Facebook e o crescimento das “marcas pessoais” no jornalismo

Existe uma tendência na área de jornalismo que tem se revelado sutil e silenciosa – o crescimento das “marcas pessoais” frente às “marcas institucionais”.

O State of the Media, relatório anual sobre mídia e tecnologia, indicou esse crescimento como uma das grandes tendências no jornalismo.

Ela se dá quando o jornalista utiliza plataformas de redes sociais, microblogs e blogs para construir a sua própria reputação, audiência e marca pessoal, sem necessariamente estar ligado a uma redação.

Um dos principais ativos de um jornalista é a sua reputação. E, hoje em dia, ele não precisa construí-la junto a uma redação.

Se a gente for ver, “marcas pessoais” no jornalismo sempre existiram. Os colunistas fazem isso há bastante tempo. No entanto, com a alta rotatividade nas empresas e as oportunidades abertas pelos sistemas de publicação e pela cultura de autoexpressão na web, cada vez mais é interessante para o profissional de jornalismo construir a sua própria audiência e marca pessoal.

Hoje, muitos jornalistas têm mais seguidores em seu perfil pessoal do que no do veículo para o qual trabalha.

Aliás, há dois anos, por trás do debate sobre os jornalistas poderem utilizar ou não o Twitter nas redações, existia, por parte das empresas, a preocupação de que as “marcas institucionais” perdessem relevância frente às “marcas pessoais”.

Uma preocupação legítima das organizações de jornalismo, mas que demonstra a necessidade de rever a relação entre jornalistas e empresas.

Em palestras, sempre trato desse assunto das “marcas pessoais”, o que acaba rendendo bons debates. Resolvi falar sobre ele aqui, no blog – no finalzinho da semana passada, o Facebook lançou um botão que permite “assinar” as notícias de um repórter específico e não de uma publicação.

É uma valorização maior das “marcas pessoais” no jornalismo. No caso, com o botão, você acompanha o jornalista (marca pessoal) e não a publicação (marca institucional).

Lembro que, durante um certo período, o NYTimes tinha uma tática que ia ao encontro dessa ideia do botão do Facebook – de falar com os leitores não por meio da marca institucional (perfil oficial do NYTimes), mas sim, de modo mais pessoal, por meio dos profissionais do jornal que tivessem perfis nas plataformas de redes sociais.

O mais interessante dessas ferramentas (blogs, plataformas de redes sociais, microblogs) é justamente isso – o que existe por trás do uso delas. No caso do jornalismo, essa utilização tem o poder de fortalecer as “marcas pessoais”.

Veja também: Reputação digital preocupa cada vez mais as pessoas

Crédito da foto: a_sorense

Publicado por Tiago Dória, em 12 de dezembro de 2011 (Segunda-feira).
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Frase da semana

É um pouco igual à magia negra, pois não é possível prever o que vai funcionar

Tony Hey, vice-presidente do Microsoft Research Connections, sobre o critério de seleção dos projetos de pesquisa que serão financiados pela empresa de software.

Publicado por Tiago Dória, em 10 de dezembro de 2011 (sábado).
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Novo Twitter reforça tendência que foi comum em 2011

Sobre a nova interface do Twitter, Nick Bilton, colunista de tecnologia do NYTimes, escreveu uma análise interessante. O novo layout é bem mais voltado para a pessoa leiga, que não entende bulhufas de tecnologia, @s ou hashtags.

No entanto, acredito que há outra coisa importante por trás dessa mudança.

Ela ratifica uma dinâmica que foi bem comum em 2011 – as interfaces mobile e desktop ficarem cada vez mais homogêneas e integradas.

A grande mudança que existe no novo Twitter é essa.

Neste ano, ao lançar o sistema operacional Mac OS Lion, a Apple trouxe diversos elementos das interfaces dos tablets para o desktop. Mesclou ainda mais a experiência mobile com a desktop.

Da mesma forma, o Windows 8, apresentado neste ano pela Microsoft, levou para o desktop vários recursos visuais do sistema Windows Phone 7.

E, na área de mídia, também neste ano, a BBC lançou uma nova versão de sua home que mistura elementos do desktop com o mobile/touch.

