Twitter está matando os blogs. Twitter não está matando os blogs. Twitter perde tráfego. Twitter ganha tráfego. Twitter não consegue reter novos usuários.
Mais do que falta de exatidão, essas manchetes apoiadas em pesquisas mostram o quanto é difícil mensurar o Twitter com base apenas nas visitas ao domínio twitter.com, somente tendo como referência os acessos à versão web do serviço de microblogging.
Um dos últimos exemplos dessa dificuldade, que pode gerar interpretações de todo tipo, foi mostrado num estudo recente da comScore que indicava que o serviço de blogs WordPress.com apresentava crescimento no tráfego enquanto que o Twitter, ao contrário, estaria estabilizado.
De carona no papo de que os blogs estão morrendo, a leitura dessa pesquisa foi a de que o “Twitter não estaria matando os blogs”. O Techcrunch foi o primeiro a interpretar os números dessa forma. A partir disso, foi o de sempre. Outros blogs repercutiram sem questionar muito os números.
O estudo levou em conta apenas os acessos ao WordPress.com. Portanto, por si só, essa leitura já estaria imprecisa. Blogs não são somente o WordPress.com. Outras pessoas utilizam o Blogger, o TypePad, o Posterous. Enfim, diversas outras ferramentas para blogs.
O que chamou a atencão desta vez é que o primeiro a “desmentir” essa visão sobre a pesquisa foi o próprio criador do WordPress, Matt Mullenweg.
Em um texto em seu blog, Matt explica que os números não são exatos. Não foi levado em conta o tráfego do Twitter via API e aplicativos desktop. Ou seja, o tráfego vindo de quem utiliza Echofon, Tweetdeck, Hootsuite, entre outros aplicativos, ficou de fora da pesquisa.
Gostei da postura de Matt. Ele poderia ter adotado uma atitude de como não quer nada e ter afirmado que realmente os “blogs estão ganhando do Twitter”, em especial, o WordPress.com. Mas optou por mostrar que as coisas não são bem assim. Microblogs, segundo ele, complementam os blogs.
Ao brincar com essa suposta guerra entre “blogs versus microblogs”, que existe mais no campo da especulação, Matt até criou um termo para indicar a “antiga” atividade de blogar, em parágrafos e textos mais trabalhados, mega-blogging.
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Ghostwriter de 140 caracteres é para os fracos
Crédito da foto: Robert Couse-Baker
“Bons ouvintes são bons aprendizes. Quem fala demais só repete o que ouve por aí”
Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York durante os ataques de 11 de setembro, em palestra nesta semana no HSM ExpoManagement 2009.
A Reuters colocou no ar o seu novo site.
Uma das novidades é a barra de ferramentas que aparece no rodapé. Caso você esteja logado no site da agência de notícias, é possível acompanhar e destacar tópicos específicos (somente notícias de “tecnologia”, “ações de empresas”, por exemplo).
A barra também sugere notícias de acordo com sua navegação, além de permitir que você salve certas matérias para ler depois.
Comparado com o anterior, o novo site tem um apelo bem maior para o usuário final (que não é jornalista ou assinante da agência). A parte de opinião ganhou mais destaque, o que demonstra uma intenção clara de balancear melhor “notícias em tempo real” com análise.
A seção Issues in Depth reúne a parte de articulistas.
Por enquanto, a intenção é manter todo o conteúdo aberto e subsidiado por publicidade.
O projeto foi feito pela HUGE, agência que vem se destacando na reformulação de sites de grandes grupos de mídia. A agência foi responsável pela recente repaginada da CNN.com.
Outra novidade nesta semana foi o NYTimes que lançou oficialmente o Times Skimmer, possível interface do jornal voltada para tablet e telas multitouch.
No caso, o projeto foi desenvolvido internamente, no laboratório de P&D do jornal.
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Parece uma “Apple do jornalismo”
Se você já acha o Big Picture um dos projetos mais bacanas de fotografia na área de jornalismo, precisa conhecer a revista fotográfica online Pictory.
