Al Jazeera e a distribuição via Twitter

Há uns 2 anos, eu comentei sobre o quanto a Al Jazeera estava tirando proveito de uma das principais características da internet – o baixo custo de distribuição.

Desde 2009, sem muitos custos, a emissora de TV vem utilizando o YouTube para distribuir o seu conteúdo.

E, ano passado, passou a adotar o “modelo grátis” como tática para entrar em novos mercados. Enquanto seus concorrentes passavam a cobrar por conteúdo, a Al Jazeera distribuía, de forma gratuita, o seu material em todos os canais possíveis (celular, web, tablets).

Durante os recentes protestos no Egito, a emissora adotou uma tática diferente – usar o Twitter como plataforma de distribuição do sinal de suas transmissões ao vivo na web.

Tweets pagos foram utilizados, palavras-chaves compradas.

Em questão de dias, o Twitter se tornou a principal fonte de tráfego para o site da emissora.

Normalmente quando a gente pensa em Twitter e TV, lembra logo do uso do serviço de microblogging como “espaço de comentários“. A Al Jazeera foi além. Olhou para o Twitter como “plataforma de distribuição de seu sinal de TV”.

Veja também: ABC News experimenta microblog em código aberto

Publicado por Tiago Dória, em 8 de fevereiro de 2011 (Terça-feira).
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Segunda vida do Huffington Post

Pegou muita gente de surpresa. A AOL comprou o Huffington Post por US$ 315 milhões. Após a poeira baixar, surgiram os primeiros comentários.

Os interesses da AOL com a aquisição são claros – aumentar o seu inventário, adquirir uma fonte de pageviews e, o mais importante, trazer para si a equipe do HuffPost. Arianna Huffington, fundadora do portal, será responsável pelo departamento editorial da AOL.

Arianna terá a função de fazer na AOL o que ela fez no HuffPost e um pouco mais.

Para o Huffington Post, a aquisição traz um retorno de seus investimentos e abre possibilidades de expansão de suas operações (um suposto Huffington Post Brazil estaria a caminho).

A partir dessa compra dá para fazer várias leituras. A AOL está dando um sinal claro de que agora é uma empresa de conteúdo. O modelo dos agregadores de conteúdo não é tão vazio (afinal de contas, antes de tudo, o Huffington Post mais agrega do que produz conteúdo original). O momento político em que o Huffington Post cresceu estaria se esvaindo, por isso Arianna resolveu passar a bola em frente. Enfim, as leituras são muitas nos principais blogs de mídia.

Normalmente, o problema mais imediato de aquisições deste tipo são as diferenças de culturas. O HuffPo funciona quase que como uma startup. A AOL, por sua vez, é uma grande empresa, com anos de mercado.

Porém,  em verdade, AOL e HuffPo têm mais semelhanças do que diferenças. E isso foi o que, de certa forma, as aproximou.

Ambas, por exemplo, trabalham com a questão do jornalismo hiperlocal (o HuffPost tem uma parceria com o Foursquare. A AOL, por sua vez, desde 2010, tem ampliado a sua rede de noticiário local).

E o mais importante, as duas empresas são conhecidas por calcar as suas estratégias no chamado “jornalismo de indexação” – conceito de indexação e produção de conteúdo jornalístico pautada por dados de uso de sistemas de busca, como listas de termos mais buscados.

Uma espécie de estratégia que trata “SEO como modelo de negócios” – supervaloriza o tráfego vindo dos mecanismos de busca. Tipo de tráfego importante, mas que, é preciso ter em mente, não é indicativo de muita fidelidade, a pessoa entra em seu site, fica menos de um minuto e, bem provável, demora a retornar. É bem diferente de “criar audiência” – ter pessoas que sempre entram (muitas vezes tráfego direto), passam um bom tempo e depois retornam várias vezes.

Huffington Post é reflexo dos novos tempos. Independente do seu futuro, em sua 1ª fase, o Huffington Post ajudou a reforçar a premissa de que com o surgimento de uma nova plataforma ou dispositivo de distribuição de conteúdo, novas marcas nascem (e crescem rapidamente).

Em quase 6 anos, conseguiu construir um consistente nome no meio jornalístico quase do zero e o fez de forma bem rápida.

Nesse meio tempo, o portal tornou-se uma importante marca no jornalismo, posicionando-se ao lado de outras que estão há tantos anos no mercado, como NYTimes, USAToday e Time.

Agora começa uma nova fase, desta vez na AOL.

Veja também: O hype do Tumblr no jornalismo

Publicado por Tiago Dória, em 7 de fevereiro de 2011 (Segunda-feira).
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The Daily e Xoom no Super Bowl

Primeiro, o comercial do The Daily, jornal/aplicativo da NewsCorp

Depois, o do Xoom, tablet da Motorola



Veja também:
Economist, CNN e Sports Illustrated no Android

Publicado por Tiago Dória, em 6 de fevereiro de 2011 (domingo).
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Lições do Egito

A escolha da colocação feita por Bill Gates como “Frase da semana” não foi à toa.

