Guardian open news: uma boa ideia, mas mal implementada

O Guardian lançou nesta semana um experimento chamado Newslist (#opennews). Uma lista das pautas que estão sendo trabalhadas pelo Guardian é publicada diariamente no site do jornal. A intenção é que os leitores acompanhem dia a dia as pautas e façam sugestões e comentários.

As pessoas podem fazer comentários por meio da hashtag #opennews.

Semelhante a diversos projetos ditos “open”  na internet, o Newslist é “open” até certo ponto. Matérias de fôlego e exclusivas não entram na lista pública.

Ser furão ainda é uma das qualidades mais valorizadas num jornalista. E um profissional que comete furos certamente não gostaria de ver aquela pauta exclusiva exposta para qualquer um.

Contudo, a principal questão do projeto nem é essa, mas sim a forma como foi implementado.

A lista de pautas é apresentada numa planilha inserida em um blog, formato que, cá entre nós, não é lá muito atraente para um leitor. Faria mais sentido uma interface mais dinâmica, na qual as pessoas pudessem comentar e votar nas pautas.

A implementação desse experimento do Guardian é um exemplo de algo que bato na tecla há tempos. Jornalistas que trabalham com web precisam ter noções de UX (user experience). Colocar uma planilha num blog não é a melhor forma de engajar uma audiência.

Veja também: Guardian: mais um jornal com base em HTML5

Publicado por Tiago Dória, em 11 de outubro de 2011 (Terça-feira).
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Mais um jornal que vai “monetizar” a audiência e não o conteúdo

Na transição dos átomos para os bits, empresas de conteúdo entraram em crise de identidade. Não sabiam mais em qual negócio estavam, duvidavam da sua própria capacidade, ou faziam apostas em uma única plataforma de distribuição de conteúdo.

Esse cenário vem mudando. Aos poucos, as empresas vão reencontrando o seu caminho no atual ecossistema de informação. Vide a BBC que, em sua última estratégia, (re)descobriu que a sua competência central é contar histórias.

Na busca por um modelo de receita, a ideia de monetizar a audiência e não o conteúdo tem se mostrado mais promissora.

Nesta segunda-feira, o inglês Independent anunciou que adotará um sistema de cobrança para usuários residentes fora do Reino Unido.

Quem não é assinante do jornal poderá ler de graça 20 artigos por mês. Mais do que isso, será convidado a assinar um plano de acesso. A previsão é que quem acessa o conteúdo via sistemas de busca, blogs e plataformas de redes sociais continuará com acesso gratuito e sem limite de leitura.

Normalmente, quando se pensa em sistema de cobrança, logo vem à memória o modelo mais tradicional, ainda adotado no Brasil, e que já se mostra superado em diversas partes do mundo – o de quebrar o conteúdo em dois – pago e gratuito. Neste caso, o critério para cobrança é o conteúdo.

O modelo do Independent é diferente, pouco importa o conteúdo. O critério de cobrança não é pelo tipo de conteúdo (analítico ou hardnews, especializado ou generalista, exclusivo ou não), mas sim pelo tipo de audiência (quem lê mais, quem lê menos; quem é mais fiel ou não).

Em outras palavras, quem consome mais paga mais. O jornal explora melhor a base de usuários mais fiel da publicação, que, de uma forma ou outra, pagaria pelo acesso.

Dos mais conhecidos, dois jornais adotam esse modelo de ”monetizar a audiência e não o conteúdo” – Financial Times (FT) e, mais recentemente, o NYTimes. Ambos com resultados positivos.

Dos dois jornais, o último adotou a implementação mais elegante. Dificilmente, você percebe que existe um sistema de cobrança no NYTimes. No FT, mesmo sendo assinante, você é obrigado a fazer o login diversas vezes, levando a todo momento a se lembrar do sistema de cobrança.

O interessante desse modelo de ”monetizar a audiência e não o conteúdo”, utilizado por FT e NYTimes – e, agora, pelo Independent – é que ele mantém o conteúdo aberto e ainda converte em pagantes a base mais fiel de leitores.

Veja também: “Consumerização” nos sites de notícias

Publicado por Tiago Dória, em 10 de outubro de 2011 (Segunda-feira).
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Frase da semana

Nós nascemos, vivemos por um breve instante, e morremos. Sempre assim aconteceu durante imenso tempo. A tecnologia não muda muito isso – se é que está mudando

Steve Jobs, cofundador da Apple.

Publicado por Tiago Dória, em 8 de outubro de 2011 (sábado).
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Documentário sobre startups

Pelo visto, o assunto “empreendedorismo digital” está cada vez mais presente na TV e no cinema.

Depois da Bloomberg TV anunciar a produção de Techstarts, reality show que mostra jovens empreendedores tentando montar um negócio com base na web, a Microsoft divulgou nesta semana o trailer de Ctrl+Alt+Compete, documentário sobre startups.

Cinco startups participam do documentário, que conta com as participações de Tim O’Reilly, criador da Web 2.0 Expo, e Simon Sinek, autor de Start with Why.

Em novembro, o filme será exibido em primeira mão durante o Napa Valley Film Festival.

O trailer segue logo abaixo.

