As pessoas estão consumindo notícias como nunca visto

Quando o videocassette se popularizou, houve um crescimento no consumo de vídeos. As pessoas consumiram conteúdo visual como nunca antes registrado.

Com a web não é muito diferente. Com a popularização dela, uma explosão de sites de notícias aconteceu. As pessoas estão consumindo conteúdo noticioso como nunca – por ironia do destino, na mesma época em que o urubu voa baixo em algumas redações de jornais impressos.

Segundo pesquisa do Pew Research Center, as publicações online são responsavéis por esse crescimento.

Em 2000, um americano passava, em média, 57 minutos por dia consumindo notícias. Em 2010, esse número subiu para 70 minutos.

Quase sempre, o mais interessante da pesquisa do Pew Research está nas entrelinhas:

- Cada vez mais, as pessoas estão consumindo informações em diversos lugares e dispositivos (email, tablets, celular, redes sociais, blogs)
- Cresce o número de pessoas que utilizam mecanismos de busca para se informar
- Apenas 7% utiliza plataformas de redes sociais para obter notícias. Porém, esse número tende a crescer.

Veja também: Mídia, mas com agendas diferentes

Publicado por Tiago Dória, em 15 de setembro de 2010 (Quarta-feira).
Categoria: pesquisa. Tags: , ,

Livro sobre newsgames

Em 2008, no programa Roda Viva, da TV Cultura, quando perguntei ao escritor Steven Johnson o que ele achava dos newsgames, ele não arriscou dar uma opinião exata. Não era para menos, o formato era muito novo, as pessoas ainda estavam observando-o de longe.

Corta para 2010.

Dois anos depois, publicações como NYTimes e CNN utilizam newsgames normalmente.

O termo newsgames deixou de soar tão estranho. E, em outubro, será lançado o primeiro livro dedicado inteiramente ao assunto – Newsgames: Journalism at Play, co-escrito por Ian Bogost, fundador da Persuasive Games, pioneira no desenvolvimento do formato de jogos com base em notícias.

O livro promete abordar a recente história da criação do formato, além de mostrar que os games podem ser utilizados para fornecer notícias e destrinchar assuntos mais complicados.

A revista Atlantic publicou um trecho da obra.

“Games exibem textos, imagens, sons e vídeos, mas eles podem fazer muito mais: simular como as coisas funcionam por meio da construção de modelos com os quais as pessoas possam interagir (…) de um dia para o outro, newsgames não vão curar os males das organizações de notícias. Mas são uma oportunidade real e viável de ajudar os cidadãos a formar opiniões e a tomar decisões”

Veja também: Concurso de newsgames

Publicado por Tiago Dória, em 14 de setembro de 2010 (Terça-feira).
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YouTube ao vivo faz bem para a Google TV

Mal iniciou a semana e o YouTube começou a testar uma plataforma de transmissão ao vivo, semelhante à fornecida por sites como Ustream.tv e Justin.tv.

A notícia dos testes não é muito bombástica. Há um bom tempo, o YouTube vem fazendo transmissões ao vivo de eventos – o pioneiro YouTube Live, shows de bandas como U2 e Arcade Fire, além do discurso de posse de Barack Obama, presidente dos EUA.

A diferença é que agora o YouTube pretende oferecer a tecnologia para terceiros (parceiros).

Num primeiro momento, durante dois dias, Young Hollywood, Next New Networks, HowCast e o velho conhecido videocast Rocketboom estarão testando a tecnologia de transmissão ao vivo do YouTube (a agenda completa das transmissões está aqui).

Enquanto escrevia esse post, o Young Hollywood era exibido ao vivo, com a participação do Steve-O, do Jackass. Não tive problemas ao assistir. A transmissão não travou. Somente achei que existe muito spam nos comentários que são postados ao vivo.

Segundo o contador do YouTube, 5.753 pessoas estavam assistindo à transmissão.

Os testes da plataforma de transmissão estão relacionados às recentes aquisições da Google. Em abril, a empresa de busca comprou a Episodic, startup voltada à tecnologia de streaming.

Acredito que o “YouTube ao vivo” também esteja ligado a outro produto da Google – a Google TV, que tem como carro-chefe levar o conteúdo do site de vídeos para os aparelhos de TV.

