Grito de participação

O jornal O Globo é um dos veículos informativos brasileiros que possui uma das mais interessantes campanhas publicitárias. Depois do comercial Informação, que, para mim, foi um dos 5 vídeos que mais marcaram 2008, o jornal destacou o Nós e você. Já são dois gritando.

O vídeo foi feito para o Dois Gritando, projeto focado em potencializar a função social do jornal. É um fórum de debates onde é possível opinar, sugerir, denunciar e interagir com outros leitores a respeito de diversos assuntos, desde um buraco na rua até a questão da pirataria.

Os assuntos mais votados viram temas de reportagens do jornal. Além disso, na página do projeto, diversos problemas e denúncias feitas por leitores são plotadas em um mapa do Rio de Janeiro. O projeto também tem uma hashtag comum no Twitter,  #doisgritando.

Segue abaixo o vídeo da campanha do Dois Gritando.

Veja também:
O jornal que não é mais jornal

Publicado por Tiago Dória, em 23 de setembro de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: jornalismo, videos. Tags: , , , ,

Internet “aberta e imparcial”, debate polarizado

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Dependendo do andar da carruagem, a última segunda-feira poderá ser considerada histórica para a recente história da internet. A FCC – Federal Communications Commission – , principal agência reguladora das telecomunicações nos EUA (o equivalente à Anatel no Brasil), revelou novas propostas para que os provedores de internet não façam discriminação em relação ao conteúdo na internet.

É uma vitória para os que defendem a questão da “neutralidade da internet“. Debate que se arrasta há 6 anos e tem como premissa impedir que provedores de internet bloqueiem ou diminuam a velocidade da conexão em decorrência do tipo de conteúdo que está sendo enviado/baixado ou aplicativo utilizado. As propostas valem somente para os EUA, mas quem sabe podem ter repercussão em futuras decisões regulatórias aqui, no Brasil.

“Hoje, não podemos imaginar nossas vidas sem a Internet – do mesmo jeito que não conseguimos imaginar a vida sem água encanada e sem a lâmpada”

Disse o presidente da FCC, Julius Genachowski, em discurso que repercute nos principais sites de notícias. Além da não discriminação, Genachowski adicionou ainda a proposta (bem vaga) da transparência, provedores devem ser transparentes na forma como gerenciam as suas redes, sejam elas de acesso sem fio ou não. Praticam traffic shaping? A velocidade entregue é equivalente à anunciada na venda?

laptopmesa01pqAs propostas da comissão ainda serão discutidas em uma reunião prevista para outubro. Contudo, somente a sua apresentação  já animou os defensores da “imparcialidade na rede”. Entre eles, o atual governo dos EUA, que, por meio de Obama, desde a época de campanha se posicionou a favor da “neutralidade”, e a Google, que chegou a lançar no começo do ano uma ferramenta para saber se um provedor de internet está praticando traffic shaping ou não.

Outro lado - Provedores reclamam. A FCC, por meio de mais regulamentações, estaria buscando “uma solução para um problema que não existe”. Dylan Tweney, em artigo na Wired, lembra que as propostas da FCC acrescentam mais uma camada de influência e burocracia do governo em um mercado que vem inovando de forma livre. As propostas fariam sentido em um mercado com monopólios, com poucas opções, o que não é o caso do acesso à web nos EUA, segundo ele.

A discussão começa a ficar politizada e polarizada, o que pode ajudar a esvaziar o debate e a torná-lo simplista, uma briga entre “mocinhos e bandidos”, enquanto a questão envolve vários lados e possíveis consequências a longo prazo. Senadores republicanos já se posicionaram contra as propostas regulatórias de Genachowski, que é do partido democrata.

Nesta segunda-feira, foi inaugurado o Openinternet.gov, voltado a discussão aberta do assunto. E, por coincidência, nesta terça-feira acontece, em todo o mundo, pelo 3º ano, o One Web Day, dedicado ao acesso público à internet e a sua utilização por uma maior transparência política.

Veja também:
O que mais aproxima cidadãos de governantes na web?

Crédito da foto: Respres

Publicado por Tiago Dória, em 22 de setembro de 2009 (Terça-feira).
Categoria: ciberativismo, politica. Tags: , , , , ,

Buffering… TV versus internet

A internet (e não o YouTube) praticamente matou a grade de programação, base de funcionamento das TVs. Você não precisa mais estar tal hora na frente da TV para assistir a determinado programa. Essa foi a maior mudança que a web causou em relação à TV. O resto é quase que consequência.

Mas será que tudo é tão simples assim? Durante a cerimônia de entrega do Emmy 2009, o Dr. Horrible, personagem criado para série de mesmo nome, apareceu para dar um recado sobre a supremacia da internet quando… Segue abaixo.