Veja também: Frases de efeito sobre startups

Publicado por Tiago Dória, em 7 de outubro de 2011 (sexta-feira).
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Bastidores da união entre TV e Twitter

TV e Twitter andam mais unidos do que nunca. Assiste à TV, comenta no Twitter.

Emissoras, por sua vez, cada vez mais exibem tweets da audiência na tela da TV.

Sam Decker, CEO da Mass Relevance, publicou no LostRemote um infográfico sobre como funciona o back-end da união entre TV e Twitter. A Mass Relevance é uma empresa especializada em curadoria de conteúdo encontrado em plataformas de redes sociais. Presta serviços para algumas das principais emissoras nos EUA – CNN, MTV, ABC e NBC.

Veja também: Para mais de 40% das pessoas, TV combina com Twitter e Facebook

Publicado por Tiago Dória, em 6 de outubro de 2011 (Quinta-feira).
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O que Steve Jobs significa para mim

Acredito que o grande mérito de Steve Jobs foi:

1) Ter transformado computadores em objetos de consumo, em objetos que não fossem utilizados somente por especialistas, mas que pudessem ser tão intuitivos e corriqueiros de usar quanto um aparelho de televisão
2) E ter descoberto a “competência central” da Apple (usabilidade e design), em seu retorno à empresa em 1996. A partir daí, Jobs aplicou essa competência a diversos mercados e produtos. iPad, iPod, iTunes foram consequência dessa atitude.

Entre outras coisas, ele mostrou ao mercado que a internet é device agnostic e que, antes de tudo, as pessoas estão atrás de facilidade na web.

Jobs entendeu muito bem a dinâmica da área de tecnologia, um meio onde você é valorizado não por quem é, mas sim pelo que faz. Não é à toa que, mesmo após ter o seu nome garantido na história da computação, ele insistiu em trabalhar dia e noite e lançar novos produtos.

Para mim, ficam várias lições. Por mais estranho que possa parecer, todas elas não-tecnológicas.

A importância do peopleware, de trabalhar com o que gosta e de estar no lugar certo e na hora certa, além do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Há uma frase de Steve Jobs que define bem tudo isso. Aliás, ela foi dita ao lado de outro ícone, quando Jobs se encontrou com Bill Gates durante a conferência D: All Things Digital, em 2007.

No palco da conferência, ao lado de Gates, Jobs fez uma rápida avaliação da sua própria vida.

Vejo-nos como dois dos caras mais sortudos do planeta. (…) Encontramos o que amamos no lugar certo e no tempo certo, família, trabalho, amigos. Que mais poderíamos pedir?

Veja também: Está na capa (morte de Steve Jobs)

Crédito da foto: Cult of mac

Publicado por Tiago Dória, em .
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Está na capa (morte de Steve Jobs)

































Atualização - O Cult of Mac reuniu as capas de diversos jornais impressos a respeito da morte de Steve Jobs.

Veja também: Steve Jobs e Bill Gates: amigos para sempre

Publicado por Tiago Dória, em 5 de outubro de 2011 (Quarta-feira).
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No Xbox, Bing adquire “poderes especiais”

Os principais sites de notícias estão em rebuliço com a informação de que a Microsoft fechou parcerias com mais de 40 canais de TV e parceiros de conteúdo para que o Xbox funcione também como receptor de TV a cabo.

De quebra, a empresa anunciou o lançamento de um aplicativo para o Windows Phone 7 que permite controlar o Xbox apenas com o celular. Para quem pretende utilizar o console de games como um set top box, o aplicativo promete ser bem útil.

O anúncio da parceria mostra o quanto o mercado de entrega de conteúdo de TV está em disrupção. Ademais, ratifica a intenção da Microsoft de transformar o Xbox em um centro de mídia digital.

Outras empresas também pretendem transformar consoles de games em centros de entretenimento. A promessa da Microsoft é fazer isso, mas de forma mais intuitiva, integrado ao Kinect e com o uso de controles por voz e movimentos.

O que chama a minha atenção nessa transformação do Xbox é a forma como a Microsoft integrou o Bing.

Integrado ao Xbox, o Bing vai muito além de um “sistema de busca para competir com o Google”. No ambiente do console, é ele quem integra o sistema de reconhecimento de voz do Kinect à interface da rede Xbox Live. Além disso, ele é a plataforma responsável por toda a navegação intuitiva do Xbox.

É interessante essa questão, pois existe uma teoria na área de gestão de tecnologias que diz – quando uma tecnologia é tirada de seu domínio inicial de aplicação e colocada em outro domínio, ela pode adquirir novas características. O seu desenvolvimento pode ser alterado.

A gente viu o que aconteceu quando a internet foi retirada de seu ambiente inicial, acadêmico e militar, e passou para a esfera civil e comercial. O impacto na economia foi grande. A internet adquiriu um caráter diferente.

O mesmo se aplica a outras tecnologias, de baixo ou grande impacto.

Na web, o Bing é visto apenas como um “sistema de busca que quer competir com o Google”.

Integrado ao ambiente do Xbox, é um poderoso motor de navegação.

Veja também: Infografia e agregadores de conteúdo nos laboratórios da Microsoft

Publicado por Tiago Dória, em .
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