O mundo – na verdade todo o universo – é um lugar bonito, surpreendente e maravilhoso. Há sempre mais para descobrir. Não penso no passado e não me arrependo de nada. Espero que minha família possa encontrar uma maneira de fazer o mesmo.
Derek K. Miller, autor do blog canadense Pen Machine.
Miller faleceu na quarta-feira devido a câncer. Ficou conhecido na web por registrar em seu blog todo o tratamento contra a doença.
O trecho acima é de seu último post.
O texto recebeu links de diversos sites nesta semana.
Nesta semana, foram divulgados os vencedores da edição 2011 do Webby Awards, considerado o “Oscar da internet”.
Duas coisas chamaram a atenção neste ano.
A primeira: uma vez mais, o humor ganhou notoriedade no prêmio.
Se em 2010 o site College Humor foi o grande destaque, nesta edição o Funny or Die teve o seu momento de glória. Venceu em 9 categorias, inclusive ajudou a alavancar Justin Bieber, destaque no Webby Awards com a série de vídeos cômicos “Bieber Takes Over Funny Or Die“, postada no site de humor.
O segundo detalhe é que vídeos produzidos por empresas de jornalismo ganharam em diversas categorias que necessariamente não são ligadas a “jornalismo”. Reflexo dos recentes investimentos de algumas empresas na produção de conteúdo próprio em vídeo.
A equipe de muita publicação por aí deve ter ficado satisfeita.
1) O Wall Street Journal, por exemplo, levou o prêmio de “melhor vídeo de tecnologia” com How Advertisers Use Internet Cookies to Track You, animação sobre como os anunciantes rastreiam e monitoram as nossas atividades online.
2) A emissora de TV CNN conquistou a categoria de “melhor mashup” por meio de Walk Around the World, que reúne as melhores contribuições para a série Walk in Our Shoes, em que telespectadores do canal de notícias foram convidados a enviar vídeos de 1 minuto sobre os lugares preferidos para passear.
3) Com Second Act, o Yahoo! News, que, no ano passado, passou a reinvestir na produção de conteúdo próprio, levou a categoria “vídeo realidade”.
A série apresenta histórias reais de sucesso e superação nos EUA.
4) “Melhor vídeo de esportes” ficou com a ESPN americana, que produziu uma videorreportagem sobre Alcides Ghiggia, jogador uruguaio que marcou o gol decisivo da final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã.
5) O New York Times ganhou uma categoria que, necessariamente, não é ligada a jornalismo. A série The Minimalist – na qual o colunista de gastronomia Mark Bittman ensina, em vídeos curtos, a fazer diversos pratos – garantiu ao jornal o prêmio de melhor vídeo “faça você mesmo”.
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No texto sobre a morte de Bin Laden e as 7 fases do Twitter, comentei sobre a coexistência entre TV e Twitter. Um reverbera e potencializa o outro.
Na área de TV, o Twitter ajudou a reforçar o conceito de 2 telas e de consumo simultâneo de conteúdo (comento na rede de microblogs o que está passando na TV).
Por coincidência, o Twitter divulgou nesta quarta-feira um vídeo promocional em que justamente mostra diversos exemplos dessa união entre TV e Twitter.
Vale frisar que, no Brasil, também temos cases de uso do Twitter. A TV Cultura, que foi pioneira em agregar a rede de microblogs a um programa de TV (antes mesmo da americana CBS), o programa Descarga MTV, que, ao vivo, exibia tweets da audiência na tela da TV…
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Sistemas de relevância na web, que fornecem conteúdo personalizado, são úteis às pessoas. Eles fornecem o que a gente quer. Evitam que gastemos dinheiro e tempo com coisas que não gostamos.
Contudo, são ruins para a formação de cidadãos. Eles podem nos deixar acostumados a ouvir e a ler somente o que nos agrada e ratifica a nossa visão de mundo.
Ou seja, nos deixam longe daquela visão de mundo discordante, daquele conteúdo que destoa e é importante para a nossa formação.
Essa é uma das principais críticas que Eli Pariser, atual diretor do Moveon.org, apresenta em seu livro de estreia The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You.
Segundo Pariser, atualmente, a web necessita de mais ruído. Precisamos de sistemas que nos mostrem o contrário, que nos façam prestar atenção em coisas que não conhecemos.
Na última edição da Pop!Tech, quando adiantou o assunto do livro, Pariser chegou a brincar, dizendo que o ideal seria existir um site do tipo “Things You Will Hate”, que indicasse apenas as coisas que você não gostaria, diferentes de sua concepção de vida.
A provocação do autor é boa.
O lançamento está previsto para o dia 12 de maio.
Enquanto isso, vale assistir à apresentação de Pariser no TED 2011.
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Page One é um documentário que mostra a rotina da equipe do NYTimes que cobre a área de mídia.
