Tradutor para a avalanche de dados

Vale registrar que os vídeos do primeiro TEDxSP estão disponíveis.

Uma das minhas apresentações preferidas é a da Fernanda Viégas, pesquisadora brasileira da IBM que criou a ferramenta de visualização de dados Many Eyes, utilizada pelo NYTimes e, mais recentemente, pelo Estadão para criar alguns de seus infográficos.

Veja também: O que mais gostei no TEDxSP

Publicado por Tiago Dória, em 10 de março de 2010 (Quarta-feira).
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Recado da Google aos jornais

“Experimente, experimente, experimente”

Esse foi recado que Hal Varian, economista chefe da Google, deu aos jornais em post publicado nesta terça-feira em um dos blogs da empresa de busca.  Além de executivo da Google, Varian é autor de diversos livros, como o clássico Economia da Informação,  de 1999, que, diga-se de passagem, serviu de base para a criação da estratégia de empresas ligadas à web.

Alguns pontos do artigo:

- É um dos textos mais duros escritos por um executivo da Google. Diferente de Eric Schmidt, diretor geral da Google, Varian admite que a publicidade online não consegue gerar tanta receita para as publicações. Por meio de diversos números, ele fornece um cenário bem pessimista.
- O “baixo custo” da internet pode ser uma vantagem. Segundo ele, 50% do gasto de um jornal impresso é com distribuição e impressão.
- Varian acredita que é possível cobrar por conteúdo, mas somente publicações que tenham “conteúdo diferenciado”. Ou seja, uma minoria.
- Kindle, iPad e outros leitores podem representar uma esperança para a indústria, no sentido de que podem fornecer uma experiência mais “rica” de leitura.

Discordo de Varian em um ponto, acredito que essa questão de cobrar por conteúdo está ligada cada vez mais ao tipo de usuário do que ao tipo de conteúdo.

Veja também: Importância da publicidade separa Google e Murdoch

Crédito da foto: Rodho

Publicado por Tiago Dória, em 9 de março de 2010 (Terça-feira).
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Pearltrees ajuda a ‘organizar’ visualmente a web

Pearltrees é um site de visualização de dados.

Na prática, funciona como um diretório de links onde você deposita tudo o que encontrou de interessante na web durante a navegação. Igual a um favoritos online. A diferença é que eles podem ser organizados visualmente em forma de mapas mentais, com ramificações e hubs.

Pode parecer que não, mas isso faz uma diferença tremenda. Você consegue visualizar melhor as conexões de diversos assuntos e interesses.

Você pode criar hubs sobre um assunto (ou criar árvores, segundo a metáfora do Pearltrees).

Uma “árvore de interesses” sobre o terremoto no Chile, por exemplo, foi criada pelos usuários.

Cada círculo (pérola) no mapa representa um favorito. Caso uma pessoa tenha a mesma pérola que você, ou seja, o mesmo interesse, o Pearltrees conecta você a ela.

Enfim, ao que tudo indica, a ferramenta promete ser bem útil para quem está fazendo uma pesquisa e quer organizar diversos links de referência. Num dispositivo de tela sensível ao toque de mão, também parece gerar uma experiência interessante de visualizar páginas.

O Pearltrees surgiu da cabeça do francês Patrice Lamothe, a partir da ideia de que todos nós podemos “editar” a web da forma que acharmos melhor.

Veja também: Site cria infográficos a partir de dados pessoais

Publicado por Tiago Dória, em 8 de março de 2010 (Segunda-feira).
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Estamos “cadastrados” em redes sociais desde pequenos

É engraçado, sempre que saímos de eventos sobre web, ficamos com a impressão de que fazer parte de uma rede social é uma condição nova para o homem. Agora a vida é em rede. Estamos conectados. Mais um aspecto “revolucionário” que veio com a internet.

No entanto, as coisas não são bem assim para os pesquisadores norte-americanos Nicholas A Christakis e James H. Fowler. Os dois juntaram tempo e  forças para provar por A mais B que o ser humano sempre esteve em rede. Aliás, a coisa é mais profunda, não existem pessoas sem redes sociais. O homem nunca foi uma ilha. Estar em rede é humano.

Parece ser meio óbvio mas, numa época em que em cada esquina surge um “especialista em redes sociais”, é algo que se destaca em meio a tantos registros. O Poder das Conexões (336 páginas) é o primeiro livro de Christakis e Fowler, em que juntam essas e outras provocações.

Os dois provam que você não precisa se focar em Orkut e Facebook para falar de redes sociais. Partindo da premissa de que as redes sociais não se resumem a plataformas online – o local de trabalho poder ser  uma rede social, sua família é uma rede social (em escala menor, mas com laços fortes) -, os dois pesquisadores atacam em diversas frentes em seu livro.

Primeira, se estar em rede é uma condição ‘sine qua non’, nossas responsabilidades aumentam. Citando a Regra dos Três Graus, Christakis e Fowler provam que o que fazemos aqui pode repercutir em uma pessoa que está até a 3 graus de separação da gente.

