Que tipo de notícia as pessoas compartilham por email?

A respeito de “comportamento digital”, o NYTimes repercutiu um estudo que foi feito pela Universidade da Pensilvânia. Durante 6 meses, os pesquisadores analisaram a lista de notícias mais enviadas por email do jornal (email = aplicação de internet mais utilizada até hoje, apesar do crescimento de microblogs e redes sociais).

A principal conclusão é que artigos com tom positivo, inspirador e longos são mais compartilhados que negativos ou curtos. Outro dado interessante é que apenas 20% do que fica em destaque na home do NYTimes é compartilhado por email (nem sempre o que é polêmico e está em destaque é o que as pessoas gostam de compartilhar via email).

Entrelinhas, dá para perceber que a motivação para compartilhar uma notícia por email é para que a outra pessoa sinta a mesma emoção que você sentiu quando fez a leitura.

Seja algo inspirador. Será que no Twitter é parecido?

A pesquisa tem algumas lacunas. Não leva em conta que certos leitores podem estar enviando o link da notícia para o email deles mesmos, como lembrete para ler depois (antes de utilizar a extensão Read it Later, eu fazia isto). E ainda utilizou somente como referência as pessoas que utilizam o botão de compartilhar por email no NYTimes (e não o método manual de copiar e colar no corpo do email a url da notícia, atitude que acredito seja mais comum).

O estudo completo pode ser visto aqui (em formato pdf).

Veja também:
Twitter é grande redirecionador de tráfego para os blogs

Crédito da foto: Biscotte

Publicado por Tiago Dória, em 9 de fevereiro de 2010 (Terça-feira).
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O que a Barbie tem a ver com tecnologia

No mundo, uma nova boneca Barbie é vendida aproximadamente a cada 3 segundos. Por si só essa frase justificaria a leitura de Barbie e Ruth (288 páginas), livro sobre a história de Ruth Handler, mulher que criou a boneca Barbie e a empresa de brinquedos Mattel.

Mas o que me motivou a ler o livro, o primeiro de 2010 da seção de livros do blog, foi o fato dele ser escrito por Robin Gerber. Advogada e professora de gestão na Universidade de Maryland, Gerber tem um dos melhores textos que conheço para biografias.

Ela também é autora de Katharine Graham: The Leadership Journey of an American Icon, livro sobre outra mulher que se destacou no mundo empresarial, Katharine Graham, que foi proprietária do jornal Washington Post.

Ao ler Barbie e Ruth, a impressão é de estar assistindo a um programa de TV sobre grandes personalidades. Gerber é cuidadosa nas aberturas e nos fechamentos dos capítulos.

Segura a leitura.

Porém, nem precisava desse motivo para ler o livro. Barbie é um dos mais fascinantes produtos de massa e versa também sobre apropriação de tecnologias por parte de empresas (não são somente pessoas que dão a tecnologias novos usos que nem seus inventores imaginavam).

No caso, a Barbie foi um dos primeiros brinquedos a utilizar a tecnologia de PVC. Nos anos 40 e 50, ninguém imaginava utilizar PVC e o seu processo de moldagem para um uso comercial mais amplo. Na época, o material era utilizado para fazer bolas de golfe e saltos de sapato.

PVC era visto como uma mistura de borracha e metal, e trazer essa tecnologia para o mundo dos brinquedos foi revolucionário na época.

Para criar a boneca de aparência incomum (na época, as bonecas tinham aparência de bebê), com detalhes como unhas e sobrancelhas, era necessário usar um tipo de material especial. E o PVC se mostrou o ideal. Mas até chegar a essa conclusão foram mais de 3 anos de experimentos com moldagens e outros processos de produção.

Houve ainda o processo de produção e costura das roupas da Barbie, que eram minúsculas. A Mattel foi obrigada a “abrir” o seu projeto e buscar a tecnologia para manufatura das roupas no Japão, que, mesmo assim, precisou ser aperfeiçoada.

Enfim, a Barbie é resultado de um longo período de amadurecimento e experimentação de tecnologias.

Do ponto de vista de gestão, por meio da Barbie, a Mattel foi uma das primeiras empresas de brinquedos a perceber o quanto é possível tirar vantagens do pós-venda. A principal fonte de receita da Mattel com a Barbie não vem da venda da boneca em si, mas de licenciamento e principalmente das milhares de coleções de roupas e apetrechos que são vendidos depois.

