“Aproveitem o momento, e liderem pelo exemplo”
Lawrence Lessig, professor de Direito de Harvard e idealizador da Creative Commons, durante palestra na Campus Party Brasil 2010.
Está causando burburinho nos blogs gringos de mídia a informação de que o “paredão de conteúdo pago” do jornal novaiorquino Newsday não funcionou. Em 3 meses, logo após aplicar o sistema de cobrança, o site do jornal conseguiu apenas 35 assinantes.
A pergunta imediata é – o suposto fracasso do Newsday seria um alerta para o NYTimes, que pretende adotar um modelo de cobrança em 2011? A priori, eu acredito que não.
Primeiro, o modelo de cobrança que o NYTimes quer aplicar é diferente do Newsday.
Não fecha o conteúdo. O NYTimes, na realidade, segmenta a audiência de acordo com a “fidelidade” e o “valor” que cada um dá às informações do jornal. Deixa de tratar igual os desiguais. A partir disso, gera receita.
Quem usa mais paga mais, mesmo modelo que a Google aplica no Gmail e no Google Apps.
Segundo, um ponto importante. Diferente do NYTimes, o Newsday é apenas pedaço de uma operação multimídia maior, que é a Cablevision, dona do jornal. Usuários do serviço de internet da Cablevision já são automaticamente assinantes do Newsday e, claro, não entraram nessa estatística de 35 assinantes em 3 meses.
Enfim, não dá para comparar o modelo do Newsday com o que o NYTimes pretende adotar.
Veja também:
Você pagaria 10 reais por mês para acessar um site?
Uma das características da Campus Party é que diversas coisas bacanas acontecem fora da agenda oficial. O desenvolvedor brasileiro Fabricio Zuardi, que já trabalhou no Ning, lançou uma versão alpha do Public Videos.
É um diretório gratuito de vídeos com licenças que permitem o livre uso. Funciona como um banco de imagens, estilo Corbis e SXC, mas voltado para vídeos. É bem útil para quem precisa de um vídeo para ilustrar um videocast, um videoclip, uma videorreportagem.
Os vídeos são curtos (no máximo 1 minuto) e podem ser baixados nos formatos .ogv e .mp4.
Na Campus Party, conversei com Fabricio Zuardi, que toca o projeto em frente com o seu irmão, Maurício Zuardi, que cuida do design. Ele me contou que a ideia do Public Videos surgiu há um ano mais ou menos.
O site já conta com mais de 2 mil vídeos, que, por enquanto, são fornecidos em tamanho médio (640×360) e pequeno (480×272). A intenção mais para frente é disponibilizá-los em tamanhos e resoluções maiores (HD) que serão pagas. Porém, no caso, a pessoa precisará pagar uma única vez, permitindo que, além dela, outras pessoas possam utilizar o vídeo quantas vezes quiserem. Inserção de tags e uploads também serão permitidos.
Veja também: O que aconteceu no 1º Transparência HackDay
A BBC colocou no ar seu novo sistema de busca e o também britânico Independent estreou um novo mecanismo de pesquisa, totalmente visual.
Nos resultados das buscas, você navega por fotos e não pelos textos ou manchetes das matérias, como tradicionamente é feito.
Vale registrar que o Bing e o Tumblr têm sistemas visuais de busca parecidos, sendo que, até pouco tempo atrás, o do último permitia a busca até por cores.
Veja também:
Novo sistema de busca da BBC
As profecias estavam certas. Era um tablet. A Apple anunciou nesta quarta-feira o lançamento de seu aguardado gadget – o iPad. Tela sensível de 24,6 cm, bateria de 10 horas, Wi-fi, 3G, Bluetooth. Possibilidade de assistir a filmes, ouvir música e, claro, navegar na internet.
A interface e as funções são muito parecidas às do iPhone. A diferença é que você não pode enviar mensagens de texto nem fazer chamadas (atualização: na sexta-feira, a Apple anunciou que será possível fazer chamadas por meio de aplicativos que utilizam a tecnologia VoIP)
Confesso que fazia tempo que eu não via tanto hype em torno do lançamento de um gadget. A última vez foi no lançamento do iPhone em 2007.
Esse burburinho em torno do lançamento não é uma questão apenas de RP, que a Apple sempre dominou muito bem, simboliza também o quanto a computação pessoal e a cultura digital estão inseridas entre nós. O lançamento de um computador consegue mobilizar milhares de jornalistas e autores de blogs. Mobiliza pessoas. Algo inimaginável há alguns anos.
E, longe das especificações técnicas, esse lançamento representa o quanto a Apple entendeu que o futuro é agnóstico em relação a dispositivos.
Uma das características mais poderosas da internet é o fato dela poder ser acessada de qualquer lugar. Ela pode estar em todos lugares. Até alguns anos atrás, isso era apenas um conceito.
Tínhamos as tecnologias para isso – banda larga e cloud computing, mas faltavam os dispositivos. A Apple parece ter percebido isso e está trabalhando nesses dispostivos, mas dentro de uma ideia de coexistência. Dessa forma, nos empurra para um futuro agnóstico.
Com o iPhone, a Apple trouxe efetivamente a internet para o celular (é o celular que proporciona a melhor navegação, não há dúvidas) e agora busca trazer a internet realmente para a mesa de café, a cozinha, o quarto. O iPad é o meio termo entre o celular e o laptop.