Semelhante ao blog brasileiro Dois Cliques, de tempos em tempos, a revista propõe um tema aos leitores. E, durante um prazo predeterminado, eles podem enviar fotos, que devem estar acompanhadas de um comentário sobre como foi feita a imagem, o contexto em torno da foto.
Duas coisas chamam a atenção. Uma delas – as pessoas participam com material de qualidade. E a outra – a edição. As fotos são publicadas em tamanho grande (998px de largura) e com fundo preto e cinza, o que destaca mais ainda as imagens.
A revista foi criada por Laura Brunow Miner (@lbm), editora da JPGMagazine. Por enquanto, é algo experimental, mas com uma ótima apresentação visual.
A Pictory me lembrou um pouco o conceito por trás de ferramentas como o PhotoStory e o VizzVox, que permitem fazer o upload de fotos e acrescentar a elas uma narração em off, explicando cada uma. Aliás, se pudesse adicionar áudio, a Pictory ficaria ainda mais interessante.
/via @laughingsquid
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Time-lapse na Reuters
Cada vez mais, na hora de uma escolha, o crowdsourcing, a sabedoria das multidões será substituída pela “curadoria”. Nisso, rankings darão espaço para especialistas.
Essa foi uma das ideias apresentadas por Bill Tancer, diretor-geral de pesquisas globais da Hitwise, que mais chamou a minha atenção, durante a sua palestra no HSM ExpoManagement 2009.
Segundo ele, uma coisa é você chegar a um garçom num restaurante e perguntar pelo prato mais pedido (ranking/sabedoria das multidões). E outra é você seguir críticas em jornais ou a “sugestão do chef” (curadoria humana).
A mesma coisa se aplica aos sites de vídeo. Ver a lista dos mais populares do YouTube é bem diferente de ir a um site como o Vidque e saber quais são os vídeos mais legais.
Para Tancer, essa tendência de curadoria crescerá.
Sua palestra no HSM ExpoManagement 2009 teve como base o seu livro Click, no qual ele mostra o quanto os termos que pesquisamos nos sistemas de buscas dizem sobre nós, a respeito do nosso comportamento e personalidade.
Tancer mostrou números de duas tendências no mercado de busca. As pessoas estão mais “sofisticadas” nas buscas, utilizando mais que um ou dois termos nas pesquisas. Por outro lado, estão cada vez mais insatisfeitas com os atuais sistemas de buscas (não encontram o resultado desejado e/ou quando encontram não é de forma rápida).
Outro aspecto comentado pelo pesquisador e que achei interessante é que o perfil de sites como YouTube e Facebook vem mudando. Com base em pesquisas, Tancer afirmou que, neste ano, esses sites sofreram um crescimento demográfico com base na entrada de faixas etárias altas, acima da média normal desses sites. Algo que vai ao encontro de pesquisas recentes que mostram que a chamada terceira idade utiliza cada vez mais esses sites.
Para Tancer, a web já deixou de ser “uma coisa exclusiva de jovens e pessoas de vanguarda”.
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Nossas pegadas valem ouro
Crédito da foto: HSM
Devido a problemas técnicos, o blog ficou fora do ar durante parte desta quinta-feira
A Google anunciou nova política que restringirá o acesso gratuito a notícias. Os jornais que adotam a estratégia de conteúdo pago terão a possibilidade de permitir a leitura de apenas 5 artigos por dia de usuários que cheguem aos seus sites via Google News.
A iniciativa partiu da própria Google após sofrer pressão de editores de jornais. Há 3 semanas, Rupert Murdoch anunciou que impediria o Google de indexar o conteúdo de seus jornais. Rumores indicavam que ele fecharia um acordo de exclusividade com o Bing, buscador da Microsoft.
Nos comentários aqui, do blog, o Bruno levantou questão parecida, de que Murdoch, na verdade, estaria fazendo cena, pressão para forçar algum tipo de acordo com a Google.
