Hoje em dia, as pessoas escrevem mais não porque tenham algo a dizer, mas pelo motivo de que ficou bem mais fácil publicar conteúdo. Somente essa provocação do jornalista e escritor John Freeman já vale a leitura de seu último livro “The Tyranny of email” – em português, A Tirania do email (256 páginas/Editora Scribner).
Freeman acredita que, quando era mais caro se comunicar, as pessoas pensavam duas vezes antes de enviar uma mensagem, preocupação que não existe mais hoje em dia. Nunca foi tão fácil se comunicar e publicar conteúdo. Segundo Freeman, isso é bom, mas engana-se quem acha que estamos melhor informados e melhor conectados como seres humanos. Como se, historicamente, quantidade e facilidade fossem sinal de qualidade.
Aliás, segundo o escritor, escrever ficou mais fácil, contudo ler ficou mais difícil devido não à enorme quantidade de informações disponíveis, mas sim às constantes interrupções a que estamos sujeitos no dia a dia – um email novo que chega, uma janela pulando no messenger, uma mensagem de voz deixada no celular.
Para Freeman, essas constantes interrupções tendem somente a crescer. Antes, mensagens em plataformas de redes sociais ficavam restritas ao desktop, hoje elas estão no celular, que vai com a gente para qualquer lugar.
Da mesma forma, bem no início, os emails eram restritos ao ambiente de trabalho, ficavam no computador do escritório, ao passo que hoje, com os smartphones, eles entraram dentro de casa. O email foi “domesticado”. Você checa emails quando acorda, no intervalo do programa da TV e até mesmo enquanto conversa com o seu o filho ou namorada (uma propaganda recente da Microsoft inclusive explora esse hábito).
Com isso, além de quebrar a barreira entre vida pessoal e profissional, a internet tem criado uma cultura de “disponibilidade 24 horas”. Uma ansiedade por comunicação. Você sempre tem que estar disponível. Demorou mais de 24 horas para responder a um email? Pode ter a certeza de que vai gerar um abalo no relacionamento com o remetente do email.
Neste ponto, Freeman é certeiro em sua crítica. Parece que, de uma hora para outra, as pessoas se esqueceram de que as outras têm mais coisas a fazer do ficar pendurado em emails e plataformas de redes sociais – família, filhos, namorada(o), dormir ou simplesmente não falar com ninguém. As pessoas não estão disponíveis 24h.
E mais, essa “cultura da disponibilidade 24h” tem gerado um excesso de informações e exigido uma postura sobrehumana da maioria dos profissionais, tipo de habilidade que, num passado não muito distante, era cobrada apenas de profissionais específicos, como professores, governantes e jornalistas.
O excesso de mensagens que recebemos todo dia não exige que sejamos multitarefa, mas sim “multisentimental”. Respondemos um email de maneira dura para um funcionário pouco dedicado; daqui a pouco, fazemos o mesmo, mas de forma calma para um cliente. Ou amorosa para uma namorada; de modo informal e engraçado, para um amigo.
Enfim, na hora de se comunicar passamos de um estado emocional a outro. Tudo isso em questão de segundos. Não é à toa que depois de “limpar” a nossa caixa de email, nos sentimos cansados, não fisicamente, mas emocionalmente.
Neste momento, o discurso de Freeman lembra muito o do Jaron Lanier, autor de “Você não é um aplicativo” – nós é que devemos moldar as tecnologias, e não o contrário.
Para mim, a sensação ao ler “The Tyranny of email” foi a mesma de “Free”, de Chris Anderson. Esperava encontrar um livro planfetário, com o autor tentando empurrar uma visão a qualquer custo, porém me enganei no final. Anderson, na realidade, faz um histórico do modelo gratuito, indicando pontos negativos e positivos.
Da mesma forma, Freeman faz um histórico da comunicação escrita, que tem sido pontencializada nos últimos anos com o uso do email e sistemas de mensagens em redes sociais. Aliás, a linguagem escrita e a falada estão se aproximando muito.
Portanto, o título do livro (Tirania do email) é mais provocativo do que descritivo. Na realidade, o escritor junta opinião, história e a sua própria experiência para refletir um pouco sobre como a comunicação escrita e em alta velocidade tem nos afetado.
