lifehacker.

Nesta semana, Denton publicou um post anunciando as mudanças na Gawker. As maiores modificações desde o surgimento da rede de blogs.

A mais crucial é a mudança da interface que quebrará com a ordem reversa cronológica de publicação, tão comum nos blogs (o texto mais recente sempre é o mais importante).

No novo layout, que está em beta.gawker, os editores definirão o que é mais importante. Porém, uma barra lateral indicará os últimos posts publicados.

A intenção com as mudanças é gerar mais receita com publicidade e permitir que os anunciantes possam escolher melhor ao lado de qual conteúdo seus anúncios serão exibidos.

Outro objetivo é emular a TV. Desde 2003, Denton bate na tecla de que a internet é muito parecida com a TV aberta. É mais uma plataforma de distribuição de conteúdo do que de comunicação. Grande parte do conteúdo publicado nela será gratuito e sustentado via receita com publicidade.

Essa ideia de Denton de que a internet é parecida com a TV se reflete na estética da nova interface e no novo modo de produção da rede de blogs.

Os blogs da Gawker Media terão grade de horário. De repente, uma hora do dia será dedicada a debater um assunto, com transmissão ao vivo com especialistas e posts especiais.

Além disso, o setor comercial da rede de blogs focará mais em anúncios no formato em vídeo. E semelhante ao novo layout do blog de um cara aí, a nova interface trabalhará com “elementos fixos”, como a barra lateral com campo de busca e últimos assuntos.

A web é, antes de tudo, um meio visual, segundo Denton.

Enquanto isso, na última edição da Fast Company, uma longa matéria sobre o BoingBoing revela que um dos blogs mais acessados no mundo foge, cada vez mais, da receita exclusivamente via publicidade. Uma loja online – BoingBoing Shop – com curadoria feita pelos próprios editores do blog promete ser uma fonte de receita mais fácil.

Diversificar as fontes de receita é a frase mais certa hoje em dia.

No livro Say Everything, de Scott Rosenberg, Mark Frauenfelder, cofundador do BoingBoing, conta que, apesar dos milhões de leitores diários e do crescimento da receita, o segredo do sucesso, ao contrário das ideias de Denton, está em manter o “não-profissionalismo”, atualizar o blog como se estivesse escrevendo para 40 ou 50 pessoas, as mesmas que acompanhavam o blog desde o início.

Para Frauenfelder, o BoingBoing é o jeito “caseiro” de produzir conteúdo que deu certo.

Para Denton, blog é um formato que precisa estar em constante transformação.

Veja também: WordPress quer evitar “branco” na hora de escrever posts

Crédito da foto: Mathowie

Publicado por Tiago Dória, em 1 de dezembro de 2010 (Quarta-feira).
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Para blogs, Twitter e Facebook são mais importantes que SEO

Como fonte de tráfego e novos visitantes, para os blogs, publicar links para posts no Twitter e no Facebook é mais importante do que utilizar técnicas de SEO, revela a última parte do State of the Blogosphere 2010, estudo anual que faz um raio-X dos blogs em todo o mundo.

Segundo a pesquisa, autores de blogs veem o Facebook e o Twitter como fonte mais eficiente de tráfego e de visibilidade do que utilizar técnicas de indexação ou deixar comentários em outros blogs, atitudes que, até pouco tempo atrás, eram vistas como essenciais para atrair audiência.

Para trazer para si visitantes, 66% usam o Twitter; 65%, o Facebook; 54% colocam comentários em outros blogs, esperando receber atenção e visitas, e somente 38% utilizam técnicas de  SEO.

Sinal de que alguns autores de blogs estão publicando menos conteúdo para agradar somente sistemas de buscas.

Assim como em outras mídias digitais, entre os blogs, o Google Analytics caminha para se tornar “padrão de mercado” – 61% dos entrevistados utilizam a ferramenta da Google para mensurar a audiência.

WordPress continua sendo o sistema de blogs mais utlilizado (40%). Apesar de todo hype, o uso do Tumblr não passa dos 2%.

