O jornal que não é mais jornal

nytcarspq01Em memorando interno distribuído aos jornalistas nesta segunda-feira, Arthur Sulzberger e Janet Robinson, diretor geral e presidente do New York Times, respectivamente, afirmam que o NYTimes é uma empresa de notícias e não de jornal. O negócio deles é informação e não jornal.

Um peso histórico tremendo carrega esse comunicado interno. Mostra que conceitualmente o jornal deixou de ser jornal, além do fim de uma fase de crise de identidade na empresa.

Nesse processo de transição mais acentuada dos átomos para os bits, muitas empresas acabaram perdendo o rumo, não conseguiram decidir mais em qual negócio estavam. A Kodak foi (ou ainda é) símbolo desse questionamento. Não se decidia se estava no negócio de memórias visuais e imagens ou de filmes para câmeras fotográficas.

Assim como as empresas, os próprios profissionais podem passar por essa crise de identidade. Você é uma pessoa que faz jornal, atualiza site, ou um comunicador, um especialista em informação?

O New York Times, pelo menos, parece que já passou dessa fase de questionamento interno.

Esse post faz parte de uma série sobre as mudanças tecnológicas no NYTimes e que venho escrevendo desde o começo de 2008.

Veja também:
Fim de uma era: The New York Times não é mais um jornal

Publicado por Tiago Dória, em 14 de setembro de 2009 (Segunda-feira).
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Como foi o seminário sobre mídia na Cásper Líbero

Logo do seminário

Eu sou bem suspeito para falar sobre o seminário, que aconteceu neste sábado na Faculdade Cásper Líbero.  Fui organizador do evento ao lado do professor Walter Lima. Portanto, resolvi fazer um post mais pessoal e contar o que mais chamou a minha atenção.

O evento teve transmissão ao vivo pela web, o que, neste ano, garantiu um público internacional. Pessoas que estavam acompanhando a transmissão  puderam mandar perguntas via Twitter.

1º Painel – Convergência tecnológica e as mídias

Em sua apresentação, Fabiana Zanni, Diretora de Mídia Digital da editora Abril, ressaltou que sites informativos usam cada vez mais dados amigáveis que podem ser combinados para criar mashups e diversas outras interfaces de apresentação de conteúdo. A Fabiana mostrou muito bem o quanto podemos fazer um jornalismo melhor com todas as ferramentas e formatos que estão disponíveis.

Pedro Doria, diretor do Estadão Online (e que não é o meu primo, antes que me perguntem pela 498ª vez), lembrou que a mídia hoje em dia não pode monopolizar a conversa, ela é apenas mais um nó na web e deve participar das discussões em vez de querer ditá-las. Quem quiser monopolizar a conversa vai falar sozinho.

Quando questionados sobre restrições ao uso do Twitter, os dois profissionais lembraram que existem abusos e atitudes fora de noção, mas não é restringindo que se aprende a utilizar essas ferramentas. Aliás, não são apenas os profissionais, mas as próprias empresas de mídia que precisam aprender a melhor forma de utilizar esses instrumentos – por meio de treinamentos, palestras internas.

Enfim, é uma questão mais de aprender, educar, do que propriamente restringir e querer controlar.

2º Painel – Entretenimento na geração We Media

Phelipe Cruz, editor do site da Capricho, levantou um ponto para algo que nunca tinha pensado com mais cuidado. Sempre achei redundante afirmar que, com o Twitter, as celebridades estão em contato direto com o seu público. Afinal de contas, antes os blogs tinham função parecida.

Mas Phelipe lembrou que as celebridades, em geral, nunca se sentiram muito a vontade em atualizar blogs, por que sempre existia aquela ideia de que deveriam escrever coisas importantes, era mais trabalhoso, subir fotos etc.

Tanto que a maioria desses blogs era atualizada por assessores. E o Twitter, ao contrário, deixa as celebridades mais à vontade, elas podem escrever pouco, não existe aquela obrigação de escrever coisas importantes, é mais simples e podem enviar as mensagens direto do celular.

E Phelipe ratificou algo que eu já havia comentado. Apesar dessa ideia de “desintermediação”, que está muito forte hoje em dia, não é toda fonte (celebridade) que está preparada para lidar diretamente com o público. Citou o caso do Twitter da Xuxa.

Enquanto se fala tanto em construir “marcas individuais” e capital social, Julio Daio Borges mostrou como isso acontece na prática ao contar a sua história de criação do site Digestivo Cultural. A história do Julio é bem valiosa e cheia de detalhes a respeito de ser um produtor de conteúdo na web.

