Apple e a consumerização da educação

Em meio à discussão sobre a SOPA, uma notícia expressiva passou meio despercebida na semana passada – a entrada mais efetiva da Apple na área educacional.

Educação sempre esteve em seu DNA, mas, desta vez, a empresa cofundada por Steve Jobs avançou alguns degraus ao lançar ferramentas para a venda e a criação de livros didáticos/aplicativos para o iPad.

Livros didáticos que, diga-se de passagem, são mais interativos e multimídia que os atuais de papel.

A curto prazo, o lançamento faz parte da estratégia da Apple na área educacional, que foi reformulada há 6 anos, fazendo dobrar a participação da empresa no setor. O foco deixou de ser somente o usuário final para serem os professores, diretores de escolas e políticos.

Também numa perspectiva menor, o lançamento faz parte da tática da Apple de adicionar mais valor ao iPad, justificando desse modo o seu preço frente a concorrentes como o Kindle Fire.

Contudo, numa perspectiva maior, o lançamento da Apple é reflexo de um processo de consumerização da área de educação. A tendência é que, cada vez mais, você use na escola ou faculdade os mesmos dispositivos que normalmente utiliza em casa, na vida pessoal.

Ou seja, na escola, os alunos têm a expectativa de utilizar os mesmos aplicativos e dispositivos que eles estão acostumados a usar em casa.

A consumerização é geralmente associada à área corporativa, porém, segundo relatório da Trend Micro, nos EUA e Japão, o setor de educação lidera o processo (80%), seguido do de saúde (69%).

Existem diversos entraves, mas, potencialmente, a entrada mais efetiva da Apple acelerará ainda mais o inevitável processo de consumerização na educação.

Veja também: Consumerizacao nos sites de noticias

Publicado por Tiago Dória, em 23 de janeiro de 2012 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , , , ,

Lançamento da iTunes Store mostra potencial do mercado brasileiro

A abertura da versão brasileira da iTunes Store, loja online onde é possível comprar e alugar conteúdo em formato digital, reflete o potencial do mercado brasileiro para a Apple.

Na realidade, 16 países da América Latina estão recebendo versões locais da loja online da Apple. O Brasil é somente um deles.

Contudo, o país tem um destaque especial. Na apresentação do último balanço financeiro, o Brasil foi citado como uma das regiões de maior crescimento para a Apple. As receitas vindas do país subiram 118% ao ano.

Outras regiões promissoras para a empresa são Rússia e Oriente Médio.

É preciso levar em conta duas coisas importantes sobre a iTunes Store.

Primeiro – a Apple não compete em custo. Coloca-se como uma “marca premium”. Quem espera “preços e produtos populares” sempre vai se decepcionar.

Outra coisa é que, historicamente, as pessoas pagam por serviços e produtos desde que vejam valor neles. Isso mesmo no ambiente digital. Esse valor pode vir por meio da tríade: qualidade, facilidade e acesso. Qualidade se explica por si só. Facilidade no sentido de ser um serviço simples de utilizar, que não faz o consumidor se sentir culpado ou frustrado. E acesso como meio de conseguir alguma coisa que não se pode obter por conta própria.

A iTunes chega ao Brasil 8 anos depois do lançamento nos EUA. E ela entra no mercado brasileiro num momento em que o seu modelo ainda dominante de baixar arquivos individuais é questionado nos EUA por serviços de streaming de conteúdo, como Spotify, Rdio, Google Music, Hulu e Netflix.

Veja também: Com iCloud, Apple deixa evidente estratégia “device agnostic”

Publicado por Tiago Dória, em 13 de dezembro de 2011 (Terça-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , ,

Segunda tela para fazer compras

A Fox anunciou o lançamento de um aplicativo de segunda tela, que permite comprar merchandise e figurino dos personagens de Sons of Anarchy enquanto você assiste à série na TV.

O aplicativo sincroniza com a TV por meio de uma tecnologia de identificação de som. Assim que os produtos aparecem no seriado, é possível comprá-los no tablet.

É o primeiro aplicativo de segunda tela que a Fox lança e que serve para fazer compras.

Em fevereiro deste ano, a emissora lançou um aplicativo de segunda tela para a série Bones, no entanto, exibia, em sincronia com a TV, apenas informações complementares sobre o seriado.

Veja também: Disney em segunda tela

Publicado por Tiago Dória, em 24 de outubro de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , ,

O que Steve Jobs significa para mim

Acredito que o grande mérito de Steve Jobs foi:

1) Ter transformado computadores em objetos de consumo, em objetos que não fossem utilizados somente por especialistas, mas que pudessem ser tão intuitivos e corriqueiros de usar quanto um aparelho de televisão
2) E ter descoberto a “competência central” da Apple (usabilidade e design), em seu retorno à empresa em 1996. A partir daí, Jobs aplicou essa competência a diversos mercados e produtos. iPad, iPod, iTunes foram consequência dessa atitude.