Custo, funcionalidades e possibilidade de customização são, na respectiva ordem, os principais critérios na hora de escolher um publicador ou serviço de hospedagem de blogs.

Aumentou um pouco a quantidade de blogs que usa conteúdo multimídia – fotos. Em 2009, 82%. Neste ano, 87%. Vídeos permanecem na mesma, 50%.

Para gerar receita para os seus blogs, a maioria usa banners, Adsense e programas de afiliados.

Grande parte das pessoas (44%) não gera qualquer receita com o blog.

Neste ano, o vazamento de óleo no Golfo do México foi o assunto que mais causou burburinho nos blogs. Barack Obama foi a personalidade mais comentada e iPad Review, do blog Ubergizmo, o post que mais recebeu links em 2010.

Em resumo, principais pontos do State of the Blogosphere 2010:

1) Crescimento do uso de dispositivos móveis.
2) Twitter e Facebook não são mais vistos como inimigos. Pelo contrário, são importantes fontes de tráfego e novos visitantes. Mais importante que SEO.
3) Google Analytics caminha para se tornar padrão.
4) Autores de blogs considerados profissionais estão atualizando cada vez mais os seus sites.
5) Um otimismo entre os blogs. A maioria das pessoas está mais satisfeita com os seus blogs e pretende investir mais neles – abordar mais assuntos, dedicar-se mais, escrever livros.

Veja também: Novos recursos para blogs

Crédito das fotos: Unclefuz e FT

Publicado por Tiago Dória, em 5 de novembro de 2010 (sexta-feira).
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O que há de novo no State of the Blogosphere 2010

Nesta semana, saiu o State of the Blogosphere 2010, estudo feito pelo buscador e agregador de blogs Technorati. A pesquisa é realizada desde 2004 e tem o objetivo de fazer um raio-X anual dos blogs em todo o mundo.

O estudo confirma uma tendência detectada no ano passado. Cada vez mais, as pessoas estão utilizando tecnologias móveis para atualizar seus blogs. Um em cada quatro autores de blog usa um dispositivo móvel para publicar conteúdo.

Segundo a pesquisa, isso tem reflexo na produção – a maioria afirma que vem publicando posts mais curtos e “espontâneos”.

De diferente nesta edição, o estudo aborda o impacto dos tablets na produção dos blogs e como as pessoas veem os blogs em termos de credibilidade.

Dos entrevistados, 39% acreditam que, daqui a 5 anos, será mais comum consumir informações em blogs do que em meios tradicionais. Como fonte confiável de informações sobre um produto, blogs permanecem na frente de serviços de microblogging e plataformas de redes sociais.

Sobre os tablets, por enquanto, o uso não passa de 27% entre os autores de blogs.

Neste ano, o estudo ratifica também que o uso dos blogs estacionou em uma faixa etária e classe com determinado nível social – 2/3 dos autores de blogs são homens. 65% entre 18 e 44 anos. A maioria tem formação superior, sendo que 81% “bloga” há mais de 2 anos.

Blog continua sendo uma “mídia de um homem só” – 72% dos entrevistados atualizam o blog sozinhos, não contam com colaboradores ou equipe.

Igual ao ano passado, Facebook e Twitter são vistos como redirecionadores de tráfego, e autores de blogs considerados “não-profissionais”, que blogam por hobby, estão atualizando com menos frequência os seus sites.

Por outro lado, os rotulados como “profissionais” estão atualizando cada vez mais os seus blogs, em parte por que acreditam que encontraram o seu público.

Quando perguntados como poderiam definir seus blogs, 74% dos entrevistados definiram como “sincero” e 64%, “coloquial”. Apenas 39% acreditam que o seu blog tem caráter jornalístico.

Sobre a razão de atualizar um blog, permanecem como motivadores a autoexpressão e o desejo de compartilhar informações e experiências com outras pessoas.

Os assuntos preferidos dos blogs não mudaram muito nestes últimos 6 anos.

Em primeiro lugar, assuntos pessoais (as pessoas gostam de falar delas mesmas); depois, tecnologia e, em seguida, política.