Na realidade, o que aconteceu foi uma modificação na política do Google News. Desde 2008, a empresa de busca oferece para jornais que trabalham com conteúdo pago a opção do “First Click Free“, que abre a possibilidade para que o usuário veja uma parte de seu conteúdo restrito.
Mesmo que estejam debaixo da “parede de conteúdo pago”, artigos acessados via Google News podem ser vistos na íntegra, mas, no caso do usuário clicar em outra matéria, ele é redirecionado para uma página onde tem que fazer um login. Ou seja, apenas o primeiro clique é grátis.
O que acontece é que parte dos usuários estava abusando dessa regra. Devido ao Google News gerar automaticamente um “link gratuito” para o site com conteúdo pago, usuários pegavam uma manchete do jornal, colavam na busca de notícias do Google e assim acessavam outra matéria do jornal, além da que tinham lido antes. Uma forma de burlar o “First Click Free“.
O que a Google fez agora é oferecer aos jornais que trabalham com acesso pago a possibilidade de restringir a 5 artigos/dia por usuário que chega via mecanismo de busca; como consequência, não funcionará mais essa tática de recortar e colocar manchete no Google News para acessar no mesmo dia várias matérias de um jornal que adota o “First Click Free“.
Ou seja, a alteração afetará os jornais que já restrigem o acesso, que adotam o modelo de conteúdo pago, sendo que essa restrição vai acontecer dentro dos sites de jornais e não durante a navegação no Google News.
Para os jornais que não adotam o “First Click Free“, oferecem acesso gratuito, não importa a quantidade de cliques ou acessos, tudo continua na mesma. Acesso irrestrito ao seu conteúdo.
O que pode acontecer é que essa alteração do Google News incentive mais sites, principalmente os de nicho e que têm acesso restrito, a disponibilizarem o seu conteúdo, pois agora há a possibilidade mais clara de ficar visível para as buscas, fornecer uma prévia aos usuários, mas sem perder a possibilidade de cobrar pelo seu acesso, importante fonte de receita para este tipo de site.
Porém, para mim, essa modificação mostra algo maior, que os jornais têm poder de barganha para negociar com a Google. Para a empresa de busca interessa ter o conteúdo dos jornais em seu index. E, nesta semana, eles conseguiram forçar alterações na política do Google News.
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Minha opinião sobre a Declaração de Hamburgo
Crédito da foto: scott_henderson
As grandes empresas podem até estar com um pé atrás, mas os usuários já abraçaram e perceberam os benefícios do cloudcomputing faz tempo. Esse foi um dos argumentos utilizados pelo pesquisador Nicholas Carr para provar que a ideia de “computação nas nuvens” não é somente hype.
YouTube, Wikipedia, Twitter, Gmail são exemplos de que as pessoas já adotaram o cloudcomputing em seu dia-a-dia.
Em passagem pelo Brasil, nesta terça-feira, o pesquisador do MIT (Massachusetts Institute of Technology) participou como palestrante do HSM ExpoManagement 2009. Eu estive por lá.
Para quem acompanha a sua carreira (livros e blog), Carr não trouxe novidades. Sua apresentação tomou como base o seu último livro publicado, A Grande Mudança (que já comentei aqui, no blog). A internet é uma tecnologia disruptiva tão quanto a eletricidade foi em sua época.
No entanto, o pesquisador do MIT bateu mais na tecla do cloudcomputing e os seus possíveis benefícios – integração entre dispositivos, portabilidade de dados, possibilidade de acessar informações de qualquer lugar.
Apesar de mostrar um estudo indicando que apenas 3% das grandes empresas nos EUA adotam a “computação nas nuvens“, Carr acredita que esse cenário vai mudar. Segundo ele, está morrendo o conceito de ver a web apenas como repositório de páginas e não um sistema.