Do ponto de vista de comunicação, foi a primeira voltada para área infantil a ter uma estratégia de marketing focada em TV, mídia que, nos anos 50, estava apenas começando nos EUA, mas que Ruth Handler acreditou que tinha potencial.

O pioneirismo valeu a pena. Com pequenas inserções em programas infantis da ABC, as vendas da boneca triplicaram, o que fez a empresa perder o controle de sua demanda.

Além disso, com a Barbie, a Mattel foi a primeira empresa de brinquedos a focar a sua mensagem publicitária nas crianças, os verdadeiros tomadores de decisão na hora de comprar um produto, e não nos pais que, na época, acreditava-se que “controlavam” o dinheiro.

Em questão de tempo, a Barbie se tornou um “vício”, conforme foi rotulado pelo NYTimes. Mas também alvo de setores mais conservadores, que não aguentavam ver as suas crianças brincando com uma boneca que era tão sexy e elegante.

Em relação às críticas, de criar um esteriótipo de mulher, Ruth geralmente respondia que a Barbie não era o fim do mundo, tinha um caráter até que educacional. Muitas mulheres aprenderam suas primeiras noções de moda, combinação de cores e texturas em roupas e penteados por meio da Barbie, explicou anos depois.

Barbie e Ruth é um livro um pouco decepcionante na medida em que não consegue explicar por que a Barbie se tornou um ícone mundial e é pobre em pesquisa de material fotográfico. Há apenas uma foto em todo livro.

É, antes de tudo, sobre bastidores.

A história de Ruth, “mãe da Barbie”, começa ainda nos anos 20, filha de imigrantes judeus poloneses, que desde pequena mantinha um espírito competitivo e de independência, que serviu de combustível para fundar, ao lado de seu marido, a Mattel em 1945.

A da Barbie começa nos anos 50, quando em uma viagem à Alemanha, Ruth conhece e compra uma boneca chamada Bild Lilli, que serviu de inspiração para fazer um brinquedo quase idêntico, mas com aparência mais adulta e versátil  – “da forma como as meninas queriam ser quando crescerem”.

Uma boneca que poderia ser ao mesmo tempo atleta, estudante, piloto da Força Aérea e candidata à presidência. O que sempre fez parte da estratégia, a Barbie ser várias coisas ao mesmo tempo. “Nós, garotas, podemos fazer qualquer coisa”, dizia o slogan de campanha da boneca no começo dos anos 80.

O nome Barbie veio da filha de Ruth, Barbara Handler, e Ken, o namorado da Barbie, lançado pouco depois, de seu filho, Ken Handler (Ruth tinha mania de colocar o nome de seus familares nos produtos que a Mattel lançava).

Em sua característica de escancarar os bastidores, Barbie e Ruth começa na fundação da empresa, passeia pela luta de Ruth contra o câncer, pela fase em que a Mattel entrou em crise, nos anos 70; Ruth foi afastada da empresa e acusada de falsificar documentos contábeis, o que lhe rendeu uma condenação e a obrigação de prestar serviços comunitários (nessa parte, o livro assume um ritmo de trailer policial).

O livro chega até a morte da empresária, devido ao câncer de mama em 2002. Antes, para em 1994, no golpe mais duro na vida de Ruth, a morte de seu filho Ken, que faleceu devido a complicações decorrentes da AIDS. Ken era homossexual, o que ele veio a admitir somente meses antes de sua morte.

Por ironia do destino, antes de assumir sua opção sexual, Ken, o boneco, já era associado à homossexualidade por parte da comunidade gay nos EUA.

Por todos esses detalhes, a vida de Ruth e a sua principal criação, a Barbie, dariam um filme. Houve uma tentativa nos anos 80, mas a ideia naufragou.

Com ou sem filme, o livro de Berger nos desperta para o detalhe de que, por trás de todo objeto que faz parte de nosso dia-a-dia, existe toda uma história, não somente de criação, mas de pesquisa, amadurecimento e apropriação de tecnologia e ideias que a gente nem imagina.

Veja também:
Caminho para a imortalidade digital

Crédito das fotos:  Aloha, divulgação e Loren Javier

Publicado por Tiago Dória, em 8 de fevereiro de 2010 (Segunda-feira).
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Frase da semana

“Para viciados em informação, o Twitter é crack”

Escritor George Packer em artigo publicado na revista New Yorker.