A respeito do recente “apagão da internet” no Egito, o executivo afirmou em entrevista à CBS que, caso você controle ou tenha um “poder militar” sobre a infraestrutura da internet, não é difícil interrompê-la.

Ou seja, quem controla a infraestutura da internet tem um grande poder em mãos.

Segundo a revista Business Week, bastaram algumas ligações do governo do Egito a alguns provedores locais para que a internet fosse interrompida em todo o país.

Facebook e Twitter, por exemplo, ficaram inacessíveis para a maioria da população.

A partir dessa perspectiva, percebe-se que Facebook e Twitter não estão numa posição tão confortável. São duas plataformas que possuem milhares de usuários, mas que dependem da infraestrutura de internet de terceiros.

A Google caminha para ser um caso à parte. Em várias partes do mundo, a empresa vem comprando infraestrutura de internet para que os serviços sofram o mínimo de limitações por parte de terceiros (principalmente produtos como Google TV, YouTube e Google Voice).  Isso também ajuda a explicar a firme posição da empresa para que a questão da “neutralidade da internet“  nos EUA esteja sempre a favor de sua estratégia de negócios ( a Google pode ter diversos problemas, mas é uma empresa que entendeu que quem administra a infraestrutura da internet tem um papel crucial).

A situação poderia ter ficado pior no Egito se lá a internet fosse a “plataforma das plataformas” – TV, rádios, jornais, sistema de pagamentos, de identidade digital, registros médicos, tudo rodando sobre ela. Aí sim, nessa hipótese, o país teria parado.

Dependendo do contexto, esse é um dos lados negativos das sinergias – tudo fica em uma única plataforma. E, conforme o pesquisador de mídia e internet Tim Wu nos lembra, com todo mundo e vários negócios em uma única plataforma, quem controla ou administra a infraestrutura dessa plataforma tem um papel fundamental.

O perigo mesmo acontece quando esse controle está sob as mãos de um governo como o do Egito.

Aliás, na semana passada, mesmo que de forma rápida, o governo do Egito mostrou ao mundo como tudo isso funciona na prática.

Veja também: Gráfico mostra onda inédita de aquisições da Google

Crédito da foto: Tango

Publicado por Tiago Dória, em .
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Frase da semana

Não é tão difícil interromper a internet

Bill Gates, cofundador da Microsoft, sobre o recente “apagão da internet” no Egito.

Publicado por Tiago Dória, em 5 de fevereiro de 2011 (sábado).
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Economist, CNN e Sports Illustrated no Android

Nesta semana, a Google apresentou a versão 3.0 do Android, sistema operacional da empresa voltado para dispositivos móveis. Batizada de Honeycomb, a nova versão é focada também em tablets.

Outra novidade (e consequência) é que, nesta semana, CNN, Economist e Sports Illustrated começaram a apresentar demonstrações de seus aplicativos para o sistema da Google.

No vídeo abaixo, o aplicativo da Economist, captado pelo pessoal do Android Central.
(o da CNN está aqui e da Sports Illustrated mais aqui).

Percebe-se que os aplicativos são muito parecidos com os desenvolvidos para iPad.

Publicado por Tiago Dória, em 4 de fevereiro de 2011 (sexta-feira).
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O mais importante do lançamento do The Daily não foi o The Daily

“Novos tempos demandam novo jornalismo”, essa frase abre o editorial da primeira edição do The Daily, pioneira publicação exclusiva para iPad produzida pela News Corp.

O lançamento aconteceu nesta quarta-feira no Museu Guggenheim, em Nova York, com direito a presença de executivos da Apple e transmissão ao vivo pela web.

Já fazia tempo que o lançamento de uma publicação chamava tanto a atenção.

Apesar de ser 100% digital, o The Daily se revela como um produto híbrido, mistura de mídia impressa com outras mídias. A diagramação da maioria das matérias é feita em 2 ou 3 colunas, manchete, submanchete e foto – o The Daily emula mais uma revista impressa do que apresenta algo realmente novo. Trabalha com conteúdo exclusivo, mas nada muito indispensável por enquanto.

O preço? US$ 1 por semana ou US$ 40 por ano.

Perto do burburinho que foi criado esperava-se mais (continuo achando que os aplicativos mais interessantes do iPad são justamente os “utilitários de conteúdo” – Flipboard, Instapaper, Pulse News – e não os aplicativos de jornais e revistas).

Uma coisa que não ficou clara no lançamento foi em relação aos competidores do The Daily. Ao que tudo indica, o jornal/aplicativo da News Corp busca entrar no mercado dos jornais que são consumidos no caminho de casa para o trabalho (“daily commute”).