A motivação para essa postura que marcou 2011 é simples. Para suportar experiências mais intuitivas e unificadas, cada vez mais, as empresas estão mesclando a visão mobile com a desktop. Como consequência, elementos de uma estão na outra.

Por isso, para alguns especialistas, daqui a algum tempo, não fará mais sentido falar em “conteúdo mobile” ou “publicidade mobile”, pois, progressivamente, para os usuários, a experiência entre os dispositivos – smartphones, tablets, desktop – será cada vez mais unificada.

Veja também: Três novas formas de apresentar velhos conteúdos

Publicado por Tiago Dória, em 9 de dezembro de 2011 (sexta-feira).
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Os pesos-pesados da internet andam em rede

Apple, Google, Facebook, Amazon têm se tornado pesos tão pesados da internet que até receberam o apelido de “Gang of Four“. Duas delas ganharam a forma verbal – “googlar” ou “facebookar” (pouco usado aqui, mas bastante lá fora).

A Apple com sua postura “device agnostic“, o Facebook tornando-se um importante utilitário de comunicação, a Google tentando gerenciar os bits da web e a Amazon misturando data mining, marketing e varejo. Cada empresa encontrou o seu caminho para arrebanhar consumidores e parceiros.

Para Phil Simon, escritor e pesquisador de gestão de tecnologias, a presença desse quarteto em nossas vidas será cada vez mais perene. O “overwhelmed consumer factor” joga a favor delas.

Cada vez mais, as pessoas estão ocupadas e entupidas de informações, não tendo tempo nem paciência para mudar da plataforma habitualmente utilizada e que lhe é eficiente. Por si só, essas empresas já dificultam a vida de quem deseja mudar de plataforma (o Facebook, por exemplo, não permite que você exporte dados pessoais), porém, progressivamente, o usuário está cansado.

Mudar de plataforma de rede social ou de dispositivo é cada vez mais parecido com trocar de banco. Você leva mais em consideração não o que o outro banco oferece, mas sim os fatores tempo e energia que serão necessários para fazer a mudança.

Um cenário meio que esperado. Na medida em que as pessoas buscam segurança e facilidade, é natural que elas se unam e permaneçam ao que já é conhecido.

Segundo Simon, Apple, Google, Facebook e Amazon mais acertam do que erram. Souberam se aproveitar do efeito de rede (quanto mais um serviço é utilizado, mais valor há em usá-lo), tratam a área de TI não como um setor operacional, mas sim estratégico, e entenderam que, na área de tecnologia, mais importante do que ser o primeiro no mercado, é ser o pioneiro no mercado de massa.

Contudo, em seu último livro – The Age of the platform (302 páginas/Editora Motion Publishing), o pesquisador garante que existe uma jogada maior – são empresas que souberam tratar o modelo de plataforma como um meio de fazer negócios.

Por plataforma entenda-se como um “ecossistema que, de forma ágil, é capaz de escalonar, se transformar e incorporar novos recursos, algo que atende não somente consumidores, mas também parceiros e fornecedores, abrindo espaço para a colaboração de terceiros” (Simon utiliza o conceito de plataforma não no sentido tecnológico, mas sim no de negócios, contudo, no final das contas, o autor acaba embananando tudo no livro).

Para Simon, esse modelo é matador hoje em dia, não somente porque ele trabalha com a ideia de negócio em rede, mas pelo motivo de que cria interoperabilidade, integração e conveniência entre produtos da mesma empresa, benefícios que os consumidores mais exigem.

Ao adotarem o modelo de plataforma, Apple, Google, Amazon e Facebook construíram poderosas barreiras para novos entrantes no mercado e não apenas redes de parceiros e consumidores.

Na prática, cada empresa encontrou uma forma própria de criar a sua plataforma. A Amazon a desenvolveu por meio de seu pioneiro programa de afiliados e das bases de dados abertas para terceiros, além de seu projeto que dava às pessoas o poder de publicar seus próprios livros. Em pouco tempo, a Amazon estava cheia de pessoas penduradas em sua plataforma.