Antes mesmo de ser lançada, a Google TV é criticada por dar sinais de que fornecerá pouco conteúdo. A aposta da Google em lançar, até o final do ano, um serviço de aluguel de filmes no YouTube é uma tentativa de amenizar essas críticas.

E agora, com o “YouTube ao vivo”, a empresa de busca terá a chance de mostrar que as possibilidades da Google TV poderão ser maiores.

Veja também: Filme sobre a criação do Google

Publicado por Tiago Dória, em 13 de setembro de 2010 (Segunda-feira).
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Frase da semana

“Nós deixaremos de imprimir o NYTimes em algum momento no futuro”

Arthur Sulzberger Jr, publisher do New York Times.

Publicado por Tiago Dória, em 11 de setembro de 2010 (sábado).
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USA Today vai liberar acesso público à API

Depois de Guardian e NYTimes, o USA Today será o novo jornal a liberar o acesso público às suas bases de dados por meio de uma API.

A intenção é que desenvolvedores criem aplicativos (mashups) em torno do conteúdo da publicação.

Num primeiro momento, dados da lista de livros mais vendidos e de salários de esportistas compilados pelo jornal estarão disponíveis.

O acesso à API está previsto para ser liberado até o final de setembro, segundo o site Programmable Web.

Ao que tudo indica, a estratégia será parecida à do Guardian. Transformar o USA Today em uma plataforma aberta de conteúdo, com um ecossistema de aplicativos em seu entorno.

Em outras palavras, a publicação pretende criar valor em torno da circulação e não do controle de informação.

Veja também: Wikileaks mostra importância do “jornalismo de dados”

Crédito da foto: Flex

Publicado por Tiago Dória, em 10 de setembro de 2010 (sexta-feira).
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Tráfego, tráfego, tráfego

Existem tantas métricas e serviços que apresentam números de audiência conflitantes que, muitas vezes, eles acabam se anulando e travando as decisões das publicações online. Essa é uma principais conclusões de um estudo produzido pela Universidade da Columbia, que mostra como as publicações lidam com os relatórios de audiência que chegam às suas mãos.

Segundo a pesquisa, no meio digital, existe uma abundância de métricas e de serviços que apresentam números conflitantes, que uma parte dos editores prefere, no final das contas, não utilizar nenhum relatório de audiência para apoiar suas escolhas editoriais.

Neste sentido, grandes publicações utilizam ao mesmo tempo diversos serviços de mensuração da audiência. Publicações menores, apenas o Google Analytics (Aqui, no Brasil, pelo menos, a ferramenta da Google virou quase que “padrão de mercado”).

Ainda sobre o assunto, no comecinho da semana, o NYTimes publicou uma matéria sobre como as principais publicações lidam com os relatórios de tendências de tráfego em seus sites.

O Wall Street Journal, por exemplo, é o mais prático. Todo dia, na parte da manhã, os editores recebem um relatório com os artigos e os termos de busca que estão gerando mais tráfego, além de repercussão no Twitter.

O NYTimes, por sua vez, diz que não se apóia em números para determinar como as suas matérias são exibidas (não é o “American Idol”). O Washington Post deixa em sua redação um monitor ligado, que mostra, em tempo real, quais assuntos estão rendendo mais visitas.

A maioria das publicações diz tentar o equilíbrio entre o que a audiência quer e o que ela precisa ler/ouvir/questionar. O conhecido debate interesse público versus interesse do público.

Acredito que o problema nem seja de apoiar boa parte das decisões editoriais em números e, desse modo, correr o risco de fornecer apenas o conteúdo que gera mais audiência imediata. Isso vai da estratégia de cada publicação. Elas não são necessariamente excludentes, mas algumas publicações querem ter a melhor audiência; outras, a maior audiência.

Penso que a principal questão é a interpretação dos números. De nada adianta números confiáveis chegarem às suas mãos se você não sabe fazer uma leitura deles.

Até hoje é comum ver pessoas que trabalham na área de internet confundindo número de usuários registrados com o de ativos, quando não muito se apoiando piamente em parâmetros que facilmente podem ser gerados de forma artificial, como pageviews e números de seguidores.

