Na sexta-feira e no sábado, estive em dois eventos importantes sobre mídia no Brasil. Primeiro, na palestra de Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência, realizada no Projac, no Rio de Janeiro.
Algumas ideias que circularam na apresentação e no debate após a palestra:
* A melhor forma de minimizar os trolls é fortalecendo e dando armas para os fãs. Não existem melhores defensores do seu trabalho do que a sua base fiel. Aliás, se você não tem ou não conseguiu identificar a sua base de fãs, é melhor rever o que tem feito até agora.
* Antes, as crianças brincavam com bonecos e armas de brinquedo. Hoje elas brincam de “fazer mídia”. Por exemplo, criar mashups e redublagens, que logo são publicadas no YouTube.
* Transmídia é um conceito mais antigo do que imaginamos. A história de Cristo é transmídia, a conhecemos por meio de vitrais de igrejas, por exemplo.
* Seja ela legal ou ilegal, toda a mídia produzida por nós estará disponível em diversas plataformas.
Depois, no sábado, estive no Seminário Internacional de Jornalismo Online, organizado pelo Knight Center, que aconteceu na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.
* Não são os celulares que são móveis, mas sim as pessoas. As pessoas sempre foram móveis. Portanto, devemos fazer produtos pensando nas pessoas e não em aparelhos.
* Previsões sobre o uso do celular sempre são furadas. O uso do celular cresce bem mais rápido do que o previsto.
* Uma das vantagens do digital é a perenidade do conteúdo. Praticamente, tudo fica para sempre disponível.
* Sistemas automatizados como Google mudam os critérios de relevância da informação.
* Ainda há um culto ao improviso e ao voluntarismo nas “redações digitais”, com isso há um desgaste muito grande entre as equipes. É necessário planejamento e busca da excelência.
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“Antes da Microsoft, Steve Jobs percebeu que hardware e software precisam estar casados de tal forma que não exija muito esforço do usuário”
Scott G. McNealy, cofundador da Sun, comenta o fato da Apple ter superado a Microsoft em valor de mercado.
Outra pesquisa que repercutiu nesta semana foi a do Pew Research Center. O estudo indica que as chamadas “mídias tradicionais” e “sociais” não compartilham a mesma agenda.
Apesar de tais rótulos não fazerem muito sentido na maioria das vezes, uma das principais conclusões é que os assuntos mais debatidos e compartilhados nas “mídias sociais” são diferentes daqueles que são destacados pelas “mídias tradicionais”.
A meu ver, a essa altura do campeonato, não interessa tanto saber o quanto a agenda das duas é diferente, mas sim por qual motivo isso acontece.
Parte da resposta pode ser encontrada em um estudo anterior sobre compartilhamento de notícias. Segundo a pesquisa, na maioria das vezes, na web, a motivação para compartilhar uma notícia é para que a outra pessoa sinta a mesma emoção que você sentiu quando fez a leitura. Em suma, a preferência é repartir com os demais algo que seja inspirador.
No livro YouTube e a Revolução Digital, os autores Jean Burgess e Joshua Green já indicavam que, antes de tudo, as pessoas compartilham e publicam vídeos noticiosos no YouTube como uma forma de autoexpressão. Não é à toa que você encontra o mesmo vídeo várias vezes.
Logo, com motivações e critérios de relevância distintos, é natural que as agendas também tenham diferenças.
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Na corda bamba para ser vendida e passando por uma crise de identidade, a Newsweek inaugurou o seu novo site. Ficou com cara de blog.
Não é a primeira publicação a fazer isso, claro. Durante um bom tempo, o Clarín, da Argentina, manteve em sua home uma dinâmica de blog, com um fluxo constante de informações e a notícia mais recente sempre em destaque.
Outra novidade é o novo sistema de comentários, que roda em cima da tecnologia do Echo, ferramenta lançada no ano passado e que tem a proposta de agregar todos os comentários feitos a um artigo (seja no Twitter, no Facebook, no Friendfeed) em um único lugar.
Em artigo, Mark Miller, editor da versão digital da revista, diz que a intenção com o novo site é fornecer clareza e não um milhão de links para você clicar.
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O Guardian promoveu recentemente um hack day. É o terceiro, portanto, realizado pelo “jornal que não quer ser mais jornal“.
Como manda a tradição neste tipo de evento, diversos aplicativos/hacks foram criados em 24h. Teve aplicativo para Android, sistema operacional da Google para celulares, que funciona como guia para a prática de ciclismo, e outro que analisa as palavras utilizadas nos comentários dos artigos de economia do Guardian (a intenção é descobrir tendências)…
Dois “hacks” chamaram a minha atenção, o TV And The News, que indica programas de TV com base na notícia que você está lendo online e o Mood Ring, capaz de classificar matérias com critérios de “estado de espírito” (positivas ou negativas), o que é bem subjetivo, mas interessante.
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Saiu um estudo da Pew Internet sobre “reputação digital“.
Em resumo simples e direto, a pesquisa mostra que, cada vez mais, as pessoas procuram, em redes sociais e sistemas de busca, informações e referências, sejam profissionais ou pessoais, sobre outras pessoas. O que, por outro lado, faz com que, crescentemente, as pessoas deem importância, se preocupem mais com a sua “reputação digital”, com o tipo e a quantidade de informação pessoal que elas mesmas disponibilizam ou são disponibilizadas nestes ambientes.
Outros pontos interessantes do estudo:
1) Ao contrário de um mito recorrente, jovens adultos (entre 18 e 29 anos) se preocupam sim com privacidade, com a quantidade e o tipo de informação pessoal que compartilham online. A preocupação é até maior que em faixas etárias mais avançadas.