Para Simon, Bezos entendeu o recado. Hoje um negócio não é unidirecional, mas multidirecional, envolvendo parceiros, consumidores e usuários. Todos ganham.

A Google, por sua vez, tornou-se uma plataforma a partir do ano 2.000, quando começou a oferecer diversos serviços e produtos além da busca. Sergey Brin e Larry Page, cofundadores da Google, perceberam que a empresa somente poderia se tornar uma instituição quando deixasse de ter apenas um produto.

Hoje, a plataforma da Google é tão grande que você não sabe mais se a empresa é de busca, mídia, tecnologia, telecom ou tudo isso junto.

Um dos capítulos mais importantes para a Google foi o lançamento do Adsense. A rede de anúncio não é unicamente uma fonte de receita, mas de dados sobre diversos sites. Semântica pura.

É a mesma jogada do botão curtir do Facebook. É uma fonte quase que infinita de dados sobre as preferências dos usuários. Informações estas que depois ajudarão a fortalecer os anunciantes, clientes principais da plataforma de rede social.

Por outro lado, a Apple apoiou a construção de sua plataforma no uso de bibliotecas abertas de dados (APIs). Na empresa, as APIs democratizaram e aceleraram a inovação e o desenvolvimento. Por meio delas, milhares de desenvolvedores puderam criar aplicativos em torno dos produtos da Apple.

O efeito de rede também fortaleceu como plataforma a empresa cofundada por Steve Jobs. Quanto mais pessoas compram e usam iPhones e iPads, mais aplicativos e conteúdo são criados para esses dispositivos, o que, por sua vez, faz com que mais usuários os utilizem.

Ao analisar as quatro empresas, Simon dá um apanhado de algumas características do atual mercado de tecnologias emergentes. Diferente de outras empresas de tecnologia, Apple, Google, Amazon e Facebook não fazem uma distinção cerrada entre usuários (pessoas que usam e não pagam pelo serviço) e consumidores (pessoas que pagam e usam os serviços). Usuários podem ser convertidos em consumidores; além disso, mesmo que não paguem para usar os serviços, usuários geralmente são evangelistas da empresa e podem contribuir para o boca a boca na web.

Outra questão é o ambiente de “coopetição” (cooperação + competição) e não de competição simplesmente em que essas empresas trabalham. Em algumas questões elas competem. Em outras, são parceiras. A própria região onde estão as matrizes dessas organizações facilita isso.

Quem já foi ao Vale do Silício sabe que é comum ver um engenheiro da Google tomando um café com outro do Facebook. Existe uma rede informal de informações bem ativa entre as empresas do “Gang of Four“. Enfim, dinâmica bem comum em locais que são clusters de empresas, como o Vale do Silício na Califórnia.

Empresas que sabem fazer os clientes assumirem novas funções e trabalharem por elas não é nenhuma novidade. O McDonald`s, por exemplo, fez com que o cliente virasse garçom. Na rede de fast-food, quem faz o serviço de mesa, serve e retira os alimentos da mesa, é o próprio cliente.

No entanto, os pesos-pesados da internet sabem realizar isso como ninguém, segundo Simon. Ao fazer o upload e colocar tags nas fotos no Facebook, as pessoas estão, na realidade, organizando o conteúdo da plataforma de rede social

No YouTube, da Google, quem mais produz o conteúdo não é o YouTube, mas sim os usuários. Quem clica nos anúncios, assiste e organiza o conteúdo do YouTube também não é o YouTube, contudo, uma vez mais, os usuários.

Porém, nem tudo são oportunidades na “Era das plataformas”. Há riscos. A linha entre parceiro e competidor é muito tênue. De uma hora para outra, quem antes era parceiro pode se tornar competidor. Vida a Zynga que ameaçou sair do Facebook. E a Google que, ao comprar a Motorola, passou de parceira a competidora da Samsung na área de mobile.

Fora isso, juntar vários produtos, expectativas e experiências de uso em uma única interface e plataforma é um caminho difícil, arriscado e trabalhoso. Vide os problemas que o Facebook está passando com a experiência de uso da rede e o trabalho que a Google está tendo para acertar o ponto da sua “Google Bar“, que tem o objetivo de criar uma experiência consistente entre os produtos da empresa de busca.

