Blog do Planalto não quer saber de diálogo com leitores

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Próximo às comemorações da Semana da Pátria, entrou no ar o Blog do Planalto, projeto que teve a sua estréia adiada diversas vezes. Não é o presidente quem escreve os posts, mas uma equipe formada por profissionais que já passaram por outros projetos na rede, como o Global Voices Online.

A principal referência é a fórmula utilizada por Obama no governo dos EUA. A inspiração foi tanta que, no final, foram copiadas as mesmas deficiências do blog da Casa Branca, que, perto do que a campanha de Obama produziu, é algo bem burocrático – conteúdo oficial e previsível, uma espécie de agenda diária do presidente, com transcrição de discursos e decisões do governo, e a falta de espaço para comentários (opinião do leitor).

Ou seja, uma das principais qualidades do conceito de blog, que é a proximidade entre leitor e autor, foi deixada de lado. Apesar do blog ser produzido por uma equipe de 5 pessoas, a assessoria do Planalto alegou não ter  ”estrutura para moderar os comentários”. Há a possibilidade de saber quem fez links para posts do blog, mas, durante os meus testes, essa função (trackbacks) não estava funcionando corretamente.

Na necessidade de referências, em vez do blog da Casa Branca, poderiam ter pego como guia o próprio site do Ministério da Cultura que aceita comentários e tem uma edição menos burocrática e previsível. Ou ainda o blog de Bibiana Aído, ministra da Igualdade, do governo de José Luis Zapatero, na Espanha, e que foge bastante do conteúdo como propaganda oficial e tem um diálogo constante com os cidadãos.

Em suma, a sensação que fica é a de um projeto que chegou tarde. Há 3 anos seria algo diferenciado. Mas, hoje em dia, um blog com conteúdo totalmente oficial e sem espaço para comentários não representa nenhuma novidade, não importa se é de uma empresa ou de um governo.

Veja também:
Político no YouTube é coisa para inglês ver

Publicado por Tiago Dória, em 31 de agosto de 2009 (Segunda-feira).
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Holograma do Fantástico

Neste domingo, no programa Fantástico, a Rede Globo estreou tecnologia que simula uma holografia. É uma versão aprimorada de um efeito utilizado anteriormente em uma entrevista do Globo Esporte, no ano passado.

A tecnologia é semelhante à que a CNN estreou em novembro também no ano passado, durante cobertura da apuração das eleições presidenciais nos EUA. Lá fora, o efeito virou tema de sátira do programa Saturday Night Live de Jay Leno.

Da mesma forma que a CNN, no Fantástico o efeito foi utilizado para fazer entrevistas.

Veja também:
Making of do holograma da CNN

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: videos. Tags: , , , ,

Frase da semana

“Fui, vocês não merecem falar comigo nem com meu anjo”

Apresentadora Xuxa Meneghel, em sua possível despedida do Twitter após receber diversas críticas, surgidas depois que sua filha escreveu uma palavra de forma errada no serviço de microblogging.

Dois meses atrás, outro artista teve problemas em lidar com a superexposição no Twitter. Trent Reznor, vocalista do Nine Inch Nails, deletou o seu perfil do site. Na época, o músico alegou falta de paciência e tempo para lidar com trolls e “fãs raivosos” no Twitter.

Publicado por Tiago Dória, em 29 de agosto de 2009 (sábado).
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‘Realidade aumentada’ no Financial Times

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Na edição impressa desta sexta-feira, o jornal Financial Times (FT) fez um experimento com a chamada tecnologia de “realidade aumentada“.

Ao colocar determinada página do jornal na frente de uma webcam, uma imagem tridimensional aparece na tela, semelhante a uma espécie de holograma.

Por enquanto, a integração da tecnologia com a mídia impressa não passa disso. Contudo, a tecnologia começa a ser usada de forma mais atraente em aplicativos para celular.