Veja também:
Ustream serve também para ver TV

Publicado por Tiago Dória, em 21 de setembro de 2009 (Segunda-feira).
Categoria: humor, videos. Tags: , , , , ,

Filosofia de internet

Platão

Mark Vernon, jornalista, doutor em filosofia e ex-sacerdote anglicano, fez uma lista bem interessante de ensinamentos de filósofos e divindades gregas que se adaptam à “Era da internet”.

Lembre-se que menos é mais
É difícil pensar nisso quando tudo está a apenas um clique de distância. Tudo o que Zeus tinha para comer era um copo de água e um bolo de cevada. Menos é mais. Essa é a grande questão na “era do consumidor”.
Trabalhe para viver, não viva para trabalhar
No mundo do email, 24horas/7dias por semana, é muito fácil você trabalhar tanto e acabar se esquecendo do que realmente quer da vida
Cuidado com a volatilidade da internet
É fácil contruir e destruir um herói em minutos. Sua própria vida é o “meio e mensagem” que realmente importa.
Amizades pedem comunicação face a face
Aristóteles dizia que a verdadeira amizade é aquela em que as partes já tenham “consumido sal juntas”. Enviar SMS, mensagens no Twitter e telefonar podem ser necessários atualmente, mas isso sozinho não é suficiente para uma amizade.

Tem mais aqui.

Veja também:
A arte de fazer fila (mesmo na internet)

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: pesquisa. Tags: , , , , , , ,

Alguém sempre paga a conta da internet

Dollar

Quando peguei Free (Grátis), de Chris Anderson, editor da revista Wired, para escrever (com certo atraso) esse post, esperava encontrar um livro pouco ponderado, resultado mais de uma escrita rápida de um autor tentando impor a todo custo uma teoria do que um trabalho de pesquisa. Mas errei ao acreditar no afirmado por pessoas que, pelo visto, leram apenas a orelha do livro.

Free está longe de ser um livro de autoajuda empresarial ou panfletário. Pelo contrário, achei Anderson, autor de outro sucesso, A Cauda Longa, bem ponderado. Diversas vezes, ele questiona e mostra o outro lado do modelo do grátis em seu livro, o que pode ser visto como uma contradição.

A versão em português, lançada recentemente pela editora Elsevier, não perde muito para a versão gratuita que está disponível na rede (em inglês), produzida em julho deste ano.

Mesma quantidade de capítulos, paginação parecida. Peca somente por apresentar alguns erros de revisão, corriqueiros em versões nacionais. Em um dos capítulos finais, por exemplo, o site de vídeos Hulu foi digitado diversas vezes como “Hulo”.

attention01Em Free, Anderson, na realidade, não apresenta novidades. Basicamente, mostra que a mentalidade de gratuidade na internet não existe por motivos ideológicos (cultura hippie, contracultura), mas sim por razões econômicas (os custos de armazenamento, processamento e transporte de informações são cada vez mais baixos). E, como pano de fundo, faz um histórico da aplicação do modelo do grátis.

Desde uma ferramenta de marketing – almoce grátis, mas pague a bebida – até uma tática para manter concorrentes fora do mercado. A Microsoft utilizou o grátis para manter concorrentes fora do mercado de navegadores, ao oferecer o Internet Explorer (gratuito) junto ao Windows (pago).

Dessa forma, Anderson mostra que alguém sempre paga a conta nos chamados “modelos grátis” – a publicidade subsidia sites de notícias,  em serviços como Flickr, 5% dos usuários que assinam contas pro pagam os gastos dos 95% usuários não-pagantes. E nos blogs que, apesar de não cobrarem por acesso, os leitores acabam pagando ao cederem seu tempo e atenção para lê-los. Não existe um custo monetário direto, mas há uma despesa.

Ou seja, alguém sempre paga o “almoço grátis”, mesmo que seja de forma não monetária, cedendo reputação, tempo e atenção. Coisas que até hoje são escassas. Aliás, reputação e atenção estão se tornando “quase moedas” na economia baseada na internet.

Segundo Anderson, a abundância de informação fez surgir um novo tipo de escassez, a de atenção e tempo. Não é à toa que pessoas pagam para baixar música no iTunes. Para não terem que perder tempo procurando por uma música na web. Elas sabem que o seu tempo tem valor.

walle

Contudo, nem sempre o grátis pode ser benéfico. Ele pode gerar um consumo sem responsabilidade, já que tudo está disponível em abundância. Na economia dos átomos, pode gerar uma superprodução de bens físicos e, como consequência, lixo. Anderson cita o filme Wall-e como exemplo em que os humanos são obrigados a sair da Terra devido ao acúmulo de lixo, ocasionado por anos de consumo sem responsabilidade. Pagar gera compremetimento.