Como pano de fundo, revela as transformações do mercado de jornais.
O novo trailer segue logo abaixo.
Um primeiro trailer foi divulgado em janeiro, pouco antes do Sundance Festival.
A previsão de estreia é para o dia 24 de junho nos EUA.
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A articulista Stacey Higginbotham acredita que, ao se tornar uma importante plataforma de embarque para conteúdos na web, o Twitter criou um ciclo próprio da informação.
Com a notícia da morte do terrorista Osama Bin Laden, esse ciclo ficou evidente:
Ele teria 7 fases e se daria mais ou menos dessa forma:
Primeiro, a fase de agitação (os primeiros tweets/rumores sobre a morte de Bin Laden começam a circular), depois a da incerteza (será que a informação que circula no Twitter sobre a morte de Bin Laden é verdadeira?/os usuários do Twitter esperam por informações oficiais), seguida da busca pela validação (alguns usuários correm para tradicionais sites de notícias), da confirmação (pronunciamento oficial da Casa Branca), o que abre espaço para a fase das brincadeiras e update de serviços (criação de fotomontagens e falsos perfis tendendo para o humor/a Google insere no Google Maps o local onde Bin Laden foi morto), da ação (no próprio Twitter, as pessoas começam a procurar por mais informações entre os amigos ou a combinar encontros para comemorar a morte do terrorista), e, finalmente, da análise do ocorrido (compartilhamento de links para artigos escritos por especialistas).
Ainda não havia reparado detalhadamente nesse ciclo. Para mim, o burburinho online em torno da morte de Bin Laden deixou bem evidente como funciona o “atual ecossistema de informação”, que tem como premissa a coexistência entre os meios e o consumo simultâneo de conteúdo.
Ou seja, os conteúdos disponibilizados sob as mais diferentes plataformas interagem entre si e os usuários ignoram as fronteiras entre eles. Um acaba complementando o outro.
A TV não anula o Twitter e vice-versa.
Uma hora (ou simultâneamente) é a TV que ecoa o Twitter, outra hora é o Twitter que reverbera a TV. Um complementa e potencializa o outro.
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Amazon e Sony ficaram na berlinda nas últimas semanas.
A primeira por apresentar falhas em seu serviço de cloud computing. Servidores do EC2 ficaram fora do ar durante 4 dias, afetando serviços populares na web, que dependem da tecnologia da Amazon, como Foursquare, Netflix e o site do New York Times. Mesmo depois da volta do serviço, alguns dados armazenados foram perdidos para sempre.
O caso da Sony foi ainda pior. Devido a um ataque de crackers, a Playstation Network – usada por usuários do PS3 para comprar jogos online e jogar a versão multiplayer de vários games – está fora de funcionamento há quase duas semanas. Dados dos usuários ficaram desprotegidos.
As falhas da Sony e Amazon deixam duas coisas evidentes – a primeira, que esse tipo de problema está se tornando cada vez mais comum. Quanto mais empresas coletam dados sobre a gente, maior o interesse de crackers em obtê-los.
Outra questão é que, mesmo na era da comunicação mediada por computadores, as empresas ainda demoram muito tempo em dar uma resposta sobre o que aconteceu.
A Amazon levou uma semana para comunicar oficialmente o ocorrido. A Sony quase o mesmo tempo; porém, num primeiro momento, não deixou claro o potencial risco do vazamento de dados.
Visando a futuros processos de indenização, as duas empresas adotaram uma postura comum. Passaram a fornecer compensações para quem foi afetado. A Amazon oferecerá créditos de 10 dias para usar o EC2. A Sony, 30 dias gratuitos de acesso à Playstation Plus, versão paga da rede online do PlayStation.
Ficam várias lições sobre o caso – há riscos em ser dependente de um único fornecedor de cloud computing. As empresas precisam ser mais rápidas nas respostas, principalmente numa época em que existem blogs e sites de notícias ávidos por atenção, bem como por gerar especulação em torno do caso. Se você não pode proteger os dados dos usuários, não os colete.
Talvez a lição mais sutil que fica para a Sony e Amazon é a de que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
A Amazon tornou-se a principal fornecedora da tecnologia de cloud computing para diversas empresas. Hoje em dia, qualquer falha em seus serviços gera repercussão de grandes proporções.
A Sony, por sua vez, vem posicionando o seu PlayStation como um hub de entretenimento. É um aparelho que tem papel-chave em uma casa. Para algumas pessoas, o PlayStation não é somente para jogar games, mas também assistir online a filmes, ouvir música e navegar na web.
Em outras palavras, quanto mais uma tecnologia faz parte do nosso dia a dia, mais perceptíveis – e muitas vezes imperdoáveis – ficam as suas falhas.
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Crédito da foto: Tilton Lane