Email é igual à web e à mídia impressa. Tem 7 vidas. Toda hora a sua morte é decretada, mas ele continua vivo, firme e forte. Não é sem motivos. O email é uma das tecnologias mais universais. Simples de utilizar, atinge uma extensa faixa demográfica. E diferente dos atuais sistemas de mensagens em redes sociais que não se falam, o email “conversa” com diversos outros serviços.
Se uma pessoa utiliza o Gmail, ela pode enviar uma mensagem para quem, por exemplo, usa o Hotmail, e vice-versa. Sem firulas ou restrições.
Até hoje, 39 anos após a sua criação, o email é a aplicação de internet mais utilizada e o meio mais usado para compartilhar conteúdo na web.
Além disso, nossos correios eletrônicos têm informações valiosas sobre as nossas interações sociais, bem mais do que os chamados sites de redes sociais. Segundo os pesquisadores Nicholas A Christakis e James H. Fowler, autores do livro O Poder das Conexões, o Gmail diz bem mais sobre a gente do que o Facebook ou o Orkut. O primeiro tem dados valiosos, inseridos de forma passiva todo dia pela gente e que podem ser utilizados para formar redes.
Mediante dados de email de uma pessoa, podemos saber com quem ela conversa mais, quais são seus assuntos preferidos, redes sociais online das quais faz parte, onde faz compras online etc. Email é uma das coisas mais íntimas que temos online.
Fernanda Viégas, pesquisadora brasileira atualmente na Google, ficou conhecida por estudos que mostraram essa conexão entre pessoas e emails. Em seus projetos Themail e PostHistory, milhares de mensagens de correio eletrônico foram analisadas e transformadas em infográficos. A partir do experimento, foi possível montar um verdadeiro raio-X de cada pessoa simplesmente analisando as mensagens e o seu padrão de uso de email.
Uma das principais vantagens do email é a sua capacidade de arquivar/registrar/catalogar conversas. Praticamente todas ficam salvas no computador e/ou em algum servidor. Podem ser buscadas e recuperadas a qualquer momento. Por isso, conversas importantes acontecem via email e não por meio de scraps e tweets. Essa dinâmica do email é tão importante que a Google tentará aplicá-la às ligações telefônicas por meio do Google Voice Gmail.
Vale pensar no efeito em longo prazo do uso desse serviço que integra o Google Voice ao Gmail. Você não associará uma pessoa a um número de telefone, mas a um ID ou endereço de email. Ou seja, para fazer uma ligação, você não digitará um número, mas o nome da pessoa. Não será nenhuma surpresa se num futuro muito próximo for possível armazenar, catalogar, transcrever, buscar e recuperar ligações, assim como já fazemos com os emails.
Contudo, nem tudo é animador e tão promissor para quem utiliza email diariamente. Spam e o excesso de informações são dois problemas intermitentes. Situação que, em 2008, levou Jakob Lodwick, cofundador do site de vídeos Vimeo, a fazer um famoso desabafo, com o qual muitos se identificaram na época.
“Minha caixa de emails me deixa tão furioso. Sua existência me irrita. É uma das coisas mais íntimas da minha vida que eu não tenho controle. Sempre está bagunçada e sempre precisa da minha atenção”
Em entrevista ao NYTimes na semana passada, a pesquisadora Hilary Mason, especializada em data mining, mostrou que, em parte, isso acontece por que, nos sistemas de emails, os critérios atuais de relevância são falhos. Nem sempre o email mais recente é o mais importante.
Por isso, Mason está desenvolvendo um sistema em que a semântica e o tratamento que você dá às mensagens são levados em consideração. Se você demora muito para responder a um email de uma pessoa, se já conversou com ela antes, qual é o conteúdo da mensagem etc. A ideia é levar tudo isso em conta na hora de definir a prioridade de uma mensagem.
E, nesta semana, a Google já sinalizou uma interessante mudança com o anúncio do lançamento da Priority Inbox (caixa prioritária), serviço que promete separar automaticamente as mensagens de email mais importantes, sem necessidade de criar regras de recebimento.
O lançamento mostra a atualidade dos sistemas de relevância. Sempre que há um excesso de informações e de conectividade, tecnologias de filtragem são vistas com mais interesse.