Temos uma capacidade de influência que muitas vezes não percebemos. Se o amigo do seu amigo parou de fumar, pode ser que isso influencie você a também parar. Por outro lado, se estamos deprimidos podemos passar essa condição para a amiga de um amigo, mesma que ela seja desconhecida para você. Igual a um vírus, transmitimos sem perceber.

Segunda, as redes às quais estamos ligados nos moldam. Tudo é influenciado pela redes de que fazemos parte. Desde escolhas políticas até com quem gostaríamos de fazer sexo.

Em uma época de ferramentas digitais, gostamos de acreditar que estamos no leme das nossas vidas, somos independentes e fazemos escolhas individuais. Puro romantismo. Navegamos cada vez mais em ondas e influenciados pelas redes sociais às quais nos conectamos.

Às vezes não é fácil perceber isso, mas como empregados em empresas, avaliamos o nosso desempenho não tanto pelo dinheiro que ganhamos ou pelo que consumimos, mas pelo quanto ganhamos e consumimos em relação às outras pessoas que conhecemos.

Num experimento citado no livro, foi perguntado quem preferia trabalhar numa empresa em que o seu salário fosse $33 mil e o de seus colegas $30 mil ou em outra, em que os ganhos fossem de $35 mil e os de seus colegas $38 mil. O pessoal escolheu a primeira, mesmo sabendo que ganhariam mais na segunda empresa. O motivo da decisão é simples – nos importamos mais com a nossa posição relativa do que absoluta no mundo.

Por isso que, inconscientemente, muitas pessoas preferem ser um peixe grande num pequeno lago. Ou seja, trabalhar numa pequena empresa, mas comparativamente ganhar mais que os seus colegas de trabalho. Uma vez mais, a rede molda nossos parâmetros de “sucesso”.

E o que dizer dos relacionamentos numa sociedade que sempre esteve em rede? Para tristeza das solteiras e dos solteiros, segundo Christakis e Fowler, o ser humano não nasceu para viver sozinho. Pessoas casadas vivem até sete anos a mais. Têm mais laços sociais (os dois unem seus “mundos sociais”), as emoções são compartilhadas.

As redes servem de combustível para o romantismo. Mas, por outro lado, podem ser decepcionantes para quem acredita em amor à primeira vista.

Se encontramos ou gostamos de alguém existe algum motivo. Algo ou alguém ligado às nossas redes – família, trabalho, academia – nos influenciou sem a gente perceber. Desconhecidos podem ter influência. Em estudo feito somente com mulheres, provou-se o quanto as outras influem na escolha de seus parceiros. Foram distribuídas fotos, e homens que estavam ao lado de namoradas atraentes nas imagens eram mais bem avaliados do que homens que apareciam sozinhos. Na sociedade em rede, é importante ter o aval de outra pessoa em um relacionamento.

Para não passar em branco, Christakis e Fowler dedicam um capítulo às plataformas de redes sociais – Facebook, MySpace – , mas abordam um ponto de vista diferente. Segundo os dois pesquisadores, nossos emails têm informações bem mais valiosas sobre as nossas interações sociais do que os chamados sites de redes sociais. Caixas de entrada e saída de emails indicam quem está mais em contato com alguém, quando e com qual frequência.

Em outras palavras, o Gmail diz bem mais sobre a gente do que o Facebook. O primeiro tem dados valiosos, inseridos de forma passiva todo dia pela gente e que podem ser utilizados para formar redes. Será que não foi isso que, de forma atrapalhada, o Google tentou fazer com o Google Buzz? Uma rede social a partir de nossos emails? Ou será que vem daí o interesse do Facebook em lançar um serviço de email junto à rede social?

O Poder das Conexões parece um “redes sociais for dummies” na medida em que traz todas as principais teorias ligadas à economia de rede. Seis graus de separação, número de Dunbar, Feedback positivo, Regras dos Três Graus. Todas elas estão lá acompanhadas de exemplos.

Em certos momentos, o livro utiliza uma fórmula parecida ao do Freakonomics, ao mostrar diversas curiosidades inesperadas reveladas em pesquisas, como a de que a obesidade é contagiosa. Se existe alguém obeso em nossa rede, podemos ficar também. Ou ainda de que o ser humano anda em rede por uma questão de sobrevivência. Num campo aberto, você está mais seguro sozinho ou em rede com várias pessoas atentas a qualquer movimento?

Ao mesmo tempo que podem minimizar o nosso poder individual, a ideia de livre-arbítrio, (quanto mais fortes os laços, mais as nossas ações são influenciadas pela rede), as redes sociais nos dão poder ao permitir exercemos a nossa influência sobre os outros.  E o detalhe é que sempre tivemos essa capacidade de influenciar, sem precisar ser nenhuma celebridade da TV, do Twitter, do Chatroulette ou de qualquer coisa que venha pela frente.

Veja também: Por uma internet em tempo giusto

Crédito das fotos: Gaspi e Geyer

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Frase da semana

“Um dia passaremos o Google”

Steve Ballmer, diretor geral da Microsoft. Segundo ele, com o lançamento do Bing e comparado com 3 anos atrás, atualmente o mercado de busca está bem mais competitivo e inovador.

