Como descobrir que um site não pensa de modo distribuído

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A Folha de São Paulo publicou regras internas de como os seus jornalistas devem utilizar blogs, microblogs (twitter) e redes sociais. Independentemente da discussão de até onde vai o limite profissional e pessoal, algo que fica bem tênue quando você trabalha e tem o nome estampado em um jornal de grande visibilidade, duas coisas ficam bem evidentes:

1) É mais uma empresa que, quando cria alguma regra interna sobre o uso dessas ferramentas, é para restringir a utilização e não para incentivar (a Bloomberg teve atitude parecida).

2) Com essas regras, a Folha de São Paulo deixa bem claro que não pensa de modo distribuído. Pensar de modo distribuído é ver o seu site como um meio e não um fim, um destino final.

Não esperar que os consumidores venham até você. Mas ir onde eles estão. Pensar de modo distribuído. Ou seja, é você ver o seu site não como o centro da web, mas do lado de fora, pedindo para entrar nas redes e fazer parte das discussões. Você é apenas mais um nó na web.

É o posicionamento que o NYTimes e a CBS vêm adotando. Ir onde o leitor/telespectador está e não ficar aguardando que ele venha até o seu conteúdo. Estar junto aos leitores – em redes sociais, twitter, blogs, sites de vídeo etc. Os limites do jornal ou de uma emissora vão além de seu site.

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Segundo as regras da Folha, os jornalistas:

“não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL”

Ou seja, uma pessoa que segue um jornalista da Folha no Twitter ou em alguma rede social não é leitora do jornal. Ela é leitora da Folha somente quando acessa ou está no site do jornal.

É uma visão centralista e contrária à ideia de ir onde o usuário/leitor está. Enfim, é um posicionamento da Folha, que deve ter os seus motivos.

Na minha opinião, a Folha dá pano pra manga para a concorrência. Não somente para os outros pensarem de modo distribuído, terem uma presença digital mais marcante, mas utilizarem o Twitter de forma mais criativa e menos burocrática.

Ou ainda publicar informações em primeira mão no Twitter, pois sabe-se que, de acordo com as novas regras, o jornalista da Folha terá que segurar a informação até ser publicada no impresso ou online. A priori, o da concorrência, ao contrário, poderá adiantar um assunto em primeira mão no Twitter.

Veja também:
Como engessar o blog de um jornalista

Publicado por Tiago Dória, em 10 de setembro de 2009 (Quinta-feira).
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