Se você não pode protegê-los, não os colete
Marc Rotenberg, diretor do Electronic Privacy Information Center, sobre os dados de usuários do PlayStation 3 que vazaram nesta semana.
O site do jornal britânico Guardian está realizando uma das coberturas mais criativas sobre o casamento de William e Kate.
Pioneira nos livebloggings, a publicação colocou no ar o Not the royal wedding live, blog minuto a minuto com informações e comentários sobre assuntos não ligados à cerimônia de casamento.
O blog é voltado para quem não está interessado na festa.
Ademais, na home do Guardian há o link “Republicans click here”.
Ao clicá-lo, as chamadas para notícias sobre o casamento são automaticamente retiradas da home do Guardian, como se essa sexta-feira fosse um dia normal.
Vale lembrar que os republicanos fazem oposição à monarquia.
Na manhã desta sexta-feira, o excesso de tráfego derrubou o site da BBC.
Atualização - A transmissão do casamento bateu recordes. Tornou-se o 6º evento mais visto na web, segundo números da Akamai.
Veja também: Semelhante ao Google, o Guardian tem um “Zeitgeist”
Push Pop Press é o nome da plataforma de publicação de livros digitais criada pelo desenvolvedor Mike Matas (ex-Apple) e apresentada como parte da “próxima geração de livros eletrônicos”.
A plataforma trabalha com a ideia de transformar livros em software, no caso, aplicativo para iPad.
O livro Our Choice: A Plan to Solve the Climate Crisis, de Al Gore, é um dos primeiros a ser publicado com a plataforma.
O aspecto visual e tátil é bem explorado. Você pode ler os 19 capítulos do livro/aplicativo de forma não linear, arrastar ou maximizar as imagens. Em um mapa, o livro mostra a localização geográfica de diversas informações (localização de um país citado em um texto).
O mais interessante são as animações e os infográficos, que intercalam os textos. Além de firulas na navegação, alguns são acompanhados de áudio para ajudar na compreensão (se você assoprar no microfone do iPad, alguns elementos na tela se mexem).
A experiência ainda não é das melhores. Mesmo depois de baixar o aplicativo, você tem que esperar que cada capítulo carregue, o que demora um pouco.
Num primeiro momento, as firulas na navegação podem parecer meio exageradas e superficiais, mas num livro educacional, como o Our Choice, prometem acrescentar um caráter mais lúdico à leitura.
Na última edição do TED, Matas fez uma demonstração do livro/aplicativo.
(em 0:35 no vídeo abaixo)
Veja também: Livros se tornariam aplicativos e não ebooks

Parece que passou meio despercebida essa notícia.
O Facebook adquiriu a startup Daytum, site que cria visualizações com base em dados sobre nosso comportamento. Por exemplo, infográficos sobre a nossa alimentação, lugares que visitamos, programas de TV que mais assistimos, atividades recorrentes.
Os fundadores da startup passarão a trabalhar no time de design de produtos do Facebook (a plataforma de rede social adquiriu mais a equipe do que a tecnologia em si).
No ano passado, a Google contratou a designer brasileira Fernanda Viégas, também especializada em visualização de dados.
O Daytum faz parte do crescente cenário de startups de Nova York.
Aliás, chama a atenção a quantidade de startups da cidade que vêm se destacando nos últimos anos – Tumblr, Foursquare, Daytum, KickStarter…
Veja também: Cinco sites e aplicativos que estrearam em 2010
No recém-lançado livro Physics of the Future, o “cientista pop” Michio Kaku aposta que, enquanto a gente olha para tablets e redes sociais, o “próximo Google” virá de áreas que hoje ainda não damos a devida importância, como a biomedicina e a biomecânica.
Physics of the Future é um livro sobre futurologia. Resultado de mais de 300 entrevistas com cientistas e pesquisadores a respeito de quais serão as tecnologias que mais impactarão o mundo nos próximos 100 anos (em breve, comento sobre o livro aqui, no blog).
