Obrigado por tudo e até 2012!

Quando você trabalha com o que gosta, é meio estranho falar que vai entrar de férias.

Como acontece todo ano, durante duas semanas, darei uma pausa nas minhas atividades para passar um tempo offline e recarregar as baterias.

Volto no dia 09.

Espero que, em 2012, vocês tenham em dobro o que conquistei neste ano.

Obrigado por tudo e até mais!

Crédito da imagem: Lisa Kahn

Publicado por Tiago Dória, em 23 de dezembro de 2011 (sexta-feira).
Categoria: recados

A imortalidade do conteúdo digital

O site da Technology Review, publicação do MIT, fecha o ano com uma matéria da revista sobre a necessidade da preservação do conteúdo na web.

A reportagem vem bem a calhar, principalmente em época de final de ano, em que sempre somos convidados a deletar o que é considerado velho e inútil. Devemos nos desfazer do velho para abrirmos espaço para o novo. Essa é a lógica do final de ano.

A preocupação com a preservação é válida. Em uma época em que tanto o conhecimento formal quanto o informal são, cada vez mais, produzidos no digital, é natural que comece a surgir um certo cuidado a respeito de como esse conteúdo será preservado.

A história do site Poetry é bem emblemática. De uma hora para outra, o site de poesias e poemas foi vendido, fazendo com que parte de seus usuários perdesse todos os escritos que havia produzido e publicado no ambiente do site.

Outro exemplo é o serviço de criação de sites Geocities, que, em 2009, teve as suas atividades encerradas, enterrando, desse modo, diversos conteúdos que estavam em suas páginas. Informações que dificilmente você encontra em outros cantos da web.

Não é preciso ir longe. O Orkut, que, bem ou mal, teve o seu futuro questionado em 2011, também é um acervo de capítulos importantes da internet brasileira. Uma grande parte de conhecimento informal está lá. Informação que, não podemos negar, possui importante valor cultural e histórico.

O conteúdo do Geocities foi para a imortalidade. O Internet Archive o recuperou e o distribuiu em arquivos torrent na web. O Orkut ainda é incerto.

O Internet Archive é um dos poucos projetos que se esforça em preservar esse conteúdo na web. Possui bilhões de páginas guardadas. Mesmo que um site suma da web, você pode acessá-lo por lá.

Entrelinhas, a matéria da Technology Review levanta também um dos grandes desafios atuais a respeito da digitalização de conhecimento. A questão não é tanto digitalizar, mas como recuperar de forma inteligente e útil as informações que temos digitalizadas.

De que adianta termos tantas informações digitais armazenadas em servidores e bancos se não conseguimos recuperá-las e visualizá-las de tal forma que faça sentido prático em nosso dia-a-dia?

Para o pioneiro da computação Gordon Bell, autor de Total Recall – o Futuro da Memória, a partir do momento em que pudermos recuperar o conteúdo digital, de qualquer lugar e de forma intuitiva, os efeitos a longo prazo serão poderosos. Estaremos começando a desbravar um território inteiramente novo.

Seremos abertos a novos horizontes ao podermos recuperar facilmente conteúdos de cada momento de nossas vidas? Estaremos criando uma imortalidade digital?

Veja também: Grandes conexões geram grandes responsabilidades

Crédito das fotos: Internet Archive e Kalfatovic

Publicado por Tiago Dória, em 22 de dezembro de 2011 (Quinta-feira).
Categoria: pesquisa. Tags: , , , , ,

Cinco livros que eu comentei em 2011

Neste ano, li alguns livros interessantes e, uma vez mais, compartilhei a leitura com vocês.

Separei cinco deles.

1) The Net Delusion, de Evgeny Morozov (432 páginas/Editora PublicAffairs).
O ano de 2011 foi o que em mais se falou sobre mobilizações online. Mas também foi em que elas foram mais criticadas. Em Net Delusion, Morozov diz que a nossa noção de censura na internet ainda tem como base a ideia de “bloquear/não bloquear”, lógica que, hoje em dia, não faz mais sentido. Cada vez mais,  governos autoritários passam a usar a internet para propaganda ou, em casos mais extremos, como uma ferramenta de monitoramento da população.