Uma das primeiras observações é por qual motivo checamos toda hora o email ou o perfil em uma rede social? Simplesmente por causa de uma das necessidades mais antigas do homem – sensação de pertencimento.
Uma caixa de email ou um perfil numa plataforma de rede social com mensagens novas nos proporciona a sensação de que somos importantes para outras pessoas, estamos vivos. Reforça o senso de que somos o centro do mundo.
Por sua vez, a história do telegrama e do email nos ensina que, ao se desenvolver o caráter viral de um meio, ele se torna ferramenta de marketing, mas também de contraventores.
Em 1887, articulistas do NYTimes publicaram artigos preocupados com a propaganda política que poderia vir pelo correio. Por outro lado, a falta de comunicação face a face proporcionada pelo correio atraiu os interesses de criminosos.
Era comum receber telegramas e cartas anônimas xingando a sua esposa ou filhos. E os jornais eram repletos de casos de pessoas que recebiam falsas correspondências de banco e de empresas pedindo informações bancárias (qualquer semelhança com os atuais golpes de phishing não é mera coincidência).
Neste contexto, foram justamente os jornais os mais afetados com o surgimento do telegrama, das cartas e, mais recentemente, do email. Nos anos 30, a partir do momento em que o correio americano liberou o envio de propagandas, os jornais começaram a se sentir ameaçados, pois tinha-se medo de que as empresas passassem a utilizar mais o “correio marketing” do que os espaços publicitários nos jornais. Afinal de contas, o primeiro tinha o caráter de ser viral, era mais barato e prometia “atingir diretamente o consumidor”.
Com o incremento dos telegramas, as informações começaram a circular não apenas com mais velocidade, mas também em maior quantidade. Para se ter ideia, antes do telegrama, demorava 5 semanas para chegar uma notícia enviada por um correspondente de um jornal londrino em Nova York. Com mais conteúdo, muitos jornais passaram a ter edições diárias. Com a vinda da internet, passaram a funcionar 24 horas por dia/7 dias por semana.
No entanto, o efeito mais profundo viria depois com o surgimento do email, que mudou um pouco a nossa noção de relevância de informação. Segundo Freeman, a nossa caixa de email tem substituído o “jornal da manhã” como artifício de contexto.
O que é mais importante para você de manhã? Ou melhor, o que você faz primeiro? Abrir o seu email, Orkut, Twitter ou conferir o “jornal do dia”?
Se você checa primeiro o email, saiba que isso é a coisa mais natural. Toda manhã, é ele quem nos “indica a nossa posição no mundo” – atividades que temos que fazer, contas a pagar, lembrete do aniversário de algum amigo, o que de importante vai acontecer no dia.
Em outras palavras, a caixa de entrada de emails, Facebook, Orkut ou Twitter são os primeiros fluxos de informação com os quais temos contato no início do dia e não mais o “jornal da manhã”. Contudo, isso não quer dizer que não tenhamos notícias nessas plataformas (até temos, mas é um tipo de informação que foi pré-filtrada pelo nosso círculo social que, geralmente, possui critérios de revelância diferentes do tradicionalmente adotado pelos jornais).
O lado negativo de “The Tyranny of email” está em ser pretensioso demais, o que atrapalha um pouco a análise do autor. Freeman chega a escrever uma carta aberta, um manifesto por uma comunicação mais lenta. No entanto, passa longe de criar algum tipo de movimento.
Devagar, de Carl Honoré, devidamente comentado neste blog, e que aborda o mesmo tema, é bem mais profundo e nos faz refletir bem mais sobre o nosso estilo de vida. É mais interessante ver “The Tryranny of email” como um livro sobre a história da comunicação escrita.
Outra questão é que as dicas de Freeman para lidar com excesso de emails caem no lugar comum. Ele é certeiro ao mostrar que, acima de tudo, essas soluções devem ser comportamentais e não tecnológicas.
Entre elas, utilizar o campo assunto de forma objetiva para fazer perguntas diretas, que precisem de respostas curtas, do tipo “Vamos almoçar amanhã às 12h30?”. Sempre deixar claro que não é preciso responder a uma mensagem, assim você evita receber coisas do tipo como “ok”, “obrigado”; e o mais importante: nunca checar o email antes de dormir, dependendo da mensagem que chegar, pode ser que você perca uma boa noite de sono.