Ficou evidente no lançamento que, publicamente, a News Corp vê o iPad como um ponto importante a fim de melhorar a situação dos seus negócios. Oficialmente, a empresa investiu US$ 30 milhões no desenvolvimento da publicação.

Por incrível que pareça, para mim, o mais importante do lançamento do The Daily não foi o The Daily em si, mas o que vem junto com ele, o novo sistema de assinatura da App Store.

Até pouco tempo atrás, se você quisesse adquirir uma publicação no iPad havia apenas o sistema de compra avulsa. A cada edição você fazia a compra (até existe um sistema de assinatura em alguns aplicativos, mas você é enviado para fora, para o site da publicação. No caso, a Apple não faz a intermediação).

A partir do surgimento do The Daily, há a opção do sistema de assinatura – você paga um valor semanal ou anual e recebe automaticamente as edições no iPad. Tudo mediado pela Apple.

Por enquanto, o sistema de assinaturas está disponível somente para os leitores do The Daily. Em breve, será disponibilizado para outras publicações (segundo o Apple Insider, a partir de abril estará disponível) e é aí que pode começar o problema.

Com o novo sistema, todas as assinaturas deverão ser realizadas por meio da Apple, sendo que a empresa fica com 30% em cada transação feita pela App Store.

A justificativa para a porcentagem (já apelidada de “iPhone Tax”) é que a Apple está dando acesso a uma base grande de clientes em potencial (no caso, os próprios usuários da Apple).

O novo sistema de assinaturas deverá mudar um pouco a relação da Apple com as empresas de mídia. Essa relação deverá exigir muito mais jogo de cintura dos dois lados.

Ou melhor, daqui para frente, das duas uma: ou as empresas de mídia aceitam as regras da Apple e o seu novo sistema de assinaturas. Ou começam a produzir aplicativos que rodem no próprio navegador (algo próximo do Timeline Reader, da Associated Press), dispensando assim a necessidade de utilizar a App Store como intermediária.

Veja também: O iPad vai “reiniciar” o mercado de revistas?

Publicado por Tiago Dória, em 2 de fevereiro de 2011 (Quarta-feira).
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Se a previsão se confirmar, um dispositivo móvel por pessoa em 2015

Do jeito que algumas previsões anteriores subestimaram o mercado mobile, talvez seja até antes.

Em 2015, haverá um dispositivo móvel (celular, tablet, netbook) por pessoa no mundo, prevê o Visual Networking Index, estudo da Cisco sobre a expansão da tecnologia móvel.

Entre os números do estudo, algumas informações interessantes:

1) Em 2010, 3 milhões de tablets conectaram-se a “redes de dados móveis”.
2) Em média, um tablet movimenta cinco vezes (405 MB/mês) mais dados que um smartphone (79MB/mês).
3) Atualmente, o crescimento mobile se concentra no Oriente Médio, América Latina e África.
4) Em alguns países, a população possui rede de celular, mas não de eletricidade.

Em 2010, o “tráfego de dados móveis” aumentou 159% em relação a 2009. Entres os motivos para o crescimento – quantidade maior de vídeos compartilhados via celular e aumento do tempo de duração das baterias dos dispositivos (às vezes passa despercebido, mas a qualidade e o tempo da bateria interferem bastante em como você usa um dispositivo).

Veja também: Celular é uma tecnologia dos países em desenvolvimento

Crédito da foto: Ian Sanderson

Publicado por Tiago Dória, em 1 de fevereiro de 2011 (Terça-feira).
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Uma vez mais, tablet e TV sincronizados

Quem acompanha o blog deve se lembrar que eu comentei algumas vezes sobre o conceito de duas telas (TV como tela principal e dispositivos – laptops, tablets, celulares – como 2ª tela).

Neste final de semana, a emissora de TV americana ABC anunciou que relançará o seu aplicativo para iPad, sendo que, desta vez, ele poderá ser usado enquanto se assiste à série Grey’s Anatomy.

A ideia é que o conteúdo do iPad seja sincronizado com o que é exibido na TV. Em “tempo real”, exiba informações adicionais, que complementem o seriado.

Para realizar a sincronia, será utilizada a plataforma Media-Sync, da Nielsen.

No ano passado, a ABC havia lançado um aplicativo semelhante (vídeo abaixo) para ser usado enquanto se assistia à estreante série My Generation, que devido à baixa audiência saiu do ar.

Desta vez, a emissora tentará aplicar o conceito em um programa de audiência garantida.

Vale lembrar que a ABC não será a única a trabalhar com a ideia. A BBC também promete lançar neste ano alguns produtos que trabalhem a TV em sincronia com tablets.

Veja também: Como o Twitter e a TV se complementam

Publicado por Tiago Dória, em .
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