Foi o que falei em palestra na Feira do Estudante. A web, às vezes, passa a noção de que tudo acontece muito rápido, “em tempo real”, mas existem certas coisas que demoram tanto como antes, principalmente essa questão da criação da reputação. Você tem que saber trabalhar com o tempo.

3º Painel – Datamining e APIs na produção de informação

Para mim, o seminário fechou com chave de ouro com as palestras de Pedro Valente e Marcelo Soares sobre o uso de banco de dados e API na produção de informacão jornalística.

Valente, do Yahoo! Brasil, lembrou que quando você tem uma quantidade enorme de dados, a melhor coisa é fazer uma aplicacão interativa. E lembrou a importância das APIs, que é uma forma dos sites, governos e jornais fornecerem acesso aos seus dados de forma mais controlada e amigável.

Achei interessante também quando Marcelo Soares, co-criador do projeto Excelências, lembrou a história de Adrian Holovaty, criador do Chicago Crime e do Everyblock, como exemplo de um jornalista que pensa o jornalismo como dados e não fica questionando se isso é jornalismo ou não.

Aliás, o Marcelo fez uma ótima comparação. Assim como Gay Talese foi revolucionário em seu tempo, hoje todos esses jornalistas que estão trabalhando com banco de dados e APIs são os que estão fazendo a diferença. Estão criando algo novo.

Será que Adrian Holovaty não é o Gay Talese dos nossos tempos?

Quem quiser saber mais sobre o seminário, é só conferir a hashtag #casperconectada3 no Twitter.

Ou ainda o perfil oficial do evento, @tendconec, que reuniu fotos e diversas frases dos palestrantes.

Publicado por Tiago Dória, em .
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Dia de ‘hackear’ a política brasileira

Bandeira Brasil

Quem acompanha o blog deve conhecer o conceito de “hack day“.

É um dia inteiro em que desenvolvedores, estudantes, jornalistas e entusiastas se reúnem para criar aplicativos, “hackear” (no bom sentido) banco de dados e sites. A BBC, o NYTimes, o Guardian e o Yahoo! Brasil já promoveram os seus “hack days”.

Normalmente, os criadores dos melhores aplicativos recebem prêmios. Além do caráter de encontro, é uma competição.

A novidade é que, nos dias 3 e 4 de outubro, vai acontecer um “hack day” em São Paulo, o “Transparência Hack Day”, dedicado a desenvolver aplicativos em torno de informações governamentais e dados públicos. O foco é na ideia de transparência política.

E o evento é promovido pelo projeto Esfera, que recentemente clonou o Blog do Planalto.

As inscrições para o “Transparência Hack Day” são gratuitas, estão abertas e podem ser feitas aqui.

Veja também:
Como hackear um portal de notícias

Crédito da imagem: Diogo Azevedo

Publicado por Tiago Dória, em 13 de setembro de 2009 (domingo).
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Frase da semana

stevejobs

“Agora tenho o fígado de uma pessoa de 20 e poucos anos que morreu em um acidente de carro e foi generosa o suficiente para doar seus órgãos. Eu não estaria aqui se não fosse por essa generosidade”

Steve Jobs, diretor geral da Apple, em sua volta aos holofotes, após passar um ano afastado devido a problemas de saúde. Durante o evento “It’s only rock and roll” , de lançamento de produtos da Apple, neste semana, o executivo pediu que todos doem orgãos.

Veja também:
O pensamento vivo da Apple

Crédito da imagem: guccio

Publicado por Tiago Dória, em 12 de setembro de 2009 (sábado).
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Ao vivo e direto da Cásper neste sábado

O III Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais, da Faculdade Cásper Líbero, será transmitido ao vivo pela web.

Começa às 8h45 neste sábado. Para acompanhar, é só seguir aqui.

Publicado por Tiago Dória, em 11 de setembro de 2009 (sexta-feira).
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O futuro da “realidade aumentada”, segundo a Nokia

De tempos em tempos, empresas de tecnologia publicam vídeos conceituais sobre como elas veem o futuro.

Em maio deste ano, por exemplo, a Microsoft publicou um vídeo a respeito do uso de algumas tecnologias em 2019. Um pouco analítico, um pouco profético.

Desta vez, o centro de pesquisa da fabricante de celulares Nokia fez algo parecido. Os pesquisadores acreditam no uso futuro da “realidade aumentada” em um novo tipo de suporte.

(via RWW)

Veja também:
‘Realidade aumentada’ no Financial Times

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Memórias do 11 de setembro

Make History

Make History faz parte do National September 11th Memorial/Museum, museu que será montado em memória ao 11 de setembro.

