Parece que histórias e personagens do Vale do Silício estão voltando a interessar Hollywood.
Faz sentido, algumas empresas da região estão se tornando importantes marcas.
Uma vez mais, voltaram os rumores de que a Google será tema de um filme. Eles chegam na mesma época em que um filme sobre o Facebook caminha para a sua estreia.
Segundo o influente blog Deadline, Ken Auletta, colunista da New Yorker, vendeu os direitos de adaptação de seu livro “Googled – The End of the World as We Know It” para Michael London e John Morris, da produtora Groundswell, responsável por filmes como Milk e Desinformante.
O filme seria focado nos dois fundadores da Google, Sergey Brin e Larry Page, e mostraria uma visão positiva da empresa de busca – sobre como os dois fundadores tentaram manter durante todos esses anos o princípio original da Google – “não seja evil”.
Não sei não, mas acho que Zach Braff daria um bom Sergey Brin.
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Nesta quarta-feira, no Digital Age 2.0, que acontece em São Paulo, foi divulgada uma pesquisa sobre o consumo de vídeo online no Brasil.
Os dados do estudo são inéditos e, o mais importante, voltados totalmente ao mercado brasileiro.
Para mim, foi o ponto mais interessante do evento neste 1º dia.
Alguns detalhes do estudo, que foi elaborado pela Globosat, Havas Digital e Qualibest.
1) 96% dos usuários brasileiros de internet têm o hábito de assistir a vídeos pela web
2) Em sua maioria, esses vídeos são consumidos das 20h às 1h
3) Possibilidade de assistir a qualquer hora (não ficar preso a grade de horário) é o principal atrativo do vídeo online
4) Em geral, homens preferem vídeos com conteúdo esportivo. Mulheres, sobre culinária.
5) A maioria assiste a um vídeo após a indicação de um amigo ou citação em um artigo.
6) Usuários não têm rejeição a propagandas, mas sim à repetição do mesmo comercial em diversos vídeos.
Por coincidência, num debate logo após a divulgação da pesquisa, Regina Chamma, gerente de projetos especiais do Google Brasil, afirmou que o YouTube está testando uma funcionalidade que permitirá ao usuário escolher quando e qual comercial quer assistir.
Recurso que, diga-se de passagem, já existe no Hulu, site que lidera a exibição de publicidade em vídeos nos EUA.
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Para facilitar o entendimento do leitor, uma das recomendações clássicas é utilizar proporções em um texto com números. Do tipo – “50 mil reais, o que equivale ao salário de não sei quantos meses de um professor”.
A gente viu tal princípio ser aplicado recentemente na área de visualização de dados e mapas.
Durante o vazamento de petróleo no Golfo do México, o mashup IfItWasMyHome permitia projetar sobre qualquer região do planeta a mancha de petróleo resultante do vazamento.
Você poderia projetar, por exemplo, a mancha sobre o litoral de São Paulo e assim ter uma noção melhor do vazamento.
O BBC Dimensions utiliza a mesma dinâmica. Por meio da ferramenta, no mapa abaixo, eu projetei sobre a cidade de São Paulo a área de 3,6km² onde ocorre o Festival de Glastonbury. Dessa forma, posso ter uma ideia mais precisa da dimensão do festival de música.
Tal transposição de dimensões pode ser feita com outros dados e áreas.
Em parceria com a agência Berg, a BBC está desenvolvendo o Dimensions (ainda um protótipo) com a intenção de ter uma ferramenta de visualização que atenda ao cronograma curto de produção das redações. Por enquanto, promete ser ótima para ilustrar matérias.
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Chris Anderson, editor da Wired e autor de best-sellers como Cauda Longa e Free, mostrou, uma vez mais, que sabe chamar a atenção na web. No artigo publicado, nesta terça-feira, na Wired “The Web Is Dead: Long Live the Internet”, Anderson afirma que a “web está morta”.
O autor toma como base um infográfico indicativo de que a maior parte do tráfego da internet vem de vídeos e troca de arquivos p2p e não da web em si.
Segundo Anderson, de forma crescente, as pessoas estão utilizando aplicativos e não mais navegadores para acessar o conteúdo da internet.
De certo modo, a matéria faz sentido. Quanto mais surgirem produtos que trabalhem com uma das principais caraterísticas da internet, ser device agnostic, mais a acessaremos por meio de diversos dispositivos, sem necessariamente sermos obrigados a utilizar navegadores.
Mas, a partir disso, achar que a web morreu são outros quinhentos.
Por si só, o BoingBoing acabou com o argumento da Wired e de Anderson. A matéria se apóia em um infográfico com dados da Cisco que se mostrou totalmente impreciso. Sem contar que banda nem sempre é o melhor (ou único) parâmetro para mensurar consumo.
Não dá para comparar 100MB de vídeo com 10MB de emails. É natural que vídeos sejam responsáveis pela maior parte do tráfego da internet. Gastem mais banda do que os emails, por exemplo. Mas isso não quer dizer que as pessoas não estão utilizando mais o correio eletrônico.
