“Saiam. Nós não nos importamos”
Jess Wu, da The Chinese Founders Fund, que representa parte dos empreendedores chineses, em resposta à ameaça da Google de encerrar as suas atividades na China.
Nesta semana, a empresa de busca revelou que sofreu ataques de crackers que tentaram acessar contas do Gmail utilizadas por defensores dos Direitos Humanos na China. Apesar da Google não acusar diretamente o governo chinês, o ataque foi visto como algo político.
Segundo o jornal Washington Post, tudo, na verdade, não passaria de espionagem industrial.
Os primeiros relatos partirem de pessoas comuns (cidadãos-jornalistas), a internet ser a única estrutura de informação e dispositivos móveis serem os principais meios para pedir ajuda e se informar já não são mais novidade em tragédias.
O que o terremoto no Haiti demonstrou é que a postura da mídia mudou em relação à chamada “cobertura cidadã” (relatos e conteúdo produzidos por cidadãos).
Logo quando eu soube da tragédia, a associação que fiz foi com o Tsunami em 2004, na Ásia. Situações parecidas. Tragédias de grandes proporções. Regiões sem estrutura de internet, logo a cobertura mobile adquiriu importância maior ainda. Poucos jornalistas no local, portanto primeiros relatos partindo de cidadãos, web via satélite como principal tecnologia de informação.
Na época do Tsunami, este blog tinha quase dois anos de existência. Fiz um liveblogging da tragédia. Para mim, foi uma das experiências mais marcantes com internet. Pessoas enviavam links, trocavam informações pelos comentários, meio de improviso criou-se uma rede internacional de blogs que divulgavam informações e eu estava inserido nela. Era um dos poucos blogs em português.
Em relação à logística como as informações circularam, tudo o que ocorreu no Haiti aconteceu na época. A web reunindo os primeiros relatos e sendo o principal meio de informação, dispositivos móveis via web satélite sendo usados, empresas de tecnologia se reunindo para ajudar as vítimas (na época, a Amazon arrecadou US$ 3 milhões por meio de seu site).
Além das ferramentas (na época blogs em destaque. Hoje, Twitter), a diferença mesmo foi a postura da mídia, que, naquele momento, ficou muito reticente em utilizar os relatos que chegavam via internet, o material que a chamada “cobertura cidadã” produzia.
Na tragédia no Haiti percebe-se que a postura já é bem diferente. Grandes sites de informação assumiram o papel de curadores do conteúdo que estava sendo publicado na web. NYTimes, CNN e MSNBC logo correram e montaram as suas listas no Twitter.
Blogs foram colocados no ar, apontando para links externos com informações úteis. Aliás, está virando praxe quando acontece uma tragédia, a imprensa correr para Orkut, Facebook, Flickr, Twitter e YouTube para colher os primeiros relatos, fotos e vídeos.
Neste sentido, o relato de Emily Purser, da SkyNews, é bem emblemático. Ela escreve sobre a importância do Facebook, YouTube e Twitter em seu trabalho na cobertura.
A tragédia do Haiti representou a consolidação de que mudou a postura da mídia em relação à chamada “cobertura cidadã”.
Veja também:
Mahalo e estudantes se destacam na cobertura
O escritor americano Dave Eggers resolveu ir fundo na ideia de que os jornais impressos devem ser mais analíticos e deixar para a internet o noticiário mais imediatista.
Em dezembro, ele colocou nas ruas o San Francisco Panorama, jornal que, de início, chama a atenção pelo seu projeto gráfico, bem atraente.
Porém, o San Francisco Panorama vai além de um jornal bonitinho. A própria produção de conteúdo é diferente, deixa o imediatismo de lado em troca de textos mais analíticos e reportagens de fôlego. O visual acompanha esse conceito.
No final, a semelhança é com uma revista semanal.
É algo experimental, quase artesanal (o jornal teve uma única edição). Mais questiona do que soluciona alguma coisa. Tem um caráter provocador.
Em entrevista ao site de mídia MediaBistro, Eggers questiona a necessidade dos jornais impressos circularem todos os dias. É mais produtivo manter uma presença online diária e uma impressa uma ou três vezes por semana, com conteúdo mais analítico, diz.
E ainda pergunta como a mídia impressa pode ser mais atrativa, não sofrer de escassez de atenção. Para ele, é fornecer conteúdo original, textos mais aprofundados, além de um visual mais arrojado.
No entanto, isso é possível, claro, não circulando todos os dias. Mudando o próprio modo de produção de conteúdo.
Veja também:
Tecnologias para curar a escassez de atenção na mídia impressa
Crédito das fotos: Steve Rhodes
SpeakerText é uma startup criada por um jornalista, Matt Mireles.
O site faz transcrições de vídeos. A partir de vídeos no YouTube, é possível digitar as transcrições, assim como assistir a vídeos transcritos (ao clicar em um trecho do texto, o usuário é enviado direto para a parte correspondente no vídeo).
Em seu perfil, Mireles conta que fez o site justamente pensando em editores de blogs e jornalistas, que muitas vezes têm dificuldade para encontrar um determinado trecho, uma citação, em uma entrevista em vídeo.
Veja também:
Minhas primeiras impressões sobre o Google Wave
Interessante o estudo que a Disney divulgou neste começo de ano.
Crianças européias de 8 a 14 anos preferem a vida real à internet.
Computadores e a internet são importantes para 95% dos entrevistados. Porém, encontrar amigos pessoalmente (não de forma online) é a preferência da maioria. E ainda – 44% acredita que a função da web é reforçar os laços de amizade que já existem no “mundo offline”.