2)  Alone Together, de Sherry Turkle (384 páginas/Editora Basic Books)
Pesquisadora há 30 anos do MIT, Turkle voltou neste ano à mídia com um livro em que questiona a “Geração Y”  e o quanto ainda confundimos amizade com conectividade.  Às vezes, estar contectado ao Twitter ou a uma plataforma de rede social é como andar na avenida principal de uma metrópole. Ao mesmo tempo, estamos sozinhos e cercados de pessoas.

 

3) I’m Feeling Lucky: The Confessions of Google Employee Number 59, de Douglas Edwards (432 páginas/Editora HMH).
De um ex-funcionário da Google saiu um dos melhores livros sobre a empresa de busca. Edwards foi quem criou o texto da mensagem que sempre aparecia quando o Orkut saía do ar – “Bad, bad server. No donut for you”. O Xoogler (ex-funcionário da Google) apresenta uma visão bem particular, própria de quem esteve dentro da Google, sobre os motivos de o Orkut não ter deslanchado como um produto internacional

 4) The Filter Bubble, What The Internet is hiding from you?, de Eli Pariser (Editora Peguin Press/304 páginas).
Do mesmo modo que, para acabar com o sobrepeso, devemos mudar os nossos hábitos alimentares, Eli Pariser acredita que, para lidar com o atual overload informativo, precisamos mudar o modo como consumimos mídia. Devemos fazê-lo de forma menos compulsiva, combinando conteúdos que vão ao encontro do que já acreditamos com aqueles capazes de trazer algo que ainda não conhecemos.

5) Reality is Broken, de Jane McGonigal (Editora Penguin Press/400 páginas).
O livro de McGonigal vale por dois motivos. Primeiro, desmitificar essa questão da Gamificação, que, na realidade, fiz respeito a acrescentar uma camada a mais de motivação a atividades que até então eram consideradas banais. A segunda razão está na abordagem psicológica que faz dos chamados projetos colaborativos. É muito mais uma questão de criar certas sensações do que utilizar esta ou aquela ferramenta.

(para acompanhar todos os livros que comentei neste ano, é só seguir a tag livros)

Veja também: Cinco coisas que marcaram a área de mídia e tecnologia em 2011

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: livros. Tags: , ,

Gostamos de compartilhar sentimentos e não fatos

Se as atuais plataformas de redes sociais pretendem ser um retrato de nossos relacionamentos sociais, elas estão na pré-história. Essa é uma das sensações que fica ao ler Grouped, de Paul Adams, um dos principais pesquisadores por trás do Google+.

A mecânica das atuais plataformas de redes sociais não consegue suportar e refletir nem 10% da complexidade dos nossos relacionamentos.

Para começo de conversa, os relacionamentos são tratados de forma cartesiana. É 8 ou 80. Você curte ou não curte alguma coisa. É amigo ou não de uma pessoa. Enquanto isso, na vida fora da internet, os nossos relacionamentos são bem mais complexos, caóticos e cheios de nuances.

Da mesma forma, as plataformas nos convidam a organizar, de forma consciente e binária, os nossos amigos e familiares em listas e círculos, enquanto que, no dia a dia, encaramos os nossos contatos de forma caótica e subconsciente. A todo momento, estamos tirando e colocando pessoas em nossos círculos.

Perto da controvérsia que foi criada em torno do seu lançamento, Grouped (168 páginas/Editora New Riders Press) tinha tudo para ser um dos livros mais vendidos na área de internet.

A polêmica começou em dezembro de 2010. Em uma história até hoje mal contada, Adams pediu, na época, demissão da Google após trabalhar como pesquisador de UX da empresa e ser um dos principais teóricos por trás do Google+.

Durante a sua passagem pela Google, chegou a escrever um livro sobre o assunto – “Social Circles“, que, logo após a sua saída da empresa, teve a venda vetada pela Google. Posteriormente, trechos do livro jamais lançado foram inseridos em Grouped. E, hoje, Adams está no Facebook.

O livro não é o melhor escrito sobre plataformas de redes sociais. É curto e superficial. Muitas das ideias já foram publicadas em diversos cantos. Mas faz o que poucos fazem – levar a análise para o lado sociológico e não tecnológico.

Precisamos entender mais de pessoas do que de tecnologia, decreta Adams.

Para o executivo do Facebook, a atual avalanche de informações e de opções faz que com nos voltemos, cada vez mais, para os nossos contatos mais próximos, que acabam funcionando como filtros de informações e conselheiros para a tomada de decisões.