O metro de Paris a utiliza em seu aplicativo para facilitar a visualização de pontos comerciais e turísticos na cidade (confira o vídeo)

Vale lembrar que, no mês passado, a Revista Trip fez um experimento parecido com o do FT.

Veja também:
Agregadores, blogs coletivos e jornalismo individual estão em alta

Crédito da imagem: divulgação

Publicado por Tiago Dória, em 28 de agosto de 2009 (sexta-feira).
Categoria: jornalismo, videos. Tags: , , , ,

Conteúdos diferentes exigem formatos publicitários diferentes

chad_01Em tempos em que sites de conteúdo entram em uma espiral de busca por uma fórmula mágica contra a constante queda ou falta de receita, durante a sua participação no Digital Age 2.0, Chad Hurley, co-fundador do YouTube, afirmou que “conteúdos diferentes exigem formatos publicitários diferentes”.

Apesar de meio jogada em sua fala, achei essa frase bem importante. Na visão do executivo, que esteve pela primeira vez no Brasil, o grande lance é diversificar as formas de rentabilizar o seu conteúdo. Não se prender a um único formato.

Quando Hurley falou isso lembrei imediatamente da estratégia digital do Wall Street Journal, que começou a cogitar de trabalhar num processo parecido, em que a receita não virá apenas de publicidade, ou de micropagamentos ou ainda de cobrança de assinaturas, mas de vários desses modelos trabalhando todos ao mesmo tempo. Não trabalhará com um, mas com diversos modelos de receita.

Da mesma forma, Hurley disse que o YouTube está pesquisando diversos formatos para rentabilizar o seu negócio e levando em conta a diferença de cada conteúdo. Não será nenhuma surpresa se, no futuro, o YouTube trabalhar apoiado em micropagamentos, assinaturas e diversos formatos publicitários. Tudo ao mesmo tempo.

Outro ponto que chamou a minha atenção em sua apresentação foi quando Hurley deu a entender que o YouTube não tem mais interesse em fazer experimentos com transmissões ao vivo de vídeos. Segundo ele, é algo que funciona muito bem, mas para eventos com grande público. Sinal de que o primeiro YouTube Live não foi lá essas coisas. A história do YouTube não é feita somente de hits.

chad02_pqPara mim, o ponto alto do Digital Age 2.0 foi a palestra/entrevista de Hurley. Mas uma frase dita no segundo dia também chamou a minha atenção. No meio de sua apresentação, Fábia Juliaz, do Ibope Nielsen Online, disse que esse papo de que tal mídia matou a outra está defasado.

É evidente que meios conviverão lado a lado e terão uso conjunto em diferentes horários do dia. A intensidade de uso de cada mídia é que varia e vai depender de cada pessoa, por qual fase da vida ela está passando. Ou seja, as rotuladas “velhas” e “novas” mídias conviverão só que com intensidades de uso diferentes.

No tempo livre, eu mesmo estou numa fase de passar mais tempo lendo livros do que online ou na frente da TV, no entanto não deixo de acessar a internet e assistir TV. Apenas a intensidade é que mudou.

Enfim, quando falamos de mídia, coexistência é uma palavra realista e que faz sentido hoje em dia.

Veja também:
Como cobrar por conteúdo na web

Publicado por Tiago Dória, em 27 de agosto de 2009 (Quinta-feira).
Categoria: youtube. Tags: , , ,

Debate sobre APIs, celebridades, jornalismo e microblogs na Cásper

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Estão abertas as inscrições para o III Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais, da Faculdade Cásper Líbero. Será no dia 12 de setembro.

Uma vez mais, faço parte da organização do evento ao lado do professor Walter Lima.

Convergência tecnológica e as mídias

=> O seminário começa às 9h com a Fabiana Zanni, diretora de Mídia Digital da editora Abril, falando sobre as possibilidades editoriais abertas com o uso de microblogs, videocasts, blogs etc. Normalmente, a gente acompanha muitas apresentações sobre as possibilidades comerciais desses formatos, mas pouco sobre as viabilidades editoriais, como meio de informação.