Por coincidência, nas últimas semanas, a produtora de games Eidos distribuiu na web um comercial/viral para o game Deux Ex: Human Revolution, que explora justamente a questão da biomecânica e de que olhos mecânicos poderão ser usados com interfaces de computadores.
O comercial aborda uma suposta empresa chamada Sarif Industries, especializada em biomecânica, que, claro, não existe.
O vídeo entra para a galeria de vídeos futuristas aqui, do blog.
Veja também: Carro do futuro (vídeo conceitual)
O LostRemote se atentou para algo interessante – o aplicativo de 2ª tela da NBA.
O NBA GameTime foi desenvolvido para ser utilizado simultâneamente enquanto se assiste aos jogos da liga de basquete na TV.
Lance a lance da partida, melhores momentos e uma banca de apostas são algumas das funcionalidades. Devido a ser voltado ao público americano, que adora estatísticas e infográficos, o aplicativo fornece em tempo real diversos números sobre a partida.
Semelhante ao Foursquare, é possível fazer “check-ins” e receber em troca “badges”.
Veja também: A disputa pela 2ª tela durante o Oscar
Dois importantes diários de notícias – NYTimes e Washington Post – enfatizaram o trabalho de seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento na última semana.
Além de associar a marca da empresa à inovação, os laboratórios funcionam como uma startup dentro da publicação. Ou seja, um espaço de inovação e pesquisa de novos produtos, aliando profissionais de diversas áreas – desenvolvimento, designer, negócios, conteúdo.
Em algumas indústrias esse tipo de dinâmica é comum, a farmacêutica e a automobilística tratam a pesquisa de novos produtos como algo crucial para o seu futuro.
Na área de jornalismo ainda é algo novo, mas nada passageiro. Com a maior competividade e os softwares se tornando mídia, esse tipo de investimento em pesquisa se torna necessário.
O do NYTimes existe desde 2006 e é liderado por Michael Zimbalist, ex-AT&T e Disney.
A ideia é sempre olhar para o futuro. Um dos principais projetos é o Custom Times, versão experimental do NYTimes que trabalha com o conceito de conteúdo inteligente.
Enquanto que por aqui ainda se discute e glorifica o uso do Twitter e do Facebook no jornalismo, o laboratório do NYTimes explora a questão da ubiquidade da computação. Como os produtos de jornalismo se comportarão em um cenário onde existirão chips e sensores em quase tudo – roupas, mobília, paredes, carros?
De certo modo, essa postura “futurista” do NYTimes não é nenhuma novidade.
Em 1964, existia uma tal de “Comissão do futuro”, um departamento do jornal onde pesquisadores e executivos avaliavam o impacto e como tirar proveito dos avanços tecnológicos sobre os jornais.
O Engadget publicou alguns posts sobre o NYT Labs.
O laboratório do Washington Post, por sua vez, foi formado mais recentemente e tem a função de pesquisar e criar novos produtos para o WaPo, Slate, Foreing Policy, The Root e Express Night Out.
É liderado por Vijay Ravindran, ex-diretor de tecnologia da Amazon.
Um tradutor automático de tweets para facilitar o trabalho na redação e um mapa interativo dos conflitos no Oriente Médio são alguns dos projetos recentes do WaPo Labs.
A Atlantic publicou uma matéria sobre o WaPo Labs.
Na última semana, um fato uniu os dois laboratórios. Ambos lançaram projetos que exploram o comportamento recorrente na web de “zapear” pelas notícias e o conceito de Daily Me, popularizado por Nicholas Negroponte nos anos 90 – uma publicação personalizada de acordo com as nossas preferências.
News.me – O aplicativo para tablets monta um fluxo de notícias com base em quem você segue no Twitter. É pago – US$ 0,99 por semana. Facilita a atividade de “zapear” pelas principais notícias do dia.