Dessa forma, as suas ideias vão ao encontro do pensamento de Patrick Sinclair, engenheiro de software da BBC, que afirmou que o grupo de mídia britânico não vê a web apenas como uma plataforma de distribuição, mas um sistema, o “gerenciador de conteúdo” de seu site.
Engraçado que Carr adotou um posicionamento um pouco diferente de seu livro, no qual ele comenta que você não deve mudar toda a sua infraestrutura para cloudcomputing, mas adotar uma posição híbrida. Ou seja, o desafio atual é saber o que passar ou não para as “nuvens”.
De novidade, o pesquisador trouxe números atualizados e comentou sobre o case do NYTimes. Em 2008, o jornal passou a utilizar cloudcomputing em seu sistema de arquivos.
Mais precisamente os serviços do Amazon EC2 no Times Machine (ferramenta que permite navegar por 70 anos do arquivo do jornal). De 4TB (terabytes) de arquivos em formato TIFF passou para 11 milhões de arquivos em formato PDF.
Nesta quarta-feira, acontece o último dia do HSM ExpoManagement 2009. Um dos palestrantes será Bill Tancer, autor do livro Click, comentado aqui, no blog, no começo do ano.
Veja também:
Como a BBC ‘reutiliza’ a web
Crédito das fotos: Akakumo e HSM
Flavors.me era um site que eu estava bem curioso para testar. Os convites para testá-lo começaram a ser liberados nesta terça-feira.
Basicamente, o Flavors.me permite que você construa uma página na web. Pode ser uma splashpage, um portfolio, um cartão de visitas virtual ou simplesmente uma espécie de hub, home de sua presença digital, onde você pode reunir tudo o que produz e vê na web.
O que chama a atenção é o fato dele ser na mesma linha do Tumblr e do Posterous. Simples, elegante e minimalista. Em questão de minutos, você consegue montar e personalizar a sua página.
O site foi criado por dois irmãos, Jonathan e David Marcus, e o diretor de design do Vimeo, Jack Zerby, outro site que tem uma preocupação grande com design e simplicidade. Todos de Nova York.
O funcionamento é bem simples. A intenção é facilitar a presença digital das pessoas. Você faz o login e, se quiser, cadastra os serviços que você deseja que apareçam em sua página (blog, flickr, twitter, facebook). Depois é possível personalizar quase tudo – cores, tamanhos, fontes do texto.
O interessante é que você pode utilizar como fundo uma imagem em fullscreen (o site faz alguns ajustes automáticos para que ela não fique muito distorcida). Exemplos aqui.
Notei alguns aspectos que poderiam ser melhorados.
Na tela de personalização do layout, por exemplo, na hora de escolher as posições dos elementos na tela, você tem que clicar em botões. Um sistema de clicar e arrastar seria bem mais fácil (estilo home do Netvibes). Outra coisa, deveria existir uma biblioteca com imagens ou uma espécie de integração com o Flickr para quem quisesse utilizar as suas fotos de fundo.
Mas, fora isso, as minhas primeiras impressões sobre o Flavors.me são positivas. Sou meio suspeito para falar, gosto de sites que têm uma interface minimalista.
Na verdade, tudo o que ele faz, você consegue desenvolver caso tenha um bom conhecimento de CSS e design. No entanto, o Flavors.me é voltado para o usuário sem muito conhecimento técnico ou que não tem paciência de mexer com CSS e HTML. Quer algo casual e sem complicação.
Pelo que percebi, a intenção é transformar o Flavors.me em uma espécie de “cartão de visitas virtual”. Mais para frente, existirá a opção de utilizar um domínio próprio, em vez de http://flavors.me/usuario.
Por essas e outras que o coloco na mesma série de sites minimalistas que vêm sendo produzidos de um tempo para cá. Que fazem pouco, mas bem feito. São eles, Tumblr, Deadline, Posterous, Rososo, NowDothis, Bloglovin.
A minha página no Flavors.me está aqui (ainda estou testando, vou mudar as cores, colocar foto etc).
Veja também:
Minhas primeiras impressões sobre o Google Wave