Para lidar com a avalanche diária de informações, há um bom tempo, os jornais têm o seu próprio e tradicional sistema de relevância, que permite indicar o que de mais importante aconteceu ou está acontecendo. O Twitter e o Facebook, por sua vez, possuem outros critérios de relevância e atuam como filtros sociais (seus amigos indicam o que é mais importante).
O novato Paper.li vai mais além – tenta ser “um filtro do filtro”, um sistema que indica quais tweets mais relevantes foram publicados nas últimas 24 horas (Wired, Guardian e aqui, no Brasil, o site de treinamento web Tableless já estão utilizando oficialmente o serviço).
A Priority Inbox do Gmail segue a mesma dinâmica e cria um sistema de relevância na nossa caixa de entrada de emails. Separa aquilo que merece leitura e respostas rápidas.
A nova caixa do Gmail ainda está em testes (a previsão é que, na semana que vem, seja liberada para todos os usuários). Um lado negativo da Priority Inbox pode estar em priorizar mensagens de acordo com quem envia mais mensagens para você, critério pouco seguro de relevância. Não é por que a pessoa envia emails todo dia para você que é relevante. Talvez Mason esteja correta. Outros critérios também devem ser utilizados.
O anúncio do lançamento causou bastante burburinho na web. Não é sem motivos, a Google está mexendo numa das coisas mais íntimas que temos online.
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Direto do Microsoft Research.
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The Social Network promete ter polêmica e público garantidos. Oficialmente, o filme estreia somente em outubro nos EUA, mas alguns críticos que tiverem acesso à obra começaram a publicar as suas primeiras impressões.
Pelo visto, poucos deram ouvidos às declarações oficiais do Facebook de que o filme tem informações incorretas, não passa de uma ficção.
Quem assistiu ao filme considerou-o bom, e ponto final.
Peter Travers, crítico da revista Rolling Stone, é o mais efusivo. No Twitter, diz que The Social Network é o filme do ano e que brilhantemente define a década.
Scott Foundas, da Film Comment, revista ligada ao Festival de Cinema de NY, onde acontecerá a premiere de The Social Network, foi o primeiro a escrever sobre o filme. Intitulada “Vingança do Nerd”, a crítica de Foundas dá destaque ao fato de que não existem mocinhos ou bandidos muito bem definidos no filme, mas uma série de forças sociais canalizadas. O filme tem tudo para ser o que melhor representa a “geração digital”. Uma espécie de Zeitgeist.
E compara The Social Network ao clássico The Great Gatsby, filme que registra a “Era do jazz” nos EUA.
Por sua vez, Caroline McCarthy, do site de notícias CNET, comenta que, graças aos atores, The Social Network tem caminho aberto para ser um grande sucesso de bilheteria. Andrew Garfield, que faz o papel de Eduardo Saverin, será o próximo Homem Aranha. E com parte do elenco, Justin Timberlake, que atua como Sean Parker, cofundador do Napster, participará do VMA deste ano, da MTV americana, o que ajudará a dar mais visibilidade ao filme.
The Social Network tem previsão de estreia somente para dezembro no Brasil.
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Realizar aquisições para se diversificar – e, assim, reforçar o seu crescimento e aumentar a sua visibilidade – quase sempre fez parte da estratégia da Google, mas, desta vez, a empresa foi além.
Em menos de um ano, a Google fez 26 aquisições. De startups de vídeo a de busca semântica, em destaque as voltadas a “social games”.
A última compra foi anunciada neste final de semana. A startup Angstro, focada em informações personalizadas em redes sociais.
Tais aquisições eram meio que esperadas pelo mercado. Em setembro de 2009, Eric Schmidt, diretor geral da Google, disse que a empresa faria pelo menos uma aquisição a cada mês.
Com as compras, veio o lançamento do Google Voice Gmail que permite fazer ligações telefônicas via Gmail. Ou seja, ligações a baixo custo. Agora, a Google tem a possibilidade de levar efetivamente a tecnologia VoIP para o “mercado de massa”.
Tanto as aquisições quanto o serviço de voz no Gmail reforçam duas coisas.
- Gmail vem se tornando a plataforma para lançamento de produtos da Google. Google Buzz, Google Voice, Google Talk – todos foram lançados junto ao serviço de email da Google. Ao que tudo indica, o Gmail está se tornando a porta de entrada para outros produtos da Google, assim como as bolsas são o “produto de introdução” para diversas marcas de roupas.