É um exemplo da junção de uma startup com uma empresa tradicional. O projeto nasceu dentro do NYTimes, mas foi aprimorado pela Betaworks, startup da qual o jornal é um dos principais investidores.
Trove - Da mesma forma que o News.me, é um agregador de conteúdo. Cria uma página personalizada com base em seu círculo social. Para isso, utiliza a sua conta no Facebook como referência.
O Trove também recomenda conteúdo de acordo com a nossa navegação pela página. Conta com aplicativos para dispositivos móveis – celular e tablets.
Os dois projetos são uma nítida reação ao crescimento do aplicativo Flipboard, que, a meu ver, continua sendo superior. Além de uma navegação mais simples, o Flipboard dá uma liberdade maior de escolha e personalização que o News.me e o Trove ainda não são capazes de fornecer.
Mesmo que não tenha uma conta no Twitter ou Facebook, você consegue usar o Flipboard.
Vale destacar que outros veículos também estão de olho no crescimento do uso desses aplicativos que tentam aplicar o conceito de Daily Me.
Os britânicos Guardian e Telegraph lançaram na semana passada páginas especiais no Flipboard.
No caso, é uma estratégia um pouco diferente do NYTimes e o WaPo. Em vez de criar um projeto próprio, reinventar a roda, buscam fechar parcerias com projetos já consagrados de Daily Me.
Ou seja, é aquela velha questão. Vale a pena criar uma tecnologia própria ou se aproveitar de uma já consolidada?
Esse post faz parte de uma série sobre as mudanças tecnológicas e de filosofia no NYTimes e que tenho abordado desde o começo de 2008.
Veja também: Microsoft e NBC lançam “laboratório de novas mídias”
Finalmente, neste final de semana, assisti a Erasing David, filme documentário que fez bastante sucesso na web no finalzinho do ano passado, e que trata de dois temas bem atuais – privacidade e abundância de dados.
Erasing David é protagonizado e dirigido pelo inglês David Bond, 39 anos, conhecido na área de mídia na Inglaterra (trabalhou para BBC).
No documentário, Bond tenta sumir durante 30 dias. Para isso, apaga informações pessoais em sites e plataformas de redes sociais, evita usar o celular, o cartão de crédito e deixar outros rastros pessoais. Nem a sua mulher que, no início do documentário, está grávida de 7 meses sabe para onde ele vai.
Bond contrata dois detetives para tentar pegá-lo. Ambos experientes, entre os clientes têm grandes empresas e escritórios de advocacia na Inglaterra.
É um documentário/experimento, estilo Super Size Me. Tem um quê de protesto.
A intenção de Bond é mostrar o quanto deixamos rastros, informações cruciais no dia a dia e que podem ser utilizadas por terceiros, além claro também o quanto é difícil atualmente para um cidadão passar por anônimo frente a governos e empresas.
A motivação para produzir o filme vem de um caso pessoal.
Semelhante a muitos cidadãos ingleses, em novembro de 2007, Bond recebeu uma carta do governo britânico, informando que o Child Benefit Office, responsável pelo subsídio dado a pessoas com filhos recém-nascidos, havia perdido CDs não somente com seus dados pessoais, mas com informações sensíveis sobre a sua filha.
O caso preocupou Bond e o deixou com a pergunta na cabeça – o quanto o governo e as empresas guardam de informações sobre a gente?
O filme mostra antes, durante e após o sumiço de Bond. Antes, o inglês conversa com psicólogos e especialistas em segurança da informação.
Durante o sumiço, Bond sai da Inglaterra se embrenha na Europa. O esconde-esconde entre os investigadores particulares e Bond é intercalado com depoimentos de especialistas, além de pessoas que tiveram seus dados pessoais usados de forma indevida.
O ponto alto do documentário acontece quando Bond requer a 80 empresas e instituições ligadas ao governo britânico relatórios a respeito de informações pessoais que têm armazenadas.