Publicado por Tiago Dória, em 6 de março de 2010 (sábado).
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Jon Stewart no Chatroulette

Faltava a opinião dele sobre o site. Segue logo abaixo.

Veja também: Chatroulette nos tira da zona de conforto

Publicado por Tiago Dória, em 5 de março de 2010 (sexta-feira).
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Ciberativismo de butique

Apesar de toda a expectativa criada em torno deles, os chamados nativos digitais são os mais superficiais quando o assunto é ativismo online. É o que mostra a última edição da Economist.

A matéria baseia-se numa pesquisa recente da Pew Internet que revela que a maioria dos jovens entre 18 e 24 anos realiza um tipo de “ativismo online superficial”, apoiado mais em atitudes que não vão além de se cadastrar em comunidades ligadas a grandes causas.

Segundo o estudo, os jovens são os menos suscetíveis a fazer doações políticas online, por exemplo. Ao se cadastrar em uma comunidade ligada a uma causa no Facebook, existe um desejo maior de exibir seu ativismo aos amigos (mais como uma forma de construção de identidade) do que realmente se engajar de forma prática.

Não é a primeira vez que o “ativismo online” das novas gerações é criticado. Em sua coluna na Foreign Policy, o pesquisador Evgeny Morozov, especialista na relação entre política e internet, gosta de provocar ao afirmar que não é se cadastrando em comunidades online a favor da liberdade no Irã e na China que a democracia vai surgir de forma mágica nesses países.

Por enquanto, é muito barulho para pouco resultado. Será?

Veja também: Eles estão cada vez mais desconectados

Publicado por Tiago Dória, em .
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Livros se tornariam aplicativos e não ebooks

Livros se tornariam aplicativos (app) e não seguiriam o formato tradicional de ebooks. Essa visão sobre o “futuro dos livros” foi apresentada por John Makinson, diretor geral da Penguin Books, durante evento em Londres e que foi devidamente registrado pelo site PaidContent.

Uma demonstração de como seria um “livro-aplicativo” no iPad vem abaixo.

Áudio, vídeo, fotos em qualidade melhor e hiperlinks seriam inseridos nos livros.

Sobre a possibilidade da Apple ficar com 30% do valor das vendas, Makinson não demonstrou muita preocupação, pois acredita no potencial das pessoas pagarem pelos “livros-aplicativos” (uma coisa é diferente da outra, mas jornais europeus estão conseguindo boas vendas em seus aplicativos pagos para o iPhone).

Por essas e outras demonstrações, fica mais evidente que devemos ver o iPad não como um “tradicional computador”, com multitasking e diversas outras funções e acessórios, mas um dispositivo de tela sensível ao toque de mão, que pode aceitar vários tipos de conteúdos.

Veja também: iPad no Grammy, nas HQs e no jogo de tabuleiro

Publicado por Tiago Dória, em 4 de março de 2010 (Quinta-feira).
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BlogMuse quer resolver o bloqueio na hora de escrever

“Dar um branco” na hora de escrever é um problema que acontece não somente com autores de blogs, mas com qualquer pessoa que gosta de escrever periodicamente textos.

Para resolver esse problema de “bloqueio” e incentivar a publicação de posts, lembro que, durante um tempo, o serviço de blogs Vox sugeria diariamente aos seus usuários um tema em forma de pergunta. Do tipo: Quais foram os países que você visitou e mais gostou? Como seriam as suas férias perfeitas? Quais músicas você tem ouvido ultimamente?

Recentemente, pesquisadores da IBM apresentaram o protótipo do BlogMuse, aplicativo que coleta sugestões de milhares de leitores de blogs sobre o que eles gostariam de ler em diversos sites. Informações que, depois, são repassadas aos autores de blogs. A partir desses dados, o aplicativo também gera aleatoriamente sugestões de assuntos para posts.

O detalhe dessa história é que o BlogMuse surgiu a partir de uma necessidade interna. A IBM, uma das primeiras empresas a incentivar os seus funcionários a ter blogs, vinha sofrendo do problema de “bloqueio para escrever”.

Apenas 3% dos funcionários atualizavam seus blogs com certa periodicidade. Um dos principais motivos para a escassez de atualização era a “falta de ideias”.

Durante testes internos na IBM, o sistema foi bem aceito. A quantidade e não somente a qualidade dos textos melhorou. O número de comentários nos textos também subiu.

Nem preciso dizer que, a partir do que foi apresentado, o BlogMuse poderia ser utilizado em outros tipos de publicações, não somente blogs, pois, pelo visto, o sistema não somente tenta resolver o problema de “bloqueio para escrever”, indiretamente sincroniza melhor os desejos da audiência com as publicações.

Um paper sobre o BlogMuse pode ser baixado aqui.

Veja também: Cai a porcentagem de blogs que utilizam Adsense

Crédito da imagem: Kristina B

Publicado por Tiago Dória, em 3 de março de 2010 (Quarta-feira).
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