Um exemplo é o próprio Twitter que, por motivos de autopromoção, divulga apenas o número de usuários registrados, e poucos jornalistas e blogs questionam isso. Número de usuários registrados, por si só, sem o parâmetro de usuários ativos, diz pouco (seu serviço tem 10 milhões de usuários registrados, mas, de repente, apenas 2 milhões realmente o estão utilizando).

Nem vou comentar quando se “compara maçã com laranja”. Na mídia impressa, como parâmetro de sucesso, dificilmente alguém vai equiparar a tiragem de um livro com a de uma revista semanal (estão na mesma plataforma – mídia impressa – mas são propostas diferentes). Contudo, na mídia digital é permitido comparar, por exemplo, a audiência do NYTimes, que é um veículo, com a do MSN messenger, uma ferramenta de comunicação.

Mesma plataforma, mas negócios diferentes.

Veja também: Reputação digital preocupa cada vez mais as pessoas

Crédito da foto: Plus45 e Victoria Peckman

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Como funciona o jornal que não quer ser mais jornal

Vídeo produzido pelo próprio Guardian explica um pouco a estratégia de transformar o jornal em uma plataforma aberta de conteúdo.

Veja também: Guerra de APIs de jornais

Publicado por Tiago Dória, em 9 de setembro de 2010 (Quinta-feira).
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Google Instant e o que falta ser explorado nas buscas

Nas duas últimas semanas, a Google vem lançando uma série de produtos – a maioria resultado das mais recentes aquisições da empresa.

O Google Instant é uma das exceções. Sua tecnologia é desenvolvida há um bom tempo dentro dos escritórios da Google.

A tecnologia permite que, no Google, o usuário veja os resultados de uma pesquisa enquanto digita os termos. A intenção é tornar as buscas mais rápidas.

Por exemplo, enquanto digita “blogs sobre música” , você já começa a ver os resultados. Isso é interessante, pois, caso os resultados não o satisfaçam, você pode refinar ou mudar rapidamente os termos pesquisados, em vez de esperar a página de resultados do Google carregar, ver que os resultados exibidos não correspondem ao que você está procurando, apagar e digitar outro termo, esperar a página de resultados do Google carregar uma vez mais…

Partindo do pressuposto que uma boa parte das pessoas utilize o Google Instant, acontecerão algumas mudanças no comportamento do usuário ao utilizar um sistema de busca. Além disso, as buscas ficarão mais personalizadas, logo algumas técnicas de SEO terão que ser revistas.

Contudo, penso que ainda é cedo para fazer uma previsão do que essas mudanças acarretarão. Uma coisa é certa – apesar de algumas pessoas falarem que ele está numa mesmice, no mercado de busca ainda há muita coisa a ser explorada em termos de user interface (UI).

Aliás, não somente o lançamento do Google Instant, mas as diversas funcionalidades que a Microsoft vem lançando no Bing mostram que ainda existem caminhos a serem percorridos em termos de apresentação de resultados, de “experiência dos usuários” em sistemas de buscas.

Por enquanto, o Google Instant não está disponível para todos os usuários. A previsão é que na semana que vem esteja. Abaixo comercial do novo serviço com a participação de… Bob Dylan.

Veja também: Você sofre de “Search Overload”?

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Shownar mostra o burburinho online em torno da BBC

Shownar é um protótipo desenvolvido pelo BBC Labs.

Ele tem a função de rastrear e mostrar o buzz online em torno de cada programa da emissora. Para mensurar o burburinho, a BBC utiliza como critério número de visitas e links externos (feitos no Twitter e em outros sites) para determinadas páginas.

O interessante é que o Shownar trabalha com infográficos. A limitação é não indicar se os comentários são positivos ou negativos (porém, essa não seria a intenção da ferramenta. O objetivo seria mesmo agregar e criar uma interface onde os telespectadores pudessem navegar entre as principais discussões em torno dos produtos da BBC).

Por enquanto, o Shownar está fora do ar (para modificações), pois a previsão é que, em breve, esteja disponível para todos os usuários no próprio site da BBC.

Veja também: Novo sistema de busca da BBC

Publicado por Tiago Dória, em 8 de setembro de 2010 (Quarta-feira).
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