Frase da semana

“Curiosamente, o usuário latino-americano está hoje mais avançado que as empresas no uso da internet”

Alexandre Hohagen, diretor geral da Google na América Latina

Publicado por Tiago Dória, em 30 de outubro de 2010 (sábado).
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Firefox com gravador de áudio e vídeo

O labs da Mozilla está desenvolvendo um plugin para o Firefox que permitirá gravar áudio e vídeo por meio do navegador. Ainda em testes, por enquanto o projeto é chamado de Rainbow.

Detalhes no blog da organização.

Com a internet migrando efetivamente para outras formas de comunicação além do texto, é natural que a Mozilla faça essa movimentação para facilitar a criação de conteúdo multimídia.

Veja também: Readness: Last.fm de notícias

Publicado por Tiago Dória, em 29 de outubro de 2010 (sexta-feira).
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Web está mais viva do que nunca

Demorou, mas saiu uma resposta da Technology Review (TR), publicação do MIT, à matéria da Wired sobre a “morte da web“.

Segundo a reportagem de capa da TR de novembro, a web não está morrendo. Pelo contrário, está ganhando mais força por meio do crescimento do uso da linguagem de marcação HTML05, que, segundo a matéria, trará mais possibilidades de interatividade à web.

Uma delas (quase usual), poder assistir a um vídeo sem a necessidade da instalação de plugins, mesmo que em um tablet ou celular (Vimeo e YouTube já trabalham com HTML05).

Outra possibilidade, poder rodar aplicações offline. Mesmo que uma pessoa esteja temporariamente sem conexão de internet, ela poderá utilizar um site.

Em suma, o potencial do HTML05 está em reforçar a interoperabilidade da web (rodar em qualquer dispositivo) e em trazer mais interatividade sem a necessidade de plugins.

Segundo a matéria, com a adoção da nova versão do HTML, cada vez mais, sites ficarão parecidos com aplicativos (um exemplo recente é o Timeline Reader, da Associated Press).

The Wilderness Downtown, clipe interativo da banda Arcade Fire, por sua vez, é o que, atualmente, melhor resume algumas das possibilidades da linguagem.

E, sem querer, ajuda a levantar a teoria de que a web continuará a ser a principal plataforma para novos serviços, enquanto os aplicativos permanecerão num plano secundário.

Matéria profética ou não, algumas coisas interessantes foram publicadas nesta semana.

1) Na área de vídeos, o flash perde cada vez mais espaço para o HTML05 – 54% dos vídeos na web estão disponíveis em HTML05. No começo do ano, apenas 10% estava em HTML05

2) A maioria das pessoas ainda prefere utilizar o navegador em vez dos aplicativos para acessar conteúdo no celular, segundo pesquisa feita no mercado dos EUA.

Veja também: Web semântica não precisa ser complicada

Publicado por Tiago Dória, em 28 de outubro de 2010 (Quinta-feira).
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Google investe em jornalismo que é inovador

Em mais um capítulo de sua relação de amor e ódio com alguns jornais, a Google anunciou que doará US$ 5 milhões para organizações não-governamentais focadas em inovação no jornalismo.

Desse total, US$ 2 mi vão para a Knight Foundation, nos EUA, que, por sua vez, destinará US$ 1 mi para o Knight News Challenge, concurso que busca eleger os projetos mais inovadores de jornalismo. Os US$ 3 mi restantes serão destinados a organizações em outros países.

Não é a primeira nem deve ser a última vez em que a Google investe em inovação tecnológica no jornalismo. Recentemente, a empresa se uniu ao NYTimes e ao Washington Post para desenvolver o projeto Living Stories, que tinha a proposta de criar uma “nova forma de consumir notícias”.

A doação tem um quê de ação de relações públicas. Além disso, a intenção é incentivar o uso de produtos da Google, como YouTube e Google Maps.

Contudo, de certa forma, fortalecer o jornalismo digital sempre interessou à empresa de busca. Quanto mais publicações produzindo conteúdo, melhor para o buscador da Google.

No ano passado, Eric Schmidt, diretor geral da Google, afirmou que o conteúdo dos jornais é importante para a empresa, pois o sistema de busca da Google depende de boa informação.

Veja também: Jornal bonito e provocador

Crédito da foto: Garry Knight

Publicado por Tiago Dória, em 26 de outubro de 2010 (Terça-feira).
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Walkman pode até ter morrido…

… mas os seus comerciais continuam eternizados no YouTube.

Nesta semana, a Sony anunciou o fim definitivo da produção e venda do Walkman de fita-cassette.

A história do gadget é parecida com a de outras tecnologias. Ao cair nas mãos dos usuários, tomam um rumo um pouco ou muito diferente do que pretendiam os seus criadores.