No site, é possível publicar vídeos, fotos e depoimentos relacionados aos ataques. E, em um mapa, a pessoa pode indicar o local exato onde tirou tal foto ou vídeo. Algumas imagens são inéditas.

O Make History é uma tentativa de narrar o 11 de setembro com depoimentos das pessoas que estiveram na região. Foi desenvolvido pela Local Projects, empresa dedicada a criar “sites colaborativos” e aplicativos mobile ligados a museus.

Veja também:
Site permite editar vídeos no próprio navegador

Publicado por Tiago Dória, em 10 de setembro de 2009 (Quinta-feira).
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Como descobrir que um site não pensa de modo distribuído

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A Folha de São Paulo publicou regras internas de como os seus jornalistas devem utilizar blogs, microblogs (twitter) e redes sociais. Independentemente da discussão de até onde vai o limite profissional e pessoal, algo que fica bem tênue quando você trabalha e tem o nome estampado em um jornal de grande visibilidade, duas coisas ficam bem evidentes:

1) É mais uma empresa que, quando cria alguma regra interna sobre o uso dessas ferramentas, é para restringir a utilização e não para incentivar (a Bloomberg teve atitude parecida).

2) Com essas regras, a Folha de São Paulo deixa bem claro que não pensa de modo distribuído. Pensar de modo distribuído é ver o seu site como um meio e não um fim, um destino final.

Não esperar que os consumidores venham até você. Mas ir onde eles estão. Pensar de modo distribuído. Ou seja, é você ver o seu site não como o centro da web, mas do lado de fora, pedindo para entrar nas redes e fazer parte das discussões. Você é apenas mais um nó na web.

É o posicionamento que o NYTimes e a CBS vêm adotando. Ir onde o leitor/telespectador está e não ficar aguardando que ele venha até o seu conteúdo. Estar junto aos leitores – em redes sociais, twitter, blogs, sites de vídeo etc. Os limites do jornal ou de uma emissora vão além de seu site.

buscatwitter

Segundo as regras da Folha, os jornalistas:

“não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL”

Ou seja, uma pessoa que segue um jornalista da Folha no Twitter ou em alguma rede social não é leitora do jornal. Ela é leitora da Folha somente quando acessa ou está no site do jornal.

É uma visão centralista e contrária à ideia de ir onde o usuário/leitor está. Enfim, é um posicionamento da Folha, que deve ter os seus motivos.

Na minha opinião, a Folha dá pano pra manga para a concorrência. Não somente para os outros pensarem de modo distribuído, terem uma presença digital mais marcante, mas utilizarem o Twitter de forma mais criativa e menos burocrática.

Ou ainda publicar informações em primeira mão no Twitter, pois sabe-se que, de acordo com as novas regras, o jornalista da Folha terá que segurar a informação até ser publicada no impresso ou online. A priori, o da concorrência, ao contrário, poderá adiantar um assunto em primeira mão no Twitter.

Veja também:
Como engessar o blog de um jornalista

Publicado por Tiago Dória, em .
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Google oferece micropagamentos a jornais

taximeter01pqEm julho, a Google deu uma das respostas mais diretas aos jornais que tanto reclamam que o sistema de busca “rouba” conteúdo. A empresa publicou, em um dos blogs oficiais, instruções de como proceder para que o Google não indexe o seu conteúdo.

Na época, foi quase um “faça o que vocês quiserem da vida” da Google aos jornais.

Porém, nesta quarta-feira, Zachary M. Seward, do blog de mídia do NiemanLab, ligado à Universidade de Harvard, revelou que a empresa de busca está desenvolvendo uma plataforma de micropagamentos voltada para sites de jornais.

Em documento enviado à Associação Americana de Jornais, a pedido da própria organização, a Google revela detalhes da plataforma, que teria dinâmica parecida à da loja online iTunes (que vende músicas avulsas). Ou seja, haveria divisão de receita entre a Google e os jornais (30% – 70%)

Ainda no documento, a empresa de busca afirma que “open” (aberto) não significa necessariamente de graça e complementa, afirmando que os micropagamentos são uma opção interessante de receita, mas que não serão populares, o padrão para consumir conteúdo.

A plataforma será uma oportunidade para a Google testar o seu sistema de micropagamentos. Contudo, acredito que representará uma oportunidade maior de avaliação para os jornais.

A cobrança por acesso avulso a conteúdo (micropagamentos) será um teste para os jornais. Não somente para avaliarem os seus conteúdos, mas o julgamento que os leitores fazem do jornal em sua versão digital (vale a pena pagar pelo conteúdo?)

Veja também:
Você conhece o jornalista do futuro?

Publicado por Tiago Dória, em .
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