Na área de mídia (jornais, especificamente), Anderson passeia muito pouco, é bem superficial. Mas ratitica a premissa de que a informação abundante quer ser grátis. A escassa quer ser paga. E lembra que a queda dos custos de distribuição fez gerar um ambiente hipercompetitivo de mídia.free Colocou em pé de igualdade diversos produtores de conteúdo.

O grátis, afirma Anderson, funciona muito bem para quem está entrando no mercado. É a tática da Google. Entrar no mercado oferecendo um produto de mesma ou qualidade superior com um custo zero para o usuário final, o que acaba minando a concorrência. Por outro lado, a empresa de busca usa o grátis para manter concorrentes fora do mercado por meio de estratégias de maximização.

E para concluir, num momento de incerteza (o livro foi fechado durante a crise econômica), Anderson termina afirmando que é bem provável que o conteúdo grátis conviverá lado a lado com o conteúdo pago. “Ele precisa da contraparte do pago”. No entanto, o grátis sempre terá um apelo psicológico maior. “O Grátis pode ser o melhor preço, mas não pode ser o único”, finaliza. Em suma, o grátis é uma atração em todos os mercados, mas ganhar dinheiro em função dele varia de mercado a mercado.

A meu ver, o único problema de Free (ou benefício, dependendo do ponto de vista) é ser muito simplista. O livro se aprofunda muito pouco no tema central. Apesar de toda a polêmica em seu lançamento, não traz novidades. Não sai muito do lugar.

Free é um bom livro, mas apenas como um pontapé bem inicial no assunto.

Veja também:
Como eles tiraram leite de pedra

Publicado por Tiago Dória, em 20 de setembro de 2009 (domingo).
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Frase da semana

“Não acho que tecnologia, necessariamente, deva ser levada tão a sério, que a internet transforme a condição humana (…) Tecnologia foi construída por seres humanos. Para entendê-la, você deve conhecê-los”

Escritor Andrew Keen, em entrevista ao site da Info, durante a sua passagem pelo Brasil, nesta semana.

Publicado por Tiago Dória, em 19 de setembro de 2009 (sábado).
Categoria: frasedasemana. Tags: , , , , , ,

Site permite editar áudios no próprio navegador

Myna

Editores online de fotos, daqueles que você pode editar tudo no navegador, sem precisar instalar nada no computador, existem aos montes. O Picnik, para mim, é um dos melhores e mais simples.

Aplicativos voltados somente à edição de áudio ainda são raros. Porém, a Aviary, que, na minha opinião, vem se tornando a melhor suíte online de edição multimídia, lançou o Myna, editor online de áudio (multifaixa).

Uma vez mais, como todo aplicativo gratuito, o Myna é limitado. Você pode editar/mixar 10 faixas, no máximo, sendo que cada uma não pode passar de 5 minutos.

Contudo, é possível fazer o upload de sons próprios, gravar o próprio áudio com o microfone do computador ou ainda utilizar uma biblioteca de sons, licenciados apenas para uso não comercial. Na hora de salvar um arquivo, é permitido licenciá-lo pela Creative Commons.

Além disso, é possível inserir alguns efeitos simples, como delay e reverb, o que o torna bem útil para editar rapidamente podcasts e entrevistas e logo publicá-los na web. O Myna suporta os formatos mp3, wav, wma, além de m4a, ogg e aif.

Veja também:
Para fazer entrevistas em vídeo à distância

Publicado por Tiago Dória, em 16 de setembro de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: ferramentas. Tags: , , , , ,

Você sabia que…

A revista Economist promove nos dias 20 e 21 de outubro o Media Convergence Forum, em Nova York. Não será nenhuma espécie de  “hackday“, claro, mas haverá uma competição para eleger as ideias e os projetos mais criativos na área de mídia.

Para divulgação do evento, a Economist publicou esse vídeo sobre as contínuas mudanças na área de mídia. Alguns números estão atualizados. Segue abaixo.

Veja também:
Dia de ‘hackear’ a política brasileira

Publicado por Tiago Dória, em .
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Para colecionar fotos

Livrarias

O site Flickr lançou uma funcionalidade que permite criar coleções de fotos com base nas imagens de outros usuários. É um pouco além de apenas favoritar as imagens preferidas. É montar uma coleção de 18 fotos (no máximo) sobre um tema.

Uma espécie de exposição online com curadoria dos próprios usuários do site.

O usuário MPG, por exemplo, montou uma coleção de fotos sobre chá. E a usuária Debbie G organizou uma sobre livrarias. As fotos não são de MPG ou Debbie, mas foram publicadas por outros usuários e os dois acharam interessante inserir em suas coleções.

Detalhes de como montar a sua coleção ou expô seguem aqui.

Veja também:
Hedcuts de Steve Jobs, Cameron Diaz, Eddie Murphy e Sean Penn

Publicado por Tiago Dória, em 15 de setembro de 2009 (Terça-feira).
Categoria: flickr, fotos. Tags: , , , , , , , , ,