Adams aproveita a premissa para atirar na teoria dos “influenciadores da web” – um pequeno grupo de pessoas (blogueiros, jornalistas, twiteiros e videocasters) que teria a capacidade de influenciar milhões na web.

Segundo Adams, pessoas muito conectadas não são, apenas por esse fato, altamente influenciadoras. Influência continua sendo algo muito difícil de mensurar. E mais – a ideia de “influenciadores” é feita com base em como gostaríamos que o mundo funcionasse do que como realmente é.

Na realidade, as redes sociais não são lineares como sugere a ideia de “influenciadores”. As redes são muito mais complexas.

O conceito de “influenciadores” é uma forma simplificada de ver as redes sociais.

Quando pensamos em influenciadores ainda estamos falando em canais de informação de via única. Um hub de pessoas capaz de induzir milhões.

Para Adams, as redes sociais são como o cérebro humano – sistemas emergentes. Para entendê-las devemos muito mais compreender a relação entre os seus componentes (em qual local da rede a pessoa está) do que as características individuais de cada um (número de seguidores).

Devemos classificar as pessoas de acordo com o seu lugar em nossas redes e não por demografia, características psicológicas ou número de conexões.

Um ponto interessante de Grouped é que Adams apoia algumas de suas reflexões em dados de uso do Facebook. E dados que nem todo mundo tem acesso.

Segundo Adams, é um mito achar que as plataformas de redes sociais criam novas relações. Na realidade, ajudam a reforçar as já existentes. Em média, uma pessoa tem 160 amigos no Facebook, contudo comunica-se diretamente apenas com 4 ou 6 deles.

As pessoas fazem muito “broadcast” nas plataformas de redes sociais. Contudo, na hora de utilizar os recursos de “mensagens privadas” ou de “chat”, uma pessoa mantém contato, em média, somente com 4 outras por semana.

Dinâmica seletiva que não é exclusiva das plataformas de redes sociais. Mesmo com a possibilidade de termos milhares de contatos na agenda do celular, 80% das ligações são para as mesmas 4 pessoas de sempre.

Na vida offline, temos não mais que 5 laços fortes de conexão. Na vida online, a quantidade é a mesma. Ou seja, nas plataformas de redes sociais, estamos nos comunicando com o mesmo pequeno e seleto número de pessoas.

Um dos estudos do Facebook detectou que, de maneira quase desproporcional, somos influenciados pelas pessoas com as quais temos laços emocionais. Quanto mais ligação emocional, maior a capacidade de induzir.

Laços emocionais dizem muito mais que número de seguidores. O que não chega a ser nenhuma novidade, segundo Adams. O que as plataformas de redes sociais fizeram foi deixar tudo isso mais evidente e consistente. As pessoas que mais exercem influência são aquelas com quem temos uma relação mútua (e não aquele cara cheio de seguidores que joga um montão de conteúdo em nossa timeline).

Ecoando os estudos de outro pesquisador – Eli Pariser, Adams conta que as atuais plataformas de redes sociais nos fazem acreditar cada vez mais nas mesmas pessoas e a seguir os mesmos pensamentos – a ideia de “bolhas de conteúdo” propagada por Pariser.

Adams recorre à neurociência para explicar por que as plataformas de redes sociais são tão fascinantes hoje em dia.

Em vez de trazer diversidade, elas nos fazem ter ainda mais contato com pessoas e ideias que vão ao encontro do que já acreditamos. Algo que o nosso subconsciente está sempre procurando – segurança e coisas já conhecidas. Em outras palavras, estamos o tempo todo correndo atrás do próprio rabo, buscando ligação com pessoas que pensam como a gente.

As atuais plataformas de redes sociais facilitam ainda mais esse movimento do nosso cérebro em buscar coisas conhecidas e seguras.

Para a tristeza dos “editores de mídias sociais”, somente uma minoria das pessoas usa as plataformas para consumir informação e notícias.

A grande maioria as utiliza como utilitários de comunicação – para conversar. Igual a um telefone.

Na realidade, compartilhar conteúdo e atividades é parte natural da conversa. Mais ou menos, como se dá quando um amigo liga para a gente para conversar e, no meio do bate-papo, ele acaba contando naturalmente que fez isso e aquilo.

Metade das conversas nas plataformas de redes sociais é sobre pessoas que não estão presentes. O motivo por que se gasta tanto tempo falando dos outros no Facebook ou no Twitter é simples – falar sobre as outras pessoas ajuda a entender melhor o que é socialmente aceito ou não. Entender como as pessoas reagem a várias situações auxilia no ato de moldar o nosso próprio comportamento.