The Age of the Platform” tem pontos altos e baixos. Um dos altos está em amadurecer o debate sobre muita coisa que é vendida como solução no mercado. Por exemplo, na realidade, fornecer dados e recursos via APIs não é ponto de partida, mas consequência de uma estratégia.

Em uma época em que diversas empresas, principalmente as de conteúdo jornalístico, trocam as mãos pelos pés, liberando os seus dados via API sem ter uma cultura para tal, as palavras de Simon fazem o devido contraponto.

O ponto baixo do livro é que ele foi feito com base em informações de terceiros. O autor utiliza como referência textos em blogs e artigos publicados em revistas. Ler todas essas referências com contexto e de forma não-fragmentada tem um outro efeito. Contudo, fica um gosto de conteúdo requentado.

Livros sobre Apple, Google, Facebook e Amazon já foram publicados aos montes. O grande mérito de “The Age of the Platform” é analisar esse quarteto de empresas do ponto de vista do ecossistema que elas criaram em torno delas.

Veja também: Confessionário de um Xoogler

Crédito das fotos: Chris Photo (3), Yaigo (5)

Publicado por Tiago Dória, em 8 de dezembro de 2011 (Quinta-feira).
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Twine: uma coisa legal de 2011

Se fosse eleger um dos gadgets mais interessantes deste ano, com certeza, o Twine estaria na lista. Ele pode ser desajeitado, lembra mais uma pedra de sabão, contudo diz muito sobre onde estamos e para onde iremos.

O Twine é um aparelho que vem com sensores embutidos – termômetro e acelerômetro -, permitindo detectar mudanças de temperatura e vibrações em um ambiente e enviar mensagens via SMS, Twitter ou email.

Com o Twine, é possível monitorar quase tudo. Você pode configurá-lo para que ele envie um email quando alguém bater na porta da sua casa ou a máquina de lavar terminar de limpar as roupas. Devido à sua capacidade de detectar mudanças em um ambiente, o aparelhinho pode ser usado, por exemplo, para avisá-lo quando uma garagem começar a encher de água ou a umidade de um ambiente ficar muito baixa.

O que pesa a favor do Twine não é somente a sua utilidade, mas o seu preço e facilidade de uso – US$ 90 e você pode programá-lo em uma interface feita para quem não entende bulhufas de programação (imagem abaixo). É como um “Arduíno for Dummies“.

O Twine funciona com pilhas AAA e Wi-Fi e foi criado por dois estudantes do MIT Media Lab – David Carr e John Kestner com a missão de levar uma tecnologia para o mercado de massa.

Se a gente fosse classificar o Twine, talvez ele esteja naquela terceira fase de uma tecnologia – de comercialização, de levá-la para as massas. Carr e Kestner começaram uma campanha no KickStarter para, em 2012, tocar o projeto em escala comercial.

O aparelhinho evidencia para onde vamos junto com a internet.

A internet nasceu para ser “device agnostic“. Cada vez mais, ela pode estar conectada a qualquer dispositivo – tvs, smartphones, tablets, carros, laptops, video-games, roupas, móveis, brinquedos ou até a um aparelhinho que lembra uma pedra de sabão.

Com quase tudo conectado à internet e conversando entre si (o Twine faz a porta de sua casa conversar com o seu programa de email), imagina a quantidade de dados que será gerada. Não é à toa que especialistas falam que estamos no começo da “Era da Big Data“.

Porém, o Twine não é somente sobre dados. Ele reflete também o quanto as tecnologias de sensores farão ainda mais parte de nosso dia a dia, o que promete mudar não apenas o “quando”, mas o “como” e o “o que” de uma informação será entregue.

Com sensores embutidos de temperatura, localização, som e movimentos, os dispositivos tendem, cada vez mais, a se tornar editores de informação, influenciando o conteúdo que consumimos de acordo não somente com o tipo, mas também com as condições do ambiente onde estamos.

Enfim, conforme o pessoal do Occupy Wall Street gosta de falar – é apenas o começo.