No final das contas, apesar das críticas à comunicação escrita e em alta velocidade proporcionada pela internet, que se reflete no uso do email, Freeman está longe de ser um ludita. Ele entende que, além de exigir uma habilidade sobrehumana, todo esse fascínio pela velocidade leva-nos a perder um dos principais benefícios da internet, que é proporcionar uma experiência mais social e humana.
Temos a impressão que estamos ganhando, mas, na realidade, estamos perdendo muito do potencial da internet.
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Crédito das fotos: HowNowDesign, Joeruny, Grigaid e divulgação
A Internet Society, organização internacional ligada à discussão de políticas e padrões para internet, divulgou nesta semana quatro vídeos sobre como poderá ser o futuro da internet daqui a 10 anos. Alguns são bem positivos; outros, para lá de pessimistas.
A intenção é gerar uma reflexão sobre o desenvolvimento da internet.
Ou talvez, como diria o pesquisador Andrew Sigler, gerar um ponto de otimismo - “pensar sobre o futuro é, antes de tudo, um ato de otimismo”.
A organização também criou uma enquete para saber o que mais ameaça o futuro da internet.
Enquanto escrevia esse post, o “aumento do controle governamental sobre a internet” estava disparado na frente de outras questões, como a falta de privacidade.
O vídeo abaixo compila todas as teorias da Internet Society.
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Foi divulgada a lista de finalistas do Online Journalism Awards 2010, promovido pela ONA – Associação de Jornalismo Online (do Brasil, o G1 está na final).
Neste ano, o que chama a atenção, uma vez mais, é a crescente quantidade de “startups de jornalismo” – WestSeattleBlog.com, TexasTribune.org, VoiceofSanDiego.org e ProPublica são algumas das que estão na final do prêmio.
São pequenas empresas iniciantes focadas em inovação. Muitas delas formadas por ex-jornalistas de grandes publicações, acadêmicos ou pessoas que estão saindo da faculdade, têm um espírito mais empreendedor e querem inovar e ser patrões de si mesmas.
A ideia de “startups de jornalismo” ainda não chegou efetivamente ao Brasil, mas vale entender um pouco como funciona a sua dinâmica no mercado.
Na mudança dos átomos para os bits, algumas grandes publicações estão perdendo a competitividade e, como uma forma de frear isso e trazer inovação de fora, vêm investindo e/ou fechando parcerias com “startups de jornalismo”.
Por sua vez, para as startups esse tipo de parceria é interessante, pois têm a possibilidade de conseguir um público imediato para os seus produtos. É uma união de experiências.
Desde julho, a NPR vem buscando algumas startups para fechar negócios. Vivian Schiller, diretora geral da organização, comentou que esse tipo de parceria é essencial para o futuro. A NPR já está trabalhando com a Texas Tribune e a St Louis Beacon.
Outra publicação que vem investindo em startups é o NYTimes. A NYTimes Company injetou dinheiro na Automattic, responsável pelo WordPress; na Betaworks, desenvolvedora do encurtador de url Bit.ly, e, mais recentemente, na Ongo, ligada à ideia de agregar notícias.
Desde 2008, o site do jornal também está fechando parcerias de conteúdo com diversos blogs da área de tecnologia, vistos como “startups de conteúdo” pela publicação.
Veja também: Jornalista-programador ou programador-jornalista?
Crédito da foto: Crashmaster
Os rumores começaram há uma semana e agora foram confirmados.
O iraniano Hossein Derakhshan, 35 anos, mais conhecido como Hoder (foto acima), foi condenado a 19 anos de prisão pela justiça do Irã.
Detido desde 2008 e um dos pioneiros dos blogs no mundo, Hoder é acusado de ser um “espião de Israel” e de “colaborar com países inimigos”.
Segundo o Financial Times, o que pode ter motivado a decisão da justiça iraniana foi uma viagem que Hoder fez para Israel em 2006 na tentativa de aproximar iranianos e israelenses.
O iraniano poderá recorrer da decisão.
