Sentimentos como ferramenta de navegação. Funciona?

Está certo que a gente prefere compartilhar sentimentos a fatos, mas a BBC decidiu ir fundo nessa premissa.

Em seus laboratórios, o grupo de mídia está trabalhando com interfaces e sistemas de busca que sejam comandados por estado de espírito.

Da mesma forma que há as interfaces comandadas por voz (elas dominaram a última CES), podem existir as que funcionam de acordo com o nosso estado – animado, triste, esperançoso, depressivo.

Na prática, a ideia é que, além dos critérios tradicionais e rígidos – nome, data, autor -, você possa fazer buscas no conteúdo da BBC de acordo com o seu ânimo.

O conceito parece ser matador para a busca em material televisivo e musical. No entanto, os prós e contras já começam a aparecer.

Será que as classificações tradicionais – romance, drama, comédia – não resolvem mais o problema?

E, na área de jornalismo, é correto entregar conteúdo de acordo com o estado de ânimo do usuário? Para definir o que será veiculado, uma publicação deve tomar como base o ambiente em que vivemos e não simplesmente a nossa personalidade – “notícias que lemos não devem espelhar quem você é, mas o mundo em que vivemos”.

Na realidade, o movimento da BBC é consequência da última revisão da estratégia digital do grupo de mídia. Uma das metas é fazer com que o conteúdo da BBC seja mais “útil e inspirador”. Para isso, ele deve seguir regras menos rígidas de categorização.

A BBC pode também estar olhando um pouco mais a frente. Atualmente, os dispositivos móveis já atuam como editores de informação, influenciando o conteúdo que consumimos de acordo com o tipo de ambiente em que estamos.

Com cada vez mais tecnologias de sensores embutidas, é só questão de tempo para que os dispositivos comecem a determinar o material que consumimos não somente em sintonia com o local em que nos encontramos, mas também segundo o nosso ânimo – triste, alegre, cansado.

Veja também: Nova home da BBC aponta para mudanças na área de mídia?

Publicado por Tiago Dória, em 9 de fevereiro de 2012 (Quinta-feira).
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Projeto olímpico da BBC para 2012

Durante o AOP Summit 2011, a BBC fez uma apresentação de seu projeto para a cobertura das Olimpíadas de 2012, que acontecerá em Londres.

O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas já tem alguns detalhes.

- Conteúdo em sincronia e em 4 telas – TV, tablet, celular e desktop.

- Serão 24 streamings de vídeo ao vivo.

- Por meio do Facebook, será possível conversar com outras pessoas que estejam assistindo a mesma transmissão.

- Será utilizado o que a BBC chama de “dynamic semantic publishing“. Todas as páginas e dados estarão interligados. Cada atleta terá um perfil. Ou seja, serão 12 mil páginas.

E o mais interessante. Durante a transmissão, as plataformas se falarão.

Hoje se comenta muito sobre conteúdo multiplataforma, mas se a gente for ver, as plataformas não se falam. É cada uma por si.

No caso das Olimpíadas na BBC, será possível começar a assistir a uma competição em uma plataforma (TV, por exemplo) e depois terminar de assisti-la em outra (no celular), exatamente do ponto que você parou.

O NYTimes tinha um projeto semelhante com essa dinâmica de “conversa” entre as plataformas – o Custom Times. Contudo, a BBC foi mais para frente com a ideia.

O projeto de cobertura das Olimpíadas faz parte da nova estratégia da BBC, que redescobriu que a sua competência central é “contar histórias”.

Veja também: Contra os sites “burros” de notícias

Publicado por Tiago Dória, em 17 de outubro de 2011 (Segunda-feira).
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Nova home da BBC aponta para mudanças na área de mídia?

No livro Wharton on Managing Emerging Technologies, o estrategista Don S Doering bate na tecla de que, em tempos de disrupção, umas das coisas mais cruciais e, ao mesmo tempo, difíceis é identificar uma tecnologia emergente no mercado. Pequenos sinais são dados pelo mercado.

Na área de mídia, é meio difícil identificar esses sinais, principalmente por ser uma indústria que muitas vezes vive sob o “efeito manada”, um começa e o resto vai atrás sem muito saber o motivo.

Geralmente, o que é apontado como futuro é apenas uma moda passageira.

A BBC lançou em versão beta a sua nova home. Mais do que uma mudança coméstica, a nova home promete apontar para tendências futuras, além de ser reflexo de mudanças na forma como as pessoas interagem com conteúdo na web. Três modificações são interessantes de observar.

1) Menos é mais
Na nova home, a BBC reduziu, de forma intencional, o número de chamadas para canais e editorias do site.

Interfaces minimalistas e elegantes fazem mais sentido numa época de “overload informativo”, em que as pessoas buscam clareza, concisão e contexto (Steven Rosenbaum comentou sobre isso durante o Digital Age 2.0).

2) Interfaces mobile e web mais integradas.

Uma tendência cada vez mais comum é que as empresas mesclem ainda mais a sua visão mobile com a desktop. Com isso, as interfaces mobile e desktop ficam mais homogêneas.