Veja também: Chris Anderson: átomos são os novos bits

Publicado por Tiago Dória, em 7 de dezembro de 2011 (Quarta-feira).
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Futuro do mobile, segundo a Samsung

Celular ou tablet? Segundo a Samsung, os dois sofrerão uma simbiose e ganharão uma tela transparente e flexível (AMOLED). Realidade aumentada, UX personalizada, videoconferência e tradução em tempo real também fazem parte do pacote.

Veja também: Impressora conceitual

Publicado por Tiago Dória, em 5 de dezembro de 2011 (Segunda-feira).
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eBay em segunda tela

Mais um a adotar o conceito de segunda tela (TV como tela principal e dispositivos móveis – tablets, smartphone e laptops – como segunda tela).

O site de comércio eletrônico eBay estreou em seu aplicativo para iPad um recurso chamado “Watch with eBay“. Por meio da funcionalidade, é possível comprar produtos relacionados ao que você está assistindo na TV.

O aplicativo do eBay é o primeiro independente das emissoras a permitir fazer isso.

Em outubro, a Fox anunciou o lançamento de um aplicativo que possibilitava comprar merchandise e figurino dos personagens de Sons of Anarchy enquanto você assistia à série na TV. Tipo de iniciativa chamada de “couch commerce”, em alusão ao fato de na hora da compra a pessoa estar sentada no sofá em frente à TV.

Veja também: Disney em segunda tela

Publicado por Tiago Dória, em .
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A indústria de tecnologia entrará em crise em menos de uma década?

Michio Kaku será palestrante na próxima edição da Campus Party Brasil, que acontecerá em fevereiro, em São Paulo. O cientista e professor da City College de Nova York é o pai do argumento de que, em menos de 10 anos, o Vale do Silício e toda a indústria de computação entrarão em colapso.

O fundamento dessa previsão é que a Lei de Moore, um dos princípios no qual a indústria de tecnologia tem se pautado nas últimas décadas, ficará obsoleta.

Ao contrário do que geralmente é publicado, a Lei de Moore não é uma lei física, mas sim uma teoria criada nos anos 60 por um engenheiro da Intel – Gordon Moore.

Segundo a teoria, o número de componentes nos chips dobra a cada 18 meses. Em outras palavras, a cada 18 meses, produtos com chips tendem a ficar cada vez mais baratos e melhores.

A teoria se baseia na premissa da miniaturização, que as estruturas dos chips têm a tendência de ficar cada vez menores e mais potentes.

Para Kaku, é nesse ponto que reside a falha da Lei de Moore. Uma hora, mais precisamente em 2020, ela entrará em colisão com as leis físicas, um bit de informação se resumirá a um átomo, o que irá impor um limite físico ao desenvolvimento dos computadores.

O argumento do cientista é direto e ratificado por outros tecnólogos. Em 2005, o próprio Moore questionou a validade da teoria que criara.

Kaku peca pelo alarmismo. Se o Vale do Silício for acabar um dia será bem mais por causa da inovação reversa e do crescimento das empresas de tecnologias fora dos EUA. Gigantes da tecnologia, como Intel e IBM, vêm investindo em pesquisas para fugir do fim da Lei de Moore.

Fora isso, é cada vez mais evidente que o futuro da computação passará bem mais por desenvolver algoritmos mais poderosos do que criar chips supervelozes. Mesmo que a Lei de Moore se mostre obsoleta, ela abrirá espaço para outros caminhos, como o do computador quântico.

De qualquer modo, será interessante se Kaku abordar o assunto na Campus Party. Uma oportunidade dos brasileiros conhecerem mais a fundo o trabalho do “cientista pop” que adora criar e questionar algumas ideias na área de tecnologia.

Veja também: Wired no Brasil? Melhor criar uma própria

Publicado por Tiago Dória, em .
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Frase da semana

O desafio não é tecnológico. O desafio hoje é levar as pessoas a ler mais.

Juergen Boos, diretor da Feira de Livros de Frankfurt, durante a FIL Guadalajara.

Publicado por Tiago Dória, em 3 de dezembro de 2011 (sábado).
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