Por isso que a fofoquinha faz tanto sucesso nas plataformas de redes sociais.

Segundo Adams, as pessoas não gostam de compartilhar informações factuais e objetivas, mas sim conteúdo que provoque emoções. Conteúdos positivos, interessantes e inspiradores são os campeões de “likes” e compartilhamentos.

Em suma, na “Era das plataformas de redes sociais”, o que gostamos mesmo é de compartilhar sentimentos e não fatos.

Veja também: Estamos “cadastrados” em redes sociais desde pequenos

Crédito das fotos: Rthakanr (4) e Geyer (5)

Publicado por Tiago Dória, em 20 de dezembro de 2011 (Terça-feira).
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Doze “frases da semana” de 2011

Todas fizeram parte do “frase da semana” neste ano.

1)

Estávamos acostumados a ser pobres em calorias e agora o problema é a obesidade. Estávamos acostumados a ser pobres em dados, agora o problema é a obesidade de dados

Hal Varian, economista chefe da Google e coautor do sempre recomendado “Economia da Informação“.

2)

Ser um nativo digital não significa que entenda como funciona a tecnologia, mas que tão somente a utiliza

Miguel del Fresno, durante o Congresso SMM, na Espanha

3)

Você percebe que o futuro de fato acontece quando você começa a sentir medo

Douglas Coupland, escritor.

4)

As melhores mentes da minha geração estão pensando em como fazer as pessoas clicarem em anúncios. Isso é um saco!

Jeff Hammerbacher, ex-funcionário do Facebook.

5)

A Era pós-PC começou, e o iPad abriu o caminho

John Gruber, autor do blog Daring Fireball

6)

Personalidade do ano. Irônico

Mensagem de Watson, supercomputador da IBM, ao receber o prêmio de personalidade do ano durante a cerimônia do Webby Awards, considerado o “Oscar da internet”.

7)

(Hoje) Você gasta muito tempo filtrando e pouco tempo lendo

John-Paul Schmetz, cofundador do agregador Cliqz, em uma matéria especial da Economist sobre o futuro do consumo de notícias.

8)

Nós nascemos, vivemos por um breve instante, e morremos. Sempre assim aconteceu durante imenso tempo. A tecnologia não muda muito isso – se é que está mudando

Steve Jobs, cofundador da Apple.

9)

Quando todos têm a mesma tecnologia, as pessoas são o diferencial

Laércio Cosentino, presidente do grupo TOTVS, durante palestra na HSM ExpoManagement 2011.

10)

Essa expressão foi própria de outro momento em que se tentava promover a ideia de web, e creio que foi bem-sucedida e criado entusiasmo, mas lamentavelmente envelheceu

Tim O’Reilly, ao decretar a obsolescência do termo Web 2.0, durante o Fórum Internacional de Conteúdos Digitais, na Espanha.

11)

Tecnologia significa a aplicação da ciência para tornar a vida das pessoas melhor. A tecnologia é a parte mais fácil para mim. As pessoas são a parte mais difícil.

Martin Cooper, inventor do celular.

12)

Twitter? Não faço ideia do que seja isso

Woody Allen, cineasta, em entrevista à Reuters

Veja também: Cinco coisas que marcaram a área de mídia e tecnologia em 2011

Publicado por Tiago Dória, em 17 de dezembro de 2011 (sábado).
Categoria: frasedasemana. Tags: , ,

Cinco coisas que marcaram a área de mídia e tecnologia em 2011

Esse é um texto que as pessoas sempre pedem que eu faça.

Compartilho com vocês cinco pontos que chamaram a atenção em 2011 na área de mídia e tecnologias emergentes (não necessariamente na ordem de importância).

1) Monetizar a audiência e não o conteúdo
Em 2011, o NYTimes.com impressionou muita gente ao apresentar resultados positivos com a medida de adotar um sistema de cobrança.

Quem não é assinante do jornal pode ler de graça 20 artigos por mês. Mais do que isso, é convidado a assinar um plano de acesso. O conteúdo via sistemas de busca, blogs e plataformas de redes sociais continua com acesso gratuito e sem limite de leitura

Normalmente, quando se pensa em sistema de cobrança, logo vem à memória o modelo mais tradicional, ainda adotado no Brasil, e que já se mostra superado em diversas partes do mundo – o de quebrar o conteúdo em dois – pago e gratuito. Neste caso, o critério para cobrança é o conteúdo.