Os executivos da Sony, por exemplo, empresa pioneira em comercializar o Walkman, acreditavam que o principal atrativo do gadget era portabilidade (você poderia levar para qualquer lugar), no entanto, ao cair nas mãos das pessoas, a autonomia e o isolamento proporcionados pela tecnologia passaram a ser o aspecto mais significativo – você poderia ouvir música sem ninguém encher o saco.

Ouvir música passou a ser uma atividade mais pessoal e autonôma.

Veja também: Flickr virou um… guia de viagens

Publicado por Tiago Dória, em 25 de outubro de 2010 (Segunda-feira).
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Era pós-PC, segundo Ray Ozzie

Ray Ozzie, o substituto de Bill Gates na Microsoft, anunciou a sua saída da empresa, na semana passada. Nesta segunda-feira, publicou Dawn of a New Day, carta de despedida de seu trabalho como arquiteto-chefe de software na Microsoft.

(Ozzie continua na empresa, na área de entretenimento, mas durante um período de transição até a sua saída definitiva).

A carta tem um peso histórico, bem como o texto The Internet Services Disruption, escrito por Ozzie há 5 anos para os funcionários da Microsoft.

O executivo acredita que a Microsoft deve se preparar para a Era pós-PC, o que, segundo ele, seria um mundo com serviços centrados nas nuvens (cloud computing) e de dispositivos sincronizados e conectados. Esses dispositivos iriam muito além da tradicional tríade tela, teclado e mouse (tablets?) e seriam capazes de reconhecer o que está a nossa volta – localização, gestos, altura, temperatura, direção e nosso estado emocional.

Não haveria distinção entre aplicativos para web e para desktop.

Em 5 anos, Ozzie acredita que a Microsoft errou e acertou. Competidores tiveram uma visão melhor sobre experiências mobile. Mas, por outro lado, a Microsoft conseguiu, por meio do Xbox 360 e da rede Xbox Live, transformar a TV em uma experiência mais rica.

Com essa carta, Ozzie é mais um executivo que detalha o fim do PC ou talvez do computador como o conhecemos. Em junho, Steve Jobs adotou um discurso parecido, assim como Nicholas Carr vem batendo nessa tecla faz tempo.

Veja também: Uma espiada no futuro em 2020

Crédito da foto: Jeff S.

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Celular é uma tecnologia dos países em desenvolvimento

Durante 3 dias, uma vez mais, a cidade de Camden, nos EUA, foi palco da Pop!Tech, uma das principais conferências sobre ciência e tecnologia do mundo. O evento reuniu pesquisadores e pensadores de diversas áreas – de música a tecnologia da informação.

Os três dias da Pop!Tech foram transmitidos ao vivo pela web.

Como não poderia deixar de ser, a conferência teve um painel inteiramente dedicado à questão do uso e visualização de dados – chamado de “social data” pelos organizadores da Pop!Tech.

Nathan Eagle, professor assistente do MIT, fez uma das apresentações mais interessantes. Começou provocando a platéia ao afirmar que, na realidade, o celular é uma tecnologia dos países em desenvolvimento. Regiões como África, por exemplo, estão usando e aproveitando bem mais a potencialidade da tecnologia móvel do que os chamados países desenvolvidos.

Em regiões em desenvolvimento, a telefonia móvel tem um impacto bem maior na vida das pessoas. Além do celular ser uma das principais (às vezes, única) porta de entrada para a internet, você precisa ter um telefone móvel para efetivamente fazer parte do sistema, ser um cidadão.

Praticamente quase tudo é feito por meio do celular – transações bancárias, contato com autoridades, compras e, o mais importante, a conquista de novos empregos.

Segundo o professor assistente do MIT, trabalhadores braçais na África, se organizam, ficam informados e conseguem empregos por meio de SMS.

Essa importância da tecnologia móvel nos países em desenvolvimento se reflete nos números. Para cada usuário de celular nos países desenvolvidos, existem 4 nos países em desenvolvimento.

Além disso, hoje, a maioria dos dados gerados e que estão na internet vem do mundo em desenvolvimento. Grande parte inseridos via celular. A questão central, segundo o pesquisador, é como transformar esses dados em algo útil às nações em desenvolvimento.

Eagle é o criador da txteagle, projeto que tem a ambição de permitir que as pessoas ganhem dinheiro ou créditos realizando atividades por meio do celular, na dinâmica de crowdsourcing. Essas atividades vão desde a tradução de textos até a colocação de tags em vídeos.

Outra apresentação na Pop!Tech que gostei bastante foi a de Eli Pariser, atual diretor do Moveon.org, plataforma responsável por diversas mobilizações online.

Pariser bateu numa tecla que também já bati aqui, no blog, e que Nicholas Carr brilhantemente comenta em seu livro “A Grande Mudança“.