Logo em seguida, Pedro Doria, diretor do portal do Estadão e que recentemente voltou ao Brasil depois de um curso de 1 ano na Universidade Stanford, conversa sobre a importância atual do jornalismo impresso num cenário onde há convergência de tecnologias e vários produtores independentes de conteúdo.

Entretenimento na geração We Media

=> No 2ª painel, às 11h, Julio Daio Borges faz um relato pessoal sobre a criação de um dos sites independentes mais relevantes na análise e cobertura das áreas de cultura e entretenimento, o Digestivo Cultural. Como pano de fundo, fala sobre o processo de desintermediação nas respectivas áreas abordadas pelo site.

Phelipe Cruz, editor do site da Capricho,  faz uma apresentação sobre um assunto atual. As celebridades que cada vez mais utilizam o Twitter para falar diretamente com o seu público.O Phelipe vai falar sobre os efeitos para a imprensa e o público dessa quebra de barreiras.

Datamining e APIs na produção de informação

=> No 3º painel, às 14h15, após o almoço, Marcelo Soares, colunista de política do Notícias MTV, conversa sobre o uso de banco de dados e datamining no jornalismo. Soares ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo devido a um projeto que trabalha com esse conceito, do “jornalismo como dados“, o site Excelências – banco de dados sobre a atuação dos legisladores brasileiros.

E para fechar, o jornalista Pedro Valente, atualmente no Yahoo!, fala sobre o começo do processo, apoiado no uso de APIs públicas, de transformação de alguns jornais impressos em plataformas online de conteúdo, assunto bem comum aqui, no blog, e que, atualmente, é protagonizado pelo Guardian e o NYTimes. Para quem não conhece, Valente é um dos poucos jornalistas brasileiros que tem formação na área de programação e desenvolvimento.

O bate-papo promete ser bom.

As inscrições para o seminário são gratuitas e estão abertas. Para se inscrever, é só seguir aqui. (atualização: inscrições encerradas).

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: jornalismo. Tags: , , , , ,

Um filtro “em tempo real” na web

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Uma das coisas mais úteis do aplicativo Twitterfall é que você pode escolher um assunto – por exemplo, #music – e receber um fluxo de mensagens que são publicadas no Twitter sobre o tema. Sempre que alguém publica algo sobre #music, a mensagem aparece em sua tela.

Ou seja, funciona como um filtro do Twitter. É ótimo para monitorar  o que está sendo publicado sobre um tema, sendo que para acompanhar as mensagens você não precisa apertar F5 toda hora, elas aparecem automaticamente na tela, de forma contínua, como um “rio de informação”. As mensagens são visualizadas “em tempo real”.

O que pode ser um lado negativo é que o Twitterfall filtra somente as mensagens do Twitter.

De olho nisso, foi lançado um serviço chamado Lazyfeed, que permite acompanhar tudo o que está sendo publicado na web sobre um determinado assunto.

Não é restrito apenas ao Twitter. Posts em blogs, vídeos e fotos entram no fluxo de informação. E semelhante ao Twitterfall, o conteúdo aparece automaticamente na tela.

No Lazyfeed, por exemplo, basta digitar “tedkennedy” (assunto mais comentado hoje, a morte do senador), que aparecerá na tela todo o conteúdo que é publicado sobre o político.

Veja também:
Twitter até no telão da redação

Publicado por Tiago Dória, em 26 de agosto de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: ferramentas. Tags: , , , ,

Time-lapse na Reuters

Gosta de fotos? Em sua tentativa de testar novas narrativas, a agência de notícias Reuters começou a produzir uma série de especiais que utiliza a técnica de “time-lapse“. No vídeo abaixo, várias fotos tiradas a cada 5 ou 10 segundos. Mostra o dia-a-dia na Casa Branca.