Segundo ele, o serviço de microblogging é tão viciante quanto crack.

Publicado por Tiago Dória, em 6 de fevereiro de 2010 (sábado).
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O mundo visto por meio do Twitter e do Facebook

Redes sociais facilitam o contato de jornalistas com fontes, mas, por outro lado, são um ambiente propício para a propagação de boatos e falsas informações, o que ajuda a destacar o papel de “curadoria” que a mídia tradicional realiza.

Essas são, em resumo, as primeiras conclusões que se dá para tirar do relato do jornalista Janic Tremblay e respeito de um experimento que ele participou recentemente.

Durante 5 dias, Tremblay e outros 4 jornalistas viram o mundo por meio do Twitter e do Facebook. Os cinco ficaram hospedados, isolados, em uma fazenda no sul da França, apenas utilizando os dois sites como fonte de informação.

O objetivo era testar a veracidade e o valor das notícias trafegadas nas redes sociais.

O experimento chegou ao fim nesta semana e Tremblay deu uma entrevista para a BBC Radio com as suas impressões preliminares.

As conclusões vão bem ao encontro do que escuto quando converso com jornalistas profissionais.  Redes sociais e de microblogs são uma faca de dois gumes para o jornalismo. Ao mesmo tempo que facilitam o trabalho dos jornalistas (no contato com fontes e informação em primeiro mão, por exemplo), tornam o ofício mais trabalhoso para os jornalistas.

O jornalista que retira informações ou participa dessas redes sociais precisa ter um senso de apuração muito bom para não propagar falsas informações ou cair, por exemplo, em pegadinha de perfil “falso” no Twitter e, no final das contas, acabar entrevistando uma fonte falsa.

Por outro lado, essa conclusões preliminares mostram um dilema com qual a mídia (jornais, tvs e blogs profissionais) tem que lidar hoje em dia, que é manter os seus critérios de apuração e publicação e, ao mesmo tempo, competir com o ciclo de velocidade com que as informações são publicadas no Twitter e no Facebook. Informações frescas ou bem apuradas?

Veja também:
Jornal bonito e provocador

Crédito da foto: Jason Roger

Publicado por Tiago Dória, em 5 de fevereiro de 2010 (sexta-feira).
Categoria: jornalismo. Tags: , , , , , ,

Transmídia pode ser aplicada ao jornalismo

Nesta sexta-feira, aconteceu no Projac, na Rede Globo, uma palestra com Jeff Gomez, um dos pesquisadores pioneiros de transmídia.

Transmídia é um modelo de narrativa em que várias plataformas são utilizadas ao mesmo tempo para contar uma história.

No entanto, as plataformas são utilizadas de “forma inteligente“, sincronizadas, sem cair na redundância de conteúdo e com alto índice de participação das pessoas.

Avatar, Lost e Harry Porter são alguns dos produtos feitos em cima desse conceito.

Participei da palestra de forma online e uma das dúvidas que sempre tive (e que acredito seja de outros profissionais que leem este blog) era se o modelo de narrativa transmídia poderia ser aplicado ao campo do jornalismo. Jeff respondeu à minha pergunta e disse que sim, é possível.

“Sim, recentemente fui consultado pela Turner e muito do que disse foi especialmente para a CNN, com o tema jornalismo. A essência é a habilidade de converter histórias, de um jeito que fará você esperar o comercial para ver o que acontece e até tomar ações.

Mas acho que a principal coisa que pode ajudar é permitir um diálogo mais estreito entre o espectador e o jornalista, e a empresa de comunicação. Quando há diálogo, é mais fácil fazer mudanças”.

Veja também:
Contra os sites “burros” de notícias

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: jornalismo. Tags: , , , , , , , , , , ,

Semelhante ao Google, o Guardian tem um “Zeitgeist”

Google Zeitgeist é aquela lista de termos mais buscados que a empresa de busca divulga todo final de ano. Muito longe de ser uma simples lista de final de ano, o Google Zeitgeist serve de parâmetro para saber tendências – quais assuntos foram mais comentados no ano, estão começando a gerar interesse ou começaram a ser esquecidos.

John Battelle, autor do livro A Busca, um dos primeiros sobre a Google, chama a lista de “Base de Dados de Intenções”. Lá estão evidentes desejos, necessidades, vontades e preferências que podem ser descobertas, citadas, arquivadas, seguidas e exploradas.