Entre outras coisas, ele mostrou ao mercado que a internet é device agnostic e que, antes de tudo, as pessoas estão atrás de facilidade na web.

Jobs entendeu muito bem a dinâmica da área de tecnologia, um meio onde você é valorizado não por quem é, mas sim pelo que faz. Não é à toa que, mesmo após ter o seu nome garantido na história da computação, ele insistiu em trabalhar dia e noite e lançar novos produtos.

Para mim, ficam várias lições. Por mais estranho que possa parecer, todas elas não-tecnológicas.

A importância do peopleware, de trabalhar com o que gosta e de estar no lugar certo e na hora certa, além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Há uma frase de Steve Jobs que define bem tudo isso. Aliás, ela foi dita ao lado de outro ícone, quando Jobs se encontrou com Bill Gates durante a conferência D: All Things Digital, em 2007.

No palco da conferência, ao lado de Gates, Jobs fez uma rápida avaliação da sua própria vida.

Vejo-nos como dois dos caras mais sortudos do planeta. (…) Encontramos o que amamos no lugar certo e no tempo certo, família, trabalho, amigos. Que mais poderíamos pedir?

Veja também: Está na capa (morte de Steve Jobs)

Crédito da foto: Cult of mac

Publicado por Tiago Dória, em 6 de outubro de 2011 (Quinta-feira).
Categoria: apple. Tags: , ,

Está na capa (morte de Steve Jobs)

































Atualização - O Cult of Mac reuniu as capas de diversos jornais impressos a respeito da morte de Steve Jobs.

Veja também: Steve Jobs e Bill Gates: amigos para sempre

Publicado por Tiago Dória, em 5 de outubro de 2011 (Quarta-feira).
Categoria: apple. Tags: , ,

Fim da incerteza na Apple

A renúncia de Steve Jobs ao cargo de executivo-chefe da Apple pegou muitos de surpresa. Porém, a decisão era esperada.

A saída marca o fim de uma era, mas também de um período de incerteza. Todos tinham noção de que Jobs sairia do cargo, mas não sabiam quando.

Tim Cook, que já vinha substituindo Jobs desde janeiro deste ano, será o novo executivo-chefe. Desde o começo do ano, quando Jobs anunciou o seu 3º afastamento da empresa devido a problemas de saúde, analistas já indicavam que dificilmente ele voltaria ao dia a dia da Apple.

Logo após o anúncio da renúncia, as ações da empresa caíram 6%.

Contudo, os efeitos da saída prometem ser quase nulos a curto prazo. Jobs permanecerá junto à empresa como presidente do conselho de administração. Além disso, segundo o Wall Street Journal, o cofundador da Apple continuará envolvido com a estratégia de produtos da Apple.

Em entrevista à Bloomberg, Steve Wozniak, cofundador da Apple, lembrou que, assim como as pessoas, a qualidade dos produtos não muda da noite para o dia.

A renúncia de Jobs é até vista com bons olhos, pois o executivo acabava ofuscando outras pessoas talentosas na Apple, como o próprio Tim Cook e o designer Jonathan Ive.

A certeza mais imediata é que, com a saída de Jobs, vai-se embora o carisma e abre-se o questionamento a respeito do estado de saúde do executivo. A carta de despedida de Jobs tem um caráter melancólico. A impressão é que ele está lutando pela vida.

Ao contrário de Jobs, Cook é lembrado por ter uma personalidade mais fechada, de fala mansa, menos carismático. Um profissional acostumado a trabalhar nos bastidores e munido de muitos dados. Formado em engenharia industrial, o executivo teve um papel fundamental em mudar toda a logística da cadeia de suprimentos da Apple, ao reduzir não somente o tempo de estoque, mas ao aprimorar o relacionamento com fornecedores. O que foi crucial para criar o back-end para a produção e o lançamento de produtos de sucesso da Apple, como o iPhone e o iPad.

Steve Jobs é um dos grandes nomes do revolucionário processo de “softwarização” pelo qual o mundo está passando. Durante o último período como executivo-chefe, foi eleito o empreendedor mais admirado pelas novas gerações que cresceram com a internet.

Jobs tinha uma missão. Em 1996, ele retornou à Apple com a visão de transformar os computadores pessoais em objetos de consumo, em objetos que não fossem utilizados somente por especialistas, mas que pudessem ser tão intuitivos de usar quanto um aparelho de televisão.

Se ele não cumpriu essa missão, pelo menos, quase chegou lá.

Veja também: Com iCloud, Apple deixa evidente estratégia “device agnostic”

Crédito da foto: Zadi Diaz

Publicado por Tiago Dória, em 24 de agosto de 2011 (Quarta-feira).
Categoria: apple. Tags: , ,

Capa da primeira biografia autorizada sobre Steve Jobs

A previsão de lançamento é para o dia 21 de novembro.