Portanto, se existe alguma novidade nesta edição do estudo, seriam essas, até agora – uso crescente e mais intenso dos dispositivos móveis para atualizar os blogs.

E um certo otimismo. Facebook e Twitter não são vistos mais como inimigos. E a maioria das pessoas está mais satisfeita com os seus blogs, pretende investir mais neles – abordar mais assuntos, dedicar-se mais, publicar um livro.

Nesta sexta-feira, será publicada a parte final do estudo, que abordará a questão de tráfego e tecnologias de publicação usadas nos blogs.

Veja também: BlogMuse quer resolver o bloqueio na hora de escrever

Publicado por Tiago Dória, em 4 de novembro de 2010 (Quinta-feira).
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Novos recursos para blogs

No livro Say Everything, Scott Rosenberg nos mostra que blog é um formato/tecnologia em constante transformação. E que, aos poucos, foi ganhando diversos recursos.

No começo era apenas uma lista de notas publicadas em ordem reversa cronológica; depois veio o espaço para títulos; em seguida, os permalinks e, mais um pouco depois, a popular caixa de comentários, que virou “marca registrada” dos blogs e onde o leitor pode se manifestar.

Dave Winer, um dos primeiros a criar um sistema de publicação de blogs, fez a sugestão de dois novos recursos para blogs (Winer implementou os dois há um bom tempo em seu blog).

Um é a ideia de subtexto. Um trecho do post fica escondido e o mesmo é revelado somente quando o leitor clica em um botão com o sinal de + (exemplo na imagem abaixo).

A intenção é utlilizar esse recurso quando o autor de um blog tiver escrito sobre um spoiler. Portanto, somente quem quiser lê o trecho que descreve o final de um filme, por exemplo.

O outro recurso é mais interessante. A ideia é gerar permalinks (links permanentes) para cada parágrafo de um post. O que seria bem interessante no caso de textos grandes. Você poderia fazer um link apenas para uma citação, um trecho específico e não para o texto completo.

Segundo Winer, para esse último recurso, já existe um plugin para WordPress, o WinerLinks, desenvolvido por Daniel Bachhuber.

O jornalista Jay Rosen passou a utilizar o recurso em seu blog. Repare que ao final de cada parágrafo, existe uma hashtag (link permanente correspondente ao parágrafo).

Veja também: Comentário é conteúdo?

Publicado por Tiago Dória, em 22 de outubro de 2010 (sexta-feira).
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Dezenove anos de prisão para um dos pioneiros dos blogs

Os rumores começaram há uma semana e agora foram confirmados.

O iraniano Hossein Derakhshan, 35 anos, mais conhecido como Hoder (foto acima), foi condenado a 19 anos de prisão pela justiça do Irã.

Detido desde 2008 e um dos pioneiros dos blogs no mundo, Hoder é acusado de ser um “espião de Israel” e de “colaborar com países inimigos”.

Segundo o Financial Times, o que pode ter motivado a decisão da justiça iraniana foi uma viagem que Hoder fez para Israel em 2006 na tentativa de aproximar iranianos e israelenses.

O iraniano poderá recorrer da decisão.

A prisão e a posterior decisão da justiça do Irã chamaram a atenção de muita gente, pois Hoder tem uma importância histórica para quem acompanha ou estuda blogs há algum tempo.

Em 2005, para ajudar a explicar o que vinha fazendo desde 2001 em seu blog Editor: Myself, criou o termo “bridge-blogger“. Refere-se a pessoas que utilizam o seu blog para fazer uma “ponte” entre duas culturas.

Por exemplo, autores de blogs que escrevem sobre a política chinesa para uma audiência americana. Neste caso, essas pessoas funcionam como “pontes”, traduzindo e contextualizando notícias e acontecimentos locais para o inglês.

O conceito de “bridge-blogger“  serve até hoje de referência para a atuação de projetos como o Global Voices Online, que reúne uma rede de colaboradores (tradutores) em diversos países.

Hoder também atuou como um “hub” para o crescimento dos blogs no Irã. Em 2001, criou um guia sobre como blogar e burlar a censura no país.