No caso do NYTimes, o critério de cobrança não é pelo tipo de conteúdo (analítico ou hardnews, especializado ou generalista, exclusivo ou não), mas sim pelo tipo de audiência (quem lê mais, quem lê menos; quem é mais fiel ou não). Ou seja, o jornal busca explorar melhor a base mais fiel de leitores da publicação, que, de uma forma ou outra, pagaria pelo acesso.

O modelo mantém o conteúdo aberto e ainda converte em pagantes a base mais fiel de leitores. Em outubro, o Independent anunciou que adotaria o mesmo modelo, totalizando 3 sites de notícias que utilizam a dinâmica de monetizar a audiência e não o conteúdo (NYTimes, Financial Times e Independent).

2) Interfaces web e mobile mais integradas e homogêneas
Para suportar experiências mais intuitivas e unificadas, aos poucos, as empresas estão mesclando a visão mobile com a desktop. Como consequência, elementos de uma estão na outra e a experiência entre os dispositivos – smartphones, tablets, desktop – está cada vez mais uniforme.

Em 2011, isso se refletiu com o lançamento do sistema operacional Mac OS Lion. A Apple trouxe diversos elementos da interface dos tablets para o desktop.

A Microsoft seguiu caminho idêntico ao apresentar o Windows 8, que levou para o desktop vários recursos visuais do sistema Windows Phone 7.

Do mesmo modo, na área de mídia, a BBC lançou uma nova versão de sua home que mistura elementos do desktop com o mobile/touch.

Para reforçar a tendência, no finalzinho do ano, o Twitter também seguiu dinâmica parecida ao lançar o seu novo layout, que mescla ainda mais a experiência mobile com a desktop.

3) Do “jornalismo cidadão” à curadoria de conteúdo
Quem é leitor antigo deve se lembrar que, há uns três anos, chegamos à conclusão que uma hora as pessoas iriam desacelerar a dinâmica de enviar conteúdo para os chamados “sites de jornalismo cidadão”. Era um modelo que não iria se sustentar à medida que as pessoas percebessem que, por estarem mais perto de suas redes de contatos, plataformas de vídeos e redes sociais poderiam fornecer bem mais visibilidade e impacto ao conteúdo publicado.

Em 2011, o modelo de sites como CNN iReport, em que você espera que o leitor envie o conteúdo, perdeu ainda mais espaço para o sistema de curadoria no jornalismo. Cada vez menos, as pessoas enviam conteúdo para os “sites de jornalismo de cidadão” e, cada vez mais, enviam para as suas redes de contatos mais próximas, que, no caso, estão no Twitter e no Facebook .

Com isso, os jornalistas são obrigados a ir atrás desse conteúdo e integrá-lo à cobertura de um assunto, reforçando assim a sua habilidade de curador de conteúdo.

O site Storify reflete bem isso. Em 2011, foi eleito um dos mais inovadores na área de jornalismo. Ele permite que você contextualize, destaque e separe o melhor conteúdo publicado nas plataformas de redes sociais sobre um determinado assunto.

4) Consumo simultâneo de conteúdo entre dispositivos
O conceito de segunda tela dominou o noticiário de mídia e tecnologia em 2011. Por trás da ideia, existe uma dinâmica maior, que é o consumo simultâneo de conteúdo entre dispositivos. Enquanto você assiste à TV (primeira tela), acompanha no celular ou tablet (segunda tela) informações adicionais sobre o que está passando na televisão.

Fox, BBC, ABC, ESPN e outras grandes emissoras de TV trabalharam com o conceito. Durante a transmissão do Oscar 2011, houve uma disputa para ver quem dominava a segunda tela.

Ademais, neste ano, diversos estudos indicaram que, com os aplicativos de segunda tela, as pessoas assistem mais à TV e sentem-se mais envolvidas com o conteúdo do programa de TV.

Segundo Lori MacPherson, da Walt Disney Studios, o conceito de segunda tela é um “game changer” no mercado. Neste ano, o grupo de mídia lançou diversos aplicativos de segunda tela para serem utilizados enquanto uma pessoa assiste a um filme.

5) Outposts para estender plataformas de conteúdo
O pesquisador de mídia Chris Brogan fala sobre a necessidade das empresas adotarem outposts – “pontos fora do eixo central de sua presença online onde as empresas podem se conectar com novos consumidores, informações e ideias”.