A gente viu isso acontecer recentemente na área de sistemas operacionais, com o lançamento do Lion, da Apple, e a apresentação do Windows 8, da Microsoft. Diversos elementos da interface mobile foram trazidos para o desktop.

O mesmo está acontecendo na área de mídia. A nova home da BBC é reflexo dessa tendência.

A interface é toda baseada em “swiping”, bem comum em interfaces touchscreen. Você mexe nos elementos como se estivesse virando uma página no iPad.

Ao trazer elementos do mobile para o desktop, o objetivo é proporcionar uma experiência mais unificada em todos os dispositivos.

3) Filtros e não customização

Segundo a BBC, menos de 1/3 dos usuários utilizava as funcionalidades de customização da antiga home. Desses que usavam as funções, personalizavam a exibição das informações de acordo com a localidade, ao alterar a cidade de origem de acesso.

O uso de filtros tem se mostrado mais eficiente do que a personalização da home. As pessoas têm a opção de filtrar os assuntos de acordo com os seus interesses (uso de palavras-chaves). Para a BBC, as pessoas querem filtrar e não customizar o conteúdo.

A home faz parte da nova estratégia da BBC ‘one service, ten products, four screens‘ revelada em junho (slides logo abaixo)

A nova estratégia revela o fim de uma crise de identidade na BBC. Por algum tempo, o grupo de mídia se autoquestionou a respeito de qual seria o seu papel no atual ecossistema de informações, formado por players como Google e Facebook.

A BBC (re)descobriu que o seu diferencial é contar histórias. Ninguém faz isso melhor do que ela no mercado. A internet, na visão da BBC, trouxe a possibilidade de contar histórias conectando audiência, dispositivos e editorial.

Referência nos estudos de tecnologias emergentes, C.K. Prahalad, falecido professor da Universidade de Michigan, dizia que, em tempos de disrupção tecnológica, é crucial que uma empresa descubra e fique focada em sua “competência central”. Ou seja, no que ela faz de melhor e é aplicável a diversos mercados e produtos.

Pelo visto, a BBC (re)encontrou a sua competência – contar histórias – e ainda lançou uma nova home que pode apontar para alguns caminhos comuns na área de consumo de conteúdo na web.

Veja também: UX vs sites de jornais

Publicado por Tiago Dória, em 4 de outubro de 2011 (Terça-feira).
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TV Companion: experimento de 2ª tela da BBC

TV Companion é o experimento de 2ª tela da BBC (TV como tela principal e dispositivos móveis – laptops, celulares, tablets – como segunda tela). O projeto já era anunciado há algum tempo pela rede de TV e rádio.

Durante a transmissão de Autumnwatch, programa da BBC sobre natureza, trezentos telespectadores pré-selecionados puderam acompanhar simultâneamente no laptop ou tablet informações adicionais sobre o que estava passando na TV.

Era possível avaliar em tempo real o conteúdo exibido na TV, além de clicar em infográficos e animações que complementavam o Autumnwatch na TV.

No blog de Pesquisa e Desenvolvimento da BBC, foram postadas algumas observações sobre o experimento, como a de que o telespectador tem expectativas diferentes a respeito do que é exibido na segunda tela e de que é preciso tomar cuidado entre complementá-lo e distraí-lo.

A BBC pretende continuar com o projeto de consumo simultâneo de conteúdo (duas telas).

Também a respeito do conceito, no começo do mês passado, a Motorola lançou o SocialTV Companion, serviço para ser usado enquanto se assiste a um programa na TV. É possível postar comentários sobre o que está sendo exibido na TV, além de consumir conteúdo que complemente a transmissão.

Veja também: A disputa pela 2ª tela durante o Oscar

Publicado por Tiago Dória, em 16 de maio de 2011 (Segunda-feira).
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Musical Moods da BBC

Um dos principais desafios pelo qual a BBC está passando é a respeito da digitalização de seus arquivos. A questão já não é apenas digitalizar textos, vídeos e fotos, mas organizá-los da forma mais inteligente possível.

Um detalhe que os cientistas Gordon Bell e Jim Gemmell destacam no livro “O Futuro da Memória“. A questão da digitalização hoje em dia não é tanto captar, mas recuperar de forma inteligente e útil as informações que temos digitalizadas. Adianta pouco termos tantas informações armazenadas em servidores e banco de dados se não conseguimos recuperá-las e visualizá-las de tal forma que faça sentido prático em nosso dia a dia.

Para justamente recuperar de forma inteligente esse conteúdo digitalizado, o time de Pesquisa e Desenvolvimento da BBC lançou o experimento Musical Moods.

No site, a BBC convida os próprios usuários a classificar o conteúdo da emissora.

Para isso, pergunta qual estado de espírito (feliz, triste, chato) você associa a um tema musical de um programa de TV da BBC. Ao responder a pergunta, você está ajudando a classificar os arquivos, além de aumentar os metadados do conteúdo.