A pesquisa foi feita com mais de 3.000 crianças na Europa.
E a Disney já chegou à conclusão de que elas são uma geração que, ao mesmo tempo que abraça tecnologias de ponta, mantém comportamentos e valores tradicionais.
Por enquanto, é apenas uma pesquisa, mas pode ser um sinal de que está vindo uma geração mais digital, porém mais equilibrada, o que vai ao encontro de algo que comentei aqui no blog.
De que, com o passar do tempo, as pessoas estão sabendo equilibrar melhor o tempo entre o que se convencionou chamar de “vida online” e de “vida offline”.
Veja também:
Por uma internet em tempo giusto
Crédito da foto: Pink Sherbet
Quase sempre estou falando sobre livros aqui, no blog. Por isso, vale destacar a Série Mangá que a editora Novatec trouxe ao Brasil.
É uma versão traduzida da série de livros educacionais The Guide Manga, que ficou meio popular lá fora, e explica diversas tecnologias e assuntos científicos. A série, voltada para estudantes, é conhecida por utilizar o formato de quadrinhos japonês (mangá).
Um dos livros é sobre Banco de Dados. De forma bem didática, explica como os mesmos funcionam – chave primária, relacionamentos, tabelas.
Em tempos nos quais as nossas memórias estão cada vez mais armazenadas em banco de dados, é o tipo de assunto atual.
Um dos capítulos pode ser conferido aqui (em formato pdf).
Veja também:
Caminho para a imortalidade digital
Ao fazer aquela faxina nas gavetas na virada do ano, encontrei essa matéria acima, de 22 de dezembro de 1996, sobre como seria o mundo em 2010, ano que ainda está começando.
Não sei por qual motivo guardei esse material até hoje, talvez para servir como referência sobre “previsões tecnológicas”. Em saber o que deu certo ou não.
A matéria acerta em algumas. É possível acessar a internet pela TV (de forma simples, o PS3 confirma isso) e temos filme on demand via internet (Hulu e NetMovies Live), mas, por outro lado, derrapa em algumas previsões. Não é comum ter computador ou acessar a internet por meio do salto do sapato e menos ainda existem pagers que dão respostas em tempo real. Aliás os pagers estão praticamente mortos. Deram lugar aos celulares.
Por isso que, para começar o ano, em vez de pegar uma bola de cristal e tentar prever o que vai acontecer em 2010, separei 3 ideias centrais que são uma constante em todos os anos.
Separei o que é contínuo. A partir delas, você pode imaginar o que pode acontecer em 2010. Lançamento de tablets? É apenas consequência da 3ª ideia.
1. Crescimento das marcas, vozes individuais é uma constante na rede. Neste sentido, 2009 não foi o ano do Twitter ou da tal “busca em tempo real“. Os dois são apenas a tecnologia. O que interessa é o que as pessoas fazem com ela. No caso, o Twitter ajudou as pessoas a desenvolverem a sua própria marca, a sua própria voz individual na rede.
No lado bom e ruim, o microblogging radicalizou o que os blogs já fazem há bastante tempo, serem ferramentas simples para construção de reputação profissional ou pessoal. No crescimento dessas marcas individuais podem surgir conflitos com marcas institucionais.
Grande parte dos debates que a gente vê sobre o uso ou não do Twitter em empresas de comunicação tem por trás esse tópico – o crescimento das marcas individuais sobre as marcas institucionais.
2. Internet ficando igual à energia elétrica - A cada ano a internet torna-se uma “tecnologia invisível”. Ou seja, fica cada vez mais parecida com a eletricidade – tão presente em nosso dia a dia que somente percebemos que existe quando ela falta.
3. Agnosticismo em relação a dispositivos – Com o crescimento do mercado mobile, vem ficando bem evidente que, cada vez mais, acessaremos a internet por meio de diversos dispositivos ao mesmo tempo – celular, tablet, carros, desktop, brinquedos.
A cada ano, a internet ganha novas portas de entrada. Em 2010, não será diferente.
Veja também:
10 “frases da semana” de 2009
Como vocês foram de final de ano? Espero que tudo bem.
O blog está com layout novo. Leitores enviaram algumas coisas relacionadas a mim e a este blog que foram publicadas por aí enquanto estive fora.
Na virada do ano, o caderno Link, do Estadão, publicou uma edição especial sobre a “primeira década digital” e eu estou na lista de 14 brasileiros que se destacaram. Antes entrei para a lista de 10 pessoas que vale a pena seguir no Twitter, segundo o Portal Terra.
Além disso, vários leitores/autores de blogs elegeram este blog como um dos melhores de 2009. Agradeço a todos pelas indicações. Separei 2 comentários bem bacanas:
O pessoal do blog Engenharia que Transforma, voltado para engenheiros, escreveu:
“Apesar de falar primariamente sobre internet e o comportamento humano dentro dela, o blog do jornalista Tiago Dória também é recomendado para todo engenheiro que quer sempre inovar. Com textos práticos e sempre com reflexões, Tiago escreve sobre tendências online como poucos no Brasil, talvez no mundo”.
Henrique C. Pereira, do Revolução Etc, especializado em web standards, por sua vez, destacou:
“Tiago Dória é jornalista e escreve sobra a web de um ponto de vista quase documental. Sempre tem uma opinião interessante sobre como a internet e as ferramentas sociais estão alterando a forma como a TV e os jornais mantem-se vivos. É a história da comunicação sendo narrada semanalmente”.
Veja também:
5 melhores blogs de 2009