A obra será escrita por Walter Isaacson, editor executivo da TIME, e terá como base mais de 40 entrevistas feitas com amigos, familiares e o próprio Steve Jobs.

A biografia será publicada quase um mês após a de Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Atualização - O livro será lançado no Brasil (em português) também no dia 21 de novembro.

Veja também: Ebook sobre como hackear a BBC

Publicado por Tiago Dória, em 15 de agosto de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , ,

“iPadização” do computador pessoal

A Apple é a típica empresa que, com o passar dos anos, criou uma consistente posição no mercado, sendo identificada pelos consumidores com algo do futuro da internet. O que a Apple faz hoje será comum no mercado daqui a pouco. Foi assim com os aplicativos para smartphones, as telas sensíveis ao toque de mão, os tablets e o iTunes. Poucas empresas de tecnologia têm essa imagem.

Nesta semana, a empresa deixou clara essa posição ao lançar o Mac OS X Lion, nova versão do seu sistema operacional. O lançamento é visto como uma mudança profunda, similar a que ocorreu nos anos 80, quando a Apple apresentou um dos primeiros produtos com interface gráfica de usuário.

O Lion traz diversos conceitos da interface dos tablets para o computador pessoal (desktop). Por um certo tempo, as interfaces de sistemas para desktop influenciaram as interfaces móveis e touch. Agora o contrário acontece. O Lion mescla elementos do mobile/touch com o desktop.

No Lion, estão diversos recursos e elementos visuais da interface do iPad – aplicativos em tela cheia, salvamento automático de quase tudo, instalação de aplicativos com apenas um clique, rolagem natural das páginas (o que confundiu muita gente no início), além da dispensa do uso de pastas/diretórios e do mouse (se você não usa o computador para jogar games complexos e editar gráficos detalhados, dá para se virar tranquilamente com o trackpad de múltiplos toques).

O recurso LaunchPad (imagem acima), por exemplo, faz com que a interface do desktop fique semelhante à do iPad, com todos os aplicativos centralizados na tela. Similar ao iPhone ou iPad, você pode organizá-los em “folders”.

A integração com a App Store ganha mais destaque. Semelhante ao iPad, todas as atualizações e compras são centralizadas na loja de aplicativos da Apple. O próprio Lion não foi distribuído em CDs, mas apenas via transferência por meio da App Store.

A tendência é que a App Store torne-se o único meio de distribuição dos aplicativos usados no Mac, o que proporcionará mais simplicidade e segurança na compra e atualização dos softwares. No entanto, poderá aumentar ainda mais o controle da empresa sobre todo o ecossistema.

A Apple não é a única a seguir essa linha de trazer elementos da interface mobile para o desktop, dispensando assim pastas e barras de rolagem. Apresentado no mês passado, o Windows 8 tem vários recursos visuais do sistema Windows Phone 7 da Microsoft.

A intenção da empresa cofundada por Bill Gates é parecida – ter uma experiência mais unificada em todos os seus dispositivos, sejam eles mobile ou desktop.

Enfim, a tendência é que, cada vez mais, as interfaces mobile e desktop fiquem homogêneas e que as empresas mesclem ainda mais a sua visão mobile com a desktop. O que, no final das contas, promete ser uma das principais características da chamada “Era Pós-PC“. Período de tempo que, a rigor, não indica a morte do computador pessoal, mas sim sobre o que vem após.

No caso, esse “após” promete ser um cenário formado pelo computador pessoal (desktop) sofrendo modificações para suportar experiências cada vez mais mais intuitivas e unificadas.

Estamos num momento histórico da computação pessoal.

Veja também: Era pós-PC, segundo Ray Ozzie

Publicado por Tiago Dória, em 21 de julho de 2011 (Quinta-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , , , , , , , ,

Ilustrador da Pixar cria “livro-aplicativo”

No começo de 2010, John Makinson, diretor geral da Penguin Books, disse que, num futuro muito próximo,  livros não se tornariam ebooks, mas sim softwares (aplicativos).

De lá para cá, o conceito vem mais ou menos sendo absorvido pelo mercado. O livro Our Choice, do Al Gore, por exemplo, conta com uma versão “livro-aplicativo”.

William Joyce, ilustrador da Pixar e de diversos outros estúdios de animação, criou uma versão “livro-aplicativo” para a animação infantil The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.

Segundo a revista FastCompany, a intenção é quebrar a barreira entre livro e animação.

O lançamento mostra não somente as possibilidades que se abrem quando você transforma software em mídia, mas também o potencial educacional dos tablets.

Veja também: Filme aplicativo no Facebook

Publicado por Tiago Dória, em 11 de julho de 2011 (Segunda-feira).
Categoria: apple. Tags: , , , , , ,