Nem vou comentar que, em 1997, a Wired já havia anunciado a morte da web (e dos navegadores) com um argumento parecido para a época.
Até hoje a web não morreu. Vai ver ela tem sete vidas.
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Crédito da foto: Wbb4
Uma das principais lições que você aprende quando começa a estudar, com afinco, tecnologias é que muitas respostas para problemas atuais podem estar no passado.
Para entender, por exemplo, por que a questão da privacidade é tão frágil na internet, é necessário voltar ao passado da plataforma e relembrar que ela foi criada, acima de tudo, para ser uma tecnologia militar e governamental. É uma plataforma que foi desenvolvida com a característica de que cada passo e movimento fossem rastreáveis e ficassem registrados em algum lugar. Isso pode ser positivo ou negativo dependendo do seu ponto de vista.
Para compreender as plataformas de redes sociais, por sua vez, você não precisa correr atrás da bibliografia completa do último guru que surgiu na área. Mas, acima de tudo, observar “ferramentas de comunicação” anteriores e que também trabalhavam em rede, como o próprio telefone. Se a gente parar para observar, muito do que aconteceu com as redes de telefonia está se repetindo com as redes sociais. Não é à toa que uma vem substituindo a outra em muitos momentos do dia a dia.
Por isso é sempre importante ter uma perspectiva histórica a respeito das tecnologias. Neste sentido, um livro lançado no Brasil tenta trazer à tona essa perspectiva – História das Invenções, do historiador Trevor I. Williams (320 páginas/editora Gutenberg), em que o autor, então colaborador da revista Endeavour, conta a história de diversas tecnologias – desde o machado à tecnologia HD, atualmente utilizada em TVs.
A primeira coisa que fica evidente com a leitura é que, a longo prazo, os efeitos de uma tecnologia sempre são subestimados e os a curto prazo, superestimados.
Um exemplo é a eletricidade. A curto prazo os principais visionários acreditavam que ela seria capaz de aumentar a produtividade das fábricas, no entanto, a longo prazo, ninguém imaginou que ela mudaria o comportamento e as expectativas sociais sobre as roupas. A eletricidade fez surgir o ferro de roupa elétrico, que, por sua vez, modificou as expectativas sobre as roupas. Antes do ferro elétrico, rugas e amassados eram considerados normais nas roupas na medida em que era bem trabalhoso passar roupa em casa, os ferros eram à carvão. Depois, rugas em roupas viraram sinônimo de desleixo. Algo que perdura até hoje.
Ou ainda. Poucos conseguiram imaginar que a longo prazo as máquinas de escrever abririam as portas do mercado de trabalho para as mulheres, o que teve um grande impacto social.
Portanto, apesar de os gurus tentarem dimensionar os efeitos futuros, não é possível saber, com detalhes, os efeitos sociais de uma tecnologia a longo prazo.
Será que não estamos vendo o mesmo com a web nos últimos 15 anos? Superestimamos os seus efeitos a curto prazo e os subestimamos a longo prazo?
Trevor nos lembra que lá nos primórdios da civilização as invenções tecnológicas eram anôminas. Ninguém sabia exatamente quem inventou o machado, por exemplo. Porém, com o passar dos tempos e o desenvolvimento de sistemas de manutenção e recuperação de informações, as invenções deixaram de ser anônimas e passaram a ser atribuídas a indivíduos específicos. Alexander Graham Bell inventou o telefone. Tim Berners-Lee, a web.
Com o aumento do uso de ferramentas online de colaboração, Trevor acredita que poderemos voltar ao passado. Apesar de a criatividade individual ainda ser a mola mestra das grandes invenções da humanidade (conforme Jaron Lanier nos mostra em Você não é um aplicativo), o historiador acredita que as próximas invenções tecnológicas surgirão cada vez mais de equipes não identificadas publicamente, dentro de corporações públicas ou privadas.
A História das Invenções deixa evidente outra coisa – toda tecnologia necessita de uma “publicidade social” para ser conhecida e plenamente aceita pela sociedade. Um exemplo é o telégrafo. Somente quando, em 1845, um assassino foi preso graças à comunicação rápida proporcionada pelo telégrafo é que ele conseguiu atrair a atenção pública, principalmente da massa. Antes o telégrafo era desconhecido e visto apenas como uma tecnologia militar.
Ou seja, somente a partir do momento em que o telégrafo tentou resolver um problema imediato do dia a dia é que ele passou a ser reconhecido. Será que não estamos assistindo ao mesmo na área de serviços de internet. Twitter e afins não precisam de um “efeito social” para serem vistos como útil pelo grande público? Uma coisa é os geeks acharem genial. Outra coisa é o grande público.
História das Invenções é um livro bem ilustrado, com infográficos e imagens detalhando cada tecnologia. Segue a edição de obras escolares de história. Os capítulos são divididos de forma cronológica, do Velho Mundo ao Mundo Moderno. Os subcapítulos são curtos.
Na verdade, História da Invenções é uma reedição de uma edição revisada em 2.000, lançada após o falecimento do autor em 1996.