A prisão e a posterior decisão da justiça do Irã chamaram a atenção de muita gente, pois Hoder tem uma importância histórica para quem acompanha ou estuda blogs há algum tempo.
Em 2005, para ajudar a explicar o que vinha fazendo desde 2001 em seu blog Editor: Myself, criou o termo “bridge-blogger“. Refere-se a pessoas que utilizam o seu blog para fazer uma “ponte” entre duas culturas.
Por exemplo, autores de blogs que escrevem sobre a política chinesa para uma audiência americana. Neste caso, essas pessoas funcionam como “pontes”, traduzindo e contextualizando notícias e acontecimentos locais para o inglês.
O conceito de “bridge-blogger“ serve até hoje de referência para a atuação de projetos como o Global Voices Online, que reúne uma rede de colaboradores (tradutores) em diversos países.
Hoder também atuou como um “hub” para o crescimento dos blogs no Irã. Em 2001, criou um guia sobre como blogar e burlar a censura no país.
Desde 2005, era colaborador esporádico do Guardian.
Veja também: Braziu no ar e a volta do pessoal do A Nova Corja
Se você já acha The Social Network hype demais, saiba que a breve trajetória de vida de Mark Zuckerberg, cocriador do Facebook, será contada em formato de história em quadrinhos.
O lançamento está previsto para o final do ano, em dezembro, nos EUA.
Ao que tudo indica, 2010 será o ano do Facebook.
Veja também: Para Facebook, o que mais importa numa mensagem é quem a envia
Apesar de algumas tecnologias terem um efeito cada vez maior no nosso dia a dia, a editoria de tecnologia não é a que ganha mais atenção. Ela responde por apenas 1,6% da cobertura da “grande imprensa”, ao lado das editorias de meio ambiente e educação. É o que mostra um estudo do Pew Research Center sobre como é feita a cobertura do setor de tecnologia.
Segundo a pesquisa, a Apple é a empresa que mais atrai a atenção da imprensa. Entre junho de 2009 e de 2010, o 2º assunto mais comentado foi o lançamento do iPhone 4.
O 1º foi a questão do perigo de dirigir um veículo e, ao mesmo tempo, publicar ou ler mensagens no celular, pauta que, diga-se de passagem, rendeu um prêmio Pulitzer para o NYTimes (série de matérias chamada Driven to Distraction).
Outro detalhe é que, em geral, o tom da cobertura da imprensa de tecnologia é meio dividido. Em sua maioria, as matérias são positivas (23%), dizem que a internet deixa a nossa vida mais produtiva. Porém, 18% mostram o lado negativo (cibercrimes e problemas de privacidade).
Nem é preciso ir muito longe para saber o motivo da Apple atrair tanta atenção da mídia. Nos últimos anos, a empresa vem lançando uma série de produtos que, direta ou indiretamente, têm alterado a forma como consumimos ou vemos o consumo de conteúdo – iTunes, iPod, iPad.
Além disso, a Apple passou a tratar computadores como objeto de consumo e não uma “ferramenta científica” (não é uma questão apenas de RP). Existe também a teoria, não confirmada, de que notícias relacionadas à Apple vendem mais jornal.
Veja também: Maioria não sabe o que é iPad. Apple explica be-a-bá
“É um filme. É a minha vida e eu sei que ela não é tão dramática”
No programa da Oprah, Mark Zuckerberg falou sobre o filme a respeito da criação do Facebook. Segundo ele, The Social Network é “repleto de ficção”.
Mais um vídeo conceitual. Desta vez produzido pela Mozilla, responsável pelo navegador Firefox, sobre como a empresa vê o futuro dos aparelhos celulares.
O conceito é chamado Seabird.
Veja também: Carro do futuro que não chegou
Austin Visschedyk tem 14 anos e é o paparazzo mais jovem que se tem conhecimento. Sua vida virou um documentário – “Teenage Paparazzo” , dirigido por Adrian Grenier.
Estreia no dia 27 na HBO nos EUA. Promete ser interessante.
Pelas críticas que eu li, aborda muito bem a questão da “mídia de celebridades”, que se potencializou nos últimos anos. Trailer logo abaixo.
Veja também: Google de celebridades e seus gadgets preferidos
/via @laughingsquid