A ideia é também brincar um pouco com a memória das pessoas. Todo mundo sempre associa um programa de TV e a sua respectiva trilha musical a uma fase da vida. Lembra de qual programa de TV é essa música? Ela lhe traz boas memórias? Você já a ouviu antes?

Essa associação é muito importante para BBC, pois a música (trilha sonora) tem uma influência grande na forma como consumimos e memorizamos programas de TV. Um telejornal não seria a mesma coisa sem a sua música de abertura.

Mais para frente, a ideia é mesclar e analisar todos os dados coletados pelo experimento para criar uma nova forma de explorar o conteúdo da BBC. Quem sabe fazer uma busca ou uma navegação pelo conteúdo que fuja dos tradicionais parâmetros.

No final, os dados do experimento serão disponibilizados em formato aberto e sob domínio público.

O vídeo abaixo explica com mais detalhes o Musical Moods.

Veja também: As duas telas da BBC

Publicado por Tiago Dória, em 22 de março de 2011 (Terça-feira).
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As duas telas da BBC

A BBC é outra emissora que está trabalhando, de forma experimental, com o conceito de duas telas – a TV como tela principal e os dispositivos (laptops, tablets, celulares) como 2ª tela.

O Guardian traz uma entrevista com Vicky Spengler, designer do laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da BBC, que explica melhor o conceito.

A ideia é que, “em tempo real”, tablets e celulares forneçam conteúdo que complemente e seja sincronizado com o que está sendo exibido na TV. Num jogo de futebol, por exemplo, no laptop, seriam exibidas estatísticas em tempo real junto com atualizações do Twitter.

Vale lembrar que, neste ponto, a ABC está na frente da BBC – a emissora americana já produz um programa com base no conceito de duas telas, sincronizando os conteúdos exibidos em tablets e TVs.

Outro projeto que a BBC está pesquisando é o de trabalhar com telas adicionais. Exemplo, uma pequena tela, parecida com um porta-retrato, poderia exibir notícias e conteúdo personalizado.

Spengler é outra profissional que questiona a forma como interagimos com o aparelho de TV. Com a vinda de tecnologias como o Kinect, da Microsoft, que permite controlar a TV apenas com o movimento das mãos, a designer acredita que podemos ir além do uso do controle remoto.

Veja também: Seu laptop sincronizado com a TV

Crédito da ilustração: Thiago Fonseca

Publicado por Tiago Dória, em 3 de novembro de 2010 (Quarta-feira).
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Primeiro clique da BBC

Com os dizeres “usar computador e internet é mais fácil do que você pensa”, a BBC iniciou na Europa uma campanha para incentivar a terceira idade a utilizar a internet.

O BBC Connect reúne dicas para quem está utilizando o computador e a internet pela 1ª vez.

Nos chamados países desenvolvidos, a terceira-idade já é o grupo demográfico que mais cresce na rede. Por aqui, no Brasil, pesquisa do Ibope mostrou que, em 2009, os brasileiros com mais de 65 anos de idade aumentaram a sua participação no uso da web.

Além disso, durante passagem pelo país, Bill Tancer, diretor-geral de pesquisas globais da Hitwise, ratificou que a internet já deixou de ser “uma coisa exclusiva de jovens”.

Logo abaixo, um dos comerciais da campanha da BBC.

Veja também: Por que a internet é importante para as pessoas idosas?

Publicado por Tiago Dória, em 20 de outubro de 2010 (Quarta-feira).
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Shownar mostra o burburinho online em torno da BBC

Shownar é um protótipo desenvolvido pelo BBC Labs.

Ele tem a função de rastrear e mostrar o buzz online em torno de cada programa da emissora. Para mensurar o burburinho, a BBC utiliza como critério número de visitas e links externos (feitos no Twitter e em outros sites) para determinadas páginas.

O interessante é que o Shownar trabalha com infográficos. A limitação é não indicar se os comentários são positivos ou negativos (porém, essa não seria a intenção da ferramenta. O objetivo seria mesmo agregar e criar uma interface onde os telespectadores pudessem navegar entre as principais discussões em torno dos produtos da BBC).

Por enquanto, o Shownar está fora do ar (para modificações), pois a previsão é que, em breve, esteja disponível para todos os usuários no próprio site da BBC.

Veja também: Novo sistema de busca da BBC

Publicado por Tiago Dória, em 8 de setembro de 2010 (Quarta-feira).
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Hipertexto na tela da BBC

Mais um protótipo direto do laboratório de pesquisa e desenvolvimento da BBC, que funciona como uma startup dentro da emissora.

O conceito não é muito novo, mas foi aplicado à área de jornalismo. A ideia é ter um aplicativo que exiba na tela da TV links para assuntos relacionados durante uma transmissão ao vivo.

Não sei não, acho que num tablet ou laptop faz mais sentido essa interface.

Veja também: Seu laptop sincronizado com a TV

Publicado por Tiago Dória, em 25 de agosto de 2010 (Quarta-feira).
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