Os sistemas de relevância (filtros) na internet têm um lado bom e outro ruim. Trazem informação personalizada, e evitam que gastemos dinheiro e tempo com músicas chatas, notícias que não interessam e programas de TV que não gostamos.

Contudo, podem nos deixar acostumados a ouvir somente o que nos agrada e a ler somente o que ratifica a nossa visão de mundo. Ou seja, nos deixa longe daquela visão de mundo discordante, daquele conteúdo que destoa, e que, muitas vezes, é tão necessário para a nossa formação, o contraditório, a diversidade.

Segundo Pariser, a web precisa de mais ruído. Todos esses sistemas que captam uma enorme quantidade de dados sobre a navegação, para mostrar resultados mais relevantes para a gente, são falhos em mostrar a diversidade da vida.

O pesquisador cita, como exemplo, o sistema de recomendação do Netflix, que vai afunilando cada vez mais as escolhas de filmes do usuário. Ele evita que nos deparemos com o contraditório.

Para o diretor do Moveon.org, nós precisamos sim de sistemas de relevância, de filtragem de informações (eles nos deixam mais confortáveis), mas também necessitamos de sistemas que nos mostrem o que ainda não sabemos, o aleatório.

Pariser brincou. Falou que, para resolver essa questão, criará o Things You Will Hate, site que reunirá apenas as coisas que você poderá detestar.

Ou seja, o contrário, o risco, tão importantes em nossa vida.

Segundo ele, o atual hype em torno da relevância online não deve acabar tão cedo. Atualmente, o Facebook é o maior símbolo disso. Esse hype existe por diversos motivos. O primeiro deles, a questão monetária. Quanto mais revelante um site, mais dinheiro ele ganha com anúncios. Outro motivo é o próprio bem estar, nos sentimos bem ao saber que somos relevantes, e que as coisas que fazemos são importantes para pessoas, têm um impacto.

Durante as perguntas, quando questionado sobre o que achava do recente artigo de Malcolm Gladwell, em que ele afirma que, na prática, a internet não é capaz de mudar as questões essenciais da política (realpolitik), Pariser respondeu que devemos fugir desse “determinismo tecnológico”, de pensar que as tecnologias servem ou não para mudar o mundo, de que são por si só responsáveis por todas as transformações na sociedade.

As tecnologias não são boas nem más. Nós é que podemos decidir o que fazer com elas

Outro pessoal que marcou presença no line-up da Pop!Tech 2010 foi o grupo Ok Go, aquele que ficou famoso no YouTube com um “videoclipe caseiro” em que dançavam em esteiras.

O grupo fez uma apresentação utilizando apenas uma das tecnologias/instrumentos mais antigos – sinos. Segue logo abaixo.

Em breve, outros vídeos da Pop!Tech estarão no ar.

Veja também: As pessoas estão nas “nuvens” faz tempo

Crédito das fotos: Kris Krüg

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Frase da semana

“É bem melhor comprar experiências do que coisas materiais”

Elizabeth Dunn, psicóloga/pesquisadora responsável por diversos estudos sobre consumo, durante a Pop!Tech 2010.

Publicado por Tiago Dória, em 23 de outubro de 2010 (sábado).
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Novos recursos para blogs

No livro Say Everything, Scott Rosenberg nos mostra que blog é um formato/tecnologia em constante transformação. E que, aos poucos, foi ganhando diversos recursos.

No começo era apenas uma lista de notas publicadas em ordem reversa cronológica; depois veio o espaço para títulos; em seguida, os permalinks e, mais um pouco depois, a popular caixa de comentários, que virou “marca registrada” dos blogs e onde o leitor pode se manifestar.

Dave Winer, um dos primeiros a criar um sistema de publicação de blogs, fez a sugestão de dois novos recursos para blogs (Winer implementou os dois há um bom tempo em seu blog).

Um é a ideia de subtexto. Um trecho do post fica escondido e o mesmo é revelado somente quando o leitor clica em um botão com o sinal de + (exemplo na imagem abaixo).

A intenção é utlilizar esse recurso quando o autor de um blog tiver escrito sobre um spoiler. Portanto, somente quem quiser lê o trecho que descreve o final de um filme, por exemplo.

O outro recurso é mais interessante. A ideia é gerar permalinks (links permanentes) para cada parágrafo de um post. O que seria bem interessante no caso de textos grandes. Você poderia fazer um link apenas para uma citação, um trecho específico e não para o texto completo.

Segundo Winer, para esse último recurso, já existe um plugin para WordPress, o WinerLinks, desenvolvido por Daniel Bachhuber.

O jornalista Jay Rosen passou a utilizar o recurso em seu blog. Repare que ao final de cada parágrafo, existe uma hashtag (link permanente correspondente ao parágrafo).

Veja também: Comentário é conteúdo?

Publicado por Tiago Dória, em 22 de outubro de 2010 (sexta-feira).
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