Para se ter uma ideia, 71% dos entrevistados entre 18 e 29 anos modificaram as configurações de privacidade de seu perfis em redes sociais para limitar o que é compartilhado com os outros. O que faz sentido, pois nesta faixa etária existe uma percepção mais apurada de que é possível ser rotulado por informações pessoais expostas nesses ambientes.
2) Dos entrevistados, 69% já procuraram em sistemas de busca informações sobre outras pessoas. Quando esse tipo de pesquisa é feita, na maioria das vezes (69%), a intenção é encontrar alguma informação de contato – email, endereço ou telefone da pessoa. Somente em último caso (17%), segundo os entrevistados, o objetivo é encontrar alguma informação de cunho mais pessoal – com quem está namorando, se é casado, solteiro etc.
3) Apenas 8% dos entrevistados já pediram a retirada de um conteúdo pessoal publicado online por outra pessoa. Porém, desses 8%, 82% conseguiram a retirada do conteúdo do ar.
Dá para baixar o estudo completo aqui (em pdf)
Veja também: Histórias escondidas nas buscas
Crédito da foto: chilcy
Se você gosta da seção Frase da semana deste blog, vai se interessar pelo Startup Quote!, que reúne somente aquelas “frases de efeito” ditas por gurus, diretores de startups e de grandes empresas de tecnologia.
Se você clicar em random, uma frase aleatória é exibida, estilo “biscoito da sorte”.
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Veja também: Comentário é conteúdo?
Já vi essa história. O Facebook coloca os seus usuários em segundo plano e o seu objetivo de monetizar o grafo social na frente de tudo, muda a política de privacidade da rede social da noite para o dia. A chiadeira é geral. E depois Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, volta atrás e reconhece o erro.
A diferença é que desta vez a mudança na política de privacidade foi parar na capa da revista TIME e Zuckerberg não publicou o seu reconhecimento público que errou num blog da empresa, mas no Washington Post, um dos jornais mais influentes, cujo presidente faz parte do conselho de diretores do Facebook.
Tirando parte da imprensa supostamente antenada que ainda está deslumbrada com o Facebook, em geral, a reação foi de que a resposta de Zuckerberg às recentes críticas sobre privacidade foi fraca. O problema não é a última mudança, mas as constantes alterações na política de privacidade feitas da noite para o dia, sem o consentimento dos usuários, e as brechas de segurança na rede social que deixam vazar informações pessoais.
O artigo do Washington Post não difere da linha de pensamento de respostas a entrevistas e de outros textos escritos pelo cofundador do Facebook. Zuckerberg bate muito na questão de compartilhar conteúdo. O que, de um certo ponto de vista, é um bom discurso, mas, na prática, diz muito pouco.
As pessoas não estão no Facebook por que podem compartilhar conteúdo, mas sim pelo motivo de poderem se conectar a outras pessoas. Compartilhar conteúdo é apenas uma extensão desse motivo. De nada adianta postar um vídeo no Facebook se não há outras pessoas para assistir. Sem as pessoas conectadas, compartilhar conteúdo no Facebook não tem valor.
Ainda nessa linha de pensamento, Zuckerberg acerta ao afirmar que cada vez mais os dados sobre nossas vidas estarão inteiramente online, nas “nuvens“, principalmente depois que a internet efetivamente se tornar “a plataforma das plataformas”, servindo para assistir TV, ouvir rádio, fazer ligações e compras, armazenar registros médicos etc. Mas erra ao dar entender que isso significa o fim da importância da privacidade.
Concordo com Sharon Machlis, editora online da Computerworld, talvez o Facebook mude essa atitude somente quando surgir um concorrente de peso, o que não é impossível de acontecer. Se há algo que o mercado de plataformas de redes sociais tem nos mostrado nos últimos anos, é o fato de ser volátil.
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Crédito da foto: Mager
M.A.S.H continua sendo a série de TV que, em seu capítulo final (exibido em 1983), teve mais audiência em todos os tempos – 105 milhões de espectadores.
O capítulo final de Lost rendeu 20.5 milhões de espectadores, segundo estimativas da emissora de TV ABC; 13 milhões, segundo o instituto Nielsen. Foram mais de 45 minutos de comerciais, de anunciantes que pagaram US$ 900 mil por 30 segundos, porém esse valor não tornou o capítulo final de Lost o mais lucrativo da história da TV.
É lógico que, ao olhar esses números, deve se levar em conta que, hoje em dia, vivemos em um outro mundo, a audiência está bem mais segmentada em diversas plataformas.
Várias lições podem ser tiradas de Lost. Foi uma das primeiras séries que realmente mostrou que um outro modelo de distribuição, menos restritivo, era possível. Capítulos completos e não apenas trechos eram disponibilizados no site da ABC, inclusive via streaming, e o iTunes, com o seu sistema de micropagamento, serviu de plataforma para distribuição da série.
Lost terminou na TV, mas continuará em diversas plataformas – DVDs, sites de p2p e milhares de blogs e comunidades online, que continuarão a discutir e a rever cada detalhe da série que ficou 6 temporadas no ar. É bem provável que a ABC ainda explore resquícios da série.
Atualização em 26/05 - O TorrentFreak divulgou números sobre downloads por torrent do final de Lost. Em menos de 24 horas, foi registrado quase 1 milhão de downloads. Até o final de semana, a expectativa é chegar a 5 milhões de downloads. Um recorde para Lost. Um capítulo da série tem 1,5 milhão downloads, em média, na primeira semana. A maioria dos downloads é feita por usuários fora dos EUA.
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