Veja também:
Um blog somente com fotos em 990px

Publicado por Tiago Dória, em 25 de agosto de 2009 (Terça-feira).
Categoria: fotos. Tags: , , , , ,

O fim da internet como a “Terra Prometida”

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A Tirania do email” será o próximo livro a entrar nas livrarias com críticas à chamada cultura digital. Faz parte de um nítido crescente movimento, ainda sem nome, de escritores e “media thinkers” com uma postura mais crítica em relação às transformações causadas pela internet.

No livro, John Freeman faz um manifesto contra a comunicação “em tempo real”. Num pensamento parecido ao do movimento “slow food“, Freeman argumenta a favor de uma comunicação mais interpessoal e menos fascinada pela velocidade. Para o Wall Street Journal, recentemente, o escritor produziu um artigo com alguns pontos que serão abordados no livro.

blackberryaddict01pqFreeman argumenta até contra o uso em excesso do smartphone BlackBerry. Antes uma ferramenta libertadora (posso trabalhar de qualquer lugar) se tornou um instrumento de controle (a empresa está em contato comigo 24 horas e pode me encontrar em qualquer lugar).

Portanto, em outubro, quando o livro será lançado, Freeman entra para o “clube” de escritores que têm uma visão menos romântica em relação à internet, do qual já fazem parte  Andrew Keen, Nicholas Carr e Lee Siegel, que, no ano passado, lançou Against the Machine, livro em que faz um julgamento negativo em relação à digitalização. Uma espécie de versão mais embasada do “Culto ao Amador“, de Keen.

Dois aspectos ficam evidentes com esses lançamentos:

Um deles. O vazio em relação a esse assunto por aqui. Enquanto que, pelo que percebo, no Brasil, acadêmicos e “media thinkers”, em geral,  têm uma visão mais evangelizadora do que científica em relação a esses fenônemos, lá fora a postura já começa a mudar um pouco. Por aqui, é muito comum você ler posts e textos incensando o jornalismo cidadão e as mídias sociais, mas pouquíssimos fazendo uma crítica mais contundente a esses fenômenos.

O que de nenhuma forma é uma postura absurda ou anormal. Sempre quando uma tecnologia surge é comum que, no início, ela seja repleta de teorias otimistas, de profecias positivas e por que não utópicas demais. Normalmente, no início, essas teorias funcionam como uma eficiente ferramenta para vender uma tecnologia como a “terra prometida”. Depois, descobre-se que tal tecnologia trouxe muitas vantagens, mas também pouco do esperado e prometido.

tiraniaemail01Portanto, dentro do contexto da “história das tecnologias”, é normal estarmos passando por uma fase otimista em relação às transformações que a internet está proporcionando. Da mesma forma, no início, as teorias mais otimistas em relação à energia elétrica e à invenção do carro não cogitaram que a eletricidade seria utilizada também para torturar pessoas e nem que os carros causariam tanta poluição e engarrafamentos.

Outro aspecto evidente com o lançamento desses livros, como o de Freeman, é que ele abre espaço para uma espécie de novo ludismo, meio capenga, e que trata as tecnologias como um contraponto natural ao homem, como se tecnologia e humanismo nunca tivessem andado juntos, como se garfos, facas e o papel também não fossem tecnologias.

O que acho uma visão totalmente incompleta por tratar apenas como tecnologia computadores e outros apetrechos tecnológicos mais recentes.

Mas, por outro lado, é mais do que necessária a leitura desses livros. Até por que você não vai formar nenhuma visão crítica ou ter uma postura mais científica apenas lendo textos e livros que incensam as mídias sociais, os blogs e o jornalismo cidadão (para pegar 3 exemplos mais em voga).

Conforme comentei em outro texto, acredito que a verdade sobre essas transformações que a internet está proporcionando esteja no meio termo.

Veja também:
Tecnologia não é somente computador

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: livros. Tags: , , , , , , ,