Desde 2005, era colaborador esporádico do Guardian.

Veja também: Braziu no ar e a volta do pessoal do A Nova Corja

Publicado por Tiago Dória, em 28 de setembro de 2010 (Terça-feira).
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Carro do futuro que não chegou

Comentei algumas vezes que o Paleo Future é um dos meus blogs preferidos há vários anos.

É uma publicação dedicada ao chamado retrofuturismo; além disso, em vez de olhar para “tecnologias do futuro”, aborda “tecnologias do passado”. Tecnologias de um futuro que nunca chegou, que muitas vezes não passaram de protótipos.

Matt Novak, responsável pelo blog, faz um trabalho de pesquisa constante sobre o assunto. No último mês, lançou uma revista, versão impressa do blog.

Uma das últimas descobertas de Novak é esse vídeo abaixo, feito no final dos anos 40 sobre projetos de carros futuristas. A previsão era de que, no futuro, os carros seriam dessa forma.

O primeiro carro no vídeo, um Davis Car, chegou a ser produzido durante um ano, nos anos 40.

Veja também: Uma espiada no futuro em 2020

Publicado por Tiago Dória, em 12 de maio de 2010 (Quarta-feira).
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Comentário é conteúdo?

De dois anos para cá, está virando quase praxe. Blogs e sites de grandes publicações estão revisando a sua política de comentários. Essa revisão, que levanta a bandeira da qualidade e não da quantidade dos comentários, vai em dois sentidos.

Primeiro, de que os autores dos conteúdos devem ler e responder aos comentários.

O site de notícias Cleveland.com, por exemplo, recomenda que, após publicar uma matéria, o jornalista dedique uma hora de seu tempo para responder aos comentários. Ou seja, interagir com o público faz parte do processo natural de publicação de conteúdo. Atitude rotineira para quem é autor de blog, mas que promete virar rotina e novidade em alguns sites de notícias.

No livro Blogging Heroes, Dave Taylor, do Intuitive Life Business Blog, já dizia que a atividade de responder a comentários é tão importante quanto a de criar posts novos. O tempo gasto deve ser igual para elaboração de respostas a comentários e para produção de novos posts.

Outro caminho dessa revisão da política de comentários é exigir a identificação de quem comenta, valorizar aqueles que comentam melhor e são mais ativos, afugentar os trolls e pessoas que fazem interpretações totalmente sem contexto.

Recentemente, a rede de blogs Gawker Media mudou a sua política de comentários. O blog de tecnologia Engadget foi por um caminho parecido, após ter vários problemas com trolls. Huffington Post e o site do Washington Post também prometem mudanças. O Colorado Springs Gazette lançou uma funcionalidade que permite ao leitor bloquear certos comentaristas.

O debate sobre a moderação e a identificação nos comentários não é novo. Vai e volta. Em 1994, o professor Peter Kollock, da Universidade da Califórnia, havia escrito o texto “Cooperation and Conflict in Computer Communities“, onde já abordava essas questões.

O que motiva a mudança desta vez é a nítida percepção de que um site também é avaliado pela qualidade de seus comentários. Os comentários influenciam como as pessoas entendem o site.

Arianna Huffington, do Huffington Post, acredita que tudo faz parte de um aprendizado. A internet está ficando mais madura e essas mudanças nas políticas de comentários são reflexo disso.

Para mim, a questão é mais simples, porém de maior amplitude.

Os comentários estão passando a ser vistos como conteúdo. Não são mais algo visto como separado, apenas para inflar os números da audiência. São parte importante do site e, portanto, devem seguir a linha editorial do mesmo, o que não tem nada a ver com censura ou não publicar comentários discordantes da matéria ou post.

Da mesma forma que existe um cuidado com o tema e o tom dos posts e matérias, deve existir com os comentários. Os dois têm pesos iguais. Economist que o diga

Veja também: Os melhores comentários serão valorizados

Crédito da foto: Mal Cubed

Publicado por Tiago Dória, em 19 de abril de 2010 (Segunda-feira).
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