É aquele dispositivo que não é mobile, mas é portátil e flexível (quase o tamanho de uma revista), você pode levar para quase qualquer lugar, sem as limitações de tela de um celular nem o desconforto de um laptop.
Para mim, daqui para frente, após a poeira baixar, o interessante será acompanhar todo o desenvolvimento em torno do gadget. Certamente surgirão diversos aplicativos para o iPad.
O lado ruim será ter que ler artigos afirmando que o iPad vai salvar, de uma hora para outra, a mídia impressa. Como se o iPad não fosse um gadget, mas uma tábua de salvação.
Veja também:
O pensamento vivo da Apple
Crédito das fotos: Divulgação e lrussell810
Não sou de comentar cases de campanhas publicitárias (não é o foco do blog), mas esse do Conselho Nacional de Prevenção da Criminalidade (EUA) chamou a minha atenção.
A organização iniciou uma campanha contra o ciberbullying, que conta com um canal no YouTube. O diferencial está no uso criativo do site de vídeos. Há uma interação do ator do vídeo com elementos da interface do site (veja aqui).
Esse uso do YouTube lembra outra campanha, de 2007, do Departamento de Saúde da Catalunha pela doação de sangue.
/via download.it
Veja também:
Guerra contra crimes sexuais na internet
Spotify está caminhando para ser um negócio sustentável de música online. Qualquer serviço de mídia com DNA 100% digital que esteja se tornando sólido chama a atenção. É algo raro.
Ainda não disponível no Brasil, Spotify é um serviço de streaming de música lançado em meados de 2006. Além da facilidade de uso, o serviço se destaca por ter encontrado o meio termo, ao mesmo tempo agrada gravadoras e usuários, um dos resultados mais difíceis de se conseguir no mercado de música online (no último relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o Spotify foi citado como bom exemplo no mercado). Possui uma versão gratuita e outra paga. Dá acesso a mais de 6,5 milhões de músicas. Tudo legalizado.
Para se tornar um negócio sustentável, o Spotify precisa que 10% de seus usuários assinem a versão paga (premium), que custa 9,99 euros por mês (mais ou menos R$ 25). Por enquanto, apenas 5% a assinam, mas o crescimento é rápido. Em 2009, 250 mil usuários entraram para a versão paga, que dá direito a versão móvel do serviço, qualidade melhor de áudio, além da possibilidade de ouvir as músicas em modo offline, sem estar conectado à internet.
O modelo de negócios do Spotify não tem nada de inovador, mas está sendo bem executado. É o mesmo utilizado pelo Flickr, WordPress, Google (Gmail e Google Apps) e outros serviços de grife na web. O gratuito servindo de isca para o pago. A versão paga sustenta a gratuita.
É quase certo que os usuários da versão premium não estão pagando pela música em si, mas por comodidade, experiência e economia de tempo (não ter que ficar procurando por uma música).
Quando a internet saiu do mundo acadêmico e “virou comercial” existia um mito de que ninguém toleraria, de forma alguma, publicidade na web. Hoje a gente vê que as coisas não são bem assim.
Spotify, por sua vez, prova que a premissa existente de que ninguém paga por um serviço online de música também não é bem assim. Nem 8 nem 80.
Veja também:
“Maior hit da era digital”
Crédito da foto: Jon Åslund
Compartilhei no Twitter e vale republicar aqui. Gamasutra, conceituado site de games, publicou um relatório bem interessante sobre o mercado de games no Brasil. O artigo é assinado pelo designer de jogos James Portnow, que trabalhou na produção da série Call of Duty.
Portnow é certeiro em alguns pontos na análise, como a fuga de talentos (brasileiros que vão trabalhar em empresas fora do Brasil) e o fato da alta tributação atrapalhar o mercado brasileiro.
Vale lembrar que, em 2008, dois anos antes do relatório do Gamasutra, o presidente da Nintendo nos EUA, Reggie Fils-Aime, também comentou sobre os altos impostos no Brasil.
Na época, ele destacou:
“O Brasil poderia ser nosso maior mercado na América Latina, mas precisa de mudanças estruturais em termos de impostos. No México, por exemplo, que costumava ter altas taxas, eles entenderam o problema. Hoje as vendas são maiores e a pirataria diminuiu”
Veja também:
Parece um jogo, mas é um telejornal (animated news)
Se o cinema está migrando para a tecnologia 3D, os vídeos online estão indo para 360º.
Em seu site, a CNN inaugurou o uso de vídeos em 360º para mostar a situação atual no Haiti.
A tecnologia é a mesma utilizada pela MTV americana, no ano passado, para fazer transmissões ao vivo de vídeo em 360º. Foi fornecida pela Immersive Media, empresa responsável também pela tecnologia do Google Street View.
Para conferir os vídeos em 360º da CNN, é só seguir aqui.
As imagens foram gravadas na última semana em Porto Príncipe (para virar a câmera para os lados, é só clicar no vídeo, segurar e arrastar).
No vídeo abaixo, detalhes de como as cenas foram captadas. Longe de ser uma “espetacularização”, é um bom exemplo de como uma tecnologia, quando aplicada ao campo do jornalismo, pode nos ajudar a ter uma noção melhor sobre um acontecimento.
Veja também:
Cinco “firulas” em sites de notícias em 2009