Segundo Brogan, outposts permitem não somente que sua empresa estenda a sua presença online, fazendo com que o seu conteúdo fique mais visível, mas também se envolva em conversas que estão acontecendo fora do eixo central de sua presença online.

Outposts nada mais são do que perfis em plataformas de redes sociais e blogs. Ou melhor ainda, pensar de modo distribuído. A presença das empresas nestes pontos deve ser um mix entre fidelizar/conversar com os consumidores e levá-los para o eixo central de sua presença online.

Em 2011, com o lançamento do novo sistema de aplicativos, que rodam dentro da própria plataforma de rede social, o Facebook facilitou o processo que o próprio Brogan chama de “crosspolinização” de conteúdo.

Veja também: As cidades mais digitais em 2011

Publicado por Tiago Dória, em 15 de dezembro de 2011 (Quinta-feira).
Categoria: jornalismo. Tags: , , , , , , , , ,

“Democratização” da segunda tela

O Miso é um aplicativo que permite fazer checkins em programas de TV.

Nesta semana, eles anunciaram o lançamento de um recurso chamado “SideShow“. Por meio dele, “qualquer pessoa” pode criar e publicar conteúdo para segunda tela.

Segundo o LostRemote, é quase como um “WordPress para segunda tela” – você baixa o aplicativo do Miso, clica na função SideShow e começa a publicar o conteúdo que as pessoas poderiam consumir simultaneamente enquanto assistem à TV. A ideia é que os usuários não fiquem restritos à experiência dos aplicativos de segunda tela oficiais das emissoras de TV.

Com a possibilidade de qualquer pessoa publicar conteúdo, o Miso vai fragmentar ainda mais o “mercado de segunda tela”, cenário já meio que esperado por pesquisadores do conceito.

Veja também: Mesma TV, mas com 2 telas

Publicado por Tiago Dória, em 14 de dezembro de 2011 (Quarta-feira).
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Lançamento da iTunes Store mostra potencial do mercado brasileiro

A abertura da versão brasileira da iTunes Store, loja online onde é possível comprar e alugar conteúdo em formato digital, reflete o potencial do mercado brasileiro para a Apple.

Na realidade, 16 países da América Latina estão recebendo versões locais da loja online da Apple. O Brasil é somente um deles.

Contudo, o país tem um destaque especial. Na apresentação do último balanço financeiro, o Brasil foi citado como uma das regiões de maior crescimento para a Apple. As receitas vindas do país subiram 118% ao ano.

Outras regiões promissoras para a empresa são Rússia e Oriente Médio.

É preciso levar em conta duas coisas importantes sobre a iTunes Store.

Primeiro – a Apple não compete em custo. Coloca-se como uma “marca premium”. Quem espera “preços e produtos populares” sempre vai se decepcionar.

Outra coisa é que, historicamente, as pessoas pagam por serviços e produtos desde que vejam valor neles. Isso mesmo no ambiente digital. Esse valor pode vir por meio da tríade: qualidade, facilidade e acesso. Qualidade se explica por si só. Facilidade no sentido de ser um serviço simples de utilizar, que não faz o consumidor se sentir culpado ou frustrado. E acesso como meio de conseguir alguma coisa que não se pode obter por conta própria.

A iTunes chega ao Brasil 8 anos depois do lançamento nos EUA. E ela entra no mercado brasileiro num momento em que o seu modelo ainda dominante de baixar arquivos individuais é questionado nos EUA por serviços de streaming de conteúdo, como Spotify, Rdio, Google Music, Hulu e Netflix.

Veja também: Com iCloud, Apple deixa evidente estratégia “device agnostic”

Publicado por Tiago Dória, em 13 de dezembro de 2011 (Terça-feira).
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E o carro do futuro, segundo a Mitsubishi

Mais uma empresa que aposta no modelo de “carro movido a software“.

A Mitsubishi apresentou o que seria o painel de controle de um carro no futuro  – dashboard com tela sensível ao toque de mão, UX personalizada, sensores capazes de detectar a sua temperatura e batidas do coração e indicar se você está apto para dirigir.

A interface conceitual foi apresentada durante o Tokyo Motor Show 2011.

Veja também: Carro do futuro, segundo a Toyota

Publicado por Tiago Dória, em 12 de dezembro de 2011 (Segunda-feira).
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