- A Google é uma das empresas em voga que mais vê a internet como um todo. Explora a capacidade de a internet ser uma plataforma que possibilita múltiplos formatos de comunicação, desenvolve produtos, cujo acesso pode ser feito de qualquer dispositivo (ou seja, explora uma das principais caratcterísticas da internet – ser device agnostic). E, claro, vem comprando algo que será importante para o seu futuro e a deixará em vantagem – infraestrutura de internet.
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Crédito da foto: rwentechaney
Iniciativa bacana do La Nacion.
O jornal argentino inaugura o seu formato de entrevista em quadrinhos.
Na estreia, o entrevistado é Ricardo Darín, ator de filmes como O Filho da Noiva e O segredo de seus olhos.
Dica da Lúcia nos comentários
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“Ser um recluso digital é o novo ‘famoso da internet’”
Paul Carr em artigo no Techcrunch sobre exposição em redes sociais.
Acho que a linha de pensamento de Carr vai um pouco ao encontro de um post que escrevi há algum tempo – Eles estão cada vez mais desconectados.
Em seu livro Click, Bill Tancer, diretor de pesquisa da Hitwise, bate na tecla de que, atualmente, os sistemas de busca são um confessionário, assim como uma espécie de Nostradamus. Ou seja, os termos que pesquisamos nos sistemas de buscas dizem muito sobre nós, a respeito do nosso comportamento e personalidade, mas, dependendo da forma como são analisados, podem também ser utilizados para prever tendências.
O Yahoo!Labs lançou o protótipo de um sistema de busca de notícias que muda um pouco a lógica deste tipo de ferramenta.
Geralmente, sistemas de busca levam a data de publicação como um dos principais critérios de relevância. O TimesExplorer, ao contrário, mostra a evolução de um termo durante um período.
Na prática, quando você faz uma busca por “Brazil”, por exemplo, o sistema mostra em uma linha do tempo tudo o que já foi comentado sobre o país nos jornais (por enquanto, o TimesExplorer indexa apenas o conteúdo do NYTimes). A diferença é que ele “faz previsões” com base nas notícias. Ao passar o mouse em cima do ano de 2015, ele mostra que o Brasil poderá passar a produzir a versão genérica de um medicamento para o tratamento de AIDS.
Por enquanto, ainda é um protótipo, tem alguns bugs, a interface às vezes é meio complicada. Mas promete ser uma boa ferramenta para dar contexto a algumas notícias.
Normalmente, sistemas de busca mostram apenas o presente
O TimesExplorer pretende mostrar passado, presente e futuro de um termo pesquisado.
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A Revista Superinteressante chegou a 180 mil seguidores no Twitter e montou uma lista com 180 perfis que merecem ser seguidos.
Eu estou lá, no número 10.
No ano passado, eu fui indicado em outra lista – Veja 10 pessoas que vale a pena seguir no Twitter, feita pelo Portal Terra.
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Todo ano a revista Technology Review, do MIT, produz uma das listas mais interessantes – dos mais inovadores com menos de 35 anos.
A seleção deste ano destaca a questão da energia (pesquisadores que estão buscando fontes alternativas), nanotecnologia, além de “tecnologias para crises”.
O principal destaque de 2010, por exemplo, é o desenvolvedor David Kobia, criador do Ushahidi, plataforma de visualização de dados voltada para a utilização em momentos de crise. Durante o Terremoto no Haiti, ela foi usada para mapear as regiões mais afetadas. Voluntários podiam enviar informações sobre pessoas desaparecidas, falta de água, pontes quebradas, diretamente das ruas por meio de mensagens de celular, email, twitter.
Aqui, no Brasil, o Ushahidi é utilizado como base tecnológica do projeto Eleitor 2010, de monitoramento das eleições.
David Karp, criador do Tumblr; Avi Muchnick, da suíte online Aviary (editor de fotos, audio), e Danah Boyd, pesquisadora da Microsoft na área de redes sociais, fazem parte da lista da Technology Review.
Na seleção ainda há pessoas com projetos de pesquisa bem interessantes, como Indrani Medhi, que desenvolve interfaces de smartphones simplificadas para populações menos favorecidas, que não sabem ler.
Achei bem interessante o trabalho de Medhi. Segue o conceito de outro projeto – Design for the Other 90%, que parte da premissa de que a maioria dos designers é focada em criar produtos para apenas 10% da população mundial (a parte mais rica e favorecida). Ou seja, se esquecem dos 90%.
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