A novidade é que o site do jornal britânico Guardian lançou um “zeitgeist”, o Guardian Zeitgeist. Não de termos mais buscados, mas de notícias que mais chamam a atenção – recebem links de outros sites, são compartilhadas em redes sociais, tem mais comentários e tempo de leitura.

Tipo de ferramenta que será bem útil internamente para os editores, para se guiar/pautar pelos assuntos. Servir de termômetro. Ser mais preciso na escolha de pautas. É diferente do ranking de “notícias mais lidas”, que muitas vezes leva em conta apenas a quantidade de cliques.

Porém, como quase tudo que parece genial, a ideia não é nova. O site Newsmap já faz isso há um tempo e com uma quantidade bem maior de fontes, não apenas o conteúdo do Guardian.

O tamanho da fonte indica o quanto o assunto está chamando a atenção e sendo comentado na web e, da mesma forma que a ferramenta do Guardian, as cores indicam a editoria da notícia. Inclusive, o Newsmap conta com uma versão somente com o noticiário brasileiro.

É o “Zeitgeist dos sites brasileiros de notícias”.

Veja também:
Comentários para quem precisa de comentários

Publicado por Tiago Dória, em 4 de fevereiro de 2010 (Quinta-feira).
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Tecnologia é o setor com mais credibilidade no Brasil

O setor de tecnologia (83%), em primeiro lugar, seguido por biotecnologia (74%) e entretenimento (71%), é o que tem mais credibilidade entre os brasileiros. Em âmbito geral, o setor privado (empresas) é o que tem mais confiança da população no Brasil, com 62%.

Governo é o que tem pior desempenho, fica em 4º lugar, com apenas 39% no ranking de credibilidade. ONGs ficam em 2º lugar com 57%, seguidas do setor de Mídia com 54%.

Os números são da 11ª edição do Estudo de Confiança da Edelman, realizado todo ano em 22 países, inclusive Brasil. O estudo foi feito com pessoas de 25 a 64 anos e com formação superior.

No Brasil, entre os motivos que contribuem para a reputação positiva de uma empresa estão – qualidade dos produtos e serviços (75%), práticas honestas e transparentes (72%) e tratamento positivo de seus funcionários (67%).

E, entre as razões do setor de tecnologia ter um índice de credibilidade tão alto, está o fato das empresas dessa área terem uma visibilidade muito grande atualmente (vide Google e Microsoft), além de fazerem produtos que estão melhorando e reduzindo custos no dia-a-dia das pessoas.

É o segundo ano em que o setor de tecnologia fica à frente da pesquisa.

O estudo completo pode ser visto aqui.

Veja também:
Por que a internet é importante para as pessoas idosas?

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: pesquisa. Tags: , , , , , , , ,

Futuro com realidade muito aumentada

Mais um vídeo futurista. Futuro com realidade aumentada. Produzido por Keiichi Matsuda, estudante de Mestrado em Arquitetura na Bartlett School, em Londres.

Notei uma certa crítica no vídeo – quanto ao possível excesso de publicidade caso muitas empresas decidam utilizar a tecnologia de realidade aumentada no ambiente doméstico.

Segue abaixo.

Veja também:
O futuro da “realidade aumentada”, segundo a Nokia

Publicado por Tiago Dória, em 3 de fevereiro de 2010 (Quarta-feira).
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Qual é a plataforma de games que mais cresce? iPhone

Está aí algo que a gente comentou lá na Campus Party.

O que também pode gerar um potencial uso para o iPad – games.

1) Sucessos como The Sims 3 e GTA são vendidos a US$ 30 e 40. Na iTunes, na versão para iPhone, esses jogos custam de US$ 7 a 10.

2) O jogo mais vendido para iPhone é Pocket God (Deus no Bolso), no qual você deve controlar uma ilha. Custa US$ 1.

3) A velocidade de processamento da última versão do iPhone, o 3GS, abriu espaço para o desenvolvimento de jogos mais complexos para o gadget.

4) Executivos de desenvolvedoras de jogos, como Sega e Eletronic Arts, estão empolgados com a potencialidade de games no iPhone.

5) Devido à questão de GPS e por deixar pessoas em rede, social games caem bem no iPhone.

São tópicos de uma matéria do NYTimes sobre o crescimento dos jogos no iPhone.

Veja também:
Concurso de newsgames

Crédito da foto: Steve Kay

Publicado por Tiago Dória, em .
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