A edição brasileira peca por não ter um glossário, uma vez que o autor emprega uma terminologia muito técnica em diversos momentos, e até certo ponto pode ser tediante.
Neste sentido, gosto bem mais do estilo do historiador David Bodanis. Em seu livro Universo Elétrico, ele conta a história da eletricidade e suas tecnologias adjacentes (gps, telefone, lâmpada) de forma “romanceada”, com detalhes que fogem de tradicionais livros. A leitura é bem mais atraente (o telefone foi criado por que Graham Bell, antes de tudo, queria se comunicar melhor com a sua namorada, que tinha um problema de audição).
História da Invenções, portanto, é bom para ser utilizado como livro de consulta – para checar datas e alguns detalhes históricos quando necessário.
O livro pode causar um pouco de estranhamento no momento atual em que tecnologia é apenas associada a eletrônicos e computadores.
Garfos, facas, roupas e medicamentos também são tecnologias. Tecnologia é um ingrediente essencial da civilização. Onde existir civilização, existirá tecnologia. Contudo, engana-se quem acha que as necessidades humanas são a única fonte motivadora para a criação delas.
Tecnologias são, antes, produtos da criatividade humana. Como Trevor nos mostra, estudar a história das tecnologias é, acima de tudo, refletir sobre a história da criatividade humana individual e coletiva.
Um capítulo do livro está disponível para download (em formato pdf).
Veja também: Pixar é a Disney de quem já nasceu digital
Créditos da fotos: Paleo Future (1 e 3) e Jazza2 (2)
O Wall Street Journal segue com o especial What They Know, série muito boa de reportagens sobre privacidade online.
A cada semana são publicadas novas matérias, infográficos e vídeos explicativos.
Você é avisado por meio do Twitter – @WhatTheyKnow.
Abaixo, vídeo sobre como funcionam os cookies.
Veja também: Privacidade zero para Zuckerberg
“No negócio de software, você não pode deixar de ter por base uma cultura hacker”.
Paul Graham, um dos pioneiros da web, em artigo sobre mercado de buscas e empresas de mídia e tecnologia.
Tem mais aqui.
Veja também: Design e tecnologias feitas para 90% da população
É meio estranha a ideia de enviar um email ou um tweet para a Polícia ou o Corpo de Bombeiros numa situação de emergência. Mas, no caso de haver uma grande tragédia e o telefone 190 estar fora do ar, essa questão começa a fazer algum sentido.
Segundo pesquisa feita pela Cruz Vermelha Americana, no caso dos telefones de emergência estarem fora do ar ou ocupados, uma em cada cinco pessoas tenta enviar um email, tweet ou mensagem via rede social para a polícia ou o Corpo de Bombeiros.
Por isso, 69% dos entrevistados esperam que os serviços de emergência monitorem as redes de microblogs e sociais 24 horas por dia para dar uma resposta o mais rápido possível.
Essa atitude e preocupação das pessoas faz sentido. Geralmente, em caso de grandes tragédias – terremotos, tsunamis, enchentes – a internet é o único meio que se mantém intacto. É comum lermos relatos de pessoas que, em situação de risco, tinham, por exemplo, apenas o Twitter e o Facebook para se comunicar.
Em razão disso, essa pesquisa da Cruz Vermelha está entre as mais interessantes sobre redes sociais publicadas neste ano, no sentido de que tenta, de certo modo, mensurar como as pessoas reagem a uma das principais características da internet – ser uma rede de troca de informações que permanece operacional em caso de grandes tragédias e ataques.
Segundo a pesquisa, a maioria das pessoas espera que essa rede funcione e que os serviços de emergência contatados via internet deem respostas em menos de uma hora.
O estudo foi elaborado pela Cruz Vermelha Americana a partir da percepção de que nem todos os serviços de emergência estão preparados para isso (ou melhor, talvez não tenham consciência dessa vocação natural da internet – ser o único meio que se mantém íntegro numa grande tragédia ou ataque).
Acredito que há exceções aqui e acolá. A própria Cruz Vermelha é uma delas. Quem acompanha o blog lembra que ela foi uma das primeiras a estar presente no Twitter.
Durante o Terremoto em Los Angeles, em 2008, as pessoas que assinavam o perfil da organização começaram a receber dicas sobre cuidados e alertas a respeito dos tremores.
Mensagens do tipo foram disparadas – “se você está em um carro, pare aos poucos e permaneça dentro dele até os tremores pararem”. As informações eram recebidas no celular por pessoas que estavam na área de risco do terremoto. A Cruz Vermelha respondia a alguns tweets.
Num primeiro momento, redes de microblogs foram mais eficientes que redes de telefone, que não conseguiam completar as ligações. Por isso que, a partir dessa experiência, faz todo sentido essa preocupação atual da Cruz Vermelha Americana para que mais instituições estejam atentas ao uso de redes sociais como plataforma de comunicação em caso de emergência.
Veja também: Videochamadas de emergência no 190?
Crédito da foto: Andy Wilkes