Pilhas e pilhas de papéis chegam à sua residência. O mais chamativo é o relatório enviado pela filial da Amazon na Inglaterra. A loja online guarda dados até dos amigos para os quais ele enviou presentes. São inúmeras páginas com dados pessoais de Bond.
O documentário começa bem, mas depois desanda. Bond acaba usando o celular e indo a lugares óbvios, como a casa dos pais.
E o mais decepcionante. Erasing David se propõe a discutir a quantidade de dados que, espontâneamente, colocamos na rede. No entanto, o que os detetives menos usam são as informações online de Bond, mas sim o tradicional método de vasculhar o lixo da casa de sua esposa.
O filme, sem querer, mostra como o lixo que produzimos diariamente é revelador. Lá estão informações sobre o que comemos, quantas pessoas estão em casa, onde trabalhamos, lugares e lojas onde estivemos recentemente.
Do meio para o final do documentário, é bem mais interessante acompanhar o trabalho detalhista dos investigadores do que a fuga mambembe de Bond.
Em suma, Bond perde a oportunidade de fazer uma discussão mais consistente e diferenciada sobre privacidade. Explora pouco identidade e reputação, dois temas relacionados à questão da privacidade.
Contudo, Erasing David tem um lado positivo. O filme nos ajuda a refletir sobre a falta de ponderação no atual debate sobre privacidade e excesso de dados.
De um lado, a paranóia. Do outro, a discussão simplória com base na premissa de que a privacidade morreu e não temos mais o que fazer (Erasing David fica mais no lado da paranóia. O próprio Bond fica paranóico no meio do documentário, acreditando que pessoas comuns estão perseguindo-o).
Esse tipo de divisão se reflete nos atuais debates sobre privacidade, muitas vezes esquece-se que os dados são adquiridos de duas formas – de forma anônima, um dado não poder ser ligado a um indivíduo. E de modo identificável, são associados a uma pessoa.
Na maioria das vezes, passa-se a impressão de que existe apenas e tão somente um tipo (a Slate abordou o assunto em recente artigo).
Outra questão é que existem abusos, mas dificilmente vemos o outro lado.
Graças ao Google armazenar dados sobre as buscas, podemos ter aplicativos como o Flu Trends, capaz de prever quando uma epidemia de gripe afetará uma região.
No Foursquare, deixamos muitas informações pessoais disponíveis, mas em compensação ganhamos conectividade e atenção dos amigos.
Reclama-se das milhares de câmeras de segurança espalhadas pelas grandes cidades, mas elas ajudam na redução e até na solução de crimes. Há dois pesos e duas medidas.
Nessa história toda, o certo é que, historicamente, por necessidade de conectividade, reconhecimento e atenção, as pessoas baixam a guarda da privacidade, mas isso não significa que ela morreu.
Veja também: “The Social Network” é sobre mobilidade social
Mais uma emissora de TV passou a trabalhar com o conceito de consumo simultâneo de conteúdo entre dispositivos (no caso, TV e iPad).
A NBC lançou o NBC Live, aplicativo para ser utilizado enquanto se assiste a alguns dos principais programas da emissora.
Durante um programa, em sincronia com a TV, no tablet, você pode responder a enquetes, ler informações de bastidores, fazer comentários. E ainda trocar informações com outras pessoas que estão assistindo ao programa ou postar direto do aplicativo mensagens no Twitter e no Facebook.
A NBC não é a primeira a trabalhar com o consumo simultâneo de conteúdo (TV como tela principal e dispositivos móveis como 2ª tela). A ABC e a FOX lançaram dois aplicativos que trabalham com o conceito e o NYTimes explorou a ideia durante a transmissão do Oscar.
Ou seja, são empresas que estão buscando explorar o crescente costume de assistir TV e ao mesmo tempo navegar na web.
Com base em pesquisas, durante o Fórum da Liberdade, na semana passada, em Porto Alegre, Paulo Castro, diretor geral do Terra, ratificou que esse hábito é cada vez mais comum.
Veja também: A disputa pela 2ª tela durante o Oscar